Um garoto de 18 anos com 16 computadores em uma pequena casa nas ilhas Shetland: lá a polícia terminou a busca pelo centro nervoso global do LulzSec, um grupo de hackers cujas façanhas incluem a depredação ou desativação dos sites do império midiático de Ruperto Murdoch, da CIA, de um punhado de batistas americanos homófobos e da Serious Organised Crime Agency britânica. Ativo de maio ao fim de junho, quando afirma ter se dissolvido, a marca registrada do LulzSec são ataques brincalhões acompanhados de escárnio público. Seus alvos, além dos oficiais, incluíram companhias de segurança digital e de jogos online tidas como pomposas, complacentes ou hipócritas.
Na língua nerd, “lulz” significa dar risada de uma vítima, “sec” quer dizer segurança. Mas recentemente os infortúnios têm sido dos próprios hackers. Dos seis membros centrais presumidos, a polícia prendeu pelo menos dois, incluindo, no fim de julho, o afiançado adolescente escocês Jake Davis. O mais experiente, cujo apelido é Sabu, ainda esta à solta. Cerca de membros do Anonymous, um obscuro coletivo de hábeis hackers com motivações políticas, também estão em custódia de polícias ao redor do mundo, de acordo com Gregg Housh, um homem de Boston que fornecia servidores ao grupo, mas nega estar envolvido nas ações ilegais.
Autoridades nos Estados Unidos, França, Holanda, Noruega e em outros países estão prendendo hackers ativistas e ameaçando-os com prisões reais (sem acesso à internet). Ações policiais à moda antiga, como sentenças menos duras para aqueles que delatarem seus colegas, estão se provando eficientes: “Tratam-se de redes criminosas e há técnicas conhecidas para lidar com redes criminosas”, afirma Nils Gilman, da consultoria Monitor 360.
No meio desta pressão, o subterrâneo hacker, fraturado por disputas e desavenças a respeito de métodos e personalidade, voltou-se contra si mesmo. Guerras civis cibernéticas irromperam, com rivais atacando os computadores uns dos outros e tentando descobrir e revelar suas identidades reais. O LulzSec nasceu de uma destas disputas pouco mais de três meses atrás, quando se separou do Anonymous. “A contenda, sobre quais alvos mereciam ser atacados, foi particularmente amarga”, diz Housh.
Ao se formar, o LulzSec se distanciou de seu pai. O grupo mais antigo estivera empreendendo ataques conta MasterCard, Visa, PayPal e outros que haviam bloqueado doações ao WikiLeaks. O time de autodescritos “evil bastards” (bastardos malvados) escreveu num comunicado à imprensa que preferem importunar pessoas e organizações mais comuns por um “choque de satisfação”. A travessura aparentemente superou a política altruísta: a meta, de acordo com Gregg Housh, é a diversão, “irritar uma pessoa até que ela não aguente mais”. Mas alguns hackers mais puritanos tornaram-se seguranças, tentando desorganizar o LulzSec. Suas excentricidades, dizem, encorajam ataques oficiais contra as liberdades da internet.
Os ativistas hackers podem causar mais danos ao dar cobertura a esforços mais maldosos. Um relatório divulgado nessa semana pela McAfee, uma empresa de segurança digital, revela o resultado de uma sondagem de cinco anos batizada de Operation Shady RAT, que examinou ataques que usavam “Ferramentas de Acesso Remoto” para conquistar acesso a redes de computadores.
A pesquisa não revela o nome do culpado (alguns dedos estão apontados para a China), mas lista 72 vítimas, de autoridades esportivas a governos dos Estados Unidos, Canadá, Índia, Coreia do Sul, Taiwan e Vietnã; além de empresas de defesa e muitas outras companhias. Dmitri Alperovitch, da McAfee, descreve as invasões como “a maior transferência da história em termos de propriedade intelectual”. Keneth Geers do centro de guerra virtual da OTAN, na Estônia, afirma que o boom de ações de hackers torna mais fácil para ciberespiões se passarem por adolescentes rebeldes desgovernados. Assim já não é tão divertido.
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