Estados Unidos e Europa parecem estar sofrendo os efeitos de uma crise que insiste em não chegar ao Brasil. Ledo engano. Os economistas do governo alardeiam por todos os cantos que o Brasil está pronto para enfrentar a crise. Estão errados. O objetivo deste artigo é explorar por que a crise ainda não chegou ao Brasil, e por que a mesma deixará estragos consideráveis em nossa sociedade.
A crise atual nas economias desenvolvidas resulta de um grave desequilíbrio fiscal: vários países usaram de artifícios contábeis para maquiar problemas graves de déficits públicos. Além disso, vários desses países aumentaram exponencialmente o gasto público com a justificativa de combater a crise financeira de 2007-09. O resultado dessas ações pode ser visto na crise atual. A solução para essa crise não é aumentar os gastos do governo, mas sim reduzí-los.
A primeira pergunta que nos propomos a responder é: por que a crise ainda não chegou ao Brasil? Não chegou ainda, pois aqui a situação fiscal de curto prazo não é das piores. Bem ou mal, o governo brasileiro tem conseguido manter o endividamente público dentro de cifras razoáveis. Contudo, aos poucos o governo brasileiro vem se distanciando desse comportamento prudente (herdado ainda da época de FHC) para se aventurar em situações, no mínimo, inusitadas. Os constantes aportes do Tesouro para o BNDES financiar empresas é apenas um dos inúmeros erros de política fiscal que estão sendo cometidos. Erros que com o tempo irão cobrar seu preço. Ou seja, ao analisarmos as perspectivas de finanças públicas no longo prazo, fica evidente o desastre que está por vir para a nossa sociedade.
A segunda pergunta: estamos preparados para crise? A resposta é não. Olímpiadas, Copa do Mundo, Previdência, Usina de Belo Monte, Trem Bala, relação Tesouro-BNDES, entre outros temas, são políticas erradas que pressionam demais o erário público, e que irão comprometer a situação fiscal brasileira no longo prazo.
A crise vai chegar ao Brasil, e irá chegar pelo mesmo canal que hoje afeta os países desenvolvidos: deterioração das contas públicas.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Cada estado tem a família que merece no poder
Como é fofa a atitude do ministro do Turismo de destinar ao Maranhão da família Sarney um convênio de R$ 20 milhões para financiar uma das principais promessas de campanha da aliada. Por Claudio Schamis
Enquanto finalmente o governo federal tomou a decisão mais certa dos últimos tempos e abriu mão de recriar a CPMF, e continua debatendo a questão do sigilo em seus documentos, os ratos fazem a festa. E não tem pesticida que acabe com eles. Só a cadeia, a cassação e a perda do mandato.
A Polícia Federal fez uma grande apreensão de drogas em Taubaté. Levou presos o prefeito, Roberto Peixoto, e a primeira-dama, Luciana Peixoto, acusados de fraude em licitações na compra e na distribuição de remédios e merenda escolar. No meio das drogas também estava Carlos Anderson, ex-diretor de Compras e Licitações da prefeitura, que foi levado também no mesmo bonde acusado de participar do esquema. O engraçado e trágico é que a primeira-dama é presidente de um órgão de assistência social da prefeitura e é ex-secretária de Inclusão Social. Só se for dela própria. Claro que todos negaram qualquer coisa. Teriam que ser muito machos para admitir. Todos eles.
Aliás, isso não é um caso isolado. Bom seria se fosse. Mas não é. E a impunidade é a mãe desses crimes que continuam a acontecer. Garotinhos e Cozzolinos foram investigados e acusados, mas, sempre tem esse maldito ‘mas’ que estraga tudo e põe todos eles de volta ao convívio da política e sedentos por fazer sempre mais uma das suas, já que quase nada acontece com eles, e quando acontece uma mágica é feita que tempos depois eles estão de volta como se fossem a coisa mais fofa do mundo.
Como é fofa a atitude do ministro do Turismo, Pedro Novais, de destinar ao Maranhão de Sarney e da governadora Roseana Sarney, um convênio de R$ 20 milhões para financiar uma das principais promessas de campanha da aliada. Esse valor não é nem metade do que Pedrão destinou (somando tudo) a outros estados que também tem suas necessidades. Mas talvez o Maranhão seja especial, assim como Sarney é um homem incomum nas palavras do ex-presidente Lula. Ou será que é tudo um engano, e Pedrão na hora errou na dose? Ou melhor, no zero? Será então que o Mundo descobriu o Maranhão como o melhor lugar para se passar as férias do mundo e então necessita de um agrado maior que os outros estados? Vale deixar claro que não tenho nada contra o Maranhão e o povo. Contra eles não.
Queria ter um Pedro assim na minha vida. Eu estava com a vida resolvida. Será que se eu me mudar pro Maranhão e falar que tenho um projeto, ele faz o cheque? Sou unha e carne com o Zé Sarney.
Se bem que eu deveria também me tornar unha e carne com outro Zé, o José Richa Filho, mais conhecido como Pepe, e com Fernanda Rica, a Nanda, que são respectivamente, irmão e mulher do governador Beto Richa, o Betão. Os dois assumiram novas secretarias depois que a Assembleia Legislativa do Paraná, aprovou o projeto de lei do governo do estado dando superpoderes aos Richa e ignorando solenemente que isso é nepotismo. Mas como o antecessor, Roberto Requião já praticava isso, talvez queiram seguir a mesma linha de pensamento. E claro dar uma banana para todos. Isso sem falar na dinheirama que envolve essas secretarias, que absorverão nos próximos anos cerca de R$ 5 bilhões do PAC destinados a investimentos em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Vai ficar tudo em família.
Precisa falar mais alguma coisa?
Precisa sim, que essa história aqui no Rio envolvendo a Delta Construções, que detém grande parte dos contratos com o governo estadual e feitos sem concorrência pública ainda vai feder. O que é uma pena, pois não estava contando com uma despesa extra na compra do Bom Ar. Será que o governo vai liberar um Bolsa-Bom Ar?
Salvem as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambiente fechado.
Enquanto finalmente o governo federal tomou a decisão mais certa dos últimos tempos e abriu mão de recriar a CPMF, e continua debatendo a questão do sigilo em seus documentos, os ratos fazem a festa. E não tem pesticida que acabe com eles. Só a cadeia, a cassação e a perda do mandato.
A Polícia Federal fez uma grande apreensão de drogas em Taubaté. Levou presos o prefeito, Roberto Peixoto, e a primeira-dama, Luciana Peixoto, acusados de fraude em licitações na compra e na distribuição de remédios e merenda escolar. No meio das drogas também estava Carlos Anderson, ex-diretor de Compras e Licitações da prefeitura, que foi levado também no mesmo bonde acusado de participar do esquema. O engraçado e trágico é que a primeira-dama é presidente de um órgão de assistência social da prefeitura e é ex-secretária de Inclusão Social. Só se for dela própria. Claro que todos negaram qualquer coisa. Teriam que ser muito machos para admitir. Todos eles.
Aliás, isso não é um caso isolado. Bom seria se fosse. Mas não é. E a impunidade é a mãe desses crimes que continuam a acontecer. Garotinhos e Cozzolinos foram investigados e acusados, mas, sempre tem esse maldito ‘mas’ que estraga tudo e põe todos eles de volta ao convívio da política e sedentos por fazer sempre mais uma das suas, já que quase nada acontece com eles, e quando acontece uma mágica é feita que tempos depois eles estão de volta como se fossem a coisa mais fofa do mundo.
Como é fofa a atitude do ministro do Turismo, Pedro Novais, de destinar ao Maranhão de Sarney e da governadora Roseana Sarney, um convênio de R$ 20 milhões para financiar uma das principais promessas de campanha da aliada. Esse valor não é nem metade do que Pedrão destinou (somando tudo) a outros estados que também tem suas necessidades. Mas talvez o Maranhão seja especial, assim como Sarney é um homem incomum nas palavras do ex-presidente Lula. Ou será que é tudo um engano, e Pedrão na hora errou na dose? Ou melhor, no zero? Será então que o Mundo descobriu o Maranhão como o melhor lugar para se passar as férias do mundo e então necessita de um agrado maior que os outros estados? Vale deixar claro que não tenho nada contra o Maranhão e o povo. Contra eles não.
Queria ter um Pedro assim na minha vida. Eu estava com a vida resolvida. Será que se eu me mudar pro Maranhão e falar que tenho um projeto, ele faz o cheque? Sou unha e carne com o Zé Sarney.
Se bem que eu deveria também me tornar unha e carne com outro Zé, o José Richa Filho, mais conhecido como Pepe, e com Fernanda Rica, a Nanda, que são respectivamente, irmão e mulher do governador Beto Richa, o Betão. Os dois assumiram novas secretarias depois que a Assembleia Legislativa do Paraná, aprovou o projeto de lei do governo do estado dando superpoderes aos Richa e ignorando solenemente que isso é nepotismo. Mas como o antecessor, Roberto Requião já praticava isso, talvez queiram seguir a mesma linha de pensamento. E claro dar uma banana para todos. Isso sem falar na dinheirama que envolve essas secretarias, que absorverão nos próximos anos cerca de R$ 5 bilhões do PAC destinados a investimentos em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Vai ficar tudo em família.
Precisa falar mais alguma coisa?
Precisa sim, que essa história aqui no Rio envolvendo a Delta Construções, que detém grande parte dos contratos com o governo estadual e feitos sem concorrência pública ainda vai feder. O que é uma pena, pois não estava contando com uma despesa extra na compra do Bom Ar. Será que o governo vai liberar um Bolsa-Bom Ar?
Salvem as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambiente fechado.
TRF derruba liminar e mantém salário de R$ 62 mil de Sarney
Salário é quase o dobro dos R$ 26,7 mil recebidos pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, valor máximo para o funcionalismo público
A liminar que determinava que os salários dos servidores públicos dos três poderes não poderiam ultrapassar o teto constitucional foi derrubada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª região (TRF-1). A decisão beneficia o presidente do Senado, José Sarney, que acumula o salário de R$ 62 mil. O valor é a soma de três diferentes vencimentos: seu atual salário como presidente do senado e duas aposentadorias, de ex-governador do Maranhão e servidor do Tribunal de Justiça do estado.
A liminar que determinava que os salários dos servidores públicos dos três poderes não poderiam ultrapassar o teto constitucional foi derrubada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª região (TRF-1). A decisão beneficia o presidente do Senado, José Sarney, que acumula o salário de R$ 62 mil. O valor é a soma de três diferentes vencimentos: seu atual salário como presidente do senado e duas aposentadorias, de ex-governador do Maranhão e servidor do Tribunal de Justiça do estado.
Auditoria revela servidores com supersalários no Senado
De acordo com relatório do TCU, em 2009 havia no Senado 464 servidores que recebiam mais do que um ministro do STF
Uma auditoria realizada em 2009 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no Senado identificou 464 servidores que recebiam mais do que o piso do funcionalismo público, que é o valor do salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — há dois anos, o valor era de R$ 24,5 mil. As informações são do site Congresso em Foco.
Recentemente, uma decisão polêmica do TRF manteve o supersalário de R$ 62 mil do presidente do Senado, José Sarney. No entanto, ele não entra no relatório do TCU.
De acordo com o site, a partir de uma ação do Ministério Público iniciada em 2009, a 9ª Vara Federal de Brasília proibiu o pagamento dos salários que ultrapassavam o valor permitido. No entanto, o Senado e a Câmara entraram com um recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Duas decisões diferentes foram aplicadas. O presidente do TRF, Olindo Menezes, autorizou o pagamento dos salários acima do teto para o Senado. Já a desembargadora Mônica Sifuentes vetou os pagamentos para a Câmara. A discussão deverá ser decidida pelo Supremo.
Outras auditorias investigam os vencimentos acima do teto em diferentes órgãos da administração pública. A auditoria da Câmara ainda não foi finalizada, e, no Executivo, a estimativa é de que existam mais de mil supersalários. Juntos, no Executivo e no Senado, o prejuízo com pagamentos além do teto soma R$ 307 milhões por ano.
De acordo com o relator da reforma administrativa do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), o número de servidores com salários acima do teto pode chegar a 700.
Confira os 10 maiores supersalários do Senado em 2009
- Osvaldo Madonado Sanches: R$ 45.963,59
- Sarah Abrahão: R$ 36.018,76
- Manoel Eduardo de Carvalho Neto: R$ 35.299,02
- José Lucena dos Santos: R$ 34.409,24
- Maria Carmem Castro Souza: R$33.522,13
- Gessi Geisa Gonzaga: R$ 32.411,35
- Florian Augusto Coutinho Madruga: R$ 30.958,19
- Theo Pereira da Silva: R$ 30.879,15
- Maria Aparecida Santos Pereira: R$ 30.821,53
- Loisio José dos Santos: R$ 30.722,49
Uma auditoria realizada em 2009 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no Senado identificou 464 servidores que recebiam mais do que o piso do funcionalismo público, que é o valor do salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — há dois anos, o valor era de R$ 24,5 mil. As informações são do site Congresso em Foco.
Recentemente, uma decisão polêmica do TRF manteve o supersalário de R$ 62 mil do presidente do Senado, José Sarney. No entanto, ele não entra no relatório do TCU.
De acordo com o site, a partir de uma ação do Ministério Público iniciada em 2009, a 9ª Vara Federal de Brasília proibiu o pagamento dos salários que ultrapassavam o valor permitido. No entanto, o Senado e a Câmara entraram com um recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Duas decisões diferentes foram aplicadas. O presidente do TRF, Olindo Menezes, autorizou o pagamento dos salários acima do teto para o Senado. Já a desembargadora Mônica Sifuentes vetou os pagamentos para a Câmara. A discussão deverá ser decidida pelo Supremo.
Outras auditorias investigam os vencimentos acima do teto em diferentes órgãos da administração pública. A auditoria da Câmara ainda não foi finalizada, e, no Executivo, a estimativa é de que existam mais de mil supersalários. Juntos, no Executivo e no Senado, o prejuízo com pagamentos além do teto soma R$ 307 milhões por ano.
De acordo com o relator da reforma administrativa do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), o número de servidores com salários acima do teto pode chegar a 700.
Confira os 10 maiores supersalários do Senado em 2009
- Osvaldo Madonado Sanches: R$ 45.963,59
- Sarah Abrahão: R$ 36.018,76
- Manoel Eduardo de Carvalho Neto: R$ 35.299,02
- José Lucena dos Santos: R$ 34.409,24
- Maria Carmem Castro Souza: R$33.522,13
- Gessi Geisa Gonzaga: R$ 32.411,35
- Florian Augusto Coutinho Madruga: R$ 30.958,19
- Theo Pereira da Silva: R$ 30.879,15
- Maria Aparecida Santos Pereira: R$ 30.821,53
- Loisio José dos Santos: R$ 30.722,49
Movimento ‘Fora Teixeira’ une torcidas rivais
Aconteceu neste sábado, 27, e domingo, 28, nos maiores estádio do Brasil uma das maiores ações coordenadas já vistas das torcidas organizadas do país contra a corrupção e os desmandos na administração do futebol pentacampeão do mundo. Torcedores de São Paulo a Florianópolis, do Rio a Fortaleza, de Belo Horizonte a Porto Alegre levaram faixas e cartazes para as arquibancadas pedindo a saída do cartola Ricardo Teixeira da direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da presidência do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 (COL).
Nos últimos tempos o nome de Ricardo Teixeira vem sendo envolvido em uma série de escândalos que vão desde a acusação de recebimento de suborno no âmbito da Fifa até o favorecimento de parentes e amigos nos contratos com a CBF e com o próprio COL. A indignação contra a figura de Teixeira ganhou corpo após suas polêmicas declarações dadas recentemente à revista Piauí, entre as quais dizendo que estava “cagando” para as denúncias contra si.
Por outro lado, as torcidas organizadas dos maiores clubes do país, comumente associadas à violência no futebol e classificadas como agrupamentos de vândalos e brigões, vêm dando um grande exemplo de organização popular contra os desmandos dos poderosos.
A ação coordenada nas arquibancadas no fim de semana em que aconteceram os maiores clássicos do futebol nacional (Flamengo x Vasco, Corinthians x Palmeiras, Grêmio x Internacional, Cruzeiro x Atlético-MG etc) foi parte da campanha Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira, aprovada democraticamente em junho pelas 27 torcidas que compõem a Confederação Nacional das Torcidas Organizadas (Conatorg).
Havia grande expectativa de como a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, iria se comportar diante dos protestos nas principais praças futebolísticas do país contra seu amigo Ricardo Teixeira. No fim, confirmou-se o boicote anunciado à voz das arquibancadas. Na transmissão do jogo Flamengo x Vasco, por exemplo, não se viu a festa da torcida na tela da Globo, como é de praxe, para que não se tivesse notícia sobre sua indignação.
‘Fora!’ não pode; ‘Filma eu’, pode
A Globo, que já se esmera em uma campanha para excluir os palavrões das músicas que se cantam a milhares de vozes nos estádios do Brasil, parece agora empenhada em fazer as vezes de censora de fato das arquibancadas.
Em São Paulo, a polícia apreendeu faixas contra Teixeira na entrada do estádio Eduardo José Farah, em Presidente Prudente, mas muitas entraram escondidas dentro dos tênis de torcedores. As torcidas organizadas em luta contra a perpetuação de Teixeira e de seus desmandos à frente do futebol profissional no Brasil enfrentam ainda as tentativas de intimidação das federações estaduais amigas da atual direção da CBF.
A Federação Catarinense de Futebol (FCF) chegou a ameaçar de expulsão do estádio Orlando Scarpeli, onde aconteceu o clássico local Avaí x Figueirense no domingo, quem fosse pego com faixas ou cartazes da campanha Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira. O Ministério Público Federal local contestou a tentativa de censura dos protestos em Santa Catarina, e os torcedores do Avaí e do Figueirense entraram no estádio com o material amparados por uma liminar concedida pela Justiça Federal.
Curiosamente a FCF tentou justificar sua ameaça citando o artigo 13-A, inciso IV, do próprio Estatuto do Torcedor, onde está escrito que quem vai aos estádios não pode “portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenofóbico”. Sobre o episódio, o jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil, escreveu em seu blog:
“Qual o temor dos cartolas? Que inadvertidamente uma câmera de TV registre um desses cartazes, mesmo que por uma fração de segundo? Talvez. Mas será que aqueles que levam para a arquibancada cartolinas com os famosos “‘Filma eu’ serão expulsos?”, escreveu Mauro Cezar.
Nos últimos tempos o nome de Ricardo Teixeira vem sendo envolvido em uma série de escândalos que vão desde a acusação de recebimento de suborno no âmbito da Fifa até o favorecimento de parentes e amigos nos contratos com a CBF e com o próprio COL. A indignação contra a figura de Teixeira ganhou corpo após suas polêmicas declarações dadas recentemente à revista Piauí, entre as quais dizendo que estava “cagando” para as denúncias contra si.
Por outro lado, as torcidas organizadas dos maiores clubes do país, comumente associadas à violência no futebol e classificadas como agrupamentos de vândalos e brigões, vêm dando um grande exemplo de organização popular contra os desmandos dos poderosos.
A ação coordenada nas arquibancadas no fim de semana em que aconteceram os maiores clássicos do futebol nacional (Flamengo x Vasco, Corinthians x Palmeiras, Grêmio x Internacional, Cruzeiro x Atlético-MG etc) foi parte da campanha Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira, aprovada democraticamente em junho pelas 27 torcidas que compõem a Confederação Nacional das Torcidas Organizadas (Conatorg).
Havia grande expectativa de como a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, iria se comportar diante dos protestos nas principais praças futebolísticas do país contra seu amigo Ricardo Teixeira. No fim, confirmou-se o boicote anunciado à voz das arquibancadas. Na transmissão do jogo Flamengo x Vasco, por exemplo, não se viu a festa da torcida na tela da Globo, como é de praxe, para que não se tivesse notícia sobre sua indignação.
‘Fora!’ não pode; ‘Filma eu’, pode
A Globo, que já se esmera em uma campanha para excluir os palavrões das músicas que se cantam a milhares de vozes nos estádios do Brasil, parece agora empenhada em fazer as vezes de censora de fato das arquibancadas.
Em São Paulo, a polícia apreendeu faixas contra Teixeira na entrada do estádio Eduardo José Farah, em Presidente Prudente, mas muitas entraram escondidas dentro dos tênis de torcedores. As torcidas organizadas em luta contra a perpetuação de Teixeira e de seus desmandos à frente do futebol profissional no Brasil enfrentam ainda as tentativas de intimidação das federações estaduais amigas da atual direção da CBF.
A Federação Catarinense de Futebol (FCF) chegou a ameaçar de expulsão do estádio Orlando Scarpeli, onde aconteceu o clássico local Avaí x Figueirense no domingo, quem fosse pego com faixas ou cartazes da campanha Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira. O Ministério Público Federal local contestou a tentativa de censura dos protestos em Santa Catarina, e os torcedores do Avaí e do Figueirense entraram no estádio com o material amparados por uma liminar concedida pela Justiça Federal.
Curiosamente a FCF tentou justificar sua ameaça citando o artigo 13-A, inciso IV, do próprio Estatuto do Torcedor, onde está escrito que quem vai aos estádios não pode “portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenofóbico”. Sobre o episódio, o jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil, escreveu em seu blog:
“Qual o temor dos cartolas? Que inadvertidamente uma câmera de TV registre um desses cartazes, mesmo que por uma fração de segundo? Talvez. Mas será que aqueles que levam para a arquibancada cartolinas com os famosos “‘Filma eu’ serão expulsos?”, escreveu Mauro Cezar.
Mesmo um título de dívida conjunto pode não salvar o euro
A experiência universal da administração de crises financeiras mostra que, quanto mais se espera para resolvê-las, mais cara sai a conta final. Na zona do euro, esse momento já chegou. Dois meses atrás se dizia que as piores coisas que poderiam acontecer seria a crise chegar até a Itália e a Espanha e que a recuperação econômica ficasse paralisada.
Agora a crise já se estendeu até a Itália e Espanha, e o crescimento na zona do euro perdeu força. O próximo ponto na sequência da tragédia seria um retorno da recessão. Não se trata de um cenário improvável. Christine Lagarde, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, avisou no fim de semana, com franqueza refrescante, que o risco de uma recessão é grande, e pediu a adoção de medidas urgentes.
A crise já ganhou força tão grande que torna obsoletos os mecanismos de resolução existentes. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira foi criado para tratar de países pequenos, como Grécia, Portugal e Irlanda; como mecanismo para proteger a Itália ou Espanha, é inútil. Se elevássemos seu teto de empréstimos para 2 trilhões de euros, por exemplo, a França correria o risco de perder sua classificação de crédito AAA. Isso, por sua vez, afetaria a capacidade de conceder crédito do próprio FEEF, que é igual à parcela dos países de classificação AAA.
Se realmente quisermos garantir uma proteção para a Itália ou Espanha, a única solução de longo prazo é o que é conhecido no jargão legal como obrigação conjunta e plural -em outras palavras, um título de dívida europeu. Não há como a Alemanha avalizar a Itália ou a França avalizar a Espanha. O problema se tornou tão grande que as únicas garantias dignas de crédito são as conjuntas.
Infelizmente, um título de crédito europeu não é algo que seja possível instituir em uma reunião de emergência à meia-noite de amanhã. Ele requer instituições novas. Teria que ser uma medida em vários passos, como foi a adoção do próprio euro na década de 1990. O título de dívida europeu exigiria uma mudança nos tratados europeus e modificações nas Constituições de vários países.
No esquema normal das coisas, o Conselho Europeu criaria um comitê que passaria um ou dois anos traçando um plano-mestre. Isso seria seguido por uma conferência intergovernamental e uma cúpula dramática. E depois disso o plano levaria anos para ser implementado.
Uma crise pode fazer com que se passem por cima de alguns desses procedimentos, mas para isso seria necessária liderança política, algo que, lamentavelmente, está faltando. Basta olhar para o desentendimento patético entre membros da zona do euro em torno do acordo bilateral da Finlândia com a Grécia para obter garantias para a parte finlandesa do próximo pacote grego. Mesmo agora, a zona do euro continua a brigar sobre os detalhes de um pacote que, essencialmente, é irrelevante para seu futuro.
Imagine a reação se fosse pedido à Alemanha, Holanda ou Finlândia que aprovassem um título de dívida europeu amanhã. Na semana passada, Angela Merkel, a chanceler alemã, excluiu essa possibilidade todos os dias. O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, disse que para isso seria preciso uma união fiscal. Jyrki Katainen, o premiê finlandês, também se opôs à ideia, mas prevê que a questão volte a ser discutida no outono. Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão, disse que uma união política plena seria um pré-requisito para um título de dívida europeu --uma outra maneira de dizer "não".
Será que estão todos blefando? Apenas até certo ponto. Sei que os observadores já ficaram cínicos, especialmente em relação às reservas expressas publicamente por Angela Merkel, que vem se opondo a cada medida adotada na crise, desde o primeiro empréstimo à Grécia até a extensão do mandato do FEEF --apenas para ceder mais tarde. O título de dívida europeu não seria apenas a etapa seguinte nesta brincadeira de negar primeiro e render-se depois? Será que Merkel não vai suavizar o tom depois de o Bundestag acordar mudanças no FEEF?
Sei que há pessoas próximas a Merkel e Schäuble que concordam que um título de dívida europeu seria a única solução para esta crise. Eu não me surpreenderia se elas já tivessem até traçado um plano de emergência. Mas a política está limitando sua ação. Merkel tem uma dificuldade grande pela frente--conseguir uma maioria parlamentar em favor da extensão do FEEF. Ela provavelmente vencerá essa batalha, mas é possível que não vencesse uma briga por um título europeu. A coalizão dela provavelmente seria desfeita.
Portanto, embora eu não consiga visualizar como a Grécia ou Itália poderão permanecer na zona do euro por tempo indeterminado sem um título de dívida europeu, acho igualmente difícil visualizar a Alemanha, Finlândia ou Holanda concordando com essa proposta. Logo, alguém vai ter que ceder. Um título europeu pequeno, cobrindo apenas uma parte pequena da dívida soberana, parece um quebra-galho sedutor. Mas não resolveria a crise. Talvez um governo alemão liderado por sociais democratas aceitaria o título europeu após as eleições previstas para 2013. Mas isso seria tarde demais. Quem sabe a próxima etapa da crise seja tão grave que todo o mundo fique tão assustado que aceite a criação de um título europeu como sendo dos males o menor. Isso poderia funcionar, mas não é o cenário que desejaríamos.
No curto prazo, o único consolo é o programa de aquisição de títulos do Banco Central Europeu por um prazo prolongado, programa esse que agora chega a bem mais de €100 bilhões. Pelo que ouvi, vários membros do conselho de direção do BCE votaram contra. Isso significa que o consenso é frágil e pode não se sustentar para sempre.
A incerteza dupla em torno dos títulos do euro e do programa de aquisição de papéis do BCE sugere que os investidores estejam agindo com racionalidade absoluta ao apostarem contra a zona do euro. Isso significa que a crise vai continuar e que vai se agravar e ficar mais cara. E, a não ser que ocorra uma inversão dramática e muito pronta na resposta política, mesmo um título de dívida europeu pode não funcionar.
Agora a crise já se estendeu até a Itália e Espanha, e o crescimento na zona do euro perdeu força. O próximo ponto na sequência da tragédia seria um retorno da recessão. Não se trata de um cenário improvável. Christine Lagarde, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, avisou no fim de semana, com franqueza refrescante, que o risco de uma recessão é grande, e pediu a adoção de medidas urgentes.
A crise já ganhou força tão grande que torna obsoletos os mecanismos de resolução existentes. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira foi criado para tratar de países pequenos, como Grécia, Portugal e Irlanda; como mecanismo para proteger a Itália ou Espanha, é inútil. Se elevássemos seu teto de empréstimos para 2 trilhões de euros, por exemplo, a França correria o risco de perder sua classificação de crédito AAA. Isso, por sua vez, afetaria a capacidade de conceder crédito do próprio FEEF, que é igual à parcela dos países de classificação AAA.
Se realmente quisermos garantir uma proteção para a Itália ou Espanha, a única solução de longo prazo é o que é conhecido no jargão legal como obrigação conjunta e plural -em outras palavras, um título de dívida europeu. Não há como a Alemanha avalizar a Itália ou a França avalizar a Espanha. O problema se tornou tão grande que as únicas garantias dignas de crédito são as conjuntas.
Infelizmente, um título de crédito europeu não é algo que seja possível instituir em uma reunião de emergência à meia-noite de amanhã. Ele requer instituições novas. Teria que ser uma medida em vários passos, como foi a adoção do próprio euro na década de 1990. O título de dívida europeu exigiria uma mudança nos tratados europeus e modificações nas Constituições de vários países.
No esquema normal das coisas, o Conselho Europeu criaria um comitê que passaria um ou dois anos traçando um plano-mestre. Isso seria seguido por uma conferência intergovernamental e uma cúpula dramática. E depois disso o plano levaria anos para ser implementado.
Uma crise pode fazer com que se passem por cima de alguns desses procedimentos, mas para isso seria necessária liderança política, algo que, lamentavelmente, está faltando. Basta olhar para o desentendimento patético entre membros da zona do euro em torno do acordo bilateral da Finlândia com a Grécia para obter garantias para a parte finlandesa do próximo pacote grego. Mesmo agora, a zona do euro continua a brigar sobre os detalhes de um pacote que, essencialmente, é irrelevante para seu futuro.
Imagine a reação se fosse pedido à Alemanha, Holanda ou Finlândia que aprovassem um título de dívida europeu amanhã. Na semana passada, Angela Merkel, a chanceler alemã, excluiu essa possibilidade todos os dias. O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, disse que para isso seria preciso uma união fiscal. Jyrki Katainen, o premiê finlandês, também se opôs à ideia, mas prevê que a questão volte a ser discutida no outono. Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão, disse que uma união política plena seria um pré-requisito para um título de dívida europeu --uma outra maneira de dizer "não".
Será que estão todos blefando? Apenas até certo ponto. Sei que os observadores já ficaram cínicos, especialmente em relação às reservas expressas publicamente por Angela Merkel, que vem se opondo a cada medida adotada na crise, desde o primeiro empréstimo à Grécia até a extensão do mandato do FEEF --apenas para ceder mais tarde. O título de dívida europeu não seria apenas a etapa seguinte nesta brincadeira de negar primeiro e render-se depois? Será que Merkel não vai suavizar o tom depois de o Bundestag acordar mudanças no FEEF?
Sei que há pessoas próximas a Merkel e Schäuble que concordam que um título de dívida europeu seria a única solução para esta crise. Eu não me surpreenderia se elas já tivessem até traçado um plano de emergência. Mas a política está limitando sua ação. Merkel tem uma dificuldade grande pela frente--conseguir uma maioria parlamentar em favor da extensão do FEEF. Ela provavelmente vencerá essa batalha, mas é possível que não vencesse uma briga por um título europeu. A coalizão dela provavelmente seria desfeita.
Portanto, embora eu não consiga visualizar como a Grécia ou Itália poderão permanecer na zona do euro por tempo indeterminado sem um título de dívida europeu, acho igualmente difícil visualizar a Alemanha, Finlândia ou Holanda concordando com essa proposta. Logo, alguém vai ter que ceder. Um título europeu pequeno, cobrindo apenas uma parte pequena da dívida soberana, parece um quebra-galho sedutor. Mas não resolveria a crise. Talvez um governo alemão liderado por sociais democratas aceitaria o título europeu após as eleições previstas para 2013. Mas isso seria tarde demais. Quem sabe a próxima etapa da crise seja tão grave que todo o mundo fique tão assustado que aceite a criação de um título europeu como sendo dos males o menor. Isso poderia funcionar, mas não é o cenário que desejaríamos.
No curto prazo, o único consolo é o programa de aquisição de títulos do Banco Central Europeu por um prazo prolongado, programa esse que agora chega a bem mais de €100 bilhões. Pelo que ouvi, vários membros do conselho de direção do BCE votaram contra. Isso significa que o consenso é frágil e pode não se sustentar para sempre.
A incerteza dupla em torno dos títulos do euro e do programa de aquisição de papéis do BCE sugere que os investidores estejam agindo com racionalidade absoluta ao apostarem contra a zona do euro. Isso significa que a crise vai continuar e que vai se agravar e ficar mais cara. E, a não ser que ocorra uma inversão dramática e muito pronta na resposta política, mesmo um título de dívida europeu pode não funcionar.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Ex-presidente da Comissão Europeia diz que euro está ‘à beira do precipício’
Segundo Delors, reunião sobre governabilidade entre chanceler da Alemanha e presidente da França são inúteis
Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia entre 1985 e 1994, declarou que a União Europeia e o euro estão “à beira do precipício”. A declaração foi feita ao jornal belga Le Soir nesta quinta-feira, 18.
De acordo com Delors, a reunião sobre governabilidade na zona do euro, realizada nesta semana com a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, são inúteis, já que a discussão era a defesa de “um volume mínimo de cooperação destinada a limitar qualquer transferência de soberania a Bruxelas”.
Delors afirmou que, para evitar uma queda da importância econômica da zona do euro, os estados membros devem aceitar a parceira econômica ou transferir mais poderes para a União. O ex-presidente da Comissão Europeia sugeriu uma divisão parcial das dívidas dos países do bloco que garantiria, segundo ele, uma calmaria nos mercados monetários. Ele também criticou a ideia da criação de um Ministério de Finanças.
Em 21 de julho, líderes europeus optaram por ampliar os poderes do fundo de resgate da zona do euro e forneceram mais um pacote de ajuda a Grécia. “Quando a verdadeira escala dos problemas financeiros da Grécia apareceu pela primeira vez, há cerca de 18 meses, os líderes da Europa falharam em enxergar o que realmente estava na frente deles”, criticou Delors.
Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia entre 1985 e 1994, declarou que a União Europeia e o euro estão “à beira do precipício”. A declaração foi feita ao jornal belga Le Soir nesta quinta-feira, 18.
De acordo com Delors, a reunião sobre governabilidade na zona do euro, realizada nesta semana com a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, são inúteis, já que a discussão era a defesa de “um volume mínimo de cooperação destinada a limitar qualquer transferência de soberania a Bruxelas”.
Delors afirmou que, para evitar uma queda da importância econômica da zona do euro, os estados membros devem aceitar a parceira econômica ou transferir mais poderes para a União. O ex-presidente da Comissão Europeia sugeriu uma divisão parcial das dívidas dos países do bloco que garantiria, segundo ele, uma calmaria nos mercados monetários. Ele também criticou a ideia da criação de um Ministério de Finanças.
Em 21 de julho, líderes europeus optaram por ampliar os poderes do fundo de resgate da zona do euro e forneceram mais um pacote de ajuda a Grécia. “Quando a verdadeira escala dos problemas financeiros da Grécia apareceu pela primeira vez, há cerca de 18 meses, os líderes da Europa falharam em enxergar o que realmente estava na frente deles”, criticou Delors.
França cria imposto de 3% para os mais ricos
'A redução de nossos déficits é uma meta sagrada', disse o primeiro-ministro francês
O primeiro-ministro da França, François Fillon, anunciou nesta quarta-feira, 24, que o país vai economizar € 12 bilhões em 2011 e 2012 por meio de medidas que incluem novas taxações para os mais ricos.
O objetivo do governo francês é assegurar sua meta de déficit de 4,5% sobre o PIB para o próximo ano. A França também revisou para baixo sua perspectiva de crescimento econômico em 2012, de 2,25% para 1,75%. Houve também redução em relação ao cenário deste ano, de 2% para 1,75%.
‘Obrigação econômica e social’
O primeiro-ministro francês disse ainda que o governo vai implementar um imposto temporário de 3% sobre a renda anual de cidadãos que ganham mais de € 500 mil. A França quer evitar que o crescimento lento prejudique a nota máxima “AAA” do país.
“A redução de nossos déficits é uma meta sagrada”, ressaltou Fillon, que disse ainda que se trata de “uma obrigação econômica, mas também uma obrigação social, porque um país não pode viver além de suas possibilidade para sempre”.
O primeiro-ministro da França, François Fillon, anunciou nesta quarta-feira, 24, que o país vai economizar € 12 bilhões em 2011 e 2012 por meio de medidas que incluem novas taxações para os mais ricos.
O objetivo do governo francês é assegurar sua meta de déficit de 4,5% sobre o PIB para o próximo ano. A França também revisou para baixo sua perspectiva de crescimento econômico em 2012, de 2,25% para 1,75%. Houve também redução em relação ao cenário deste ano, de 2% para 1,75%.
‘Obrigação econômica e social’
O primeiro-ministro francês disse ainda que o governo vai implementar um imposto temporário de 3% sobre a renda anual de cidadãos que ganham mais de € 500 mil. A França quer evitar que o crescimento lento prejudique a nota máxima “AAA” do país.
“A redução de nossos déficits é uma meta sagrada”, ressaltou Fillon, que disse ainda que se trata de “uma obrigação econômica, mas também uma obrigação social, porque um país não pode viver além de suas possibilidade para sempre”.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Ouro atinge cotação de USD 1913 durante a noite… A França recebe suporte dos ricos
O Ouro atingiu sua cotação máxima histórica durante esta noite e recuou esta manhã. Na França, 16 presidentes de empresa assinaram um manifesto se voluntariando para uma contribuição excepcional para auxiliar o país a ajustar seus desequilíbrios fiscais.
Os mercados viraram e começaram a subir, trazendo a cotação do Euro para próximo de USD 1,45 e do Ourode volta para USD 1881. A mídia americana está defendendo a tése que esta alta tem a ver com o discurso de Ben Bernanke na sexta-feira… Se já tem o que ser feito, porque esperar até sexta-feira para anunciar?
Os mercados viraram e começaram a subir, trazendo a cotação do Euro para próximo de USD 1,45 e do Ourode volta para USD 1881. A mídia americana está defendendo a tése que esta alta tem a ver com o discurso de Ben Bernanke na sexta-feira… Se já tem o que ser feito, porque esperar até sexta-feira para anunciar?
TIM promete banda larga 3G por R$ 35 em 1000 cidades
Operadora fechou acordo com Telebrás para oferecer o pacote Liberty Web com velocidade de até 1Mbps pelo preço do PNBL.
A TIM Brasil fechou parceria com o governo federal para entregar internet móvel em 1000 cidades brasileiras pelo Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) por 35 reais mensais. O acordo foi fechado nesta quarta-feira, 13/07, em Brasília, durante cerimônia que contou com a presença do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo; do presidente da Telebrás, Caio Bonilha; além do presidente da Intelig, Antonino Ruggiero.
A Telebrás utilizará a rede móvel da TIM, que possui abrangência nacional, para tentar massificar a banda larga no País. O serviço estará disponível inicialmente em duas cidades de Goiás e duas do Distrito Federal por meio de uma versão do plano Liberty Web. A operadora criou o pacote especialmente para esta parceria.
Leia também: PNBL: Internet de 1 mega a R$35 não é vantagem nos principais mercados
A oferta oferece conexão à web com velocidade de até 1Mbps por 35 reais mensais – o valor foi estabelecido como uma das diretrizes do PNBL. Até o fim do próximo ano, a expectativa das empresas parceiras é contemplar 1000 cidades.
Com início de comercialização prevista até setembro de 2011, o plano estará disponível nas cidades de Samambaia, Recanto das Emas, Águas Lindas de Goiás e Santo Antônio do Descoberto.
Para contratar, bastará comparecer a um ponto de venda credenciado da TIM com comprovante de residência em um desses municípios. O minimodem sairá por 96 reais, parcelado em até 12 vezes de 8 reais no cartão de crédito. A venda do plano será limitada a um acesso por CPF.
A TIM Brasil fechou parceria com o governo federal para entregar internet móvel em 1000 cidades brasileiras pelo Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) por 35 reais mensais. O acordo foi fechado nesta quarta-feira, 13/07, em Brasília, durante cerimônia que contou com a presença do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo; do presidente da Telebrás, Caio Bonilha; além do presidente da Intelig, Antonino Ruggiero.
A Telebrás utilizará a rede móvel da TIM, que possui abrangência nacional, para tentar massificar a banda larga no País. O serviço estará disponível inicialmente em duas cidades de Goiás e duas do Distrito Federal por meio de uma versão do plano Liberty Web. A operadora criou o pacote especialmente para esta parceria.
Leia também: PNBL: Internet de 1 mega a R$35 não é vantagem nos principais mercados
A oferta oferece conexão à web com velocidade de até 1Mbps por 35 reais mensais – o valor foi estabelecido como uma das diretrizes do PNBL. Até o fim do próximo ano, a expectativa das empresas parceiras é contemplar 1000 cidades.
Com início de comercialização prevista até setembro de 2011, o plano estará disponível nas cidades de Samambaia, Recanto das Emas, Águas Lindas de Goiás e Santo Antônio do Descoberto.
Para contratar, bastará comparecer a um ponto de venda credenciado da TIM com comprovante de residência em um desses municípios. O minimodem sairá por 96 reais, parcelado em até 12 vezes de 8 reais no cartão de crédito. A venda do plano será limitada a um acesso por CPF.
Banda larga do governo por R$ 35 começa hoje, sem desconto no modem
Moradores de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, são os primeiros a contratar o acesso à Internet oferecido pelo PNBL; equipamento custa R$ 300.
Começa hoje (23/8) a oferta do acesso à Internet em “alta velocidade” de 1 megabit por segundo a R$ 35 por mês, dentro do Plano Nacional de Banda Larga do governo federal.
Segundo a Agência Brasil, os moradores de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás (cidade com cerca de 60 mil habitantes), serão os primeiros a poder contratar o serviço.
Mas o acesso “popular” à Internet banda larga tem outros custos. Para ter acesso ao serviço, também é preciso adquiri o modem, que custa quase 300 reais. Vale lembrar que, na semana passada, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que iria negociar a redução do custo do modem.
Porém, segundo o gerente de marketing da Sadnet, Evandro Sá de Menezes, empresa responsável pela implementação do serviço, ainda não houve um contato do ministério para tratar do assunto. Segundo ele, é possível reduzir o valor do aparelho para até R$ 199, se o governo oferecer redução na carga tributária.
Outra opção em estudo é oferecer o equipamento em regime de comodato, quando o cliente só fica com o aparelho enquanto tiver contrato com a empresa.
Em setembro, a TIM também vai oferecer acesso à Internet com velocidade de 1 Mbps a R$ 35 por mês, com os incentivos do PNBL.
Começa hoje (23/8) a oferta do acesso à Internet em “alta velocidade” de 1 megabit por segundo a R$ 35 por mês, dentro do Plano Nacional de Banda Larga do governo federal.
Segundo a Agência Brasil, os moradores de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás (cidade com cerca de 60 mil habitantes), serão os primeiros a poder contratar o serviço.
Mas o acesso “popular” à Internet banda larga tem outros custos. Para ter acesso ao serviço, também é preciso adquiri o modem, que custa quase 300 reais. Vale lembrar que, na semana passada, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que iria negociar a redução do custo do modem.
Porém, segundo o gerente de marketing da Sadnet, Evandro Sá de Menezes, empresa responsável pela implementação do serviço, ainda não houve um contato do ministério para tratar do assunto. Segundo ele, é possível reduzir o valor do aparelho para até R$ 199, se o governo oferecer redução na carga tributária.
Outra opção em estudo é oferecer o equipamento em regime de comodato, quando o cliente só fica com o aparelho enquanto tiver contrato com a empresa.
Em setembro, a TIM também vai oferecer acesso à Internet com velocidade de 1 Mbps a R$ 35 por mês, com os incentivos do PNBL.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Brasil guarda mais grana em 2010 e tem agora o 7º maior cofre do mundo
Dinheiro é usado para amenizar possíveis impactos de crises externas, como a de 2008
O Brasil encerrou o ano passado com US$ 288,57 bilhões (R$ 461,7 bilhões) em reservas internacionais, informou nesta sexta-feira (19) o Banco Central. Esse desempenho é 20,7% superior ao montante guardado no ano passado. Com isso, a economia brasileira superou Hong Kong e Índia e agora figura na sétima colocação no ranking mundial.
Em outras palavras, significa dizer que o Brasil possui o sétimo cofre do mundo, atrás de China, Japão, Rússia, Arábia Saudita, Taiwan e Coreia do Sul. O BC afirma, no documento, que “o Brasil mostrou-se um mercado atrativo para os investidores internacionais, registrando um fluxo positivo de moeda estrangeira”.
Apesar do resultado satisfatório, o relatório do BC salienta que o Brasil tem a segunda menor proporção entre essa “poupança” do governo e a geração de riquezas do país, com um nível quase três vezes menor que a média internacional. A lista considera dez nações: China, Japão, Rússia, Arábia Saudita, Taiwan, Coreia do Sul, Brasil, Hong Kong, Índia e a zona do euro.
A relação entre a reserva brasileira e o PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de riquezas do país) está em 13,8%, enquanto a média mundial é 46,6%. Quanto maiores as reservas internacionais, mais prevenido está o país contra eventuais crises.
Essa informação é relevante neste momento em que algumas economias europeias e a americana apresentam sinais de desaceleração e até de recessão. Esse cenário externo costuma ter reflexos em economias emergentes, como é o caso do Brasil.
O dinheiro das reservas internacionais funciona como um colchão para suavizar possíveis impactos de crises, como a que estourou em 2008 e afetou praticamente todas as economias mundiais. É como se fosse uma poupança, que pode ser usada em caso de urgência, principalmente quando falta dinheiro no mercado.
As reservas internacionais são formadas a partir da entrada de dinheiro no país, seja por meio das exportações (vendas de mercadorias e matérias-primas para outros países), seja pelo ingresso de grana para investimentos.
.Com essa reserva, o BC consegue evitar a desvalorização repentina da moeda brasileira, o real, que ocorre quando os investidores internacionais, desconfiados com o futuro da economia do país, resolvem sair do mercado brasileiro todos de uma vez. Nesse caso, o governo pode usar o seu cofre. Basicamente, ele pega esse dinheiro, que são dólares, e vende no mercado, o que impede que haja desvalorização da moeda brasileira.
Se há menos dólares em circulação, a moeda americana sobe e a brasileira cai. Já, quando aumenta a oferta de dólares, o dinheiro dos EUA fica mais barato e o do Brasil, valoriza.
O Brasil encerrou o ano passado com US$ 288,57 bilhões (R$ 461,7 bilhões) em reservas internacionais, informou nesta sexta-feira (19) o Banco Central. Esse desempenho é 20,7% superior ao montante guardado no ano passado. Com isso, a economia brasileira superou Hong Kong e Índia e agora figura na sétima colocação no ranking mundial.
Em outras palavras, significa dizer que o Brasil possui o sétimo cofre do mundo, atrás de China, Japão, Rússia, Arábia Saudita, Taiwan e Coreia do Sul. O BC afirma, no documento, que “o Brasil mostrou-se um mercado atrativo para os investidores internacionais, registrando um fluxo positivo de moeda estrangeira”.
Apesar do resultado satisfatório, o relatório do BC salienta que o Brasil tem a segunda menor proporção entre essa “poupança” do governo e a geração de riquezas do país, com um nível quase três vezes menor que a média internacional. A lista considera dez nações: China, Japão, Rússia, Arábia Saudita, Taiwan, Coreia do Sul, Brasil, Hong Kong, Índia e a zona do euro.
A relação entre a reserva brasileira e o PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de riquezas do país) está em 13,8%, enquanto a média mundial é 46,6%. Quanto maiores as reservas internacionais, mais prevenido está o país contra eventuais crises.
Essa informação é relevante neste momento em que algumas economias europeias e a americana apresentam sinais de desaceleração e até de recessão. Esse cenário externo costuma ter reflexos em economias emergentes, como é o caso do Brasil.
O dinheiro das reservas internacionais funciona como um colchão para suavizar possíveis impactos de crises, como a que estourou em 2008 e afetou praticamente todas as economias mundiais. É como se fosse uma poupança, que pode ser usada em caso de urgência, principalmente quando falta dinheiro no mercado.
As reservas internacionais são formadas a partir da entrada de dinheiro no país, seja por meio das exportações (vendas de mercadorias e matérias-primas para outros países), seja pelo ingresso de grana para investimentos.
.Com essa reserva, o BC consegue evitar a desvalorização repentina da moeda brasileira, o real, que ocorre quando os investidores internacionais, desconfiados com o futuro da economia do país, resolvem sair do mercado brasileiro todos de uma vez. Nesse caso, o governo pode usar o seu cofre. Basicamente, ele pega esse dinheiro, que são dólares, e vende no mercado, o que impede que haja desvalorização da moeda brasileira.
Se há menos dólares em circulação, a moeda americana sobe e a brasileira cai. Já, quando aumenta a oferta de dólares, o dinheiro dos EUA fica mais barato e o do Brasil, valoriza.
Bolsas europeias recuam com temores sobre EUA e Europa
As principais Bolsas de Valores europeias operam em baixa no pregão desta sexta-feira, repercutindo o temor de que a economia dos Estados Unidos esteja voltando à recessão e de que haja uma crise bancária sistêmica no continente.
Em Londres, o índice Financial Times recua 1,43%, para 5.019 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX cai 3,20%, atingindo 5.423 pontos. Já em Paris, o índice CAC-40 perde 1,78%, alcançando 3.021 pontos.
Na Ásia, as Bolsas fecharam em forte queda. O índice MSCI das ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão caía 3,92%, levando a perda acumulada neste mês para quase 14%.
Em Tóquio, o índice Nikkei retrocedeu 2,51%, marcando o terceiro dia de declínio. O mercado de Seul desabou 6,22% e o de Taiwan tombou 3,57%, sugerindo que a pressão foi maior em Bolsas com alta exposição a tecnologia.
Várias gigantes do setor, como Dell, HP e LG reduziram as projeções de vendas nesta semana, com piora na perspectiva de investimento das empresas, do governo e dos consumidores.
O mercado caiu 3,08% em Hong Kong, enquanto o índice referencial de Xangai perdeu 0,98%. Cingapura encerrou em queda de 3,23% e Sydney fechou com desvalorização de 3,51%.
Ontem (18), o Ibovespa, o termômetro dos negócios da Bolsa paulista, caiu 3,52%, atingindo os 53.134 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,93 bilhões. Nos Estados Unidos, o Dow Jones teve baixa de 3,68%. O Nasdaq, dominado pelo setor tecnológico, caiu 5,21%, enquanto o índice ampliado Standard & Poor's 500 registrou desvalorização de 4,45%.
A divulgação de novos indicadores apontaram para a fraqueza da economia dos EUA e de outros países desenvolvidos.
Além disso, o banco Morgan Stanley reduziu as previsões de crescimento global em 2011 e 2012, dizendo que os Estados Unidos e a zona do euro estão "perigosamente perto de uma recessão" e criticando as autoridades de Washington e da Europa por não agirem de forma mais decisiva para conter a crise de dívida pública.
O banco cortou de 4,2% para 3,9% a estimativa para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) global em 2011, e a taxa projetada para 2012 baixou de 4,5% para 3,8%
Em Londres, o índice Financial Times recua 1,43%, para 5.019 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX cai 3,20%, atingindo 5.423 pontos. Já em Paris, o índice CAC-40 perde 1,78%, alcançando 3.021 pontos.
Na Ásia, as Bolsas fecharam em forte queda. O índice MSCI das ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão caía 3,92%, levando a perda acumulada neste mês para quase 14%.
Em Tóquio, o índice Nikkei retrocedeu 2,51%, marcando o terceiro dia de declínio. O mercado de Seul desabou 6,22% e o de Taiwan tombou 3,57%, sugerindo que a pressão foi maior em Bolsas com alta exposição a tecnologia.
Várias gigantes do setor, como Dell, HP e LG reduziram as projeções de vendas nesta semana, com piora na perspectiva de investimento das empresas, do governo e dos consumidores.
O mercado caiu 3,08% em Hong Kong, enquanto o índice referencial de Xangai perdeu 0,98%. Cingapura encerrou em queda de 3,23% e Sydney fechou com desvalorização de 3,51%.
Ontem (18), o Ibovespa, o termômetro dos negócios da Bolsa paulista, caiu 3,52%, atingindo os 53.134 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,93 bilhões. Nos Estados Unidos, o Dow Jones teve baixa de 3,68%. O Nasdaq, dominado pelo setor tecnológico, caiu 5,21%, enquanto o índice ampliado Standard & Poor's 500 registrou desvalorização de 4,45%.
A divulgação de novos indicadores apontaram para a fraqueza da economia dos EUA e de outros países desenvolvidos.
Além disso, o banco Morgan Stanley reduziu as previsões de crescimento global em 2011 e 2012, dizendo que os Estados Unidos e a zona do euro estão "perigosamente perto de uma recessão" e criticando as autoridades de Washington e da Europa por não agirem de forma mais decisiva para conter a crise de dívida pública.
O banco cortou de 4,2% para 3,9% a estimativa para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) global em 2011, e a taxa projetada para 2012 baixou de 4,5% para 3,8%
"É a primeira crise que nasceu na periferia", diz Francisco de Oliveira
A crise econômica nos EUA e na Europa foi provocada pela "revolução" que China e Índia imprimiram ao capitalismo, provocando uma mudança na estrutura do poder econômico "sem paralelo na história", afirma o sociólogo Francisco de Oliveira, professor emérito da USP. "É a primeira crise que nasceu na periferia."
Segundo ele, não há muito o que o governo brasileiro possa fazer para conter seus efeitos perigosos, como a valorização da moeda nacional. "É como colocar água em cesto", afirma o acadêmico marxista que foi um dos fundadores do PT, do qual se afastou no início do governo Lula.
FOLHA - Como o sr. analisa o estágio atual da crise econômica nos EUA e na Europa?
FRANCISCO DE OLIVEIRA - Esta crise é a primeira que não nasceu no centro, nasceu na periferia. Daí a dificuldade de tratá-la. Ela nasceu da revolução que a China e a Índia imprimiram ao capitalismo. Esses países colocaram no mercado uma força de trabalho que o Ocidente em toda a sua história não conseguiu botar. É uma revolução extraordinária. Como no filme "Melancolia" [de Lars von Trier], é como se viesse outro planeta e explodisse a Terra.
Essa mão de obra começou a competir com a do centro?
Compete, e tente você produzir tecidos no Brasil. Não consegue.
Muitos economistas dizem que a bolha de crédito que explodiu em 2008 veio da estagnação da renda dos trabalhadores. O crédito foi para que continuassem a consumir.
O crédito dado por quem? Pela China. A China empurra trilhões na economia americana. O Fed (banco central) tem que emprestar aquilo. Passa para o sistema bancário americano, o sistema bancário foi reduzindo as taxas de juros, e sucateando o crédito. Como a renda de fato não cresce, na verdade caiu na última década, você tem um problema clássico de realização de valor [quando o baixo consumo reduz o lucro obtido com a produção]. Estão jogando dinheiro nos EUA porque do contrário liquida tudo, mas a origem da crise é asiática, não é americana.
Então não tem solução para ela?
Não tem, mas vão continuar jogando dinheiro, apagando fogo com gasolina.
Há um debate sobre se a crise assinala a decadência dos EUA como centro capitalista. Qual a sua opinião?
Não assinala a decadência como centro, mas é uma enorme novidade histórica. A China não tem nenhum interesse em torrar os EUA. Eles têm o dinheirinho deles lá. Quem são os maiores aplicadores em bônus do Tesouro americano? Primeiro a China, com um volume extraordinário [US$ 2 trilhões], depois a Índia e depois o Brasil.
Os chineses não têm interesse em entrar em uma guerra comercial ou financeira com os EUA. Se os EUA entrarem em colapso, vai todo mundo. A solução financeira é para não deixar quebrar, mas a raiz dela é uma mudança na estrutura do poder econômico mundial que é sem paralelo na história.
Essa mudança ainda não tem correspondente em outras formas de poder?
Nem no poder político nem no militar. A China é um anão militar, embora esteja acelerando. E também não tem poder político. A época do expansionismo chinês, que deu origem ao PC do B no Brasil, por exemplo, acabou.
Mas a China acabou com os antigos paradigmas, não?
Eles contribuem para quebrar paradigmas, mas não têm um novo modelo. Vai haver, mas o desenho ainda está se formatando. Os chineses têm um relevo extraordinário aí, mas ninguém sabe o que é.
E como o Brasil fica nessa situação?
Não vai acontecer nada demais. Vão ser períodos mornos, dependendo desse arranjo que está se formatando.
O sr. não prevê um bang, uma explosão?
Não, se tiver é uma surpresa extraordinária. É uma coisa que vai ter surtos de crescimento, depois retrai, modera. O dramático é que o governo brasileiro fica quase sem ter o que fazer.
As últimas medidas contra a valorização do câmbio são um placebo?
Placebo. Apesar do esforço da Dilma, não tem o que fazer na economia. Qualquer esforço aí é jogar água em cesto.
Não tem meios de frear essa enxurrada de dólares?
Não. O Brasil fica se vangloriando de ter US$ 300 bilhões em reservas. Isso é uma bobagem. Num dia os EUA derretem isso. É briga de cachorro grande. Nós já passamos do nível de basset, agora somos um perdigueiro, por aí. Não chegamos a doberman não
CLAUDIA ANTUNES
DO RIO
Segundo ele, não há muito o que o governo brasileiro possa fazer para conter seus efeitos perigosos, como a valorização da moeda nacional. "É como colocar água em cesto", afirma o acadêmico marxista que foi um dos fundadores do PT, do qual se afastou no início do governo Lula.
FOLHA - Como o sr. analisa o estágio atual da crise econômica nos EUA e na Europa?
FRANCISCO DE OLIVEIRA - Esta crise é a primeira que não nasceu no centro, nasceu na periferia. Daí a dificuldade de tratá-la. Ela nasceu da revolução que a China e a Índia imprimiram ao capitalismo. Esses países colocaram no mercado uma força de trabalho que o Ocidente em toda a sua história não conseguiu botar. É uma revolução extraordinária. Como no filme "Melancolia" [de Lars von Trier], é como se viesse outro planeta e explodisse a Terra.
Essa mão de obra começou a competir com a do centro?
Compete, e tente você produzir tecidos no Brasil. Não consegue.
Muitos economistas dizem que a bolha de crédito que explodiu em 2008 veio da estagnação da renda dos trabalhadores. O crédito foi para que continuassem a consumir.
O crédito dado por quem? Pela China. A China empurra trilhões na economia americana. O Fed (banco central) tem que emprestar aquilo. Passa para o sistema bancário americano, o sistema bancário foi reduzindo as taxas de juros, e sucateando o crédito. Como a renda de fato não cresce, na verdade caiu na última década, você tem um problema clássico de realização de valor [quando o baixo consumo reduz o lucro obtido com a produção]. Estão jogando dinheiro nos EUA porque do contrário liquida tudo, mas a origem da crise é asiática, não é americana.
Então não tem solução para ela?
Não tem, mas vão continuar jogando dinheiro, apagando fogo com gasolina.
Há um debate sobre se a crise assinala a decadência dos EUA como centro capitalista. Qual a sua opinião?
Não assinala a decadência como centro, mas é uma enorme novidade histórica. A China não tem nenhum interesse em torrar os EUA. Eles têm o dinheirinho deles lá. Quem são os maiores aplicadores em bônus do Tesouro americano? Primeiro a China, com um volume extraordinário [US$ 2 trilhões], depois a Índia e depois o Brasil.
Os chineses não têm interesse em entrar em uma guerra comercial ou financeira com os EUA. Se os EUA entrarem em colapso, vai todo mundo. A solução financeira é para não deixar quebrar, mas a raiz dela é uma mudança na estrutura do poder econômico mundial que é sem paralelo na história.
Essa mudança ainda não tem correspondente em outras formas de poder?
Nem no poder político nem no militar. A China é um anão militar, embora esteja acelerando. E também não tem poder político. A época do expansionismo chinês, que deu origem ao PC do B no Brasil, por exemplo, acabou.
Mas a China acabou com os antigos paradigmas, não?
Eles contribuem para quebrar paradigmas, mas não têm um novo modelo. Vai haver, mas o desenho ainda está se formatando. Os chineses têm um relevo extraordinário aí, mas ninguém sabe o que é.
E como o Brasil fica nessa situação?
Não vai acontecer nada demais. Vão ser períodos mornos, dependendo desse arranjo que está se formatando.
O sr. não prevê um bang, uma explosão?
Não, se tiver é uma surpresa extraordinária. É uma coisa que vai ter surtos de crescimento, depois retrai, modera. O dramático é que o governo brasileiro fica quase sem ter o que fazer.
As últimas medidas contra a valorização do câmbio são um placebo?
Placebo. Apesar do esforço da Dilma, não tem o que fazer na economia. Qualquer esforço aí é jogar água em cesto.
Não tem meios de frear essa enxurrada de dólares?
Não. O Brasil fica se vangloriando de ter US$ 300 bilhões em reservas. Isso é uma bobagem. Num dia os EUA derretem isso. É briga de cachorro grande. Nós já passamos do nível de basset, agora somos um perdigueiro, por aí. Não chegamos a doberman não
CLAUDIA ANTUNES
DO RIO
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Crise financeira mostra regime em beco sem saída, diz Chesnais
A crise financeira não tem final à vista. O modelo de crescimento baseado em endividamento, seguido nos países ricos, está num beco sem saída. E o calcado em exportações de insumos --como o do Brasil-- pode não funcionar por muito tempo.
A análise é do economista marxista francês François Chesnais, 77, professor emérito da Universidade de Paris 13 e autor de "A Mundialização do Capital" (1996) e organizador de "A Finança Mundializada" (2005).
Para ele, os protestos em Londres, no Chile e no Oriente Médio são expressão "de uma doença mundial criada pelo caminho tomado pelo neoliberalismo e pela dominação das finanças". Numa época de valorização do consumismo, são "reações ao extraordinário abismo social", afirma.
Folha - Qual a natureza da crise atual?
François Chesnais - O momento atual é um novo episódio na crise mundial. Ela começou há cinco anos, teve seu ponto mais crítico em setembro de 2008, com a quebra do Lehmann Brothers, e não tem um final à vista. Foi prenunciada pela crise asiática (1997-1998) e, no campo das finanças, pela quase quebra do Long Term Capital Management, no início da crise financeira russa. Eventos-chave nos anos 2000 e 2001 lançaram as bases para a eclosão da crise: o crash da Nasdaq, a resposta norte-americana ao 11 de Setembro, as guerras no Iraque e no Afeganistão, muito custosas política e financeiramente, e a entrada da China na Organização Mundial do Comércio.
Quais são as causas?
O funcionamento da economia mundial desde o início dos anos 2000 se baseou em dois pilares: o regime de crescimento guiado pela dívida, adotado pelos EUA e pela Europa, e o regime de crescimento orientado por exportações globais, no qual a China é a principal base industrial, e o Brasil, a Argentina e a Indonésia são os provedores-chave de recursos naturais. A crise representa o beco sem saída, o impasse absoluto do regime guiado pela dívida. O segundo pilar está levemente melhor, mas o crescimento baseado em exportações globais não poderá funcionar por muito tempo sem uma forte demanda externa, especialmente dos EUA e da União Europeia.
Por que há tensão nos mercados?
Os investidores financeiros estão extremamente preocupados. Há a perspectiva de um segundo mergulho da economia dos EUA, uma crise em forma de "W" nas economias avançadas. Outro risco é a vulnerabilidade do sistema bancário europeu, na zona do euro e também no Reino Unido. Há também o perigo de que o lento crescimento faça com que empréstimos públicos e privados sejam cada vez mais difíceis de serem recuperados.
Qual a situação na Europa?
Na União Europeia, desde abril de 2010, tem havido um contínuo fluxo de dinheiro público para alguns governos e para os bancos. Isso tem sido acoplado a políticas de austeridade muito drásticas em alguns países, que os arrastou à recessão (-4% na Grécia). Com isso, fica impossível o repagamento da dívida soberana. Provoca a quebra de empresas, além de levar os sistemas bancários na Grécia, na Itália e na Espanha para uma cada vez maior proximidade do colapso. Isso ameaça bancos nos países do coração da zona do euro, especialmente na França.
A situação dos bancos é preocupante?
Os eventos nas Bolsas estão sendo subordinados a situações bancárias críticas. Em 2008, a ameaça às finanças globais veio dos bancos de investimento dos EUA e das grandes seguradoras. O próximo episódio financeiro maior acontecerá quando um segmento do sistema bancário da Europa entrar em colapso na Grécia, Espanha ou Itália. A atual turbulência nas Bolsas é a expressão do pânico do investidor, que tenta antecipar esse tipo de evento. Seu principal efeito é contribuir para a efetiva ocorrência de um desastre em algum lugar. Isso afeta o comportamento do consumidor de renda mais alta e desencoraja investimentos da classe média.
Nos seus livros, o sr. descreve os detalhes do avanço das finanças. Como avalia o atual momento na história do capitalismo?
É possível traçar paralelos com o passado. Mas em nenhum período anterior foram tão elevados a quantidade de ações e títulos, os ganhos dos rentistas e nem foi tão grande a quantidade em circulação do que eu chamo de "capital monetário elevado à enézima potência". Nunca os lucros financeiros foram tão altos em comparação com a atividade produtiva. Há as consequências da globalização neoliberal contemporânea. Nunca as finanças foram tão desreguladas. Nunca a capacidade dos governos de recuperar o controle sobre as finanças foi tão fraca. A extrema fraqueza da liderança política é uma consequência direta disso. Mas há uma nova dimensão da história do capitalismo.
Qual é?
Essa nova dimensão é a crise ambiental, começando com as mudanças climáticas, que se desenvolve em paralelo à ascensão das finanças e de sua crise. Por isso, entramos nas piores condições possíveis numa era em que a civilização --como a concebemos, no Ocidente e no Oriente-- está patinando. Nossa era é uma em que as enormes e concentradas forças econômicas estão sendo chamadas a agir em tempos de crise, o que Naomi Klein chama de "a doutrina do choque": setores poderosos da sociedade não apenas protegem eles mesmos, mas usam catástrofes para ampliar sua dominação. A forma como o furacão Katrina foi tratado em Nova Orleans mostra que isso vale para grandes eventos ambientais. Alguma coisa muito perturbadora ocorreu silenciosamente na França e, imagino, em outros lugares: a "luta contra a mudança climática" foi substituída pela "adaptação à mudança climática".
Os governos deveriam jogar mais dinheiro nos mercados financeiros?
As políticas fiscais anunciadas ou já decretadas são fortemente pró-cíclicas. Elas acentuam o beco sem saída do regime de crescimento e a incapacidade que a elite dirigente tem de imaginar qualquer outra maneira de reger a economia. Não haverá fim para a crise mundial enquanto os bancos e os investidores financeiros estiverem no comando, fazendo políticas totalmente dirigidas pelos interesses dos rentistas e dando respostas à crise dominadas por tentativas de dar sobrevida ao regime guiado pela dívida.
O que precisaria ser feito para a retomada da crescimento?
Nos EUA e na Europa a recuperação requer o reestabelecimento do poder de compra das classes baixas e médias, a recriação e expansão da capacidade dos Estados de fazer os investimentos sociais e ambientais necessários e o estabelecimento de um sistema monetário internacional estável, não subordinado ao capital financeiro. As condições para isso vão incluir o cancelamento de boa parte da dívida soberana, assim como de boa parte da dívida doméstica; o reestabelecimento de uma taxação correta para a renda das finanças e do capital (um retorno aos níveis de 1970 seria um começo); o reestabelecimento de um verdadeiro controle público do sistema de crédito; um controle restrito dos fluxos de capital e uma luta efetiva contra os paraísos fiscais.
Qual sua visão sobre o poder das agências de classificação de risco?
O poder das agências de classificação de risco apenas espelha o quanto os governos foram colocados nas mãos das finanças. Mostra a extensão da abdicação do poder dos governos, que mudaram as finanças públicas de uma forma baseada em impostos para uma baseada em dívida. Meu livro mais recente, "Les Dettes Illégitimes, Comment les banques ont fait main basse sur les politiques publiques" (2011) [As dívidas ilegítimas, como os bancos fizeram para manipular as políticas públicas, em tradução livre], enfatiza que, em 1980, a dívida pública da França era de 5% do PIB. Mostro que o crescimento é consequência da diminuição dos impostos para os de renda alta, os ricos em patrimônio e lucros, e dos gastos em programas públicos de financiamento custosos, que se tornaram elefantes brancos, como o Rafale que nenhum país comprou.
E o que ocorre agora?
As agências de risco estão pressionando a elite política francesa para aprofundar as políticas de austeridade. Isso no contexto de uma situação de quase recessão --0% de crescimento e desemprego acima de 9%. A recessão mundial de 2008-2009 mostrou a fraqueza da indústria francesa e os efeitos desastrosos do jogo no mercado da União Europeia. O que é necessário é uma política industrial e tecnológica comum, um sistema de intervenção comum. É possível que, nos próximos meses, ocorra na França uma reação popular contra os próximos cortes de orçamento.
As revoltas no Norte da África e no Oriente Médio, o movimento dos "indignados" na Espanha e agora os protestos em Londres têm alguma ligação?
Eu adicionaria à lista as enormes marchas em Tel Aviv, com 200 mil pessoas, e em outras cidades contra a alta nos preços dos alimentos e o desemprego. E também esse extraordinário movimento dos estudantes no Chile. Cada um desses movimentos precisa ser analisado com cuidado. São obviamente expressão de uma doença mundial criada pelo caminho tomado pelo neoliberalismo e pela dominação das finanças.
O que os movimentos têm em comum?
Eles têm em comum o fato de terem sido estimulados pela juventude. Em muitos casos são liderados por jovens líderes que estão emergindo do movimento. São todos reações ao extraordinário abismo social num tempo em que o consumismo é projetado mundialmente pela tecnologia contemporânea e pelas estratégias de mídia. Cada um tem suas idiossincrasias nacionais e suas trajetórias políticas. Em cada caso há uma diferente mistura de um componente fundamental democrático, com conteúdo anticapitalista. Reagem ao fato de a eles ter sido negada a posse de bens que outros da sua mesma geração possuem no seu cotidiano. A crescente percepção da corrupção politico-financeira atiça a indignação e, no caso dos jovens mais pobres, os faz usar os únicos métodos que têm à disposição.
Como os partidos conservadores, social-democratas e a esquerda estão reagindo a essa situação?
Para os partidos conservadores, é sempre sobre "lei e ordem". Os social-democratas estão em profunda confusão. As forças da esquerda têm sido fortemente puxadas para o jogo institucional. Tomara que a duração, a severidade e os altos riscos da combinação entre as crises econômica e ambiental permitam o renascimento de uma forma de atividade política que comece a realmente desafiar o sistema. Na Europa, foi na Grécia que a mobilização de massa da juventude mostrou o conteúdo político mais profundo. Espero que seja o modelo para outros países.
A análise é do economista marxista francês François Chesnais, 77, professor emérito da Universidade de Paris 13 e autor de "A Mundialização do Capital" (1996) e organizador de "A Finança Mundializada" (2005).
Para ele, os protestos em Londres, no Chile e no Oriente Médio são expressão "de uma doença mundial criada pelo caminho tomado pelo neoliberalismo e pela dominação das finanças". Numa época de valorização do consumismo, são "reações ao extraordinário abismo social", afirma.
Folha - Qual a natureza da crise atual?
François Chesnais - O momento atual é um novo episódio na crise mundial. Ela começou há cinco anos, teve seu ponto mais crítico em setembro de 2008, com a quebra do Lehmann Brothers, e não tem um final à vista. Foi prenunciada pela crise asiática (1997-1998) e, no campo das finanças, pela quase quebra do Long Term Capital Management, no início da crise financeira russa. Eventos-chave nos anos 2000 e 2001 lançaram as bases para a eclosão da crise: o crash da Nasdaq, a resposta norte-americana ao 11 de Setembro, as guerras no Iraque e no Afeganistão, muito custosas política e financeiramente, e a entrada da China na Organização Mundial do Comércio.
Quais são as causas?
O funcionamento da economia mundial desde o início dos anos 2000 se baseou em dois pilares: o regime de crescimento guiado pela dívida, adotado pelos EUA e pela Europa, e o regime de crescimento orientado por exportações globais, no qual a China é a principal base industrial, e o Brasil, a Argentina e a Indonésia são os provedores-chave de recursos naturais. A crise representa o beco sem saída, o impasse absoluto do regime guiado pela dívida. O segundo pilar está levemente melhor, mas o crescimento baseado em exportações globais não poderá funcionar por muito tempo sem uma forte demanda externa, especialmente dos EUA e da União Europeia.
Por que há tensão nos mercados?
Os investidores financeiros estão extremamente preocupados. Há a perspectiva de um segundo mergulho da economia dos EUA, uma crise em forma de "W" nas economias avançadas. Outro risco é a vulnerabilidade do sistema bancário europeu, na zona do euro e também no Reino Unido. Há também o perigo de que o lento crescimento faça com que empréstimos públicos e privados sejam cada vez mais difíceis de serem recuperados.
Qual a situação na Europa?
Na União Europeia, desde abril de 2010, tem havido um contínuo fluxo de dinheiro público para alguns governos e para os bancos. Isso tem sido acoplado a políticas de austeridade muito drásticas em alguns países, que os arrastou à recessão (-4% na Grécia). Com isso, fica impossível o repagamento da dívida soberana. Provoca a quebra de empresas, além de levar os sistemas bancários na Grécia, na Itália e na Espanha para uma cada vez maior proximidade do colapso. Isso ameaça bancos nos países do coração da zona do euro, especialmente na França.
A situação dos bancos é preocupante?
Os eventos nas Bolsas estão sendo subordinados a situações bancárias críticas. Em 2008, a ameaça às finanças globais veio dos bancos de investimento dos EUA e das grandes seguradoras. O próximo episódio financeiro maior acontecerá quando um segmento do sistema bancário da Europa entrar em colapso na Grécia, Espanha ou Itália. A atual turbulência nas Bolsas é a expressão do pânico do investidor, que tenta antecipar esse tipo de evento. Seu principal efeito é contribuir para a efetiva ocorrência de um desastre em algum lugar. Isso afeta o comportamento do consumidor de renda mais alta e desencoraja investimentos da classe média.
Nos seus livros, o sr. descreve os detalhes do avanço das finanças. Como avalia o atual momento na história do capitalismo?
É possível traçar paralelos com o passado. Mas em nenhum período anterior foram tão elevados a quantidade de ações e títulos, os ganhos dos rentistas e nem foi tão grande a quantidade em circulação do que eu chamo de "capital monetário elevado à enézima potência". Nunca os lucros financeiros foram tão altos em comparação com a atividade produtiva. Há as consequências da globalização neoliberal contemporânea. Nunca as finanças foram tão desreguladas. Nunca a capacidade dos governos de recuperar o controle sobre as finanças foi tão fraca. A extrema fraqueza da liderança política é uma consequência direta disso. Mas há uma nova dimensão da história do capitalismo.
Qual é?
Essa nova dimensão é a crise ambiental, começando com as mudanças climáticas, que se desenvolve em paralelo à ascensão das finanças e de sua crise. Por isso, entramos nas piores condições possíveis numa era em que a civilização --como a concebemos, no Ocidente e no Oriente-- está patinando. Nossa era é uma em que as enormes e concentradas forças econômicas estão sendo chamadas a agir em tempos de crise, o que Naomi Klein chama de "a doutrina do choque": setores poderosos da sociedade não apenas protegem eles mesmos, mas usam catástrofes para ampliar sua dominação. A forma como o furacão Katrina foi tratado em Nova Orleans mostra que isso vale para grandes eventos ambientais. Alguma coisa muito perturbadora ocorreu silenciosamente na França e, imagino, em outros lugares: a "luta contra a mudança climática" foi substituída pela "adaptação à mudança climática".
Os governos deveriam jogar mais dinheiro nos mercados financeiros?
As políticas fiscais anunciadas ou já decretadas são fortemente pró-cíclicas. Elas acentuam o beco sem saída do regime de crescimento e a incapacidade que a elite dirigente tem de imaginar qualquer outra maneira de reger a economia. Não haverá fim para a crise mundial enquanto os bancos e os investidores financeiros estiverem no comando, fazendo políticas totalmente dirigidas pelos interesses dos rentistas e dando respostas à crise dominadas por tentativas de dar sobrevida ao regime guiado pela dívida.
O que precisaria ser feito para a retomada da crescimento?
Nos EUA e na Europa a recuperação requer o reestabelecimento do poder de compra das classes baixas e médias, a recriação e expansão da capacidade dos Estados de fazer os investimentos sociais e ambientais necessários e o estabelecimento de um sistema monetário internacional estável, não subordinado ao capital financeiro. As condições para isso vão incluir o cancelamento de boa parte da dívida soberana, assim como de boa parte da dívida doméstica; o reestabelecimento de uma taxação correta para a renda das finanças e do capital (um retorno aos níveis de 1970 seria um começo); o reestabelecimento de um verdadeiro controle público do sistema de crédito; um controle restrito dos fluxos de capital e uma luta efetiva contra os paraísos fiscais.
Qual sua visão sobre o poder das agências de classificação de risco?
O poder das agências de classificação de risco apenas espelha o quanto os governos foram colocados nas mãos das finanças. Mostra a extensão da abdicação do poder dos governos, que mudaram as finanças públicas de uma forma baseada em impostos para uma baseada em dívida. Meu livro mais recente, "Les Dettes Illégitimes, Comment les banques ont fait main basse sur les politiques publiques" (2011) [As dívidas ilegítimas, como os bancos fizeram para manipular as políticas públicas, em tradução livre], enfatiza que, em 1980, a dívida pública da França era de 5% do PIB. Mostro que o crescimento é consequência da diminuição dos impostos para os de renda alta, os ricos em patrimônio e lucros, e dos gastos em programas públicos de financiamento custosos, que se tornaram elefantes brancos, como o Rafale que nenhum país comprou.
E o que ocorre agora?
As agências de risco estão pressionando a elite política francesa para aprofundar as políticas de austeridade. Isso no contexto de uma situação de quase recessão --0% de crescimento e desemprego acima de 9%. A recessão mundial de 2008-2009 mostrou a fraqueza da indústria francesa e os efeitos desastrosos do jogo no mercado da União Europeia. O que é necessário é uma política industrial e tecnológica comum, um sistema de intervenção comum. É possível que, nos próximos meses, ocorra na França uma reação popular contra os próximos cortes de orçamento.
As revoltas no Norte da África e no Oriente Médio, o movimento dos "indignados" na Espanha e agora os protestos em Londres têm alguma ligação?
Eu adicionaria à lista as enormes marchas em Tel Aviv, com 200 mil pessoas, e em outras cidades contra a alta nos preços dos alimentos e o desemprego. E também esse extraordinário movimento dos estudantes no Chile. Cada um desses movimentos precisa ser analisado com cuidado. São obviamente expressão de uma doença mundial criada pelo caminho tomado pelo neoliberalismo e pela dominação das finanças.
O que os movimentos têm em comum?
Eles têm em comum o fato de terem sido estimulados pela juventude. Em muitos casos são liderados por jovens líderes que estão emergindo do movimento. São todos reações ao extraordinário abismo social num tempo em que o consumismo é projetado mundialmente pela tecnologia contemporânea e pelas estratégias de mídia. Cada um tem suas idiossincrasias nacionais e suas trajetórias políticas. Em cada caso há uma diferente mistura de um componente fundamental democrático, com conteúdo anticapitalista. Reagem ao fato de a eles ter sido negada a posse de bens que outros da sua mesma geração possuem no seu cotidiano. A crescente percepção da corrupção politico-financeira atiça a indignação e, no caso dos jovens mais pobres, os faz usar os únicos métodos que têm à disposição.
Como os partidos conservadores, social-democratas e a esquerda estão reagindo a essa situação?
Para os partidos conservadores, é sempre sobre "lei e ordem". Os social-democratas estão em profunda confusão. As forças da esquerda têm sido fortemente puxadas para o jogo institucional. Tomara que a duração, a severidade e os altos riscos da combinação entre as crises econômica e ambiental permitam o renascimento de uma forma de atividade política que comece a realmente desafiar o sistema. Na Europa, foi na Grécia que a mobilização de massa da juventude mostrou o conteúdo político mais profundo. Espero que seja o modelo para outros países.
domingo, 14 de agosto de 2011
Na Argentina, Mantega defende mecanismos regionais para conter crise
ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta sexta-feira em Buenos Aires a adoção de mecanismos regionais para conter possíveis efeitos da crise internacional na América Latina.
"Precisamos aumentar a integração e fortalecer, neste momento, as instituições que já estão criadas (para reduzir o impacto da crise)", disse Mantega.
Segundo ele, para continuar sendo um dos pólos de desenvolvimento do mundo, as barreiras comerciais e financeiras entre os países da região deverão ser reduzidas.
As declarações de Mantega foram feitas no intervalo de uma reunião de ministros da área econômica e representantes dos bancos centrais da Unasul, que terminou nesta sexta, na capital argentina.
"Ficou decidido que nós temos que nos preparar para os eventuais agravamentos da crise que possam nos afetar", afirmou o ministro.
"E nos preparar também para uma crise mais longa dos países avançados, aproveitando a situação que existe hoje na América Latina, que é uma situação melhor, onde todos os países crescem mais."
Sinergia
Mantega disse que o Mercosul foi o primeiro passo para integrar os países, mas defendeu uma "integração maior", que seria útil nos momentos de turbulência da economia mundial.
"Vejo uma grande disposição dos outros países - como o Chile, Colômbia e Peru - em se aproximar mais e criar essa sinergia entre nós, de modo que possamos enfrentar o momento atual e transformar isso num desafio para que nós nos firmemos como economia latino-americana forte", disse.
Segundo ele, foram discutidos mecanismos de defesa que podem ser "incrementados", caso necessário. "Por exemplo, o FLAR, que é uma instituição que já está criada, que já tem as suas regras. Mas temos que discutir as condições (para que o Brasil a integre)."
O FLAR é Fundo Latino-americano de Reservas, criado em 1978, e integrado, atualmente, pela Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela.
A instituição funciona como reserva conjunta que pode ser usada nos momentos de crise. O Brasil, informou o ministro, poderia entrar com US$ 500 milhões, em parcelas, neste fundo. Para isso, disse, o Executivo brasileiro deveria primeiro enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional.
Mantega também citou o mecanismo do Banco de Desenvolvimento da América Latina, criado em 1970, para financiar o setor regional de investimentos. "A região carece de financiamentos para isso. Não tanto o Brasil porque temos mecanismos próprios, mas os países cresceriam mais com financiamento."
'BID desvirtuado'
O ministro disse ainda que existem outros mecanismos em andamento, como o Banco do Sul, que ainda depende de aprovação dos congressos dos países da região. O ministro afirmou ainda que também foi discutido o papel do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para a América Latina.
"O BID deveria ser controlado pelos latino-americanos. Mas ele foi desvirtuado ao longo do tempo", disse Mantega.
O ministro afirmou que, embora a instituição tenha uma presidência latino-americana, ela é controlada mais pelos americanos e até outros países avançados do que pela América Latina.
"Precisamos aumentar a integração e fortalecer, neste momento, as instituições que já estão criadas (para reduzir o impacto da crise)", disse Mantega.
Segundo ele, para continuar sendo um dos pólos de desenvolvimento do mundo, as barreiras comerciais e financeiras entre os países da região deverão ser reduzidas.
As declarações de Mantega foram feitas no intervalo de uma reunião de ministros da área econômica e representantes dos bancos centrais da Unasul, que terminou nesta sexta, na capital argentina.
"Ficou decidido que nós temos que nos preparar para os eventuais agravamentos da crise que possam nos afetar", afirmou o ministro.
"E nos preparar também para uma crise mais longa dos países avançados, aproveitando a situação que existe hoje na América Latina, que é uma situação melhor, onde todos os países crescem mais."
Sinergia
Mantega disse que o Mercosul foi o primeiro passo para integrar os países, mas defendeu uma "integração maior", que seria útil nos momentos de turbulência da economia mundial.
"Vejo uma grande disposição dos outros países - como o Chile, Colômbia e Peru - em se aproximar mais e criar essa sinergia entre nós, de modo que possamos enfrentar o momento atual e transformar isso num desafio para que nós nos firmemos como economia latino-americana forte", disse.
Segundo ele, foram discutidos mecanismos de defesa que podem ser "incrementados", caso necessário. "Por exemplo, o FLAR, que é uma instituição que já está criada, que já tem as suas regras. Mas temos que discutir as condições (para que o Brasil a integre)."
O FLAR é Fundo Latino-americano de Reservas, criado em 1978, e integrado, atualmente, pela Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela.
A instituição funciona como reserva conjunta que pode ser usada nos momentos de crise. O Brasil, informou o ministro, poderia entrar com US$ 500 milhões, em parcelas, neste fundo. Para isso, disse, o Executivo brasileiro deveria primeiro enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional.
Mantega também citou o mecanismo do Banco de Desenvolvimento da América Latina, criado em 1970, para financiar o setor regional de investimentos. "A região carece de financiamentos para isso. Não tanto o Brasil porque temos mecanismos próprios, mas os países cresceriam mais com financiamento."
'BID desvirtuado'
O ministro disse ainda que existem outros mecanismos em andamento, como o Banco do Sul, que ainda depende de aprovação dos congressos dos países da região. O ministro afirmou ainda que também foi discutido o papel do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para a América Latina.
"O BID deveria ser controlado pelos latino-americanos. Mas ele foi desvirtuado ao longo do tempo", disse Mantega.
O ministro afirmou que, embora a instituição tenha uma presidência latino-americana, ela é controlada mais pelos americanos e até outros países avançados do que pela América Latina.
Entenda como a turbulência na economia dos EUA pode afetar o Brasil
O agravamento da situação econômica nos Estados Unidos, especialmente desde que a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota da dívida do país de "AAA" para "AA+", provocou instabilidade nas bolsas em todo o mundo e o temor de uma nova crise de proporções mundiais, assim como a de 2008.
Ainda não se sabe se o país mergulhará em uma nova recessão ou se apenas enfrentará um período maior de desaceleração. A preocupação é que, somados à crise de dívida que afeta diversos países da zona do euro, os problemas na maior economia do mundo possam respingar no resto do mundo, inclusive no Brasil.
O governo brasileiro já disse que a situação interna do país é mais sólida do que em 2008 – já naquela crise, o Brasil não foi afetado tão gravemente quanto as economias mais avançadas.
O Brasil conta com um mercado doméstico aquecido e indicadores internos positivos, como baixo índice de desemprego e consumo em alta. No entanto, segundo analistas, alguns setores devem sentir o impacto dos problemas nos Estados Unidos.
Comércio exterior
Um dos primeiros efeitos das más notícias nos Estados Unidos foi a queda de confiança, não apenas entre consumidores e empresas americanas, mas também ao redor do mundo, o que pode gerar queda no consumo e ter impacto nas exportações.
Mesmo que os Estados Unidos já tenham perdido o posto de maior parceiro comercial do Brasil para a China, uma redução nas importações americanas seria sentida pelo setor exportador brasileiro.
"Devemos esperar níveis menores de atividade para os exportadores brasileiros", disse à BBC Brasil o economista-chefe para a América Latina da consultoria IHS Global Insight, Rafael Amiel.
O analista afirma que as exportações do Brasil para os Estados Unidos nunca se recuperaram depois da última crise econômica mundial, e já estão em um nível menor do que o registrado até 2008. Mas além do impacto direto de uma queda nas importações americanas, o Brasil pode ser afetado também de forma indireta.
Caso os EUA e a Europa deixem de importar produtos de outros países, como a China, esses fornecedores podem ter sua economia prejudicada e, portanto, também reduzir suas próprias compras externas, deixando de importar produtos brasileiros.
Commodities
No caso do Brasil, o efeito da redução das importações por parte dos Estados Unidos e de outros países seria ainda maior no que diz respeito às commodities.
Produtos como soja, minério de ferro e petróleo ocupam grande espaço nas exportações brasileiras.
A queda na demanda por esses produtos, ou a redução dos preços no mercado mundial, teria forte impacto sobre a balança comercial brasileira.
Câmbio
Logo após o anúncio do rebaixamento da nota da dívida dos Estados Unidos, o dólar registrou valorização frente ao real.
No entanto, a moeda americana voltou a perder valor nos dias seguintes, e ainda não se sabe qual será a trajetória em um prazo mais longo.
O setor exportador brasileiro considera excessiva a valorização do real em relação ao dólar, o que torna os produtos nacionais menos competitivos no mercado externo.
Emprego
A queda nas exportações pode reduzir a atividade econômica e pode fazer com que as empresas cortem vagas.
"Toda empresa quer crescer 10%. Elas ficam desesperadas quando isso não acontece", diz o economista Rafael Amiel. "Isso definitivamente não vai acontecer nos próximos 12 a 24 meses."
Nos Estados Unidos, muito antes do rebaixamento da nota da dívida o desemprego já era um dos principais problemas da economia e um dos motivos da lenta recuperação econômica.
Com o agravamento da situação na economia americana, também as empresas exportadoras de outros países, como o Brasil, podem acabar cortando vagas.
Crescimento
A expectativa de economistas é de que as dificuldades nos Estados Unidos reduzam o crescimento não somente da economia americana, mas de outros países também.
Com a queda nas exportações, as empresas têm menos recursos para investir e podem cortar vagas, gerando desemprego, queda no consumo, e menor crescimento.
Alguns analistas já começam a rever para baixo suas previsões de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil.
No último boletim Focus (levantamento divulgado semanalmente pelo Banco Central com base em consultas ao mercado) já houve uma leve redução nas projeções para este ano, de 3,96% para 3,94%. Para 2012, a previsão é de crescimento de 4%.
O economista da IHS, no entanto, observa que, apesar da "alta probabilidade", os Estados Unidos ainda não estão em recessão.
"Temos crescimento lento, mas não uma recessão", diz Amiel.
O analista afirma ainda que o Brasil tem várias "cartas na manga" para lidar com o impacto do agravamento da situação nos Estados Unidos , entre eles a possibilidade de baixar sua taxa de juros
Ainda não se sabe se o país mergulhará em uma nova recessão ou se apenas enfrentará um período maior de desaceleração. A preocupação é que, somados à crise de dívida que afeta diversos países da zona do euro, os problemas na maior economia do mundo possam respingar no resto do mundo, inclusive no Brasil.
O governo brasileiro já disse que a situação interna do país é mais sólida do que em 2008 – já naquela crise, o Brasil não foi afetado tão gravemente quanto as economias mais avançadas.
O Brasil conta com um mercado doméstico aquecido e indicadores internos positivos, como baixo índice de desemprego e consumo em alta. No entanto, segundo analistas, alguns setores devem sentir o impacto dos problemas nos Estados Unidos.
Comércio exterior
Um dos primeiros efeitos das más notícias nos Estados Unidos foi a queda de confiança, não apenas entre consumidores e empresas americanas, mas também ao redor do mundo, o que pode gerar queda no consumo e ter impacto nas exportações.
Mesmo que os Estados Unidos já tenham perdido o posto de maior parceiro comercial do Brasil para a China, uma redução nas importações americanas seria sentida pelo setor exportador brasileiro.
"Devemos esperar níveis menores de atividade para os exportadores brasileiros", disse à BBC Brasil o economista-chefe para a América Latina da consultoria IHS Global Insight, Rafael Amiel.
O analista afirma que as exportações do Brasil para os Estados Unidos nunca se recuperaram depois da última crise econômica mundial, e já estão em um nível menor do que o registrado até 2008. Mas além do impacto direto de uma queda nas importações americanas, o Brasil pode ser afetado também de forma indireta.
Caso os EUA e a Europa deixem de importar produtos de outros países, como a China, esses fornecedores podem ter sua economia prejudicada e, portanto, também reduzir suas próprias compras externas, deixando de importar produtos brasileiros.
Commodities
No caso do Brasil, o efeito da redução das importações por parte dos Estados Unidos e de outros países seria ainda maior no que diz respeito às commodities.
Produtos como soja, minério de ferro e petróleo ocupam grande espaço nas exportações brasileiras.
A queda na demanda por esses produtos, ou a redução dos preços no mercado mundial, teria forte impacto sobre a balança comercial brasileira.
Câmbio
Logo após o anúncio do rebaixamento da nota da dívida dos Estados Unidos, o dólar registrou valorização frente ao real.
No entanto, a moeda americana voltou a perder valor nos dias seguintes, e ainda não se sabe qual será a trajetória em um prazo mais longo.
O setor exportador brasileiro considera excessiva a valorização do real em relação ao dólar, o que torna os produtos nacionais menos competitivos no mercado externo.
Emprego
A queda nas exportações pode reduzir a atividade econômica e pode fazer com que as empresas cortem vagas.
"Toda empresa quer crescer 10%. Elas ficam desesperadas quando isso não acontece", diz o economista Rafael Amiel. "Isso definitivamente não vai acontecer nos próximos 12 a 24 meses."
Nos Estados Unidos, muito antes do rebaixamento da nota da dívida o desemprego já era um dos principais problemas da economia e um dos motivos da lenta recuperação econômica.
Com o agravamento da situação na economia americana, também as empresas exportadoras de outros países, como o Brasil, podem acabar cortando vagas.
Crescimento
A expectativa de economistas é de que as dificuldades nos Estados Unidos reduzam o crescimento não somente da economia americana, mas de outros países também.
Com a queda nas exportações, as empresas têm menos recursos para investir e podem cortar vagas, gerando desemprego, queda no consumo, e menor crescimento.
Alguns analistas já começam a rever para baixo suas previsões de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil.
No último boletim Focus (levantamento divulgado semanalmente pelo Banco Central com base em consultas ao mercado) já houve uma leve redução nas projeções para este ano, de 3,96% para 3,94%. Para 2012, a previsão é de crescimento de 4%.
O economista da IHS, no entanto, observa que, apesar da "alta probabilidade", os Estados Unidos ainda não estão em recessão.
"Temos crescimento lento, mas não uma recessão", diz Amiel.
O analista afirma ainda que o Brasil tem várias "cartas na manga" para lidar com o impacto do agravamento da situação nos Estados Unidos , entre eles a possibilidade de baixar sua taxa de juros
UE elogia medidas de austeridade da Itália
O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, elogiou as novas medidas de austeridade anunciadas pelo gabinete executivo italiano na madrugada de sábado, dizendo que o plano é “crucial” para toda a zona do euro.
O plano, que ainda depende da aprovação do Parlamento e que envolve 45 bilhões de euros, tem como objetivo equilibrar o orçamento italiano até 2013 – um ano antes do determinado inicialmente – por meio de cortes de gastos e de empregos estatais.
Também prevê a imposição de um “imposto de solidariedade”, que deve elevar a contribuição feita pela parcela mais rica da população.
Este é o segundo plano de austeridade feito pela Itália nos últimos meses, na tentativa de conter seu endividamento e evitar o contágio pela crise da dívida, que afeta outros países europeus.
Rompuy emitiu neste domingo um comunicado, após conversar com o premiê italiano Silvio Berlusconi, em que diz que as medidas “são cruciais não apenas para a Itália, mas para a zona do euro como um todo”.
O plano, que ainda depende da aprovação do Parlamento e que envolve 45 bilhões de euros, tem como objetivo equilibrar o orçamento italiano até 2013 – um ano antes do determinado inicialmente – por meio de cortes de gastos e de empregos estatais.
Também prevê a imposição de um “imposto de solidariedade”, que deve elevar a contribuição feita pela parcela mais rica da população.
Este é o segundo plano de austeridade feito pela Itália nos últimos meses, na tentativa de conter seu endividamento e evitar o contágio pela crise da dívida, que afeta outros países europeus.
Rompuy emitiu neste domingo um comunicado, após conversar com o premiê italiano Silvio Berlusconi, em que diz que as medidas “são cruciais não apenas para a Itália, mas para a zona do euro como um todo”.
O S&P vai “pagar” caro pela coragem de ser honesto
A emppresa Standard & Poor’s, que teve a “coragem” de levar a cabo a sua função (ou audácia na opinião dos americanos) vai pagar caro por ter rebaixado a nota de classificação de risco dos Estados Unidos. Já não bastava todo mundo por lá dizer “quem são eles?” ou “eles não servem para nada”… “erraram tudo antes”, “uma empresa que não é séria” e todos os outros ataques depois de terem tomado enfim a atitude correta (aqui no Trading Café já antecipamos tudo isso sobre o excessivo poder nas mãos destas agências…). Porém, agora a coisa vai ficar feia para eles, os americanos não vão deixar barato e a empresa vais sentir na pele o ataque que vão fazer, tirando a credibilidade total da empresa… Mexer com gente grande, mesmo estando certo, pode custar muito caro, mas muito caro. A Securities And Exchange Commission, a SEC, está abrindo um inquérito para averiguar os procedimentos da empresa e já se fala em “vazamento” de informações antes do anúncio do rating. Isso é grave por lá…
Posted on August 13, 2011 by tradingcafe
Posted on August 13, 2011 by tradingcafe
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Fed decide manter juros 'excepcionalmente baixos' até 2013
O Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) afirmou nesta terça-feira que vai manter a taxa de juros "excepcionalmente baixa" até meados de 2013, em um esforço para apoiar a frágil economia em um momento de lenta recuperação e temores de uma recessão.
Atualmente, a taxa de juros dos EUA está no menor nível da história, entre 0% e 0,25%. A ideia é dar confiança aos investidores de que o Fed continua ajudando a economia.
Não está claro, no entanto, se a decisão será suficiente para reverter a tendência de queda das Bolsas americanas, que caíram mais de 15% nas últimas duas semanas.
O Fed ressaltou ainda que o crescimento econômico dos EUA está consideravelmente mais fraco do que o esperado, sugerindo que a inflação vai continuar contida no futuro próximo.
Três membros do conselho do Fed, Richard Fisher de Dallas, Narayana Kocherlakota de Minneapolis, e Charles Plosser da Filadélfia, votaram contra a medida.
"O comitê antecipa que as condições econômicas --incluindo as baixas taxas de utilização de recurso e as expectativas de inflação no médio prazo-- devem garantir níveis excepcionalmente baixos para os juros dos fundos federais até ao menos meados de 2013", disse o órgão, em comunicado.
O Fed reiterou ainda sua política de reinvestir os lucros dos títulos em seu portfólio, apesar de não ter definido um prazo para tal.
RECOMPRA
O comunicado decepcionou os economistas, que esperavam ver medidas concretas para influenciar na economia americana, como um possível novo relaxamento, com a injeção, por parte do governo, de dinheiro para fazer girar a economia.
Há três semanas, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse estar preparado para oferecer mais estímulos à economia se fosse necessário.
A expectativa da imprensa americana era que o Fed divulgasse nesta terça-feira uma nova rodada de recompra de títulos do Tesouro, uma prática de compra de títulos do Tesouro que equivale na prática à impressão de moeda.
O relaxamento, chamado de "quantitative easing", tem como objetivo declarado aumentar a liquidez do sistema econômico --o que pode animar investidores e consumidores a voltar a gastar.
Na primeira vez, o Fed chegou a investir no auge da crise econômica mundial, entre 2008 e 2009, US$ 1,75 trilhão na compra de títulos. Sua segunda versão foi adotada por oito meses, até junho de 2011 e injetou US$ 600 bilhões na economia americana --sem grandes resultados no crescimento dos EUA.
Uma segunda opção de interferência na economia, segundo o próprio Bernanke afirmou, seria reduzir os juros pagos aos bancos pelas reservas bancárias, o que iria encorajar essas instituições a aumentar o crédito.
PÂNICO
Em meio ao pânico mundial dos mercados acionários --que amargaram quedas nas Bolsas semelhantes ao do auge da crise, em 2008--, os investidores ignoraram o rebaixamento da nota dos EUA e correram para títulos do Tesouro americano e para o dólar. O rendimento desses papéis caiu para o menor nível desde 2009.
A fuga de capital das Bolsas derrubou índices pelo mundo. A Bovespa despencou 8,08%, e o dólar foi a R$ 1,61. Petrobras, Vale e Marfrig amargaram forte desvalorização. A presidente Dilma Rousseff recomendou às pessoas cautela na hora de gastar.
Atualmente, a taxa de juros dos EUA está no menor nível da história, entre 0% e 0,25%. A ideia é dar confiança aos investidores de que o Fed continua ajudando a economia.
Não está claro, no entanto, se a decisão será suficiente para reverter a tendência de queda das Bolsas americanas, que caíram mais de 15% nas últimas duas semanas.
O Fed ressaltou ainda que o crescimento econômico dos EUA está consideravelmente mais fraco do que o esperado, sugerindo que a inflação vai continuar contida no futuro próximo.
Três membros do conselho do Fed, Richard Fisher de Dallas, Narayana Kocherlakota de Minneapolis, e Charles Plosser da Filadélfia, votaram contra a medida.
"O comitê antecipa que as condições econômicas --incluindo as baixas taxas de utilização de recurso e as expectativas de inflação no médio prazo-- devem garantir níveis excepcionalmente baixos para os juros dos fundos federais até ao menos meados de 2013", disse o órgão, em comunicado.
O Fed reiterou ainda sua política de reinvestir os lucros dos títulos em seu portfólio, apesar de não ter definido um prazo para tal.
RECOMPRA
O comunicado decepcionou os economistas, que esperavam ver medidas concretas para influenciar na economia americana, como um possível novo relaxamento, com a injeção, por parte do governo, de dinheiro para fazer girar a economia.
Há três semanas, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse estar preparado para oferecer mais estímulos à economia se fosse necessário.
A expectativa da imprensa americana era que o Fed divulgasse nesta terça-feira uma nova rodada de recompra de títulos do Tesouro, uma prática de compra de títulos do Tesouro que equivale na prática à impressão de moeda.
O relaxamento, chamado de "quantitative easing", tem como objetivo declarado aumentar a liquidez do sistema econômico --o que pode animar investidores e consumidores a voltar a gastar.
Na primeira vez, o Fed chegou a investir no auge da crise econômica mundial, entre 2008 e 2009, US$ 1,75 trilhão na compra de títulos. Sua segunda versão foi adotada por oito meses, até junho de 2011 e injetou US$ 600 bilhões na economia americana --sem grandes resultados no crescimento dos EUA.
Uma segunda opção de interferência na economia, segundo o próprio Bernanke afirmou, seria reduzir os juros pagos aos bancos pelas reservas bancárias, o que iria encorajar essas instituições a aumentar o crédito.
PÂNICO
Em meio ao pânico mundial dos mercados acionários --que amargaram quedas nas Bolsas semelhantes ao do auge da crise, em 2008--, os investidores ignoraram o rebaixamento da nota dos EUA e correram para títulos do Tesouro americano e para o dólar. O rendimento desses papéis caiu para o menor nível desde 2009.
A fuga de capital das Bolsas derrubou índices pelo mundo. A Bovespa despencou 8,08%, e o dólar foi a R$ 1,61. Petrobras, Vale e Marfrig amargaram forte desvalorização. A presidente Dilma Rousseff recomendou às pessoas cautela na hora de gastar.
Hackers e os perigos do mundo real
Um garoto de 18 anos com 16 computadores em uma pequena casa nas ilhas Shetland: lá a polícia terminou a busca pelo centro nervoso global do LulzSec, um grupo de hackers cujas façanhas incluem a depredação ou desativação dos sites do império midiático de Ruperto Murdoch, da CIA, de um punhado de batistas americanos homófobos e da Serious Organised Crime Agency britânica. Ativo de maio ao fim de junho, quando afirma ter se dissolvido, a marca registrada do LulzSec são ataques brincalhões acompanhados de escárnio público. Seus alvos, além dos oficiais, incluíram companhias de segurança digital e de jogos online tidas como pomposas, complacentes ou hipócritas.
Na língua nerd, “lulz” significa dar risada de uma vítima, “sec” quer dizer segurança. Mas recentemente os infortúnios têm sido dos próprios hackers. Dos seis membros centrais presumidos, a polícia prendeu pelo menos dois, incluindo, no fim de julho, o afiançado adolescente escocês Jake Davis. O mais experiente, cujo apelido é Sabu, ainda esta à solta. Cerca de membros do Anonymous, um obscuro coletivo de hábeis hackers com motivações políticas, também estão em custódia de polícias ao redor do mundo, de acordo com Gregg Housh, um homem de Boston que fornecia servidores ao grupo, mas nega estar envolvido nas ações ilegais.
Autoridades nos Estados Unidos, França, Holanda, Noruega e em outros países estão prendendo hackers ativistas e ameaçando-os com prisões reais (sem acesso à internet). Ações policiais à moda antiga, como sentenças menos duras para aqueles que delatarem seus colegas, estão se provando eficientes: “Tratam-se de redes criminosas e há técnicas conhecidas para lidar com redes criminosas”, afirma Nils Gilman, da consultoria Monitor 360.
No meio desta pressão, o subterrâneo hacker, fraturado por disputas e desavenças a respeito de métodos e personalidade, voltou-se contra si mesmo. Guerras civis cibernéticas irromperam, com rivais atacando os computadores uns dos outros e tentando descobrir e revelar suas identidades reais. O LulzSec nasceu de uma destas disputas pouco mais de três meses atrás, quando se separou do Anonymous. “A contenda, sobre quais alvos mereciam ser atacados, foi particularmente amarga”, diz Housh.
Ao se formar, o LulzSec se distanciou de seu pai. O grupo mais antigo estivera empreendendo ataques conta MasterCard, Visa, PayPal e outros que haviam bloqueado doações ao WikiLeaks. O time de autodescritos “evil bastards” (bastardos malvados) escreveu num comunicado à imprensa que preferem importunar pessoas e organizações mais comuns por um “choque de satisfação”. A travessura aparentemente superou a política altruísta: a meta, de acordo com Gregg Housh, é a diversão, “irritar uma pessoa até que ela não aguente mais”. Mas alguns hackers mais puritanos tornaram-se seguranças, tentando desorganizar o LulzSec. Suas excentricidades, dizem, encorajam ataques oficiais contra as liberdades da internet.
Os ativistas hackers podem causar mais danos ao dar cobertura a esforços mais maldosos. Um relatório divulgado nessa semana pela McAfee, uma empresa de segurança digital, revela o resultado de uma sondagem de cinco anos batizada de Operation Shady RAT, que examinou ataques que usavam “Ferramentas de Acesso Remoto” para conquistar acesso a redes de computadores.
A pesquisa não revela o nome do culpado (alguns dedos estão apontados para a China), mas lista 72 vítimas, de autoridades esportivas a governos dos Estados Unidos, Canadá, Índia, Coreia do Sul, Taiwan e Vietnã; além de empresas de defesa e muitas outras companhias. Dmitri Alperovitch, da McAfee, descreve as invasões como “a maior transferência da história em termos de propriedade intelectual”. Keneth Geers do centro de guerra virtual da OTAN, na Estônia, afirma que o boom de ações de hackers torna mais fácil para ciberespiões se passarem por adolescentes rebeldes desgovernados. Assim já não é tão divertido.
Na língua nerd, “lulz” significa dar risada de uma vítima, “sec” quer dizer segurança. Mas recentemente os infortúnios têm sido dos próprios hackers. Dos seis membros centrais presumidos, a polícia prendeu pelo menos dois, incluindo, no fim de julho, o afiançado adolescente escocês Jake Davis. O mais experiente, cujo apelido é Sabu, ainda esta à solta. Cerca de membros do Anonymous, um obscuro coletivo de hábeis hackers com motivações políticas, também estão em custódia de polícias ao redor do mundo, de acordo com Gregg Housh, um homem de Boston que fornecia servidores ao grupo, mas nega estar envolvido nas ações ilegais.
Autoridades nos Estados Unidos, França, Holanda, Noruega e em outros países estão prendendo hackers ativistas e ameaçando-os com prisões reais (sem acesso à internet). Ações policiais à moda antiga, como sentenças menos duras para aqueles que delatarem seus colegas, estão se provando eficientes: “Tratam-se de redes criminosas e há técnicas conhecidas para lidar com redes criminosas”, afirma Nils Gilman, da consultoria Monitor 360.
No meio desta pressão, o subterrâneo hacker, fraturado por disputas e desavenças a respeito de métodos e personalidade, voltou-se contra si mesmo. Guerras civis cibernéticas irromperam, com rivais atacando os computadores uns dos outros e tentando descobrir e revelar suas identidades reais. O LulzSec nasceu de uma destas disputas pouco mais de três meses atrás, quando se separou do Anonymous. “A contenda, sobre quais alvos mereciam ser atacados, foi particularmente amarga”, diz Housh.
Ao se formar, o LulzSec se distanciou de seu pai. O grupo mais antigo estivera empreendendo ataques conta MasterCard, Visa, PayPal e outros que haviam bloqueado doações ao WikiLeaks. O time de autodescritos “evil bastards” (bastardos malvados) escreveu num comunicado à imprensa que preferem importunar pessoas e organizações mais comuns por um “choque de satisfação”. A travessura aparentemente superou a política altruísta: a meta, de acordo com Gregg Housh, é a diversão, “irritar uma pessoa até que ela não aguente mais”. Mas alguns hackers mais puritanos tornaram-se seguranças, tentando desorganizar o LulzSec. Suas excentricidades, dizem, encorajam ataques oficiais contra as liberdades da internet.
Os ativistas hackers podem causar mais danos ao dar cobertura a esforços mais maldosos. Um relatório divulgado nessa semana pela McAfee, uma empresa de segurança digital, revela o resultado de uma sondagem de cinco anos batizada de Operation Shady RAT, que examinou ataques que usavam “Ferramentas de Acesso Remoto” para conquistar acesso a redes de computadores.
A pesquisa não revela o nome do culpado (alguns dedos estão apontados para a China), mas lista 72 vítimas, de autoridades esportivas a governos dos Estados Unidos, Canadá, Índia, Coreia do Sul, Taiwan e Vietnã; além de empresas de defesa e muitas outras companhias. Dmitri Alperovitch, da McAfee, descreve as invasões como “a maior transferência da história em termos de propriedade intelectual”. Keneth Geers do centro de guerra virtual da OTAN, na Estônia, afirma que o boom de ações de hackers torna mais fácil para ciberespiões se passarem por adolescentes rebeldes desgovernados. Assim já não é tão divertido.
Os rumos da economia
Especialistas debatem os efeitos de medidas para reduzir déficits no cenário global. Por Fernanda Dias
A redução da dívida, ou desalavancagem, é um processo inevitável para muitos países nos próximos anos. E de sofrimento. Qualquer consumidor que precise cortar gastos tem que fazer escolhas. Com os governos não é diferente. Aumento de impostos, diminuição nos gastos sociais e alteração nas regras de aposentadorias são apenas algumas das tradicionais estratégias para reduzir o déficit que deverão estar no centro de grandes polêmicas.
Para o economista e professor do Ibmec-Rio Gilberto Braga, os próximos anos deverão ser de ajustes econômicos e de uma retomada lenta e gradual das economias globais. Ele lembra que os problemas de 2008 foram mais sérios do que a princípio se poderia prever, e suas consequências ainda estão presentes nos Estados Unidos e em diversos países da União Europeia: “A desalavancagem, entendida como a diminuição da especulação com ativos financeiros, principalmente com derivativos, deve ocorrer. A crise global exige dos países e das empresas em geral um grau mais evoluído de governança corporativa, com maior transparência, prestação de contas e sustentabilidade”.
O doutor em ciência política pela universidade norte-americana Johns Hopkins e professor de metodologia do Iuperj, Antônio Botelho, também acredita que os governos, particularmente europeus e de países em desenvolvimento, serão mais cautelosos e procurarão controlar seus déficits: “Esse processo de redução da dívida poderá se acelerar caso a pressão dos custos dos alimentos provoque uma aceleração no crescimento da inflação. Já o governo norte-americano continuará expandindo sua dívida, uma vez que há suficiente liquidez internacional e corporativa para financiá-la. Com a aprovação da elevação do teto da dívida, eles devem continuar perseguindo programas de estímulo econômico no sentido de relançar o crescimento da economia”, afirma ele.
A professora do curso de Relações Internacionais da ESPM-RJ Andréa Ribeiro também defende que, embora pareça haver uma forte pressão em direção à desalavancagem aliada a um ajuste fiscal no sistema internacional, começam a ganhar força discursos que questionam esse modelo aparentemente hegemônico: “Esse discurso é fruto de pressões políticas de órgãos como a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Por outro lado, deve haver em alguns Estados a busca por novas soluções para a crise econômica e financeira internacional e o questionamento da proposta ortodoxa da desalavancagem”.
Andréa chama atenção para o fato de medidas conservadoras – como o corte nos gastos sociais e o ajuste fiscal – já estarem apresentado impactos problemáticos para a população de diferentes países: “O corte nos gastos públicos não gerou crescimento econômico e aumento do nível de emprego em vários países, como Grécia, Espanha e Irlanda. Na Grécia, a população se revolta e questiona o ajuste fiscal rigoroso como única forma de combate à crise. A medida conservadora começa a ser questionada em vários lugares, abrindo espaço para o desenvolvimento de novas propostas de solução para a crise financeira internacional”.
Segundo Gilberto Braga, esse cenário que se configura em muitos países deverá estimular o crescimento de investimentos em novas tecnologias, que possam aumentar a produtividade e desenvolver insumos e matérias primas alternativas. Ele acredita ainda que os gastos com educação tendem a ser impulsionados e que haverá um intenso debate sobre o papel do Estado, principalmente em relação aos gastos sócias.
“A tendência a se ter um Estado mais controlador e menos gastador passa, necessariamente, por aumentos de tributos e por revisão de políticas sociais. A população deverá pressionar os governos, e é razoável supor que haverá muitas danças das cadeiras nos partidos políticos que hoje estão no poder em todo o mundo”, afirma o professor do Ibmec-Rio.
A redução da dívida, ou desalavancagem, é um processo inevitável para muitos países nos próximos anos. E de sofrimento. Qualquer consumidor que precise cortar gastos tem que fazer escolhas. Com os governos não é diferente. Aumento de impostos, diminuição nos gastos sociais e alteração nas regras de aposentadorias são apenas algumas das tradicionais estratégias para reduzir o déficit que deverão estar no centro de grandes polêmicas.
Para o economista e professor do Ibmec-Rio Gilberto Braga, os próximos anos deverão ser de ajustes econômicos e de uma retomada lenta e gradual das economias globais. Ele lembra que os problemas de 2008 foram mais sérios do que a princípio se poderia prever, e suas consequências ainda estão presentes nos Estados Unidos e em diversos países da União Europeia: “A desalavancagem, entendida como a diminuição da especulação com ativos financeiros, principalmente com derivativos, deve ocorrer. A crise global exige dos países e das empresas em geral um grau mais evoluído de governança corporativa, com maior transparência, prestação de contas e sustentabilidade”.
O doutor em ciência política pela universidade norte-americana Johns Hopkins e professor de metodologia do Iuperj, Antônio Botelho, também acredita que os governos, particularmente europeus e de países em desenvolvimento, serão mais cautelosos e procurarão controlar seus déficits: “Esse processo de redução da dívida poderá se acelerar caso a pressão dos custos dos alimentos provoque uma aceleração no crescimento da inflação. Já o governo norte-americano continuará expandindo sua dívida, uma vez que há suficiente liquidez internacional e corporativa para financiá-la. Com a aprovação da elevação do teto da dívida, eles devem continuar perseguindo programas de estímulo econômico no sentido de relançar o crescimento da economia”, afirma ele.
A professora do curso de Relações Internacionais da ESPM-RJ Andréa Ribeiro também defende que, embora pareça haver uma forte pressão em direção à desalavancagem aliada a um ajuste fiscal no sistema internacional, começam a ganhar força discursos que questionam esse modelo aparentemente hegemônico: “Esse discurso é fruto de pressões políticas de órgãos como a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Por outro lado, deve haver em alguns Estados a busca por novas soluções para a crise econômica e financeira internacional e o questionamento da proposta ortodoxa da desalavancagem”.
Andréa chama atenção para o fato de medidas conservadoras – como o corte nos gastos sociais e o ajuste fiscal – já estarem apresentado impactos problemáticos para a população de diferentes países: “O corte nos gastos públicos não gerou crescimento econômico e aumento do nível de emprego em vários países, como Grécia, Espanha e Irlanda. Na Grécia, a população se revolta e questiona o ajuste fiscal rigoroso como única forma de combate à crise. A medida conservadora começa a ser questionada em vários lugares, abrindo espaço para o desenvolvimento de novas propostas de solução para a crise financeira internacional”.
Segundo Gilberto Braga, esse cenário que se configura em muitos países deverá estimular o crescimento de investimentos em novas tecnologias, que possam aumentar a produtividade e desenvolver insumos e matérias primas alternativas. Ele acredita ainda que os gastos com educação tendem a ser impulsionados e que haverá um intenso debate sobre o papel do Estado, principalmente em relação aos gastos sócias.
“A tendência a se ter um Estado mais controlador e menos gastador passa, necessariamente, por aumentos de tributos e por revisão de políticas sociais. A população deverá pressionar os governos, e é razoável supor que haverá muitas danças das cadeiras nos partidos políticos que hoje estão no poder em todo o mundo”, afirma o professor do Ibmec-Rio.
Uma segunda recessão pode ser muito pior do que a primeira
Caso a economia dos Estados Unidos volte a cair em recessão, como muitos economistas vêm alertando, a crise poderá ser muito mais dolorosa do que na recessão passada.
Dado o tumulto causado pela Grande Recessão, talvez seja difícil acreditar nessa previsão. Mas a economia está muito mais fraca do que no início da recessão passada, em dezembro de 2007, e a maioria dos indicadores de saúde econômica -entre os quais emprego, renda, Produto Interno Bruto (PIB) e produção industrial- estão hoje abaixo das marcas que detinham no início da recessão passada. E o crescimento vem sendo tão fraco que quase nenhum terreno foi recuperado, ainda que a recuperação tenha se iniciado, tecnicamente, em junho de 2009.
"Seria desastroso se entrássemos em recessão agora, pois nem conseguimos recuperar o terreno perdido na recessão passada", disse Conrad DeQuadros, economista sênior da RQD Economics.
Quando a desaceleração passada surgiu, a bolha de crédito havia criado muita gordura excedente que os americanos podiam cortar, mas uma nova crise forçaria as famílias a cortar carne e osso. Para agravar as coisas, as autoridades econômicas já utilizaram quase todas as ferramentas econômicas de que dispõem, no combate à recessão passada, e lhes restam poucas opções.
A ansiedade e a incerteza se agravaram nos últimos dias, depois que a agência de classificação de crédito Standard & Poor's decidiu rebaixar a classificação dos títulos públicos americanos e em meio aos esforços desesperados da Europa para conter sua crise.
Dado o tumulto causado pela Grande Recessão, talvez seja difícil acreditar nessa previsão. Mas a economia está muito mais fraca do que no início da recessão passada, em dezembro de 2007, e a maioria dos indicadores de saúde econômica -entre os quais emprego, renda, Produto Interno Bruto (PIB) e produção industrial- estão hoje abaixo das marcas que detinham no início da recessão passada. E o crescimento vem sendo tão fraco que quase nenhum terreno foi recuperado, ainda que a recuperação tenha se iniciado, tecnicamente, em junho de 2009.
"Seria desastroso se entrássemos em recessão agora, pois nem conseguimos recuperar o terreno perdido na recessão passada", disse Conrad DeQuadros, economista sênior da RQD Economics.
Quando a desaceleração passada surgiu, a bolha de crédito havia criado muita gordura excedente que os americanos podiam cortar, mas uma nova crise forçaria as famílias a cortar carne e osso. Para agravar as coisas, as autoridades econômicas já utilizaram quase todas as ferramentas econômicas de que dispõem, no combate à recessão passada, e lhes restam poucas opções.
A ansiedade e a incerteza se agravaram nos últimos dias, depois que a agência de classificação de crédito Standard & Poor's decidiu rebaixar a classificação dos títulos públicos americanos e em meio aos esforços desesperados da Europa para conter sua crise.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Hackers dizem ter 1 GB de segredos da Otan
Ataque se deu na sequência da prisão pelo FBI de 14 membros do grupo Anonymous
O coletivo de hackers Anonymous anunciou nesta quinta-feira, 21, que tem em seu poder 1 gigabyte (GB) de documentos secretos da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Otan.
O ataque aos sistemas informáticos da Otan se deu na sequência da prisão pelo FBI de 14 membros do Anonymous acusados de participarem dos ataques realizados contra o serviço de pagamentos pela internet PayPal.
Até dez anos de prisão
“Nós estamos trabalhando e o FBI também. Vamos ver quem é mais eficiente”, declarou o Anonymous em sua conta no Twitter.
Caso sejam condenados, os hackers podem ter que cumprir penas de até 10 anos de prisão e podem pagar multas de até US$ 500 mil.
O coletivo de hackers Anonymous anunciou nesta quinta-feira, 21, que tem em seu poder 1 gigabyte (GB) de documentos secretos da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Otan.
O ataque aos sistemas informáticos da Otan se deu na sequência da prisão pelo FBI de 14 membros do Anonymous acusados de participarem dos ataques realizados contra o serviço de pagamentos pela internet PayPal.
Até dez anos de prisão
“Nós estamos trabalhando e o FBI também. Vamos ver quem é mais eficiente”, declarou o Anonymous em sua conta no Twitter.
Caso sejam condenados, os hackers podem ter que cumprir penas de até 10 anos de prisão e podem pagar multas de até US$ 500 mil.
Hackers: chegou o sexto poder?
Foi lançada no último sábado, 30, mais uma rede social na internet, a Anon+ (anonplus.com). Mas este não é um site de relacionamento qualquer. Ele tem, digamos, um “modelo de negócio” diferente. Trata-se da rede social do coletivo hacker Anonymous, que tem no currículo ações como o roubo de 1 gigabyte de documentos secretos da Otan e a invasão da rede da ManTech Internacional, prestadora de serviços para o Departamento de Defesa dos EUA, só para ficar nas notícias dos últimos 15 dias.
Qualquer semelhança de denominação entre a Anon+ e o Google+, a rede social da gigante do Vale do Silício, não é mera coincidência. A decisão de criar a rede social hacker foi tomada pelo Anonymous após o grupo ser banido do novo site de relacionamento da Google. A justificativa para a expulsão foi a de que o perfil do Anonymous vinha sendo usado para compartilhar conteúdo que infringia as regras do serviço.
A criação de uma rede social por um grupo de foras da lei 2.0 que têm no anonimato um dos seus maiores trunfos pode parecer uma contradição. Mas a Anon+ é na verdade mais um passo do ativismo hacker em sua escalada de confrontos com governos e grandes corporações. Depois da imprensa e dos blogs, ditos quarto e quinto poderes por causa do contraponto que exercem aos poderes republicanos constituídos, chegou a vez dos hackers, o “sexto poder”?
Efeito WikiLeaks
Até pouco tempo a ideia de gênios da computação metendo o bedelho em questões de política e poder estava um tanto limitada à imagem quase anedótica de hackers de olhos puxados e uniformizados digitando sem parar em alguma grande central secreta de ciberguerra localizada nos arredores de Pequim. É mais ou menos isso o que se podia – e ainda se pode – supor ante os recorrentes comunicados do governo dos EUA após violações de suas redes civis e militares dizendo que “aparentemente os ataques partiram da China”.
O próprio Anonymous até há poucos anos era mais conhecido por suas pelejas contra a Igreja da Cientologia. O poder hacker ganhou impulso e expressividade política – e, logo, passou a incomodar mais – na sequência da prisão do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e do cerco ao site que vazou documentos secretos sobre as guerra do Iraque e do Afeganistão e segue publicando despachos diplomáticos das representações consulares norte-americanas ao redor do mundo.
Reação dos poderes ‘analógicos’
Após a prisão do fundador do WikiLeaks, hackers desencadearam a “Operação Vingar Assange”, da qual a ação que mais repercutiu foi o ataque ao site PayPal, em represália à suspensão das contas de contribuição à organização de vazamentos de documentos secretos.
No Brasil, chegou a causar sensação de pânico a série de ciberataques a sites do governo em junho. Mas se os hackers parecem dispostos a não deixar passar em branco o que consideram “abusos” dos poderes militar, civil e empresarial – tudo à sua maneira pirata de agir – tampouco os poderes constituídos parecem dispostos a deixá-los impunes: o FBI acaba de prender 14 membros do Anonymous acusados de participar dos ataques ao PayPal e o departamento de Defesa dos EUA acaba de anunciar que o país passará a tratar a internet como zona de guerra.
Por enquanto, o caráter político de organizações hackers como o Anonymous e o LulzSec não é algo consolidado. Ainda não se sabe ao certo qual é a cara deste poder emergente que se esconde por trás da máscara do filme “V de Vingança”. O fenômeno hacker se transformará em algo mais do que a anarquia das invasões .coms e .govs e da busca por fama e dinheiro, constituindo-se em força de enfrentamento coerente aos poderosos do mundo? Por enquanto o Pwnies, o “Oscar dos hackers”, vai apenas e simploriamente para quem causar mais prejuízo.
Qualquer semelhança de denominação entre a Anon+ e o Google+, a rede social da gigante do Vale do Silício, não é mera coincidência. A decisão de criar a rede social hacker foi tomada pelo Anonymous após o grupo ser banido do novo site de relacionamento da Google. A justificativa para a expulsão foi a de que o perfil do Anonymous vinha sendo usado para compartilhar conteúdo que infringia as regras do serviço.
A criação de uma rede social por um grupo de foras da lei 2.0 que têm no anonimato um dos seus maiores trunfos pode parecer uma contradição. Mas a Anon+ é na verdade mais um passo do ativismo hacker em sua escalada de confrontos com governos e grandes corporações. Depois da imprensa e dos blogs, ditos quarto e quinto poderes por causa do contraponto que exercem aos poderes republicanos constituídos, chegou a vez dos hackers, o “sexto poder”?
Efeito WikiLeaks
Até pouco tempo a ideia de gênios da computação metendo o bedelho em questões de política e poder estava um tanto limitada à imagem quase anedótica de hackers de olhos puxados e uniformizados digitando sem parar em alguma grande central secreta de ciberguerra localizada nos arredores de Pequim. É mais ou menos isso o que se podia – e ainda se pode – supor ante os recorrentes comunicados do governo dos EUA após violações de suas redes civis e militares dizendo que “aparentemente os ataques partiram da China”.
O próprio Anonymous até há poucos anos era mais conhecido por suas pelejas contra a Igreja da Cientologia. O poder hacker ganhou impulso e expressividade política – e, logo, passou a incomodar mais – na sequência da prisão do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e do cerco ao site que vazou documentos secretos sobre as guerra do Iraque e do Afeganistão e segue publicando despachos diplomáticos das representações consulares norte-americanas ao redor do mundo.
Reação dos poderes ‘analógicos’
Após a prisão do fundador do WikiLeaks, hackers desencadearam a “Operação Vingar Assange”, da qual a ação que mais repercutiu foi o ataque ao site PayPal, em represália à suspensão das contas de contribuição à organização de vazamentos de documentos secretos.
No Brasil, chegou a causar sensação de pânico a série de ciberataques a sites do governo em junho. Mas se os hackers parecem dispostos a não deixar passar em branco o que consideram “abusos” dos poderes militar, civil e empresarial – tudo à sua maneira pirata de agir – tampouco os poderes constituídos parecem dispostos a deixá-los impunes: o FBI acaba de prender 14 membros do Anonymous acusados de participar dos ataques ao PayPal e o departamento de Defesa dos EUA acaba de anunciar que o país passará a tratar a internet como zona de guerra.
Por enquanto, o caráter político de organizações hackers como o Anonymous e o LulzSec não é algo consolidado. Ainda não se sabe ao certo qual é a cara deste poder emergente que se esconde por trás da máscara do filme “V de Vingança”. O fenômeno hacker se transformará em algo mais do que a anarquia das invasões .coms e .govs e da busca por fama e dinheiro, constituindo-se em força de enfrentamento coerente aos poderosos do mundo? Por enquanto o Pwnies, o “Oscar dos hackers”, vai apenas e simploriamente para quem causar mais prejuízo.
Europa continua em guerra com os mercados
Apesar de diminuição na pressão sobre os países atingidos, futuro da zona do euro ainda é uma incógnita. Da 'The Economist*
A pressão sobre Grécia, Irlanda e Portugal – os três países que receberam resgates financeiros da União Europeia e do FMI até agora – pode ter diminuído. Mas a pressão sobre a Espanha e a Itália está piorando numa velocidade acelerada. Os juros extras que os dois países pagam em empréstimos de dez anos atingiram recordes nessa semana (desde a inauguração do euro). Ações nos bancos italianos, recheadas de títulos governamentais domésticos, estão sendo atingidas diariamente.
Os mercados estão nervosos em parte graças às políticas nacionais. José Luiz Rodríguez Zapatero, o primeiro-ministro espanhol, anunciou uma antecipação das eleições para novembro, o que pode significar meses de distração da tarefa de reduzir o déficit. Os políticos italianos se uniram no mês passado para aprovar um orçamento de austeridade, mas muitas das medidas são retrógradas e os líderes do país – não apenas Silvio Berlusconi, mas também seu ministro financeiro, Giulio Tremonti – estão cercados por escândalos.
Ambos os países podem alegar que suas dívidas são suportáveis. O nível de dívida pública na Espanha é mais baixo que a média da zona do euro; o da Itália é enorme, beirando os 120% do PIB, mas ela conta com um superávit primário. Ainda assim, o baixo crescimento e as incertezas políticas em ambos os países criam dúvidas suficientes para espantar os investidores, e há poucas garantias do resto da zona do euro para acalmá-los.
Em todos os estágios da crise, os líderes europeus reagiram tardiamente e de maneira inadequada. O encontro de 21 de julho manteve esse padrão. Em particular, não foi capaz de aumentar a capacidade de empréstimos do mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF), o fundo de resgates do euro. Os números do EFSF devem aumentar dos atuais € 250 bilhões para € 440 bilhões no outono. Partindo do princípio de que o FMI continuará dando sua parte, isso deve ser suficiente para levar a Espanha pelos próximos três anos sem ter que recorrer aos mercados: no entanto, está longe de cobrir também os problemas da Itália. A rede de segurança que apoia a terceira e a quarta economias da Europa é fraca e os investidores sabem disse.
Cabeças enterradas na areia
O que fazer agora então? A primeira delas é voltar das férias na praia. Zapatero adiou suas férias, mas muitos outros líderes estão no litoral se bronzeando. A segunda é dar alguma segurança aos títulos italianos e espanhóis. O encontro de julho concordou em expandir o ESFS para que ele possa comprar parte dessas dívidas governamentais em mercados secundários. Mas a máquina institucional europeia é lenta. As conclusões do encontro devem ser assinadas e ratificadas por todos os 17 governos da zona do euro antes que o EFSF entre em ação, e isso ainda pode levar semanas. Nesse meio-tempo, o Banco Central Europeu deve reativar seu programa de compra de títulos.
A terceira coisa a fazer é cercar propriamente a Itália e a Espanha. Expandir o tamanho do ESFS a pelo menos € 1 trilhão é uma opção. Mas o ESFS é protegido por garantias dos membros da zona do euro, logo, o fardo sobre seus fundadores, França e Alemanha, teria um crescimento enorme, e a França poderia se juntar ao grupo de risco. A alternativa a uma EFSF maior seria a emissão de títulos aprovados e estimulados pelos membros da zona do euro. Esse seria um grande passo na direção da união fiscal, um passo que talvez a Europa não esteja pronta para dar. Mas cada vez mais, a união fiscal europeia parece ser o menor dos males.
A pressão sobre Grécia, Irlanda e Portugal – os três países que receberam resgates financeiros da União Europeia e do FMI até agora – pode ter diminuído. Mas a pressão sobre a Espanha e a Itália está piorando numa velocidade acelerada. Os juros extras que os dois países pagam em empréstimos de dez anos atingiram recordes nessa semana (desde a inauguração do euro). Ações nos bancos italianos, recheadas de títulos governamentais domésticos, estão sendo atingidas diariamente.
Os mercados estão nervosos em parte graças às políticas nacionais. José Luiz Rodríguez Zapatero, o primeiro-ministro espanhol, anunciou uma antecipação das eleições para novembro, o que pode significar meses de distração da tarefa de reduzir o déficit. Os políticos italianos se uniram no mês passado para aprovar um orçamento de austeridade, mas muitas das medidas são retrógradas e os líderes do país – não apenas Silvio Berlusconi, mas também seu ministro financeiro, Giulio Tremonti – estão cercados por escândalos.
Ambos os países podem alegar que suas dívidas são suportáveis. O nível de dívida pública na Espanha é mais baixo que a média da zona do euro; o da Itália é enorme, beirando os 120% do PIB, mas ela conta com um superávit primário. Ainda assim, o baixo crescimento e as incertezas políticas em ambos os países criam dúvidas suficientes para espantar os investidores, e há poucas garantias do resto da zona do euro para acalmá-los.
Em todos os estágios da crise, os líderes europeus reagiram tardiamente e de maneira inadequada. O encontro de 21 de julho manteve esse padrão. Em particular, não foi capaz de aumentar a capacidade de empréstimos do mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF), o fundo de resgates do euro. Os números do EFSF devem aumentar dos atuais € 250 bilhões para € 440 bilhões no outono. Partindo do princípio de que o FMI continuará dando sua parte, isso deve ser suficiente para levar a Espanha pelos próximos três anos sem ter que recorrer aos mercados: no entanto, está longe de cobrir também os problemas da Itália. A rede de segurança que apoia a terceira e a quarta economias da Europa é fraca e os investidores sabem disse.
Cabeças enterradas na areia
O que fazer agora então? A primeira delas é voltar das férias na praia. Zapatero adiou suas férias, mas muitos outros líderes estão no litoral se bronzeando. A segunda é dar alguma segurança aos títulos italianos e espanhóis. O encontro de julho concordou em expandir o ESFS para que ele possa comprar parte dessas dívidas governamentais em mercados secundários. Mas a máquina institucional europeia é lenta. As conclusões do encontro devem ser assinadas e ratificadas por todos os 17 governos da zona do euro antes que o EFSF entre em ação, e isso ainda pode levar semanas. Nesse meio-tempo, o Banco Central Europeu deve reativar seu programa de compra de títulos.
A terceira coisa a fazer é cercar propriamente a Itália e a Espanha. Expandir o tamanho do ESFS a pelo menos € 1 trilhão é uma opção. Mas o ESFS é protegido por garantias dos membros da zona do euro, logo, o fardo sobre seus fundadores, França e Alemanha, teria um crescimento enorme, e a França poderia se juntar ao grupo de risco. A alternativa a uma EFSF maior seria a emissão de títulos aprovados e estimulados pelos membros da zona do euro. Esse seria um grande passo na direção da união fiscal, um passo que talvez a Europa não esteja pronta para dar. Mas cada vez mais, a união fiscal europeia parece ser o menor dos males.
Crise externa começa a afetar empresas
GM concede férias coletivas e Petrobras admite que pode ter dificuldades para financiar plano de investimentos
Mercado financeiro antecipa problemas e Bolsa perde 9,9% na semana; produtoras de commodities caem mais
TATIANA FREITAS
DE SÃO PAULO
O temor de recessão global, que derrubou as Bolsas em todo o mundo nesta semana, começa a afetar os planos de empresas brasileiras.
Ontem, a General Motors anunciou férias coletivas por duas semanas a 300 funcionários de sua fábrica em São José dos Campos (SP), para adequar sua produção à demanda do mercado nacional.
A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), anunciada nesta semana pelo governo, não foi suficiente para segurar a desaceleração na produção da GM, que alega altos estoques.
Apesar de negar uma crise de liquidez, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, admitiu a possibilidade de a estatal não conseguir buscar no mercado os US$ 91 bilhões que precisará para se financiar nos próximos anos.
Antecipando consequências da tensão global para empresas brasileiras, a Bovespa assistiu a uma fuga em massa dos investidores nesta semana. Nenhum setor começou agosto em alta.
MAIS AFETADAS
As empresas produtoras de matérias-primas -como celulose, minérios e aço- estão no grupo das ações mais afetadas, segundo levantamento feito pela Economática a pedido da Folha.
Como os preços de seus produtos são formados no mercado externo, queda no crescimento econômico global significa receita menor. Influenciado pela queda do petróleo na semana, o setor de óleo e gás liderou as vendas no período, com desvalorização de 14% -só a Petrobras caiu 13%, bem acima do Ibovespa (-9,9%).
A alta dependência de crédito dessas empresas também pesou. Além da Petrobras, o setor é formado por companhias que ainda não têm atividade operacional, como a HRT e a OGX, e que precisam de financiamento para iniciar as atividades.
"Empresas ainda sem fluxo de caixa são mais arriscadas", diz Hersz Ferman, economista da Yield Capital.
Também fornecedoras de matérias-primas, as empresas do setor de papel e celulose viram suas ações recuar 13% na semana. "Entre as commodities, a celulose é a que tem demonstrado menos sinais de recuperação."
Entre as companhias voltadas ao mercado interno, setores mais dependentes do crédito, como construção civil (-11%) e eletroeletrônicos (-13%), estiveram no centro do alvo das vendas.
Mas ninguém se salvou. Nem mesmo o segmento de softwares, beneficiado pela nova política industrial, foi poupado e caiu 2%.
Ele esteve, porém, no grupo dos menos impactados, ao lado de setores com receita mais dependente do mercado interno, como os de comércio (-7%), telecomunicações (-7%) e energia (-5%).
"A migração para setores defensivos, como energia e telecomunicações, sempre acontece com aumento de incerteza e crise", diz Nicholas Barbarisi, diretor de operações da Hera Investimentos.
Mercado financeiro antecipa problemas e Bolsa perde 9,9% na semana; produtoras de commodities caem mais
TATIANA FREITAS
DE SÃO PAULO
O temor de recessão global, que derrubou as Bolsas em todo o mundo nesta semana, começa a afetar os planos de empresas brasileiras.
Ontem, a General Motors anunciou férias coletivas por duas semanas a 300 funcionários de sua fábrica em São José dos Campos (SP), para adequar sua produção à demanda do mercado nacional.
A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), anunciada nesta semana pelo governo, não foi suficiente para segurar a desaceleração na produção da GM, que alega altos estoques.
Apesar de negar uma crise de liquidez, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, admitiu a possibilidade de a estatal não conseguir buscar no mercado os US$ 91 bilhões que precisará para se financiar nos próximos anos.
Antecipando consequências da tensão global para empresas brasileiras, a Bovespa assistiu a uma fuga em massa dos investidores nesta semana. Nenhum setor começou agosto em alta.
MAIS AFETADAS
As empresas produtoras de matérias-primas -como celulose, minérios e aço- estão no grupo das ações mais afetadas, segundo levantamento feito pela Economática a pedido da Folha.
Como os preços de seus produtos são formados no mercado externo, queda no crescimento econômico global significa receita menor. Influenciado pela queda do petróleo na semana, o setor de óleo e gás liderou as vendas no período, com desvalorização de 14% -só a Petrobras caiu 13%, bem acima do Ibovespa (-9,9%).
A alta dependência de crédito dessas empresas também pesou. Além da Petrobras, o setor é formado por companhias que ainda não têm atividade operacional, como a HRT e a OGX, e que precisam de financiamento para iniciar as atividades.
"Empresas ainda sem fluxo de caixa são mais arriscadas", diz Hersz Ferman, economista da Yield Capital.
Também fornecedoras de matérias-primas, as empresas do setor de papel e celulose viram suas ações recuar 13% na semana. "Entre as commodities, a celulose é a que tem demonstrado menos sinais de recuperação."
Entre as companhias voltadas ao mercado interno, setores mais dependentes do crédito, como construção civil (-11%) e eletroeletrônicos (-13%), estiveram no centro do alvo das vendas.
Mas ninguém se salvou. Nem mesmo o segmento de softwares, beneficiado pela nova política industrial, foi poupado e caiu 2%.
Ele esteve, porém, no grupo dos menos impactados, ao lado de setores com receita mais dependente do mercado interno, como os de comércio (-7%), telecomunicações (-7%) e energia (-5%).
"A migração para setores defensivos, como energia e telecomunicações, sempre acontece com aumento de incerteza e crise", diz Nicholas Barbarisi, diretor de operações da Hera Investimentos.
BCE exige privatizações rápidas em troca de apoio à Itália.
O Banco Central Europeu (BCE) impôs condições muito concretas para a Itália em troca das medidas de apoio à frágil economia do país, informa o jornal "Il Corriere della Sera". Entre elas, a necessidade de privatizações rápidas, incluindo empresas municipais, e de uma reforma do mercado de trabalho.
As exigências foram encaminhadas ao primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, em uma carta "secreta" enviada entre quinta-feira (4) e sexta-feira (5) e assinada pelo presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, e por Mario Draghi, que o sucederá em novembro, segundo o jornal.
A carta, qualificada pelo "Corriere" como algo próximo de um "programa de governo", estabelece uma lista de "medidas que devem ser adotadas, o calendários para sua aplicação e até os instrumentos legislativos que devem ser utilizados".
O "Corriere" acrescenta que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, também pediram à Itália a adoção das medidas anunciadas até o fim de setembro.
Já a oposição pediu explicações sobre a carta.
"O que realmente nos pedem o BCE e as instituições internacionais? Um governo impotente totalmente desacreditado e agora sob tutela deve ao menos dizer qual é a situação real", exigiu o líder do Partido Democrata (PD), Pierluigi Bersani.
Berlusconi e o ministro das Finanças, Giulio Tremonti, anunciaram na sexta-feira a aceleração de um pacote de austeridade aprovado pelo Parlamento para alcançar o equilíbrio orçamentário a partir de 2013, ao invés de 2014.
O pacote, cujos detalhes não foram divulgados, prevê também uma reforma no mercado de trabalho a partir da liberalização das "profissões fechadas", para as quais é necessário formação específica.
TEMORES
A Itália está no centro dos temores de uma nova onda da crise da dívida europeia, ao lado da Espanha. Mas, diferentemente da Grécia, que foi resgatada duas vezes, a Itália tem uma economia grande que pode arrastar os países da zona do euro para o buraco.
A taxa de juros dos títulos italianos, que já está acima dos 6%, aumentou acentuadamente, agravando a preocupação sobre a situação insustentável da dívida da Itália. Tal cenário se deu apesar da intervenção do Banco Central Europeu, que, pela primeira vez desde março, começou a comprar títulos em uma tentativa de evitar que a crise da dívida engula a Itália.
Os mercados esperavam alguma ação mais ampla de Berlusconi. No entanto, eles se decepcionaram quando Berlusconi disse que os pacotes atuais eram suficientes para promover o crescimento econômico. Sem garantias do governo, os investidores estão fugindo dos títulos italianos.
Em um sinal da situação italiana, o Produto Interno Bruto (PIB) italiano cresceu apenas 0,8% no segundo trimestre de 2011, em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo os dados provisórios divulgados na sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat), o crescimento do PIB será de 0,7% em 2011, número abaixo das estimativas do governo de alta de 1,1%.
As exigências foram encaminhadas ao primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, em uma carta "secreta" enviada entre quinta-feira (4) e sexta-feira (5) e assinada pelo presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, e por Mario Draghi, que o sucederá em novembro, segundo o jornal.
A carta, qualificada pelo "Corriere" como algo próximo de um "programa de governo", estabelece uma lista de "medidas que devem ser adotadas, o calendários para sua aplicação e até os instrumentos legislativos que devem ser utilizados".
O "Corriere" acrescenta que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, também pediram à Itália a adoção das medidas anunciadas até o fim de setembro.
Já a oposição pediu explicações sobre a carta.
"O que realmente nos pedem o BCE e as instituições internacionais? Um governo impotente totalmente desacreditado e agora sob tutela deve ao menos dizer qual é a situação real", exigiu o líder do Partido Democrata (PD), Pierluigi Bersani.
Berlusconi e o ministro das Finanças, Giulio Tremonti, anunciaram na sexta-feira a aceleração de um pacote de austeridade aprovado pelo Parlamento para alcançar o equilíbrio orçamentário a partir de 2013, ao invés de 2014.
O pacote, cujos detalhes não foram divulgados, prevê também uma reforma no mercado de trabalho a partir da liberalização das "profissões fechadas", para as quais é necessário formação específica.
TEMORES
A Itália está no centro dos temores de uma nova onda da crise da dívida europeia, ao lado da Espanha. Mas, diferentemente da Grécia, que foi resgatada duas vezes, a Itália tem uma economia grande que pode arrastar os países da zona do euro para o buraco.
A taxa de juros dos títulos italianos, que já está acima dos 6%, aumentou acentuadamente, agravando a preocupação sobre a situação insustentável da dívida da Itália. Tal cenário se deu apesar da intervenção do Banco Central Europeu, que, pela primeira vez desde março, começou a comprar títulos em uma tentativa de evitar que a crise da dívida engula a Itália.
Os mercados esperavam alguma ação mais ampla de Berlusconi. No entanto, eles se decepcionaram quando Berlusconi disse que os pacotes atuais eram suficientes para promover o crescimento econômico. Sem garantias do governo, os investidores estão fugindo dos títulos italianos.
Em um sinal da situação italiana, o Produto Interno Bruto (PIB) italiano cresceu apenas 0,8% no segundo trimestre de 2011, em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo os dados provisórios divulgados na sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat), o crescimento do PIB será de 0,7% em 2011, número abaixo das estimativas do governo de alta de 1,1%.
G20 afirma estar pronto para atuar e estabilizar mercados
Os países do G20 anunciaram nesta segunda-feira, em um comunicado, estar prontos para atuar em conjunto com o objetivo de estabilizar os mercados financeiros e proteger o crescimento.
O comunicado foi publicado na Coreia do Sul após as fortes baixas registradas nas bolsas asiáticas nesta segunda-feira. Os Estados membros permanecerão em contato estreito e atuarão para "garantir a estabilidade financeira e a liquidez dos mercados financeiros".
Os ministros das Finanças e presidentes dos Bancos Centrais do G20 se comprometeram "a tomar todas as iniciativas necessárias de maneira coordenada para sustentar a estabilidade financeira e estimular um crescimento econômico mais forte, em um espírito de cooperação e de confiança".
As bolsas asiáticas fecharam no vermelho nesta segunda-feira: Tóquio perdeu 2,18%, Xangai 3,78% e Seul 3,82%%.
Durante a noite de domingo (7), os ministros das Finanças e presidentes dos BCs do G7 também se comprometeram a "adotar todas as medidas necessárias em apoio à estabilidade financeira e ao crescimento, ante o aumento da tensão nos mercados financeiros".
O comunicado foi publicado na Coreia do Sul após as fortes baixas registradas nas bolsas asiáticas nesta segunda-feira. Os Estados membros permanecerão em contato estreito e atuarão para "garantir a estabilidade financeira e a liquidez dos mercados financeiros".
Os ministros das Finanças e presidentes dos Bancos Centrais do G20 se comprometeram "a tomar todas as iniciativas necessárias de maneira coordenada para sustentar a estabilidade financeira e estimular um crescimento econômico mais forte, em um espírito de cooperação e de confiança".
As bolsas asiáticas fecharam no vermelho nesta segunda-feira: Tóquio perdeu 2,18%, Xangai 3,78% e Seul 3,82%%.
Durante a noite de domingo (7), os ministros das Finanças e presidentes dos BCs do G7 também se comprometeram a "adotar todas as medidas necessárias em apoio à estabilidade financeira e ao crescimento, ante o aumento da tensão nos mercados financeiros".
S&P vê 1 em 3 chances de novo rebaixamento dos EUA
O diretor-gerente da agência de classificação de risco s&p (Standard & Poor's), John Chambers, afirmou neste domingo que existe uma em três chances de haver um novo rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos nos próximos seis meses a dois anos.
"Temos uma perspectiva negativa... de seis meses a 24 meses", disse ele ao canal "ABC".
"E se a posição fiscal dos EUA se deteriorar mais ou se a contenção política se tornar mais arraigada, isso pode levar a um rebaixamento. A perspectiva indica pelo menos uma em três chances de rebaixamento nesse período".
Chambers disse que levará algum tempo para que os EUA recuperem a nota máxima de crédito "AAA".
"Exigiria uma estabilização da dívida como parte da economia e um eventual declínio. E exigiria, eu acho, maior habilidade para obter consenso em Washington do que vemos hoje", acrescentou.
A agência de classificação de risco S&P rebaixou a nota da dívida americana para AA+ devido aos riscos políticos e ao peso da dívida americana em relação ao PIB (Produto Interno Bruto).
A agência decidiu anunciar a decisão na sexta-feira à noite, depois do fechamento do mercado, para dar tempo dos investidores se acalmarem durante o fim de semana.
ACUSAÇÃO
Pete Souza/The White House
O presidente Barack Obama assina a lei que define cortes de gastos, que não impediu rebaixamento
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos acusou na sexta-feira (5) a agência de classificação de risco S&P de ter cometido um erro de US$ 2 trilhões em seus cálculos para rebaixar pela primeira vez na história a nota da dívida americana de "AAA" a "AA+".
Segundo a versão do Tesouro, este recebeu a análise da agência de classificação de crédito na tarde de sexta-feira e alertou a S&P de um erro que elevava as projeções do deficit futuro em US$ 2 trilhões.
A agência trabalhava com um cenário em que a dívida chegaria a 93% do PIB em dez anos, mas, pelos cálculos atuais de agência do Congresso, a relação seria de 85%, diferença de US$ 2 trilhões -quase o PIB brasileiro em 2010.
"Uma opinião com falha de US$ 2 trilhões fala por si só", disse integrante do Tesouro.
Em entrevista à "CNN, John Chambers, admitiu que houve um erro, dizendo: "nós concordamos com a posição do Tesouro e nossos números refletem isso."
Mas Chambers acrescentou que o erro não faz diferença na classificação de risco do país porque não muda o fato de que a dívida vai crescer em relação ao PIB na próxima década.
Em seu comunicado, a Standard and Poor's indicou que "o rebaixamento foi decidido porque a consolidação fiscal estipulada pelo Congresso e a Administração fica aquém da necessária para estabilizar a dinâmica da dívida do governo a médio prazo".
Desta forma, a agência cumpriu as advertências de rebaixamento da dívida dos EUA que emitira nas últimas semanas, durante as negociações no Congresso americano para elevar o teto da dívida e evitar a temida moratória.
A S&P anunciou no sábado que dará uma entrevista coletiva por teleconferência na segunda-feira para explicar a decisão.
"Temos uma perspectiva negativa... de seis meses a 24 meses", disse ele ao canal "ABC".
"E se a posição fiscal dos EUA se deteriorar mais ou se a contenção política se tornar mais arraigada, isso pode levar a um rebaixamento. A perspectiva indica pelo menos uma em três chances de rebaixamento nesse período".
Chambers disse que levará algum tempo para que os EUA recuperem a nota máxima de crédito "AAA".
"Exigiria uma estabilização da dívida como parte da economia e um eventual declínio. E exigiria, eu acho, maior habilidade para obter consenso em Washington do que vemos hoje", acrescentou.
A agência de classificação de risco S&P rebaixou a nota da dívida americana para AA+ devido aos riscos políticos e ao peso da dívida americana em relação ao PIB (Produto Interno Bruto).
A agência decidiu anunciar a decisão na sexta-feira à noite, depois do fechamento do mercado, para dar tempo dos investidores se acalmarem durante o fim de semana.
ACUSAÇÃO
Pete Souza/The White House
O presidente Barack Obama assina a lei que define cortes de gastos, que não impediu rebaixamento
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos acusou na sexta-feira (5) a agência de classificação de risco S&P de ter cometido um erro de US$ 2 trilhões em seus cálculos para rebaixar pela primeira vez na história a nota da dívida americana de "AAA" a "AA+".
Segundo a versão do Tesouro, este recebeu a análise da agência de classificação de crédito na tarde de sexta-feira e alertou a S&P de um erro que elevava as projeções do deficit futuro em US$ 2 trilhões.
A agência trabalhava com um cenário em que a dívida chegaria a 93% do PIB em dez anos, mas, pelos cálculos atuais de agência do Congresso, a relação seria de 85%, diferença de US$ 2 trilhões -quase o PIB brasileiro em 2010.
"Uma opinião com falha de US$ 2 trilhões fala por si só", disse integrante do Tesouro.
Em entrevista à "CNN, John Chambers, admitiu que houve um erro, dizendo: "nós concordamos com a posição do Tesouro e nossos números refletem isso."
Mas Chambers acrescentou que o erro não faz diferença na classificação de risco do país porque não muda o fato de que a dívida vai crescer em relação ao PIB na próxima década.
Em seu comunicado, a Standard and Poor's indicou que "o rebaixamento foi decidido porque a consolidação fiscal estipulada pelo Congresso e a Administração fica aquém da necessária para estabilizar a dinâmica da dívida do governo a médio prazo".
Desta forma, a agência cumpriu as advertências de rebaixamento da dívida dos EUA que emitira nas últimas semanas, durante as negociações no Congresso americano para elevar o teto da dívida e evitar a temida moratória.
A S&P anunciou no sábado que dará uma entrevista coletiva por teleconferência na segunda-feira para explicar a decisão.
Diferencial de risco de Espanha e Itália bate recorde
O diferencial do rendimento dos títulos de Espanha e Itália com o bônus da Alemanha, referência da saúde da economia nos países da zona euro, registrou um recorde nesta sexta-feira.
Às 4h30 de Brasília, o prêmio de risco era de 408 pontos básicos em relação à Espanha e de 407 em relação à Itália.
As obrigações espanholas a 10 anos subiram a 6,310%, contra 6,271% no fechamento de quinta-feira, e as da Itália a 6,227%, contra 6,189%.
O Bund alemão a 10 anos caiu a 2,229%, contra 2,299%.
Itália e Espanha estão no centro da crise da dívida europeia e o mercado teme o efeito da quebra das duas economias --muito maiores que a da Grécia e da Irlanda, que foram resgatadas pela União Europeia e FMI (Fundo Monetário Internacional).
O mercado teme que os governos não tenham feito o necessário para enfrentar o frágil crescimento econômico e que a crise saia do controle.
O Produto Interno Bruto (PIB) italiano cresceu 0,8% no segundo trimestre de 2011, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo os dados provisórios divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat).
A taxa de crescimento cai para 0,3% na comparação com o trimestre anterior de 2011. De acordo com os dados do Istat, o crescimento do PIB será de 0,7% em 2011, número abaixo das estimativas do governo de alta de 1,1%.
Já a economia espanhola desacelerou seu ritmo de crescimento trimestral a 0,2% entre abril e junho, enquanto registra alta de 0,7% nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco da Espanha.
Em ambos os casos os índices cresceram 0,1% menos que no trimestre de janeiro a março.
A desaceleração é consequência da contração da demanda interna, mais pronunciada que no trimestre anterior, enquanto o setor exterior aumentou sua contribuição positiva.
A taxa de juros dos títulos italianos, que já está acima dos 6%, aumentou acentuadamente, agravando a preocupação sobre a situação insustentável da dívida da Itália. A taxa de juros dos títulos espanhóis também aumentou. Tal cenário se deu apesar da intervenção do Banco Central Europeu, que, pela primeira vez desde março, começou a comprar títulos em uma tentativa de evitar que a crise da dívida engula a Itália.
Como muitos bancos europeus possuem títulos de países como a Espanha e a Itália, surge a preocupação com a saúde do sistema bancário no momento em que o valor desses títulos cai. Muitos bancos europeus estão se esforçando para obter financiamento no mercado de crédito, cada vez mais caro, o que aumenta o alerta.
Nesse sentido, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, deixou subentendido na quinta-feira que deve retomar o programa de compra de títulos e afirmou que a instituição vai voltar a injetar liquidez nos mercados a partir do próximo dia 9, quando emprestará recursos aos bancos em operação extraordinária.
Apesar disso, as ações dos bancos caíram vertiginosamente na quinta-feira na Europa. A venda generalizada de ações europeias nesta semana reduziu o valor de mercado dos índices de blue chips (as principais) da Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha e Holanda em mais de 400 bilhões de euros.
Analistas destacam que mesmo que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) utilize todos os recursos de que dispõe para apoiar os dois países, só poderá gastar no máximo 340 bilhões de euros, volume insuficiente para socorrer a terceira e a quarta economias europeia.
Às 4h30 de Brasília, o prêmio de risco era de 408 pontos básicos em relação à Espanha e de 407 em relação à Itália.
As obrigações espanholas a 10 anos subiram a 6,310%, contra 6,271% no fechamento de quinta-feira, e as da Itália a 6,227%, contra 6,189%.
O Bund alemão a 10 anos caiu a 2,229%, contra 2,299%.
Itália e Espanha estão no centro da crise da dívida europeia e o mercado teme o efeito da quebra das duas economias --muito maiores que a da Grécia e da Irlanda, que foram resgatadas pela União Europeia e FMI (Fundo Monetário Internacional).
O mercado teme que os governos não tenham feito o necessário para enfrentar o frágil crescimento econômico e que a crise saia do controle.
O Produto Interno Bruto (PIB) italiano cresceu 0,8% no segundo trimestre de 2011, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo os dados provisórios divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat).
A taxa de crescimento cai para 0,3% na comparação com o trimestre anterior de 2011. De acordo com os dados do Istat, o crescimento do PIB será de 0,7% em 2011, número abaixo das estimativas do governo de alta de 1,1%.
Já a economia espanhola desacelerou seu ritmo de crescimento trimestral a 0,2% entre abril e junho, enquanto registra alta de 0,7% nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco da Espanha.
Em ambos os casos os índices cresceram 0,1% menos que no trimestre de janeiro a março.
A desaceleração é consequência da contração da demanda interna, mais pronunciada que no trimestre anterior, enquanto o setor exterior aumentou sua contribuição positiva.
A taxa de juros dos títulos italianos, que já está acima dos 6%, aumentou acentuadamente, agravando a preocupação sobre a situação insustentável da dívida da Itália. A taxa de juros dos títulos espanhóis também aumentou. Tal cenário se deu apesar da intervenção do Banco Central Europeu, que, pela primeira vez desde março, começou a comprar títulos em uma tentativa de evitar que a crise da dívida engula a Itália.
Como muitos bancos europeus possuem títulos de países como a Espanha e a Itália, surge a preocupação com a saúde do sistema bancário no momento em que o valor desses títulos cai. Muitos bancos europeus estão se esforçando para obter financiamento no mercado de crédito, cada vez mais caro, o que aumenta o alerta.
Nesse sentido, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, deixou subentendido na quinta-feira que deve retomar o programa de compra de títulos e afirmou que a instituição vai voltar a injetar liquidez nos mercados a partir do próximo dia 9, quando emprestará recursos aos bancos em operação extraordinária.
Apesar disso, as ações dos bancos caíram vertiginosamente na quinta-feira na Europa. A venda generalizada de ações europeias nesta semana reduziu o valor de mercado dos índices de blue chips (as principais) da Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha e Holanda em mais de 400 bilhões de euros.
Analistas destacam que mesmo que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) utilize todos os recursos de que dispõe para apoiar os dois países, só poderá gastar no máximo 340 bilhões de euros, volume insuficiente para socorrer a terceira e a quarta economias europeia.
BCE anuncia intervenção "ativa" no mercado de bônus europeu
O BCE (Banco Central Europeu) anunciou neste domingo à noite que vai intervir "ativamente" no mercado de bônus, frente à escalada da crise da dívida na Zona do Euro.
"O BCE vai aplicar ativamente o seu programa (de compra de obrigações no mercado secundário)", indicou em um comunicado, sem maiores detalhes.
De acordo com fonte ouvida pela Reuters, a autoridade monetária vai comprar títulos da dívida da Itália e da Espanha para proteger esses países --a terceira e a quarta maior economia da região-- de uma crise orçamentária em aceleração.
Uma outra fonte financeira, ouvida pela agência Efe, confirmou que a operação de compra de títulos será realizada já na segunda-feira.
Diferencial de risco de Espanha e Itália bate recorde
Itália anuncia plano para equilibrar orçamento até 2013
S&P afirma que rebaixamento da nota americana não é punição
A instituição monetária de Frankfurt saudou os anúncios dos governos italiano e espanhol "relativos a novas medidas e reformas nos domínios das políticas orçamentárias e estruturais".
O BCE considera necessária "uma rápida aplicação" desses programas para melhorar a competitividade das economias dos países envolvidos "e reduzir rapidamente seus deficits públicos".
A instituição pede também aos chefes de Estado e de governo europeus que "garantam que honrarão sua assinatura soberana" e permitam rapidamente ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira intervir no mercado secundário, como foi decidido na cúpula de Bruxelas, em 21 de julho.
FRANÇA E ALEMANHA
Hoje, o presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel também pediram "uma aplicação rápida e completa das medidas anunciadas" pela Itália e pela Espanha para sair da crise da dívida.
Eles também afirmaram que "acolheram favoravelmente as decisões tomadas" e que sua aplicação é "essencial para restaurar a confiança nos mercados".
Essa advertência teve como principal alvo o governo do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. "A meta das autoridades italianas de alcançar o equilíbrio orçamentário com um ano de antecedência é fundamental", afirmam Merkel e Sarkozy na declaração conjunta.
No último dia 15 de julho, o Parlamento italiano adotou um plano de austeridade reforçado por cerca de 48 bilhões de euros para salvar o país da crise da dívida.
Após uma semana de turbulências, Berlusconi anunciou na sexta-feira uma aceleração das medidas previstas do projeto orçamentário para os três próximos anos, "a fim de alcançar o equilíbrio orçamentário em 2013, em vez de 2014".
Já na Espanha, o governo de José Luis Rodriguez Zapatero lançou reformas do mercado de trabalho, da previdência social e do setor bancário.
Merkel e Sarkozy mostraram-se "preocupados em relação à abertura das Bolsas na segunda-feira", de acordo com uma fonte próxima às autoridades dos dois países.
Os dois também renovaram seu "compromisso em aplicar plenamente" as medidas do acordo da zona do euro, como pedido pelo BCE.
Entre essas medidas, uma ampliação da possibilidade de ajuda aos países mais frágeis por parte do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, apresentado como um esboço de um futuro Fundo Monetário Europeu.
Eles também pediram para que os parlamentares dos seus dois países autorizem essas medidas "até o fim do mês de setembro". Nesse âmbito, a França já anunciou uma sessão extraordinária do seu Parlamento dos dias 6 a 8 de setembro.
Paris e Berlim também mostraram-se "confiantes" em relação à "análise do BCE", que será "a base adequada para as intervenções" de compra de dívidas que poderão socorrer os países mais vulneráveis.
REUNIÕES
Responsáveis de finanças das principais economias do mundo mantiveram neste fim de semana intensos contatos telefônicos para tentar evitar uma profunda crise nos mercados na segunda-feira, após o rebaixamento histórico da qualificação da dívida dos Estados Unidos e dos temores de uma recessão.
Os governos temem que a degradação da nota da dívida dos EUA, anunciada na sexta-feira passada após o fechamento dos mercados, pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) atue como estopim para um "segunda-feira negra" nos mercados, cuja queda estaria motivada, segundo os especialistas, pela incerteza sobre a recuperação da economia mundial.
Os contatos telefônicos entre os líderes europeus e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, começaram já na sexta-feira pela noite, após uma semana péssima nos mercados financeiros.
"O BCE vai aplicar ativamente o seu programa (de compra de obrigações no mercado secundário)", indicou em um comunicado, sem maiores detalhes.
De acordo com fonte ouvida pela Reuters, a autoridade monetária vai comprar títulos da dívida da Itália e da Espanha para proteger esses países --a terceira e a quarta maior economia da região-- de uma crise orçamentária em aceleração.
Uma outra fonte financeira, ouvida pela agência Efe, confirmou que a operação de compra de títulos será realizada já na segunda-feira.
Diferencial de risco de Espanha e Itália bate recorde
Itália anuncia plano para equilibrar orçamento até 2013
S&P afirma que rebaixamento da nota americana não é punição
A instituição monetária de Frankfurt saudou os anúncios dos governos italiano e espanhol "relativos a novas medidas e reformas nos domínios das políticas orçamentárias e estruturais".
O BCE considera necessária "uma rápida aplicação" desses programas para melhorar a competitividade das economias dos países envolvidos "e reduzir rapidamente seus deficits públicos".
A instituição pede também aos chefes de Estado e de governo europeus que "garantam que honrarão sua assinatura soberana" e permitam rapidamente ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira intervir no mercado secundário, como foi decidido na cúpula de Bruxelas, em 21 de julho.
FRANÇA E ALEMANHA
Hoje, o presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel também pediram "uma aplicação rápida e completa das medidas anunciadas" pela Itália e pela Espanha para sair da crise da dívida.
Eles também afirmaram que "acolheram favoravelmente as decisões tomadas" e que sua aplicação é "essencial para restaurar a confiança nos mercados".
Essa advertência teve como principal alvo o governo do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. "A meta das autoridades italianas de alcançar o equilíbrio orçamentário com um ano de antecedência é fundamental", afirmam Merkel e Sarkozy na declaração conjunta.
No último dia 15 de julho, o Parlamento italiano adotou um plano de austeridade reforçado por cerca de 48 bilhões de euros para salvar o país da crise da dívida.
Após uma semana de turbulências, Berlusconi anunciou na sexta-feira uma aceleração das medidas previstas do projeto orçamentário para os três próximos anos, "a fim de alcançar o equilíbrio orçamentário em 2013, em vez de 2014".
Já na Espanha, o governo de José Luis Rodriguez Zapatero lançou reformas do mercado de trabalho, da previdência social e do setor bancário.
Merkel e Sarkozy mostraram-se "preocupados em relação à abertura das Bolsas na segunda-feira", de acordo com uma fonte próxima às autoridades dos dois países.
Os dois também renovaram seu "compromisso em aplicar plenamente" as medidas do acordo da zona do euro, como pedido pelo BCE.
Entre essas medidas, uma ampliação da possibilidade de ajuda aos países mais frágeis por parte do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, apresentado como um esboço de um futuro Fundo Monetário Europeu.
Eles também pediram para que os parlamentares dos seus dois países autorizem essas medidas "até o fim do mês de setembro". Nesse âmbito, a França já anunciou uma sessão extraordinária do seu Parlamento dos dias 6 a 8 de setembro.
Paris e Berlim também mostraram-se "confiantes" em relação à "análise do BCE", que será "a base adequada para as intervenções" de compra de dívidas que poderão socorrer os países mais vulneráveis.
REUNIÕES
Responsáveis de finanças das principais economias do mundo mantiveram neste fim de semana intensos contatos telefônicos para tentar evitar uma profunda crise nos mercados na segunda-feira, após o rebaixamento histórico da qualificação da dívida dos Estados Unidos e dos temores de uma recessão.
Os governos temem que a degradação da nota da dívida dos EUA, anunciada na sexta-feira passada após o fechamento dos mercados, pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) atue como estopim para um "segunda-feira negra" nos mercados, cuja queda estaria motivada, segundo os especialistas, pela incerteza sobre a recuperação da economia mundial.
Os contatos telefônicos entre os líderes europeus e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, começaram já na sexta-feira pela noite, após uma semana péssima nos mercados financeiros.
domingo, 7 de agosto de 2011
Bayer ameaça transferir produção da Alemanha para emergentes
Segundo presidente do grupo, a dificuldade está principalmente no alto custo de energia na Alemanha. Emergentes como Brasil, Índia, Rússia e China são nova aposta – mais de 2500 vagas serão criadas nestes países
A gigante da indústria química e farmacêutica Bayer ameaça transferir a produção da Alemanha para outros países, se os custos com energia na Alemanha continuarem aumentando. A medida está ligada à decisão do governo alemão de acabar com seu programa nuclear até 2022, o que acarretaria maiores despesas para o grupo nos próximos anos. A Bayer emprega 36 mil pessoas no país.
Em entrevista à revista alemã WirtschaftsWoche, o presidente da Bayer, Marijn Dekkers, afirmou que a empresa pretende criar mais de 2500 novos empregos em países emergentes, como Brasil, Índia, Rússia e China. Segundo o último relatório financeiro divulgado pela empresa, estes mercados – definidos como Ásia/Pacífico (excluindo Japão, Austrália e Nova Zelândia), América Latina, Europa Oriental, África e Oriente Médio – contribuíram significativamente para o crescimento das vendas no primeiro semestre deste ano.
Dekkers avaliou ainda que, a despeito da crise na Europa e nos EUA, a conjuntura mundial demonstra tendências positivas. Ele ressalta que na China não há sinais de um possível "estouro de bolha".
Alemanha "menos atraente"
Em seu o relatório financeiro, a Bayer reforça que os dados positivos registrados nos países emergentes compensaram o fraco desempenho obtido na Europa Ocidental e na América do Norte.
Segundo Dekkers, a Alemanha está ficando "menos atraente" para indústrias químicas que consomem bastante energia. O executivo calcula ainda que a energia na Alemanha seja atualmente a mais cara na União Europeia.
As divisões química e de materiais sintéticos da empresa vêm, portanto, dirigindo seus investimentos para a China, onde o grupo começa a apresentar os maiores índices de crescimento.
"Para nós, é importante nos mantermos competitivos frente a produções de outros países. Caso contrário, multinacionais como a Bayer começam a pensar em transferir sua produção para países com menor custo energético", disse Dekkers.
Sua avaliação é sustentada por Robert Hoffmann, presidente da empresa de telecomunicação 1&1. "Há muitos encargos, que aumentam injustamente o preço da energia", explicou Hoffmann à WirtschaftsWoche. A energia hidráulica utilizada pela 1&1 vem da Noruega, mas a empresa é, mesmo assim, obrigada a pagar taxas na Alemanha relacionadas à lei da energia renovável.
Em novembro passado, a Bayer anunciou um programa radical de redução de gastos, com o corte de 4500 mil vagas de emprego – 1700 mil delas na Alemanha. A medida foi uma reação à acirrada concorrência dos fabricantes de genéricos de baixo custo e aos cortes nos sistemas de saúde de diversos países industrializados.
MS/rts/afp
Revisão: Soraia Vilela
A gigante da indústria química e farmacêutica Bayer ameaça transferir a produção da Alemanha para outros países, se os custos com energia na Alemanha continuarem aumentando. A medida está ligada à decisão do governo alemão de acabar com seu programa nuclear até 2022, o que acarretaria maiores despesas para o grupo nos próximos anos. A Bayer emprega 36 mil pessoas no país.
Em entrevista à revista alemã WirtschaftsWoche, o presidente da Bayer, Marijn Dekkers, afirmou que a empresa pretende criar mais de 2500 novos empregos em países emergentes, como Brasil, Índia, Rússia e China. Segundo o último relatório financeiro divulgado pela empresa, estes mercados – definidos como Ásia/Pacífico (excluindo Japão, Austrália e Nova Zelândia), América Latina, Europa Oriental, África e Oriente Médio – contribuíram significativamente para o crescimento das vendas no primeiro semestre deste ano.
Dekkers avaliou ainda que, a despeito da crise na Europa e nos EUA, a conjuntura mundial demonstra tendências positivas. Ele ressalta que na China não há sinais de um possível "estouro de bolha".
Alemanha "menos atraente"
Em seu o relatório financeiro, a Bayer reforça que os dados positivos registrados nos países emergentes compensaram o fraco desempenho obtido na Europa Ocidental e na América do Norte.
Segundo Dekkers, a Alemanha está ficando "menos atraente" para indústrias químicas que consomem bastante energia. O executivo calcula ainda que a energia na Alemanha seja atualmente a mais cara na União Europeia.
As divisões química e de materiais sintéticos da empresa vêm, portanto, dirigindo seus investimentos para a China, onde o grupo começa a apresentar os maiores índices de crescimento.
"Para nós, é importante nos mantermos competitivos frente a produções de outros países. Caso contrário, multinacionais como a Bayer começam a pensar em transferir sua produção para países com menor custo energético", disse Dekkers.
Sua avaliação é sustentada por Robert Hoffmann, presidente da empresa de telecomunicação 1&1. "Há muitos encargos, que aumentam injustamente o preço da energia", explicou Hoffmann à WirtschaftsWoche. A energia hidráulica utilizada pela 1&1 vem da Noruega, mas a empresa é, mesmo assim, obrigada a pagar taxas na Alemanha relacionadas à lei da energia renovável.
Em novembro passado, a Bayer anunciou um programa radical de redução de gastos, com o corte de 4500 mil vagas de emprego – 1700 mil delas na Alemanha. A medida foi uma reação à acirrada concorrência dos fabricantes de genéricos de baixo custo e aos cortes nos sistemas de saúde de diversos países industrializados.
MS/rts/afp
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