O senador Fernando Collor de Mello (PTB) fez, nesta quarta-feira (20), a sua primeira aparição pública durante a campanha do 2º turno em Alagoas. Depois de ter formalizado aliança com o candidato Ronaldo Lessa (PDT) no último dia 07, o ex-presidente da República ainda não tinha saído às ruas para pedir votos para o adversário do atual governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), que disputa a reeleição. Em discurso, Collor defendeu a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e disse que o Brasil vai continuar ‘mudando e crescendo’ com a eleição da petista para o cargo de presidente da República.
Foto: Janaina Ribeiro, iG Alagoas
Fernando Collor, Ronaldo Lessa e Renan Calheiros declaram votos em Dilma Rousseff
* Dilma: Temos trajetórias diferentes, mas aceito apoio de Collor
* Dilma repete Collor em 1989, diz Serra
* TSE manda Serra suspender vídeo de apoio de Collor a Dilma
Para marcar a sua volta às ruas, Fernando Collor escolheu o seu maior reduto eleitoral em Maceió, o bairro Virgem dos Pobres, construído por ele na época em que governou Alagoas em 1989. Levados por uma multidão, Collor, Lessa, o candidato a vice-governador da coligação do pedetista Joaquim Brito (PT), o vereador Galba Novaes (PRB) - candidato a vice-governador na chapa que foi encabeçada por Collor -, o senador Renan Calheiros (PMDB), deputados eleitos, prefeitos do interior e vereadores da capital mostraram uma oposição reunida.
“Tivemos cerca de 30% dos votos dos alagoanos no 1º turno e o Ronaldo conquistou mais 35%. Isso significa dizer que quase 70% dos eleitores querem mudança e esse governador que aí está não merece ser reconduzido ao cargo", disse. O ex-presidente ainda falou sobre as obras realizadas no Estado. "É verdade que Alagoas está um canteiro de obras, mas todas elas são do governo federal. São serviços realizados graças aos recursos enviados pelo presidente Lula e pela ex-ministra Dilma Rousseff. Por isso, precisamos eleger um governador que represente o Lula e que esteja alinhado com os programas sociais e as políticas públicas desenvolvidas pelo atual governo presidencial. Neste palanque está à força da oposição”, disse Collor.
O petebista também pediu votos para Dilma. “A ex-ministra Dilma precisa ser eleita para que as transformações sigam em frente. É fundamental que ela ganhe para que o Brasil continue gerando mais empregos, continue crescendo a uma taxa de mais de 7%, continue tirando milhões de pessoas da linha de pobreza, para que o brasileiro possa ter mais comida na mesa e para que os jovens possam permanecer recebendo suas bolsas de estudo para se formar e ter qualificação”, defendeu o senador.
PMDB em defesa de Dilma
O senador Renan Calheiros também defendeu a candidatura da ex-ministra da Casa Civil. “Se eleita, será mais fácil para Alagoas se desenvolver, já que o Ronaldo é o candidato da Dilma e tem acesso direto a ela e ao presidente Lula (...) Alagoas não pode continuar nesse mar de preguiça, vamos ganhar a eleição para dinamizar o Estado e oferecer melhor qualidade de vida ao povo. Não devemos permanecer com um governo estadual que dá às costas à Educação e à Segurança Pública”, discursou Calheiros.
Ronaldo Lessa concluiu destacando suas obras. “Eu criei 180 mil novas vagas em 8 anos, o Teotonio diminuiu 40 mil, eu construí 23 novas escolas, o governador não ergueu uma só pedra, eu fiz duas escolas profissionalizantes e duas universidades estaduais, já ele, nenhuma. O governo federal mandou recursos para a construção de 29 novas escolas, o atual governo devolveu o dinheiro. Apenas pelo descaso com a Educação, percebemos que esse tucano quer que o povo continue ignorante. Não interessa a ele e nem à classe que a qual ele pertence (Vilela é usineiro) que a população se eduque. Entretanto, defendemos que é por meio da Educação que um País pode crescer”, afirmou o pedetista.
Por fim, encerrou a fila dos defensores da candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff. “O governo federal já tirou mais de 20 milhões da linha de pobreza e, com a Dilma eleita presidente da República, temos certeza que esse número irá dobrar”, concluiu.
sábado, 23 de outubro de 2010
Países emergentes ganham influência e FMI duplica cotas
Por Luciana Lopez e Alan Wheatley
GYEONGJU, Coreia do Sul (Reuters) - As economias emergentes de rápido crescimento terão maior influência no Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo um acordo fechado no sábado e que reflete uma mudança no poder mundial a partir das nações industrializadas.
De acordo com a decisão, mais de seis por cento das fatias de voto no FMI serão passadas a países em desenvolvimento, como a China, que se tornará o terceiro maior integrante do órgão de empréstimos, sediado em Washington e que tem 187 membros.
A Europa entregará dois dos oito ou nove assentos que controla a qualquer momento no Comitê Executivo do FMI, que continuará com 24 membros, segundo um comunicado emitido depois de um encontro de ministros das Finanças do G20.
Como parte de um papel mais global, o G20 também decidiu dobrar as cotas do FMI, que determinam com quanto cada país contribuirá ao FMI e quanto eles podem pegar emprestado.
As cotas atualmente somam cerca de 340 bilhões de dólares. Os membros do FMI pediram a duplicação dessa quantia que, segundo eles, colocaria o fundo "em uma forte posição para evitar ou lidar com potenciais crises nos próximos anos."
O G20 disse que as reformas tornariam a entidade "mais efetiva, confiável e legítima."
As modificações correspondem a uma reforma da ordem econômica mundial estabelecida quando o FMI foi criado, após a Segunda Guerra Mundial, fazendo o diretor-gerente Dominique Strauss-Kahn descrever o acordo como histórico.
A redução na representação da Europa é menor do que a pretendida pelos Estados Unidos. Contudo, Washington, que tem 17,67 por cento de participação nas cotas do FMI, manterá seu poder de veto nas decisões mais importantes, pois elas continuarão precisando de uma grande maioria, de 85 por cento, para serem aprovadas, disseram autoridades do órgão.
"Era uma reforma esperada há muito tempo e que está realmente mudando o equilíbrio do poder e dando espaço para todas as economias, inclusive as emergentes", afirmou a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde.
A China vai superar Alemanha, França e Grã-Bretanha no ranking de poder do fundo, com sua cota aumentando de 3,65 por cento para 6,19 por cento. A Índia ficará na oitava posição, com a Rússia em nono e o Brasil em décimo, de acordo com o ministro das Finanças russo.
Juntos, os quatro países, conhecidos como Bric, terão 14,18 por cento das cotas do FMI.
Os mercados emergentes em geral terão 42,49 por cento, número que o G20 diz que deve subir após uma abrangente revisão da fórmula de cotas esperada até janeiro de 2013.
"Isso não completa o processo de reforma", disse o ministro das Finanças russo, Alexei Kudrin. "A posição dos países de mercados emergentes é que esse trabalho precisa continuar."
A decisão sobre quais países europeus deixarão seus assentos deve demorar um ano ou mais. O G20 estabeleceu um prazo final para outubro de 2012. Bélgica, Dinamarca, Holanda e Suíça estão entre as nações que podem perder espaço.
(Reportagem adicional de Toni Vorobyova e David Chance)
GYEONGJU, Coreia do Sul (Reuters) - As economias emergentes de rápido crescimento terão maior influência no Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo um acordo fechado no sábado e que reflete uma mudança no poder mundial a partir das nações industrializadas.
De acordo com a decisão, mais de seis por cento das fatias de voto no FMI serão passadas a países em desenvolvimento, como a China, que se tornará o terceiro maior integrante do órgão de empréstimos, sediado em Washington e que tem 187 membros.
A Europa entregará dois dos oito ou nove assentos que controla a qualquer momento no Comitê Executivo do FMI, que continuará com 24 membros, segundo um comunicado emitido depois de um encontro de ministros das Finanças do G20.
Como parte de um papel mais global, o G20 também decidiu dobrar as cotas do FMI, que determinam com quanto cada país contribuirá ao FMI e quanto eles podem pegar emprestado.
As cotas atualmente somam cerca de 340 bilhões de dólares. Os membros do FMI pediram a duplicação dessa quantia que, segundo eles, colocaria o fundo "em uma forte posição para evitar ou lidar com potenciais crises nos próximos anos."
O G20 disse que as reformas tornariam a entidade "mais efetiva, confiável e legítima."
As modificações correspondem a uma reforma da ordem econômica mundial estabelecida quando o FMI foi criado, após a Segunda Guerra Mundial, fazendo o diretor-gerente Dominique Strauss-Kahn descrever o acordo como histórico.
A redução na representação da Europa é menor do que a pretendida pelos Estados Unidos. Contudo, Washington, que tem 17,67 por cento de participação nas cotas do FMI, manterá seu poder de veto nas decisões mais importantes, pois elas continuarão precisando de uma grande maioria, de 85 por cento, para serem aprovadas, disseram autoridades do órgão.
"Era uma reforma esperada há muito tempo e que está realmente mudando o equilíbrio do poder e dando espaço para todas as economias, inclusive as emergentes", afirmou a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde.
A China vai superar Alemanha, França e Grã-Bretanha no ranking de poder do fundo, com sua cota aumentando de 3,65 por cento para 6,19 por cento. A Índia ficará na oitava posição, com a Rússia em nono e o Brasil em décimo, de acordo com o ministro das Finanças russo.
Juntos, os quatro países, conhecidos como Bric, terão 14,18 por cento das cotas do FMI.
Os mercados emergentes em geral terão 42,49 por cento, número que o G20 diz que deve subir após uma abrangente revisão da fórmula de cotas esperada até janeiro de 2013.
"Isso não completa o processo de reforma", disse o ministro das Finanças russo, Alexei Kudrin. "A posição dos países de mercados emergentes é que esse trabalho precisa continuar."
A decisão sobre quais países europeus deixarão seus assentos deve demorar um ano ou mais. O G20 estabeleceu um prazo final para outubro de 2012. Bélgica, Dinamarca, Holanda e Suíça estão entre as nações que podem perder espaço.
(Reportagem adicional de Toni Vorobyova e David Chance)
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Eleitores não conseguem reconhecer abismo entre políticas no Brasil
Parece 1994 tudo de novo. Na época, como hoje, dois candidatos de lados opostos do espectro político brasileiro disputavam a presidência, e um dirigia-se para a vitória nas eleições presidenciais de outubro. Então, como hoje, um escândalo no governo deu à oposição um raio de esperança nas últimas semanas de campanha. Depois, como parece inevitável neste ano, o candidato pró-governo venceu facilmente.
A grande diferença entre hoje e 1994 é que, na época e novamente em 2002, os brasileiros sabiam que estavam em uma encruzilhada.
Hoje, muitos acham que não faz diferença quem vencer as eleições no dia 3 de outubro: Dilma Rousseff, sucessora escolhida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do PT, de esquerda, ou José Serra, da oposição centrista do PSDB.
“Parece uma meta-eleição”, diz Fernando Henrique Cardoso, eleito presidente pelo PSDB em 1994 após conquistar a inflação galopante como ministro das finanças, um feito que lhe rendeu oito anos no cargo. “Há uma escolha entre duas direções, mas ninguém fala nada sobre isso.”
No papel, as diferenças deveriam ser claras. Rousseff foi ministra em grande parte do governo Lula –que também completando o máximo de oito anos consecutivos- e é considerada “estatizante”. Seus instintos, segundo os analistas, são de governo grande e economia controlada.
Serra, que foi ministro da saúde de sucesso sob Fernando Henrique Cardoso e desde então tem sido um governador de São Paulo modernizador e eficaz, deveria ser um bastião do liberalismo de mercado.
Em vez disso, estão oferecendo aos brasileiros continuidade por um lado e, do outro, algo não muito bem definido.
Uma razão é a enorme popularidade de Lula. Com 80% dos brasileiros dizendo que aprovam seu governo, uma situação extraordinária depois de tanto tempo no poder, seu apoio daria a qualquer candidato uma vantagem. E ele apoia Rousseff.
Outro é que Serra subestimou seu oponente. Ele liderou as pesquisas até julho, e muitos de seus partidários acreditavam que logo estariam no governo. “Eles não prepararam uma campanha adequada”, diz Alberto Almeida, cientista político em São Paulo. “Achavam que a eleição era deles.”
Quando Lula estava perdendo em 1994, ele caiu lutando contra o “neo-liberalismo”. Almeida diz que Serra deveria perder da mesma forma, lutando pela retomada das reformas iniciadas por Fernando Henrique, que muitos economistas dizem ser essenciais para um crescimento sustentável e mais rápido. “Ele deveria estar mostrando a diferença entre o PSDB e o PT”, diz ele.
Em vez disso, Serra primeiro alegou ser a melhor pessoa para dar continuidade ao trabalho de Lula e depois se concentrou em questões estreitas de pouco apelo aos eleitores.
Não estamos em 1994, muito menos em 2002, quando os brasileiros deixaram Fernando Henrique por Lula, que prometia mudança. Em 2002, os custos de empréstimos ao Brasil deram um salto com o temor dos investidores do ex-sindicalista levar o Brasil ao calote. De fato, ele fez um “choque positivo”, mantendo os pilares ortodoxos de política macroeconômica e fazendo uma série cortes de gastos bons para o mercado.
Contudo, se muitos investidores superestimaram a diferença entre o governo do PSDB e do PT em 2002, o risco agora é que a diferença esteja sendo subestimada. Ninguém espera que Rousseff leve o Brasil para a esquerda. De fato, ela fez compromissos públicos de manter as políticas macroeconômicas tais como metas de inflação, câmbio flutuante e reduções graduais da dívida pública.
Mas há uma diferença entre continuidade e resumo das reformas do governo. Um promete crescimento lento e constante; o outro maior investimento para melhorar a produtividade e uma solução mais rápida para problemas como os serviços públicos problemáticos. Praticamente inconscientes da escolha, os brasileiros parecem prontos para optar pelo primeiro. Como disse recentemente um dos assessores econômicos de Rousseff ao Financial Times: “Não há necessidade de grandes ajustes. Se algo acontecer (como um choque externo), sim. Mas não há nada no horizonte.”
A grande diferença entre hoje e 1994 é que, na época e novamente em 2002, os brasileiros sabiam que estavam em uma encruzilhada.
Hoje, muitos acham que não faz diferença quem vencer as eleições no dia 3 de outubro: Dilma Rousseff, sucessora escolhida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do PT, de esquerda, ou José Serra, da oposição centrista do PSDB.
“Parece uma meta-eleição”, diz Fernando Henrique Cardoso, eleito presidente pelo PSDB em 1994 após conquistar a inflação galopante como ministro das finanças, um feito que lhe rendeu oito anos no cargo. “Há uma escolha entre duas direções, mas ninguém fala nada sobre isso.”
No papel, as diferenças deveriam ser claras. Rousseff foi ministra em grande parte do governo Lula –que também completando o máximo de oito anos consecutivos- e é considerada “estatizante”. Seus instintos, segundo os analistas, são de governo grande e economia controlada.
Serra, que foi ministro da saúde de sucesso sob Fernando Henrique Cardoso e desde então tem sido um governador de São Paulo modernizador e eficaz, deveria ser um bastião do liberalismo de mercado.
Em vez disso, estão oferecendo aos brasileiros continuidade por um lado e, do outro, algo não muito bem definido.
Uma razão é a enorme popularidade de Lula. Com 80% dos brasileiros dizendo que aprovam seu governo, uma situação extraordinária depois de tanto tempo no poder, seu apoio daria a qualquer candidato uma vantagem. E ele apoia Rousseff.
Outro é que Serra subestimou seu oponente. Ele liderou as pesquisas até julho, e muitos de seus partidários acreditavam que logo estariam no governo. “Eles não prepararam uma campanha adequada”, diz Alberto Almeida, cientista político em São Paulo. “Achavam que a eleição era deles.”
Quando Lula estava perdendo em 1994, ele caiu lutando contra o “neo-liberalismo”. Almeida diz que Serra deveria perder da mesma forma, lutando pela retomada das reformas iniciadas por Fernando Henrique, que muitos economistas dizem ser essenciais para um crescimento sustentável e mais rápido. “Ele deveria estar mostrando a diferença entre o PSDB e o PT”, diz ele.
Em vez disso, Serra primeiro alegou ser a melhor pessoa para dar continuidade ao trabalho de Lula e depois se concentrou em questões estreitas de pouco apelo aos eleitores.
Não estamos em 1994, muito menos em 2002, quando os brasileiros deixaram Fernando Henrique por Lula, que prometia mudança. Em 2002, os custos de empréstimos ao Brasil deram um salto com o temor dos investidores do ex-sindicalista levar o Brasil ao calote. De fato, ele fez um “choque positivo”, mantendo os pilares ortodoxos de política macroeconômica e fazendo uma série cortes de gastos bons para o mercado.
Contudo, se muitos investidores superestimaram a diferença entre o governo do PSDB e do PT em 2002, o risco agora é que a diferença esteja sendo subestimada. Ninguém espera que Rousseff leve o Brasil para a esquerda. De fato, ela fez compromissos públicos de manter as políticas macroeconômicas tais como metas de inflação, câmbio flutuante e reduções graduais da dívida pública.
Mas há uma diferença entre continuidade e resumo das reformas do governo. Um promete crescimento lento e constante; o outro maior investimento para melhorar a produtividade e uma solução mais rápida para problemas como os serviços públicos problemáticos. Praticamente inconscientes da escolha, os brasileiros parecem prontos para optar pelo primeiro. Como disse recentemente um dos assessores econômicos de Rousseff ao Financial Times: “Não há necessidade de grandes ajustes. Se algo acontecer (como um choque externo), sim. Mas não há nada no horizonte.”
Fundação Sarney desviou verba da Petrobras, diz CGU
Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) nas contas da Fundação José Sarney apontou para uma cadeia de fraudes na execução de um projeto de R$ 1,3 milhão patrocinado pela Petrobras. A investigação do órgão do governo federal acusa a entidade - criada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para preservar a sua memória - de uso de notas frias e calçadas (divergência de valores), empresas fantasmas e de fachada, contratações irregulares, ausência de comprovação de serviços, entre outras irregularidades, para um projeto cultural que nunca saiu do papel.
Os recursos seriam destinados à preservação do acervo e à modernização dos espaços físicos da entidade, em São Luís. Mas a CGU apurou, por exemplo, que R$ 129 mil da Petrobras foram desviados para custear despesas da fundação, como energia, impostos e refeições. "Gastos que não estavam previstos no plano de trabalho", informa o relatório da auditoria. A CGU é dirigida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliado de Sarney.
Esse é o primeiro resultado da investigação de um órgão público no patrocínio da Petrobras e confirma reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em 9 de julho do ano passado, sobre o desvio dos recursos. Naquele mesmo mês, a CGU abriu a auditoria nas contas da entidade. O relatório foi enviado na semana passada ao Ministério da Cultura, intermediário do patrocínio.
Os auditores estiveram na capital maranhense e constataram que a Fundação José Sarney apresentou, em sua prestação de contas, notas fiscais de empresas com endereços falsos. É o caso do Centro de Excelência Humana Shalom, que recebeu mais de R$ 70 mil para, em tese, prestar serviços de consultoria.
* Informações do jornal O Estado de S. Paulo.
Os recursos seriam destinados à preservação do acervo e à modernização dos espaços físicos da entidade, em São Luís. Mas a CGU apurou, por exemplo, que R$ 129 mil da Petrobras foram desviados para custear despesas da fundação, como energia, impostos e refeições. "Gastos que não estavam previstos no plano de trabalho", informa o relatório da auditoria. A CGU é dirigida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliado de Sarney.
Esse é o primeiro resultado da investigação de um órgão público no patrocínio da Petrobras e confirma reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em 9 de julho do ano passado, sobre o desvio dos recursos. Naquele mesmo mês, a CGU abriu a auditoria nas contas da entidade. O relatório foi enviado na semana passada ao Ministério da Cultura, intermediário do patrocínio.
Os auditores estiveram na capital maranhense e constataram que a Fundação José Sarney apresentou, em sua prestação de contas, notas fiscais de empresas com endereços falsos. É o caso do Centro de Excelência Humana Shalom, que recebeu mais de R$ 70 mil para, em tese, prestar serviços de consultoria.
* Informações do jornal O Estado de S. Paulo.
Jornal diz que Roseana Sarney lavou dinheiro
Documentos que estão nos arquivos do Banco Santos indicam que a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e seu marido, Jorge Murad, simularam um empréstimo de R$ 4,5 milhões para resgatar US$ 1,5 milhão que possuíam no exterior.
Os papéis obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo - incluindo um relatório confidencial do banco - dão detalhes da operação, montada legalmente no Brasil, com um prazo de seis anos. Os relatórios mostram, no entanto, que o empréstimo foi pago por meio de um banco suíço cinco dias depois da liberação dos recursos no Brasil.
O dinheiro foi, segundo os documentos, investido na compra de participações acionárias em dois shoppings, um em São Luís e outro no Rio de Janeiro. O Banco Santos teria servido apenas como ponte para Roseana e Murad usarem os dólares depositados lá fora. É o que o mercado financeiro batiza de operação "back to back".
O acordo ocorreu em julho de 2004 entre a governadora, seu marido e Edemar Cid Ferreira, até então dono do Banco Santos, que quebrou quatro meses depois e passa por intervenção judicial até hoje. Afastado do banco, Edemar é íntimo da família Sarney. Foi padrinho de casamento de Roseana e Murad. Os documentos, obtidos pela reportagem com ex-diretores do Banco Santos, reforçam os indícios que a família Sarney sempre negou: que tem contas não declaradas no exterior.
De posse dos documentos, o Estado procurou em São Paulo o administrador judicial do Banco Santos, Vânio Aguiar, para se certificar de que os papéis estão nos arquivos oficiais da instituição bancária. Ele confirmou a veracidade dos documentos. "Eu não sabia da existência deles. Mandei levantar e confirmo a existência desses documentos que você me mostrou nos arquivos do banco", disse Aguiar ao Estado. "Foram encontrados na área de operações estruturadas."
* Informações do jornal O Estado de S. Paulo.
Os papéis obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo - incluindo um relatório confidencial do banco - dão detalhes da operação, montada legalmente no Brasil, com um prazo de seis anos. Os relatórios mostram, no entanto, que o empréstimo foi pago por meio de um banco suíço cinco dias depois da liberação dos recursos no Brasil.
O dinheiro foi, segundo os documentos, investido na compra de participações acionárias em dois shoppings, um em São Luís e outro no Rio de Janeiro. O Banco Santos teria servido apenas como ponte para Roseana e Murad usarem os dólares depositados lá fora. É o que o mercado financeiro batiza de operação "back to back".
O acordo ocorreu em julho de 2004 entre a governadora, seu marido e Edemar Cid Ferreira, até então dono do Banco Santos, que quebrou quatro meses depois e passa por intervenção judicial até hoje. Afastado do banco, Edemar é íntimo da família Sarney. Foi padrinho de casamento de Roseana e Murad. Os documentos, obtidos pela reportagem com ex-diretores do Banco Santos, reforçam os indícios que a família Sarney sempre negou: que tem contas não declaradas no exterior.
De posse dos documentos, o Estado procurou em São Paulo o administrador judicial do Banco Santos, Vânio Aguiar, para se certificar de que os papéis estão nos arquivos oficiais da instituição bancária. Ele confirmou a veracidade dos documentos. "Eu não sabia da existência deles. Mandei levantar e confirmo a existência desses documentos que você me mostrou nos arquivos do banco", disse Aguiar ao Estado. "Foram encontrados na área de operações estruturadas."
* Informações do jornal O Estado de S. Paulo.
PT promove ato contra a imprensa
Site oficial do partido conclama parceiros e sociedade a combater ‘golpismo midiático’.
Partido acusa imprensa de fazer ‘jogo combinado’ em favor de José Serra.
Uma página oficial do PT está divulgando um ato contra a imprensa brasileira. A proposta do partido genuinamente paulista de se manifestar contra veículos de comunicação, surge num momento em que grandes órgãos da mídia brasileira tornaram públicas sérias denúncias contra a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, provocando a sua queda da pasta, além da exoneração de outros servidores.
Existe um temor, por parte do PT, que os escândalos ocorridos na Casa Civil possam interferir numa possível vitória de Dilma Rousseff (segundo as pesquisas) na corrida à Presidência da República.
Intitulado de “ato ao golpismo midiático”, a manifestação anti-imprensa do PT é anunciada no site oficial do partido, para às 19h da quinta-feira (23/09), num local, no mínimo, paradoxal: o auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, centro da capital paulista), que é filiado à CUT.
Para o ato, os petistas conclamam e anunciam a participação de dirigentes de quatro centrais sindicais: além da CUT, Força Sindical, CTB e CGTB (apoiadores/parceiros do governo do PT); representantes da União Nacional dos Estudantes (uma das entidades que mais recebeu verbas do governo Lula); Lideranças de quatro partidos políticos: PT, PCdoB, PSB e PDT (apoiadores da campanha petista à Presidência); Blogueiros progressistas (entenda-se: blogueiros petistas).
A iniciativa é também chamada no site do PT de “ato em defesa da democracia”, “contra a baixaria das eleições” e “contra o golpismo midiático”.
Rebatendo as manchetes e os escândalos diários proporcionados por determinados setores do Governo Federal, denuncia o site petista, “Na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na ‘presunção da culpa”, numa afronta à Constituição que fixa a ‘presunção da inocência’. Como num jogo combinado, as manchetes da velha mídia viram peças de campanha no programa de TV do candidato das forças conservadoras”.
O PT afirma que uma “manipulação” estaria sendo efetivada pelos veículos da mídia, em favor do candidato José Serra, “Essa manipulação grosseira objetiva castrar o voto popular e tem como objetivo secundário deslegitimar as instituições democráticas a duras penas construídas no Brasil. A onda de baixarias, que visa forçar a ida de José Serra ao segundo turno, tende a crescer nos últimos dias da campanha. Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso”.
Ato de censura
Demonstrando uma forte preocupação contra a liberdade de imprensa no país, o PT promove um ato que arranha a Constituição brasileira. Além de não apresentar comprovação para as fortes acusações de suposto “conchavo” da imprensa em prol da candidatura Serra, tal ato em verdade, é uma demonstração da censura que deverá assolar um possível novo governo petista.
Além do clima inconstitucional dessa iniciativa, promover ato contra a imprensa é sinal de que a Democracia está mesmo ameaçada, pois, somente um partido político, que está no poder por dois mandatos, ousou a tanto em toda a história brasileira. Se voltar contra os meios de comunicação, na tentativa de calá-los diante a tantos desmandos, tantos derrames de dinheiro público, estando tudo isso documentado, atestado e oficializado, não passa de um ato de mediocridade.
Mostrando uma incrível similaridade com campanhas tiranas movidas pelo “camarada” venezuelano Hugo Chávez, este ato do PT somente não é idêntico aos do bolivariano, porque procura envolver elementos da sociedade em tal manifestação. Evidentemente, representação social de pouca legitimidade – diga-se -, pois UNE, centrais sindicais e blogueiros petistas, não passam de parceiros do atual governo, cujas benesses futuras estariam ameaçadas, caso o PT não permaneça frente à Presidência da República.
Partido acusa imprensa de fazer ‘jogo combinado’ em favor de José Serra.
Uma página oficial do PT está divulgando um ato contra a imprensa brasileira. A proposta do partido genuinamente paulista de se manifestar contra veículos de comunicação, surge num momento em que grandes órgãos da mídia brasileira tornaram públicas sérias denúncias contra a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, provocando a sua queda da pasta, além da exoneração de outros servidores.
Existe um temor, por parte do PT, que os escândalos ocorridos na Casa Civil possam interferir numa possível vitória de Dilma Rousseff (segundo as pesquisas) na corrida à Presidência da República.
Intitulado de “ato ao golpismo midiático”, a manifestação anti-imprensa do PT é anunciada no site oficial do partido, para às 19h da quinta-feira (23/09), num local, no mínimo, paradoxal: o auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, centro da capital paulista), que é filiado à CUT.
Para o ato, os petistas conclamam e anunciam a participação de dirigentes de quatro centrais sindicais: além da CUT, Força Sindical, CTB e CGTB (apoiadores/parceiros do governo do PT); representantes da União Nacional dos Estudantes (uma das entidades que mais recebeu verbas do governo Lula); Lideranças de quatro partidos políticos: PT, PCdoB, PSB e PDT (apoiadores da campanha petista à Presidência); Blogueiros progressistas (entenda-se: blogueiros petistas).
A iniciativa é também chamada no site do PT de “ato em defesa da democracia”, “contra a baixaria das eleições” e “contra o golpismo midiático”.
Rebatendo as manchetes e os escândalos diários proporcionados por determinados setores do Governo Federal, denuncia o site petista, “Na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na ‘presunção da culpa”, numa afronta à Constituição que fixa a ‘presunção da inocência’. Como num jogo combinado, as manchetes da velha mídia viram peças de campanha no programa de TV do candidato das forças conservadoras”.
O PT afirma que uma “manipulação” estaria sendo efetivada pelos veículos da mídia, em favor do candidato José Serra, “Essa manipulação grosseira objetiva castrar o voto popular e tem como objetivo secundário deslegitimar as instituições democráticas a duras penas construídas no Brasil. A onda de baixarias, que visa forçar a ida de José Serra ao segundo turno, tende a crescer nos últimos dias da campanha. Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso”.
Ato de censura
Demonstrando uma forte preocupação contra a liberdade de imprensa no país, o PT promove um ato que arranha a Constituição brasileira. Além de não apresentar comprovação para as fortes acusações de suposto “conchavo” da imprensa em prol da candidatura Serra, tal ato em verdade, é uma demonstração da censura que deverá assolar um possível novo governo petista.
Além do clima inconstitucional dessa iniciativa, promover ato contra a imprensa é sinal de que a Democracia está mesmo ameaçada, pois, somente um partido político, que está no poder por dois mandatos, ousou a tanto em toda a história brasileira. Se voltar contra os meios de comunicação, na tentativa de calá-los diante a tantos desmandos, tantos derrames de dinheiro público, estando tudo isso documentado, atestado e oficializado, não passa de um ato de mediocridade.
Mostrando uma incrível similaridade com campanhas tiranas movidas pelo “camarada” venezuelano Hugo Chávez, este ato do PT somente não é idêntico aos do bolivariano, porque procura envolver elementos da sociedade em tal manifestação. Evidentemente, representação social de pouca legitimidade – diga-se -, pois UNE, centrais sindicais e blogueiros petistas, não passam de parceiros do atual governo, cujas benesses futuras estariam ameaçadas, caso o PT não permaneça frente à Presidência da República.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Europeus fazem greves e protestos contra medidas de austeridade
Por David Brunnstrom
BRUXELAS (Reuters) - Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de toda a Europa na quarta-feira, protestando contra as medidas de austeridade que, segundo os sindicatos, irão desacelerar a recuperação econômica e punir os mais pobres.
Houve grandes manifestações em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia, e nas cidades portuguesas de Lisboa e Porto. Na Espanha, uma greve geral afetou parcialmente os transportes e a indústria.
Em dez outras capitais europeias também aconteceram protestos contra cortes de gastos públicos e reformas trabalhistas e previdenciárias, promovidas por vários governos para reduzir seu déficit e seu endividamento.
Em Bruxelas, os sindicatos disseram ter alcançado sua meta de levar 100 mil pessoas às ruas, embora a polícia tenha estimado a multidão em 56 mil, e detido 218 manifestantes por causa de pequenos incidentes.
Os sindicatos disseram ter reunido 50 mil pessoas em Lisboa e 20 mil no Porto. A polícia não divulgou estimativas.
"Este é o começo da nossa luta, não o final. Que nossa voz seja ouvida é a nossa grande exigência hoje - contra a austeridade e pelos empregos e o crescimento", disse John Monks, presidente da Confederação Europeia de Sindicatos, numa manifestação perto da sede da UE, que parou parte da capital belga.
Parte da ira dos manifestantes se dirigia contra o fato de o governo ter usado bilhões de euros para salvar bancos, enquanto os cidadãos comuns têm de aceitar os cortes de gastos públicos. Um grupo caracterizado como "banqueiros bandidos" (ternos pretos e máscaras pretas) abria a passeata, caracterizada como um cortejo fúnebre para a Europa.
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse a jornalistas que a UE está ciente da "reação social em cadeia", mas que os governos não veem alternativa às medidas impopulares.
Economistas julgam que as manifestações não irão fazer os governos recuarem.
"Acho que no momento elas não são uma ameaça tão grande", disse David Lea, analista de Europa Ocidental da consultoria Control Risks, à TV Reuters Insider. "E acho que há uma admissão de que muitas dessas medidas de austeridade simplesmente vão acontecer, e que eles não conseguiram afastar o governo disso."
Muitos trabalhadores, no entanto, consideram que estão sendo punidos por um problema que não causaram. "Entendemos que há uma crise, mas ela está sendo usada como um ótimo pretexto para todos os tipos de pressão sobre as pessoas que são empregadas, trabalhadores, e não as grandes empresas", disse Alexander Nikolov, que foi de carro da Bulgária a Bruxelas para protestar.
Na quarta-feira ocorreram manifestações também em Dublin, Roma, Paris, Riga, Varsóvia, Nicósia, Bucareste, Praga, Vilna, Belgrado e Atenas. Na Eslovênia, uma greve com adesão de cerca de metade do funcionalismo público chegou ao seu terceiro dia.
BRUXELAS (Reuters) - Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de toda a Europa na quarta-feira, protestando contra as medidas de austeridade que, segundo os sindicatos, irão desacelerar a recuperação econômica e punir os mais pobres.
Houve grandes manifestações em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia, e nas cidades portuguesas de Lisboa e Porto. Na Espanha, uma greve geral afetou parcialmente os transportes e a indústria.
Em dez outras capitais europeias também aconteceram protestos contra cortes de gastos públicos e reformas trabalhistas e previdenciárias, promovidas por vários governos para reduzir seu déficit e seu endividamento.
Em Bruxelas, os sindicatos disseram ter alcançado sua meta de levar 100 mil pessoas às ruas, embora a polícia tenha estimado a multidão em 56 mil, e detido 218 manifestantes por causa de pequenos incidentes.
Os sindicatos disseram ter reunido 50 mil pessoas em Lisboa e 20 mil no Porto. A polícia não divulgou estimativas.
"Este é o começo da nossa luta, não o final. Que nossa voz seja ouvida é a nossa grande exigência hoje - contra a austeridade e pelos empregos e o crescimento", disse John Monks, presidente da Confederação Europeia de Sindicatos, numa manifestação perto da sede da UE, que parou parte da capital belga.
Parte da ira dos manifestantes se dirigia contra o fato de o governo ter usado bilhões de euros para salvar bancos, enquanto os cidadãos comuns têm de aceitar os cortes de gastos públicos. Um grupo caracterizado como "banqueiros bandidos" (ternos pretos e máscaras pretas) abria a passeata, caracterizada como um cortejo fúnebre para a Europa.
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse a jornalistas que a UE está ciente da "reação social em cadeia", mas que os governos não veem alternativa às medidas impopulares.
Economistas julgam que as manifestações não irão fazer os governos recuarem.
"Acho que no momento elas não são uma ameaça tão grande", disse David Lea, analista de Europa Ocidental da consultoria Control Risks, à TV Reuters Insider. "E acho que há uma admissão de que muitas dessas medidas de austeridade simplesmente vão acontecer, e que eles não conseguiram afastar o governo disso."
Muitos trabalhadores, no entanto, consideram que estão sendo punidos por um problema que não causaram. "Entendemos que há uma crise, mas ela está sendo usada como um ótimo pretexto para todos os tipos de pressão sobre as pessoas que são empregadas, trabalhadores, e não as grandes empresas", disse Alexander Nikolov, que foi de carro da Bulgária a Bruxelas para protestar.
Na quarta-feira ocorreram manifestações também em Dublin, Roma, Paris, Riga, Varsóvia, Nicósia, Bucareste, Praga, Vilna, Belgrado e Atenas. Na Eslovênia, uma greve com adesão de cerca de metade do funcionalismo público chegou ao seu terceiro dia.
Grandes expectativas para o sucessor de Lula
O Brasil é um país feliz –ou ao menos é o que muitos acreditam. De fato, o talento do futebol do país, o êxtase coletivo de seus carnavais, sua herança multirracial e, é claro, aqueles biquínis minúsculos, todos fazem parte do imenso poder “soft” do Brasil. Some a isso uma economia que está crescendo rapidamente e os brasileiros podem –segundo Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente em fim de mandato do país– reivindicar ser o povo “mais feliz e mais criativo” do mundo.
Há certa verdade nesse orgulho. Às vésperas de eleições presidenciais que deverão conduzir ao poder a candidata apoiada por Lula, aparentemente a situação nunca esteve tão boa para o Brasil. Apesar de ainda marcado por grande desigualdade social e crime violento, ele é uma das famosas economias Bric –Brasil, Rússia, Índia e China– que estão mudando a ordem internacional. A oferta de ações de US$ 67 bilhões da Petrobras, a estatal do petróleo, na semana passada, foi a maior do mundo e apenas a mais recente expressão do poder financeiro emergente do Brasil. O país já é um importante centro regional para formação de capital; a previsão é de que até 2025 ele seja uma das cinco maiores economias do mundo.
No passado, as eleições brasileiras costumavam ser catalisadoras de crises financeiras –e a postura blasé de muitos investidores em relação à votação de 3 de outubro é um sinal, para Jim O’Neill, o economista do Goldman Sachs que cunhou a sigla Bric, de que “as pessoas podem agora estar se empolgando”.
Todavia, na política externa, um antigo figurante agora é um sério candidato para um assento permanente no conselho de segurança da ONU. Em questões como o Irã, Brasília também buscou –apesar de não totalmente bem-sucedida– exercer um papel de mediadora internacional. E como sede da próxima Copa do Mundo de futebol e, em 2016, dos Jogos Olímpicos, o Brasil chegou de forma confiante ao palco global.
Como muitos de seus vizinhos latino-americanos, o Brasil nunca careceu de promessa –ou decepção. A pergunta agora é se desta vez é realmente diferente.
A julgar pela reação dos investidores, acadêmicos e muitos brasileiros, é. Outros se mostram mais cautelosos. Para Luis Alberto Moreno, chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento, os maiores riscos enfrentados pelo Brasil são “complacência e excesso de confiança”.
Por ora, os otimistas parecem estar em vantagem. Os investidores estrangeiros que pagaram pela oferta da Petrobras, na semana passada, injetarão aproximadamente US$ 50 bilhões adicionais no país neste ano. Uma enxurrada de livros recentes celebra a “chegada” do Brasil e sua maior autoconfiança. Enquanto isso, Lula, cujas raízes de esquerda estão no movimento sindical, deverá deixar o palácio presidencial com um índice de aprovação de 80% –um endosso notável de um país que passou pela crise financeira global praticamente ileso e viu mais de 30 milhões ingressarem na classe média em cinco anos.
Dilma Rousseff, a ex-ministra da Casa Civil que parece que vencerá com facilidade a eleição, tem concorrido com a promessa de mais do mesmo. Uma ex-diretora da Petrobras, a tecnocrata austera –às vezes apelidada, de forma previsível, de “Dama de Ferro”– acredita firmemente no poder de um Estado atuante. A capitalização da Petrobras, que ele ajudou a planejar, aumentará o poder do governo sobre a empresa. Rousseff também é responsável por uma série de programas de investimento em estradas, portos e ferrovias, em parte financiados por bancos estatais, desesperadamente necessários pelo Brasil para melhorar sua infraestrutura dilapidada. Eles estão em andamento, mas, atrapalhados pela burocracia, não no ritmo que muitos imaginavam ou esperavam.
Seu maior adversário político, José Serra, o governador centrista de São Paulo, não tem conseguido avançar com uma plataforma que parece ser uma versão mais enxuta, mais eficiente, das políticas voltadas para o social de Lula. De fato, as pesquisas mostram que em todas as classes os brasileiros estão em grande parte felizes com suas vidas e acreditam que ela até melhorará.
Em vez disso, os maiores desafios diante de Dilma estão nas entranhas sociais e econômicas mais profundas do país. Apesar de seus sucessos, o Brasil permanece de muitas formas um país altamente desigual, que está gastando além do que ganha. Apesar de a pobreza ter caído em um terço durante a última década, mais de um quinto dos 200 milhões de habitantes do Brasil ainda são considerados oficialmente pobres. A dívida pública caiu, mas o país ainda depende de reservas estrangeiras para poder financiar a si mesmo. Apesar do boom de exportação de commodities, a previsão é de que seu déficit em conta corrente neste ano seja de 3% do produto interno bruto. Ele poderá aumentar no próximo ano.
A violência que ainda atormenta suas infames favelas torna o Brasil um local ainda mais perigoso do que o México afligido pelo narcotráfico. Álvaro Uribe, o ex-presidente da Colômbia, é apenas uma das várias figuras regionais importantes que acreditam que o Brasil está dando “atenção insuficiente” ao consumo doméstico de drogas e à criminalidade relacionada. Pela experiência de seu próprio país nos anos 90, e a do México atualmente, ele aponta que “é um risco deixar de enfrentar o problema do narcotráfico”.
Enquanto isso, a ascensão extraordinária de Lula de engraxate a presidente tem projetado a imagem do Brasil como uma terra de promessa e mobilidade social. Mas como tantas histórias americanas, ela é parte mito. “No exterior, Lula se transformou em um símbolo de uma terra de oportunidade, onde o pobre pode chegar lá”, diz Fernando Henrique Cardoso, presidente por dois mandatos antes de Lula. “Isso não é realmente verdade.” O Brasil, apesar de seus recentes sucessos, continua sendo o 11º país mais desigual do mundo.
Em outros lugares, tamanha desigualdade poderia levar a um conflito civil aberto. Mas a generosidade dos brasileiros, sua predileção pela tolerância e conciliação –ou complacência, como dizem alguns críticos– têm afastado uma maior violência. “De que outra forma seria possível explicar o fato de não haver uma guerra constante no Rio de Janeiro, onde os moradores muito pobres das favelas convivem lado a lado com os super-ricos”, diz Julia Oliveira, uma consultora de administração.
Essa complacência também é o calcanhar-de-aquiles da economia brasileira. O país aspira ser uma potência global, mas para chegar ao próximo nível, argumentam os analistas, ele precisa passar para um novo patamar de desempenho econômico, um focado em fornecer melhores serviços públicos –não apenas mais– especialmente na educação.
O Estado, famoso por sua ineficiência e burocracia, também precisa ser reduzido. Um corte nos gastos públicos, por exemplo, aumentaria a poupança nacional e limitaria a dependência do país de capital estrangeiro. Isso o imunizaria de contágio financeiro em caso de piora da economia global. Sem isso, diz Neil Shearing, um analista da Capital Economics, o Brasil corre o risco de voltar ao padrão de boom e estouro do passado, com bons anos “pontuados por recessões causadas pela interrupção repentina do fluxo de capital”.
Há quase 70 anos, o romancista Stefan Zweig escreveu que o Brasil era “o país do futuro”. Esse otimismo está refletido na psique nacional –apesar dos rostos estressados dos trabalhadores urbanos nas ruas movimentadas de São Paulo sugerirem o contrário. A frase de Zweif acabou se transformando em slogan, depois em um clichê e finalmente em uma impossibilidade para os brasileiros –praticamente um “estigma e vaticínio”, nas palavras do escritor brasileiro Alberto Dines.
Mas graças às reformas econômicas implantadas por Fernando Henrique Cardoso, quando foi presidente de 1994 a 2002, as fundações para a estabilidade econômica do país foram estabelecidas. Nos oito anos seguintes, apesar dos recorrentes escândalos de corrupção, as políticas sociais de Lula ajudaram a deixar o país mais à vontade consigo mesmo. Estas eleições são as primeiras desde 1982 em que nenhum dos dois está concorrendo.
Eles deixam para trás um país mais próspero e socialmente coeso do que, supostamente, jamais foi – e uma provável presidente, Dilma Rousseff, que promete manter as políticas necessárias para manter essa estabilidade econômica. O país tem um setor privado próspero e três quartos dos brasileiros dizem acreditar na economia de mercado, segundo uma pesquisa do Centro Pew, em comparação a menos da metade dos mexicanos e argentinos. Tudo isso cria uma plataforma que sugere que o recente desempenho do país será mais do que fogo de palha –mesmo com o Brasil sem dúvida sendo um beneficiário felizardo do boom de commodities e da abundante liquidez global, condições que não durarão para sempre.
Em comparação com outros países Bric, o Brasil poderá nunca alcançar, digamos, a capacidade da China de executar iniciativas estratégicas ambiciosas no ensino ou tecnologia. Ele também precisa realizar mais reformas para elevar sua tendência de taxa de crescimento, de aproximadamente 4% agora. Ao mesmo tempo, ele carece de muitos dos outros problemas estruturais dos Brics, seja as divisões religiosas da Índia, o autoritarismo chinês ou as relações ambivalentes da Rússia com o Ocidente. A história de seus imigrantes também o deixa com abertura para ideias estrangeiras e a capacidade de adotá-las rapidamente.
De fato, uma delas pode ser lida no encosto de cada assento de voos domésticos da TAM, a maior companhia aérea do país: “Brasil: a 5º maior economia do mundo em 2025”. Para os brasileiros que se beliscam diante da ideia, diz muito o fato da declaração ser creditada à revista “The Economist”. O restante parece feliz –críticos como FHC dizem “anestesiado”– com a relativa prosperidade do status quo.
“O Brasil poderia ser de outra forma”, diz um brasileiro que trabalha como principal economista de um grande banco ocidental em São Paulo. “Mas então não seríamos o Brasil. Nós seríamos a Suíça (...) e isso não seria divertido.”
Há certa verdade nesse orgulho. Às vésperas de eleições presidenciais que deverão conduzir ao poder a candidata apoiada por Lula, aparentemente a situação nunca esteve tão boa para o Brasil. Apesar de ainda marcado por grande desigualdade social e crime violento, ele é uma das famosas economias Bric –Brasil, Rússia, Índia e China– que estão mudando a ordem internacional. A oferta de ações de US$ 67 bilhões da Petrobras, a estatal do petróleo, na semana passada, foi a maior do mundo e apenas a mais recente expressão do poder financeiro emergente do Brasil. O país já é um importante centro regional para formação de capital; a previsão é de que até 2025 ele seja uma das cinco maiores economias do mundo.
No passado, as eleições brasileiras costumavam ser catalisadoras de crises financeiras –e a postura blasé de muitos investidores em relação à votação de 3 de outubro é um sinal, para Jim O’Neill, o economista do Goldman Sachs que cunhou a sigla Bric, de que “as pessoas podem agora estar se empolgando”.
Todavia, na política externa, um antigo figurante agora é um sério candidato para um assento permanente no conselho de segurança da ONU. Em questões como o Irã, Brasília também buscou –apesar de não totalmente bem-sucedida– exercer um papel de mediadora internacional. E como sede da próxima Copa do Mundo de futebol e, em 2016, dos Jogos Olímpicos, o Brasil chegou de forma confiante ao palco global.
Como muitos de seus vizinhos latino-americanos, o Brasil nunca careceu de promessa –ou decepção. A pergunta agora é se desta vez é realmente diferente.
A julgar pela reação dos investidores, acadêmicos e muitos brasileiros, é. Outros se mostram mais cautelosos. Para Luis Alberto Moreno, chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento, os maiores riscos enfrentados pelo Brasil são “complacência e excesso de confiança”.
Por ora, os otimistas parecem estar em vantagem. Os investidores estrangeiros que pagaram pela oferta da Petrobras, na semana passada, injetarão aproximadamente US$ 50 bilhões adicionais no país neste ano. Uma enxurrada de livros recentes celebra a “chegada” do Brasil e sua maior autoconfiança. Enquanto isso, Lula, cujas raízes de esquerda estão no movimento sindical, deverá deixar o palácio presidencial com um índice de aprovação de 80% –um endosso notável de um país que passou pela crise financeira global praticamente ileso e viu mais de 30 milhões ingressarem na classe média em cinco anos.
Dilma Rousseff, a ex-ministra da Casa Civil que parece que vencerá com facilidade a eleição, tem concorrido com a promessa de mais do mesmo. Uma ex-diretora da Petrobras, a tecnocrata austera –às vezes apelidada, de forma previsível, de “Dama de Ferro”– acredita firmemente no poder de um Estado atuante. A capitalização da Petrobras, que ele ajudou a planejar, aumentará o poder do governo sobre a empresa. Rousseff também é responsável por uma série de programas de investimento em estradas, portos e ferrovias, em parte financiados por bancos estatais, desesperadamente necessários pelo Brasil para melhorar sua infraestrutura dilapidada. Eles estão em andamento, mas, atrapalhados pela burocracia, não no ritmo que muitos imaginavam ou esperavam.
Seu maior adversário político, José Serra, o governador centrista de São Paulo, não tem conseguido avançar com uma plataforma que parece ser uma versão mais enxuta, mais eficiente, das políticas voltadas para o social de Lula. De fato, as pesquisas mostram que em todas as classes os brasileiros estão em grande parte felizes com suas vidas e acreditam que ela até melhorará.
Em vez disso, os maiores desafios diante de Dilma estão nas entranhas sociais e econômicas mais profundas do país. Apesar de seus sucessos, o Brasil permanece de muitas formas um país altamente desigual, que está gastando além do que ganha. Apesar de a pobreza ter caído em um terço durante a última década, mais de um quinto dos 200 milhões de habitantes do Brasil ainda são considerados oficialmente pobres. A dívida pública caiu, mas o país ainda depende de reservas estrangeiras para poder financiar a si mesmo. Apesar do boom de exportação de commodities, a previsão é de que seu déficit em conta corrente neste ano seja de 3% do produto interno bruto. Ele poderá aumentar no próximo ano.
A violência que ainda atormenta suas infames favelas torna o Brasil um local ainda mais perigoso do que o México afligido pelo narcotráfico. Álvaro Uribe, o ex-presidente da Colômbia, é apenas uma das várias figuras regionais importantes que acreditam que o Brasil está dando “atenção insuficiente” ao consumo doméstico de drogas e à criminalidade relacionada. Pela experiência de seu próprio país nos anos 90, e a do México atualmente, ele aponta que “é um risco deixar de enfrentar o problema do narcotráfico”.
Enquanto isso, a ascensão extraordinária de Lula de engraxate a presidente tem projetado a imagem do Brasil como uma terra de promessa e mobilidade social. Mas como tantas histórias americanas, ela é parte mito. “No exterior, Lula se transformou em um símbolo de uma terra de oportunidade, onde o pobre pode chegar lá”, diz Fernando Henrique Cardoso, presidente por dois mandatos antes de Lula. “Isso não é realmente verdade.” O Brasil, apesar de seus recentes sucessos, continua sendo o 11º país mais desigual do mundo.
Em outros lugares, tamanha desigualdade poderia levar a um conflito civil aberto. Mas a generosidade dos brasileiros, sua predileção pela tolerância e conciliação –ou complacência, como dizem alguns críticos– têm afastado uma maior violência. “De que outra forma seria possível explicar o fato de não haver uma guerra constante no Rio de Janeiro, onde os moradores muito pobres das favelas convivem lado a lado com os super-ricos”, diz Julia Oliveira, uma consultora de administração.
Essa complacência também é o calcanhar-de-aquiles da economia brasileira. O país aspira ser uma potência global, mas para chegar ao próximo nível, argumentam os analistas, ele precisa passar para um novo patamar de desempenho econômico, um focado em fornecer melhores serviços públicos –não apenas mais– especialmente na educação.
O Estado, famoso por sua ineficiência e burocracia, também precisa ser reduzido. Um corte nos gastos públicos, por exemplo, aumentaria a poupança nacional e limitaria a dependência do país de capital estrangeiro. Isso o imunizaria de contágio financeiro em caso de piora da economia global. Sem isso, diz Neil Shearing, um analista da Capital Economics, o Brasil corre o risco de voltar ao padrão de boom e estouro do passado, com bons anos “pontuados por recessões causadas pela interrupção repentina do fluxo de capital”.
Há quase 70 anos, o romancista Stefan Zweig escreveu que o Brasil era “o país do futuro”. Esse otimismo está refletido na psique nacional –apesar dos rostos estressados dos trabalhadores urbanos nas ruas movimentadas de São Paulo sugerirem o contrário. A frase de Zweif acabou se transformando em slogan, depois em um clichê e finalmente em uma impossibilidade para os brasileiros –praticamente um “estigma e vaticínio”, nas palavras do escritor brasileiro Alberto Dines.
Mas graças às reformas econômicas implantadas por Fernando Henrique Cardoso, quando foi presidente de 1994 a 2002, as fundações para a estabilidade econômica do país foram estabelecidas. Nos oito anos seguintes, apesar dos recorrentes escândalos de corrupção, as políticas sociais de Lula ajudaram a deixar o país mais à vontade consigo mesmo. Estas eleições são as primeiras desde 1982 em que nenhum dos dois está concorrendo.
Eles deixam para trás um país mais próspero e socialmente coeso do que, supostamente, jamais foi – e uma provável presidente, Dilma Rousseff, que promete manter as políticas necessárias para manter essa estabilidade econômica. O país tem um setor privado próspero e três quartos dos brasileiros dizem acreditar na economia de mercado, segundo uma pesquisa do Centro Pew, em comparação a menos da metade dos mexicanos e argentinos. Tudo isso cria uma plataforma que sugere que o recente desempenho do país será mais do que fogo de palha –mesmo com o Brasil sem dúvida sendo um beneficiário felizardo do boom de commodities e da abundante liquidez global, condições que não durarão para sempre.
Em comparação com outros países Bric, o Brasil poderá nunca alcançar, digamos, a capacidade da China de executar iniciativas estratégicas ambiciosas no ensino ou tecnologia. Ele também precisa realizar mais reformas para elevar sua tendência de taxa de crescimento, de aproximadamente 4% agora. Ao mesmo tempo, ele carece de muitos dos outros problemas estruturais dos Brics, seja as divisões religiosas da Índia, o autoritarismo chinês ou as relações ambivalentes da Rússia com o Ocidente. A história de seus imigrantes também o deixa com abertura para ideias estrangeiras e a capacidade de adotá-las rapidamente.
De fato, uma delas pode ser lida no encosto de cada assento de voos domésticos da TAM, a maior companhia aérea do país: “Brasil: a 5º maior economia do mundo em 2025”. Para os brasileiros que se beliscam diante da ideia, diz muito o fato da declaração ser creditada à revista “The Economist”. O restante parece feliz –críticos como FHC dizem “anestesiado”– com a relativa prosperidade do status quo.
“O Brasil poderia ser de outra forma”, diz um brasileiro que trabalha como principal economista de um grande banco ocidental em São Paulo. “Mas então não seríamos o Brasil. Nós seríamos a Suíça (...) e isso não seria divertido.”
Greve geral tem adesão de 70% na Espanha, dizem sindicatos
Sindicatos da Espanha anunciaram que 70% dos trabalhadores do país aderiram nesta quarta-feira a uma greve geral que está afetando fábricas e serviços públicos.
O protesto é a resposta dos sindicatos ao pacote de reformas trabalhistas, aprovado pelo governo socialista do primeiro-ministro, José Luis Rodriguez Zapatero, no passado mês de junho.
A greve começou meia-noite e afeta principalmente o setor industrial. Nos polos da Catalunha e Galícia, onde funcionam a maioria de montadoras, a greve alcança quase os 100% de adesão, de acordo com as centrais sindicais Comissões Operárias e União Geral dos Trabalhadores.
Os sindicatos também estimam que a paralisação tenha afetado 70% dos serviços de transporte público e 80% dos voos nos aeroportos internacionais de Madri e Barcelona. Apenas 32% das escolas estariam funcionando normalmente.
Normalidade
O pacote de Zapatero, anunciado para combater a crise econômica, prevê, entre outros pontos, a redução dos direitos dos trabalhadores em novos contratos, mudanças para permitir aos empregadores realizar demissões mais facilmente e a reforma da previdência, alterando a idade mínima de aposentadoria dos atuais 65 anos para 67 anos.
Os sindicalistas dizem que greve é "a mais necessária entre todas as convocadas até agora na história da Espanha" e tem o objetivo de obrigar o governo a voltar à mesa de negociações e eliminar o pacote.
Já o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Gerardo Díaz Ferrán, definiu a greve como "inútil e lesiva para o país".
O representante dos empresários afirmou que a paralisação não só não ajuda em nada a uma nação com 20,3% da população ativa desempregada, como "é um problema que pagaremos todos os espanhóis".
O governo preferiu não fazer muitos comentários nem dar cifras sobre a greve.
Na chegada ao Parlamento, na manhã desta quarta-feira, Zapatero disse apenas que "o governo trabalha para garantir o direito ao trabalho e o direito à greve".
Já o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, afirmou que a paralisação geral acontecia "com normalidade e sem incidentes relevantes", embora as centrais sindicais tenham denunciado ao menos 30 detenções de grevistas que tentavam bloquear ruas em Madri.
Além da Espanha, trabalhadores de outros países também protestam nesta quarta-feira contra medidas tomadas pelos governos para combater a crise econômica.
Foram registradas manifestações nas capitais da Bélgica, Portugal, Itália, Letônia, Lituânia, República Checa, Chipre, Sérvia, Romênia, Polônia, Irlanda e França.
O protesto é a resposta dos sindicatos ao pacote de reformas trabalhistas, aprovado pelo governo socialista do primeiro-ministro, José Luis Rodriguez Zapatero, no passado mês de junho.
A greve começou meia-noite e afeta principalmente o setor industrial. Nos polos da Catalunha e Galícia, onde funcionam a maioria de montadoras, a greve alcança quase os 100% de adesão, de acordo com as centrais sindicais Comissões Operárias e União Geral dos Trabalhadores.
Os sindicatos também estimam que a paralisação tenha afetado 70% dos serviços de transporte público e 80% dos voos nos aeroportos internacionais de Madri e Barcelona. Apenas 32% das escolas estariam funcionando normalmente.
Normalidade
O pacote de Zapatero, anunciado para combater a crise econômica, prevê, entre outros pontos, a redução dos direitos dos trabalhadores em novos contratos, mudanças para permitir aos empregadores realizar demissões mais facilmente e a reforma da previdência, alterando a idade mínima de aposentadoria dos atuais 65 anos para 67 anos.
Os sindicalistas dizem que greve é "a mais necessária entre todas as convocadas até agora na história da Espanha" e tem o objetivo de obrigar o governo a voltar à mesa de negociações e eliminar o pacote.
Já o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Gerardo Díaz Ferrán, definiu a greve como "inútil e lesiva para o país".
O representante dos empresários afirmou que a paralisação não só não ajuda em nada a uma nação com 20,3% da população ativa desempregada, como "é um problema que pagaremos todos os espanhóis".
O governo preferiu não fazer muitos comentários nem dar cifras sobre a greve.
Na chegada ao Parlamento, na manhã desta quarta-feira, Zapatero disse apenas que "o governo trabalha para garantir o direito ao trabalho e o direito à greve".
Já o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, afirmou que a paralisação geral acontecia "com normalidade e sem incidentes relevantes", embora as centrais sindicais tenham denunciado ao menos 30 detenções de grevistas que tentavam bloquear ruas em Madri.
Além da Espanha, trabalhadores de outros países também protestam nesta quarta-feira contra medidas tomadas pelos governos para combater a crise econômica.
Foram registradas manifestações nas capitais da Bélgica, Portugal, Itália, Letônia, Lituânia, República Checa, Chipre, Sérvia, Romênia, Polônia, Irlanda e França.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
A milionária “Integração Cearense”
Documentos em poder da Polícia Federal envolvem o governador do Ceará, Cid Gomes, e seu irmão, o deputado Ciro Gomes (PSB) em um esquema de corrupção que desviou 300 milhões de reais das prefeituras do estado entre 2003 e o fim do ano passado. Raimundo Morais Filho, empresário que participava da lambança, deixou tudo registrado em 27 gigas de memória, de que VEJA tem cópia. Laurélia Cavalcante, delegada federal que investiga o caso, foi atropelada por um carro não-identificado nas ruas de Fortaleza. Morais Filho escreveu um outro relato em que se diz ameaçado.
Cid nega qualquer irregularidade. Ciro, que já anunciou a disposição de construir “uma nova hegemonia moral e intelectual no país” diz não conhecer o empresário: “Jamais fiz com ele ou com qualquer pessoa essa sórdida prática que estão querendo me imputar”.
Por Reinaldo Azevedo
Cid nega qualquer irregularidade. Ciro, que já anunciou a disposição de construir “uma nova hegemonia moral e intelectual no país” diz não conhecer o empresário: “Jamais fiz com ele ou com qualquer pessoa essa sórdida prática que estão querendo me imputar”.
Por Reinaldo Azevedo
Nem o piloto de motocross escapou: teve de pagar propina
Leia na VEJA:
Israel Guerra, o filho de Erenice, cobrou propina de um corredor de Motocross que descolara um patrocínio de 50 000 reais com a Eletrobrás, estatal sob a influência de Mamãe Gansa. Taxa de sucesso paga: 10 000 reais. “Israel chamava a Dilma de tia”, contou Luís Corsini, o desportista que pagou a taxa de sucesso.
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:01
Israel Guerra, o filho de Erenice, cobrou propina de um corredor de Motocross que descolara um patrocínio de 50 000 reais com a Eletrobrás, estatal sob a influência de Mamãe Gansa. Taxa de sucesso paga: 10 000 reais. “Israel chamava a Dilma de tia”, contou Luís Corsini, o desportista que pagou a taxa de sucesso.
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:01
Baracat: denúncias confirmadas em nova entrevista gravada e medo de morrer
Fábio Baracat (foto de Manoel Marques), uma das fontes dos jornalistas na revelação da existência do esquema de arrecadação de propina na Casa Civil. narrara, em conversas gravadas, as minúcias de suas tratativas com a família Guerra, que tinham por objetivo facilitar a obtenção de contratos da empresa MTA nos Correios. No sábado, depois de, como disse, sofrer “fortes pressões”, Baracat divulgou uma nota confusa, na qual “rechaçava oficialmente a reportagem”, mas, em seguida, confirmava os fatos relatados. Com medo de retaliações por parte do governo, o empresário refugiou-se no interior de São Paulo.
Ele aceitou voltar à capital paulista na última quinta-feira para mais uma entrevista. Disse ele na semana passada: “Temo pela minha vida. Vou passar um tempo fora do país”. O empresário aceitou ser fotografado e corroborou, diante de um gravador, as informações antes prestadas à revista. Leia na VEJA.
Por Reinaldo Azevedo
Ele aceitou voltar à capital paulista na última quinta-feira para mais uma entrevista. Disse ele na semana passada: “Temo pela minha vida. Vou passar um tempo fora do país”. O empresário aceitou ser fotografado e corroborou, diante de um gravador, as informações antes prestadas à revista. Leia na VEJA.
Por Reinaldo Azevedo
Marido de Erenice está num negócio que pode render R$ 100 milhões saídos dos cofres públicos
A VEJA desta semana traz outra história edificante, desta vez envolvendo o atual marido de Erenice Guerra, José Roberto Camargo Campos (foto). Ele convenceu uns amigos, que tinham uma minúscula empresa, a disputar o mercado de telefonia móvel em São Paulo. Em 2005, a Unicel, tendo Camargo como diretor comercial, conseguiu uma concessão da Anatel para operar em São Paulo. Por decisão pessoal do então presidente da agência, Elifas Gurgel, a empresa ganhou o direito de entrar no mercado. A decisão foi contestada na Anatel, mas Erenice entrou na parada, e tudo foi resolvido. Os que eram contra mudaram de idéia e foram promovidos.
Sim, foi assim mesmo, leitor. A empresa está no vermelho e acumula dívidas de R$ 20 milhões. Desastre? Não! Leia a revista para saber como o Plano Nacional de Banda Larga — que apelidei aqui de “Bandalheira Larga” — pode render à Unicel a bolada de R$ 100 milhões. Quem cuidava do PNBL, para o qual se anunciou a dinheirama de R$ 14 bilhões? Erenice! Quem é o operador do programa? Gabriel Boavista Lainder. Quem é Lainder? Um ex-funcionário da Unicel. Quem o indicou para o cargo? O marido de Erenice. “O marido da Erenice é um cara que admirava meu trabalho. Ela me disse que precisava de alguém para coordenar o PNBL”. Qual é o endereço da Unicel? Um modestíssimo escritório onde também funciona uma empresa de mineração do… marido de Erenice.
Leia a reportagem. Os detalhes são deliciosamente (para eles) sórdidos.
A revista traz ainda toda a ramificação da Família Erenice no governo e nas estatais. É impressionante! Chegou a hora de Dilma repetir a declaração de Lula de 2005: “Fui traída”
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:03
Sim, foi assim mesmo, leitor. A empresa está no vermelho e acumula dívidas de R$ 20 milhões. Desastre? Não! Leia a revista para saber como o Plano Nacional de Banda Larga — que apelidei aqui de “Bandalheira Larga” — pode render à Unicel a bolada de R$ 100 milhões. Quem cuidava do PNBL, para o qual se anunciou a dinheirama de R$ 14 bilhões? Erenice! Quem é o operador do programa? Gabriel Boavista Lainder. Quem é Lainder? Um ex-funcionário da Unicel. Quem o indicou para o cargo? O marido de Erenice. “O marido da Erenice é um cara que admirava meu trabalho. Ela me disse que precisava de alguém para coordenar o PNBL”. Qual é o endereço da Unicel? Um modestíssimo escritório onde também funciona uma empresa de mineração do… marido de Erenice.
Leia a reportagem. Os detalhes são deliciosamente (para eles) sórdidos.
A revista traz ainda toda a ramificação da Família Erenice no governo e nas estatais. É impressionante! Chegou a hora de Dilma repetir a declaração de Lula de 2005: “Fui traída”
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:03
Na Casa Civil, na gestão Dilma, a metros do gabinete de Lula: “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?” Eram R$ 200 mil em dinheiro vivo!
Estão preparados? Antes, uma pequena consideração.
Na noite de ontem, num comício em Juiz de Fora (MG), Lula voltou a um de seus divertimentos favoritos: atacar a imprensa (ver post nesta página). Segundo disse, se ele dependesse do jornalismo, em vez de 80%, teria zero de aprovação. É mentira, claro! Os feitos de seu governo são reconhecidos sem reservas — e até com exagero. Ocorre que ele quer ser amado também pelos seus defeitos, o que já é um vício dos tiranos. Ora, para os rapapés, ele já tem a imprensa que não depende de leitores, mas da generosidade oficial. Ninguém conspira contra Lula. O seu governo é que tem conspirado contra a decência, o que é coisa bem diferente. Agora ao ponto.
A revista VEJA que está chegando à casa dos assinantes e às bancas traz o caso mais escabroso de corrupção registrado até agora em quase oito anos. Com um agravante: desta vez, dinheiro vivo de propina circulou a alguns metros do gabinete presidencial., quando a chefe da Casa Civil era Dilma Rousseff. Chamo a atenção para o “até agora”. Eles sempre podem nos surpreender — ou melhor: já não surpreendem!
Lembram-se de Vinícius de Oliveira Castro (foto), um dos sócios de Israel Guerra, filho de Erenice? Foi o primeiro a cair na Casa Civil. Pois bem. Leiam agora um trecho da reportagem de Diego Escosteguy e Otávio Cabral. Ajeite-se na cadeira, leitor. Respire fundo.
*
Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra. Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta. O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 000 reais em dinheiro vivo - um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula. Vinícius, que flanava na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, começara a dar expediente na Casa Civil semanas antes, apadrinhado por Erenice Guerra e o filho-lobista dela, Israel Guerra, de quem logo virou compadre. Excitado com o pacotaço de propina, o neófito reagiu em voz alta : “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”. Um colega tratou de tranqüilizá-lo: “É o ‘PP’ do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”.
PP, no caso, era um recado — falado em português, mas dito em cifrão. Trata-se da sigla para os pagamentos oficiais do governo. Consta de qualquer despacho público envolvendo contratos ou ordens bancárias. Adaptada ao linguajar da cleptocracia, significa propina. Tamiflu, por sua vez, é o nome do remédio usado para tratar pacientes com a gripe A1N1, conhecida popularmente como gripe suína. Dias antes, em 23 de junho, o governo, diante da ameaça de uma pandemia, acabara de fechar uma compra emergencial desse medicamento — um contrato de 34,7 milhões de reais. O “PP” entregue ao assessor referia-se à comissão obtida pela turma da Casa Civil ao azeitar o negócio.
É isso, leitor! Leia na revista os detalhes dessa história. Entenda por que Lula detesta a imprensa independependente e por que seu governo tenta criar mecanismos para cerceá-la.
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:04
Na noite de ontem, num comício em Juiz de Fora (MG), Lula voltou a um de seus divertimentos favoritos: atacar a imprensa (ver post nesta página). Segundo disse, se ele dependesse do jornalismo, em vez de 80%, teria zero de aprovação. É mentira, claro! Os feitos de seu governo são reconhecidos sem reservas — e até com exagero. Ocorre que ele quer ser amado também pelos seus defeitos, o que já é um vício dos tiranos. Ora, para os rapapés, ele já tem a imprensa que não depende de leitores, mas da generosidade oficial. Ninguém conspira contra Lula. O seu governo é que tem conspirado contra a decência, o que é coisa bem diferente. Agora ao ponto.
A revista VEJA que está chegando à casa dos assinantes e às bancas traz o caso mais escabroso de corrupção registrado até agora em quase oito anos. Com um agravante: desta vez, dinheiro vivo de propina circulou a alguns metros do gabinete presidencial., quando a chefe da Casa Civil era Dilma Rousseff. Chamo a atenção para o “até agora”. Eles sempre podem nos surpreender — ou melhor: já não surpreendem!
Lembram-se de Vinícius de Oliveira Castro (foto), um dos sócios de Israel Guerra, filho de Erenice? Foi o primeiro a cair na Casa Civil. Pois bem. Leiam agora um trecho da reportagem de Diego Escosteguy e Otávio Cabral. Ajeite-se na cadeira, leitor. Respire fundo.
*
Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra. Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta. O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 000 reais em dinheiro vivo - um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula. Vinícius, que flanava na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, começara a dar expediente na Casa Civil semanas antes, apadrinhado por Erenice Guerra e o filho-lobista dela, Israel Guerra, de quem logo virou compadre. Excitado com o pacotaço de propina, o neófito reagiu em voz alta : “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”. Um colega tratou de tranqüilizá-lo: “É o ‘PP’ do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”.
PP, no caso, era um recado — falado em português, mas dito em cifrão. Trata-se da sigla para os pagamentos oficiais do governo. Consta de qualquer despacho público envolvendo contratos ou ordens bancárias. Adaptada ao linguajar da cleptocracia, significa propina. Tamiflu, por sua vez, é o nome do remédio usado para tratar pacientes com a gripe A1N1, conhecida popularmente como gripe suína. Dias antes, em 23 de junho, o governo, diante da ameaça de uma pandemia, acabara de fechar uma compra emergencial desse medicamento — um contrato de 34,7 milhões de reais. O “PP” entregue ao assessor referia-se à comissão obtida pela turma da Casa Civil ao azeitar o negócio.
É isso, leitor! Leia na revista os detalhes dessa história. Entenda por que Lula detesta a imprensa independependente e por que seu governo tenta criar mecanismos para cerceá-la.
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:04
domingo, 19 de setembro de 2010
Dilma afirma que não sabia de lobby na Casa Civil
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou hoje em Campinas (SP), no interior do Estado, que não sabia da existência de um esquema para facilitar interesses de empresa privadas na Casa Civil e nem da atuação de Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, no governo.
sábado, 18 de setembro de 2010
Governo americano volta a fazer pressão sobre o iuane
WASHINGTON - Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, reivindicou ontem uma apreciação significativa e sustentada da moeda chinesa durante um comparecimento no Congresso, onde os legisladores acusaram o governo de não atuar firmemente com relação a Pequim.
"A China necessita de uma apreciação significativa e sustentada para corrigir a desvalorização [de sua moeda] e permitir que a taxa cambial reflita plenamente as forças do mercado", disse Geithner em uma audiência do comitê de bancos do Senado.
Usando o tom mais severo até agora para falar sobre o ponto de embate entre Estados Unidos e China, Geithner disse que o iuane está se fortalecendo muito lentamente e que o governo Obama está buscando maneiras de apressar as autoridades chinesas.
Os parlamentares, que avaliam uma nova lei para punir a China por práticas cambiais que manteriam o iuane artificialmente desvalorizado, interrogaram Geithner sobre o motivo de não ter rotulado formalmente a China de manipuladora cambial, e pediram medidas concretas do governo norte-americano.
Se a acusação formal for feita, os Estados Unidos serão obrigados a estabelecer conversas bilaterais com o país ou transferir o assunto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Porém, apesar de ter sido veemente, Geithner procurou ganhar tempo para os esforços diplomáticos dos Estados Unidos com a China, dizendo que seu país usará a cúpula do Grupo dos 20 (G-20, que reúne os países emergentes e os ricos) em Seul na tentativa de mobilizar apoio para a reforma cambial chinesa.
"Nós compartilhamos a frustração dos senhores", disse Geithner em Washington, embora tenha ponderado sua declaração ao dizer que a política cambial da China não oferece risco sistêmico. Ele não falou sobre as medidas que estão consideradas.
Pequim anunciou no último dia 19 de junho que permitiria uma flutuação mais livre de sua divisa, apesar de o iuane de não ter registrado mudanças nos mercados desde então. O governo de Wen Jiabao limitou a valorização do iuane a menos de 1% face ao dólar desde então. Um sinal de que o executivo chinês não afrouxou o controlo sobre o valor do iuane, mantendo-o artificialmente baixo e conferindo maior competitividade às exportações.
Ontem, o governo chinês advertiu que as pressões externas sobre Pequim para uma valorização do iuane não resolvem o problema, poucas horas antes do secretário do Tesouro dos Estados Unidos falar em Washington sobre o nível da moeda chinesa.
"Exercer pressões não pode resolver os problemas. Isto provoca o contrário", declarou à imprensa a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Jiang Yu.
"A China necessita de uma apreciação significativa e sustentada para corrigir a desvalorização [de sua moeda] e permitir que a taxa cambial reflita plenamente as forças do mercado", disse Geithner em uma audiência do comitê de bancos do Senado.
Usando o tom mais severo até agora para falar sobre o ponto de embate entre Estados Unidos e China, Geithner disse que o iuane está se fortalecendo muito lentamente e que o governo Obama está buscando maneiras de apressar as autoridades chinesas.
Os parlamentares, que avaliam uma nova lei para punir a China por práticas cambiais que manteriam o iuane artificialmente desvalorizado, interrogaram Geithner sobre o motivo de não ter rotulado formalmente a China de manipuladora cambial, e pediram medidas concretas do governo norte-americano.
Se a acusação formal for feita, os Estados Unidos serão obrigados a estabelecer conversas bilaterais com o país ou transferir o assunto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Porém, apesar de ter sido veemente, Geithner procurou ganhar tempo para os esforços diplomáticos dos Estados Unidos com a China, dizendo que seu país usará a cúpula do Grupo dos 20 (G-20, que reúne os países emergentes e os ricos) em Seul na tentativa de mobilizar apoio para a reforma cambial chinesa.
"Nós compartilhamos a frustração dos senhores", disse Geithner em Washington, embora tenha ponderado sua declaração ao dizer que a política cambial da China não oferece risco sistêmico. Ele não falou sobre as medidas que estão consideradas.
Pequim anunciou no último dia 19 de junho que permitiria uma flutuação mais livre de sua divisa, apesar de o iuane de não ter registrado mudanças nos mercados desde então. O governo de Wen Jiabao limitou a valorização do iuane a menos de 1% face ao dólar desde então. Um sinal de que o executivo chinês não afrouxou o controlo sobre o valor do iuane, mantendo-o artificialmente baixo e conferindo maior competitividade às exportações.
Ontem, o governo chinês advertiu que as pressões externas sobre Pequim para uma valorização do iuane não resolvem o problema, poucas horas antes do secretário do Tesouro dos Estados Unidos falar em Washington sobre o nível da moeda chinesa.
"Exercer pressões não pode resolver os problemas. Isto provoca o contrário", declarou à imprensa a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Jiang Yu.
Crescimento chinês
Vários países da América Latina estão se beneficiando do forte crescimento econômico chinês por meio de canais diretos e indiretos, refletido na melhora de desempenho dos ratings soberanos, diz a Moody's Investors Service em relatório.
"A China afeta a região diretamente com o crescimento das exportações destinadas àquele país, já que China e América Latina são parceiros comerciais naturais", disse o analista da Moody's Sergio Valderrama, autor do relatório. "Indiretamente, o forte crescimento da China tem contribuído com a elevação histórica dos preços das commodities. Um benefício para a maioria dos países exportadores da América Latina, que os torna mais resistentes a choques adversos".
Parcialmente como resultado de choques relacionados à China, os países exportadores da região com laços mais estreitos com esse país, como o Brasil, Chile e Peru, tiveram seus ratings elevados de maneira significativa a partir de 2005, diz a Moody's. Outros países devem seguir o mesmo caminho, acrescenta.
Ao longo da última década, as importações da China vindas da América Latina cresceram mais de 20% anualmente, fazendo com que se torne um dos mais importantes mercados para a região. "A China está agora entre os três destinos de exportação mais importantes para a Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Peru e Venezuela", diz o relatório.
"Diferentemente de períodos anteriores de altos preços das commodities quando os governos da América Latina continuavam a tomar pesados empréstimos ou a ter déficits elevados, nos anos recentes a maioria dos governos usou os preços altos desses produtos para reduzir níveis de dívida, acumular ativos e reforçar as reservas internacionais", disse Valderrama. "Isto fortalece o perfil de crédito e pode pressionar os ratings para cima".
"A China afeta a região diretamente com o crescimento das exportações destinadas àquele país, já que China e América Latina são parceiros comerciais naturais", disse o analista da Moody's Sergio Valderrama, autor do relatório. "Indiretamente, o forte crescimento da China tem contribuído com a elevação histórica dos preços das commodities. Um benefício para a maioria dos países exportadores da América Latina, que os torna mais resistentes a choques adversos".
Parcialmente como resultado de choques relacionados à China, os países exportadores da região com laços mais estreitos com esse país, como o Brasil, Chile e Peru, tiveram seus ratings elevados de maneira significativa a partir de 2005, diz a Moody's. Outros países devem seguir o mesmo caminho, acrescenta.
Ao longo da última década, as importações da China vindas da América Latina cresceram mais de 20% anualmente, fazendo com que se torne um dos mais importantes mercados para a região. "A China está agora entre os três destinos de exportação mais importantes para a Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Peru e Venezuela", diz o relatório.
"Diferentemente de períodos anteriores de altos preços das commodities quando os governos da América Latina continuavam a tomar pesados empréstimos ou a ter déficits elevados, nos anos recentes a maioria dos governos usou os preços altos desses produtos para reduzir níveis de dívida, acumular ativos e reforçar as reservas internacionais", disse Valderrama. "Isto fortalece o perfil de crédito e pode pressionar os ratings para cima".
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Impostos "mordem" 46% de alta do PIB
Quase metade do crescimento da produção de bens e serviços contabilizada no Brasil nos últimos 15 anos foi apropriada pelo governo por meio da cobrança de impostos, impulsionando um aumento igualmente expressivo do gasto público, informa Érica Fraga, em reportagem na Folha desta terça-feira (a íntegra está disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Cálculos do economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, mostram que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu quase R$ 1,1 trilhão entre 1994 e 2009 em termos reais (descontada a inflação). No mesmo período, a carga tributária aumentou cerca de R$ 500 bilhões, o equivalente a 46% do crescimento da produção nacional.
A Folha apurou que a mordida foi maior nos anos FHC, entre 1994 e 2002, (60% da alta do PIB) do que no governo Lula, entre 2003 e 2009 (42%). Mas ambos os números são considerados muito altos.
O aumento da carga em relação à expansão do PIB se traduziu em crescimento da mesma magnitude do gasto público, que subiu R$ 500 bilhões entre 1994 e 2009.
As contas mostram que para cada R$ 100 de crescimento adicional da produção entre 1994 e 2009, R$ 46 foram absorvidos pelo governo (incluindo União, Estados e municípios).
Cálculos do economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, mostram que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu quase R$ 1,1 trilhão entre 1994 e 2009 em termos reais (descontada a inflação). No mesmo período, a carga tributária aumentou cerca de R$ 500 bilhões, o equivalente a 46% do crescimento da produção nacional.
A Folha apurou que a mordida foi maior nos anos FHC, entre 1994 e 2002, (60% da alta do PIB) do que no governo Lula, entre 2003 e 2009 (42%). Mas ambos os números são considerados muito altos.
O aumento da carga em relação à expansão do PIB se traduziu em crescimento da mesma magnitude do gasto público, que subiu R$ 500 bilhões entre 1994 e 2009.
As contas mostram que para cada R$ 100 de crescimento adicional da produção entre 1994 e 2009, R$ 46 foram absorvidos pelo governo (incluindo União, Estados e municípios).
Poupança do Brasil é a menor entre os emergentes
Os gastos excessivos do setor público contribuem para que o Brasil divida com a Turquia o posto de país emergente com a menor taxa de poupança doméstica.
A poupança de um país engloba recursos que, em vez de serem destinados ao consumo, são economizados. Na conta, entram tanto governo como empresas e famílias.
Segundo dados da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), Brasil e Turquia tinham taxas de poupança doméstica próximas a 15% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009, a menor entre 24 mercados emergentes. O percentual baixo contrasta com números de 54,5% da China, 31,4% da Índia, 24% da Argentina e 21,7% do México.
País que poupa pouco tem baixa capacidade de financiar investimentos. Se há disposição do setor privado para investir muito, os recursos precisam vir de fora.
É exatamente o que vem ocorrendo no Brasil, onde os investimentos produtivos das empresas têm aumentado, nos últimos anos, em um ambiente de forte consumo do governo e das famílias.
A consequência da baixa poupança doméstica tem sido deficit crescentes nas chamadas transações correntes do país com o exterior.
Depois de registrar superavit em conta corrente entre 2003 e 2007, o Brasil voltou a apresentar deficit em 2008. Os deficit em conta corrente do país acumulados em 12 meses têm crescido de forma consecutiva nos últimos dez meses, alcançando 2,24% do PIB em julho.
Robert Wood, analista sênior da EIU, diz que as reformas feitas na última década para aumentar a estabilidade econômica e desenvolver os mercados de capitais criaram um melhor ambiente para que as famílias brasileiras pudessem poupar parte de sua renda.
"Mas o fato de que a poupança doméstica permanece tão baixa sugere que fatores inerciais, como temor de volta da inflação ou de confiscos, e culturais, como a baixa propensão para poupar, talvez continuem sendo determinantes", diz Wood.
SETOR PÚBLICO
Além disso, o setor público continua gastando muito mais do que arrecada: o deficit nominal alcançou 3,36% do PIB nos 12 meses terminados em julho passado contra, respectivamente, 3,23% e 2,23% no mesmo período de 2009 e 2008.
Economistas projetam que o deficit em conta corrente continuará aumentando. Mas se perguntam sobre até que ponto investidores de fora estarão dispostos a financiá-lo, pois a fatia do deficit coberta por capital de curto prazo (que pode deixar o país da noite para o dia) aumentou significativamente.
A poupança de um país engloba recursos que, em vez de serem destinados ao consumo, são economizados. Na conta, entram tanto governo como empresas e famílias.
Segundo dados da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), Brasil e Turquia tinham taxas de poupança doméstica próximas a 15% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009, a menor entre 24 mercados emergentes. O percentual baixo contrasta com números de 54,5% da China, 31,4% da Índia, 24% da Argentina e 21,7% do México.
País que poupa pouco tem baixa capacidade de financiar investimentos. Se há disposição do setor privado para investir muito, os recursos precisam vir de fora.
É exatamente o que vem ocorrendo no Brasil, onde os investimentos produtivos das empresas têm aumentado, nos últimos anos, em um ambiente de forte consumo do governo e das famílias.
A consequência da baixa poupança doméstica tem sido deficit crescentes nas chamadas transações correntes do país com o exterior.
Depois de registrar superavit em conta corrente entre 2003 e 2007, o Brasil voltou a apresentar deficit em 2008. Os deficit em conta corrente do país acumulados em 12 meses têm crescido de forma consecutiva nos últimos dez meses, alcançando 2,24% do PIB em julho.
Robert Wood, analista sênior da EIU, diz que as reformas feitas na última década para aumentar a estabilidade econômica e desenvolver os mercados de capitais criaram um melhor ambiente para que as famílias brasileiras pudessem poupar parte de sua renda.
"Mas o fato de que a poupança doméstica permanece tão baixa sugere que fatores inerciais, como temor de volta da inflação ou de confiscos, e culturais, como a baixa propensão para poupar, talvez continuem sendo determinantes", diz Wood.
SETOR PÚBLICO
Além disso, o setor público continua gastando muito mais do que arrecada: o deficit nominal alcançou 3,36% do PIB nos 12 meses terminados em julho passado contra, respectivamente, 3,23% e 2,23% no mesmo período de 2009 e 2008.
Economistas projetam que o deficit em conta corrente continuará aumentando. Mas se perguntam sobre até que ponto investidores de fora estarão dispostos a financiá-lo, pois a fatia do deficit coberta por capital de curto prazo (que pode deixar o país da noite para o dia) aumentou significativamente.
Casa Civil pediu ao Itamaraty carta para marido de ministra
FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA
A Casa Civil pediu carta de apresentação ao Itamaraty para que o marido da hoje ministra Erenice Guerra viajasse ao exterior representando uma empresa privada em 2007, ano em que ela ocupava a secretaria executiva e a candidata Dilma Rousseff (PT) era a titular da pasta.
Troca de e-mails a que a Folha teve acesso revela que Raymundo Magno, então assessor especial da Casa Civil, solicita "nota diplomática" de pedido de visto para os EUA e para a China para José Roberto Camargo Campos.
No texto, o assessor explica que o marido de Erenice viajaria à China e, na volta, passaria por Chicago.
A Casa Civil informou que é "praxe que o Itamaraty emita nota diplomática à embaixada americana, comunicando a viagem de familiar de autoridade brasileira".
Afirmou que parentes de ocupantes de cargo de primeiro escalão têm direito a passaporte diplomático e que não há irregularidade nem privilégio.
No e-mail, Campos é identificado como "esposo da dra. Erenice" e diretor de telecomunicações da empresa Unicel". A troca de mensagens foi feita em cerca de 15 dias antes da viagem. A pressa aparece no texto: "Vamos mandar também o passaporte da dra. Erenice para pedir visto para os EUA, mas este sem a urgência do marido".
Destinatário do e-mail no Itamaraty, Eduardo Hosannah afirma não se lembrar do pedido. Mas esclarece que é muito comum o Itamaraty formular carta de apresentação de parentes de ocupantes de cargo público e diz que é a embaixada que decide sobre a concessão do visto e a celeridade do processo.
DE BRASÍLIA
A Casa Civil pediu carta de apresentação ao Itamaraty para que o marido da hoje ministra Erenice Guerra viajasse ao exterior representando uma empresa privada em 2007, ano em que ela ocupava a secretaria executiva e a candidata Dilma Rousseff (PT) era a titular da pasta.
Troca de e-mails a que a Folha teve acesso revela que Raymundo Magno, então assessor especial da Casa Civil, solicita "nota diplomática" de pedido de visto para os EUA e para a China para José Roberto Camargo Campos.
No texto, o assessor explica que o marido de Erenice viajaria à China e, na volta, passaria por Chicago.
A Casa Civil informou que é "praxe que o Itamaraty emita nota diplomática à embaixada americana, comunicando a viagem de familiar de autoridade brasileira".
Afirmou que parentes de ocupantes de cargo de primeiro escalão têm direito a passaporte diplomático e que não há irregularidade nem privilégio.
No e-mail, Campos é identificado como "esposo da dra. Erenice" e diretor de telecomunicações da empresa Unicel". A troca de mensagens foi feita em cerca de 15 dias antes da viagem. A pressa aparece no texto: "Vamos mandar também o passaporte da dra. Erenice para pedir visto para os EUA, mas este sem a urgência do marido".
Destinatário do e-mail no Itamaraty, Eduardo Hosannah afirma não se lembrar do pedido. Mas esclarece que é muito comum o Itamaraty formular carta de apresentação de parentes de ocupantes de cargo público e diz que é a embaixada que decide sobre a concessão do visto e a celeridade do processo.
Ex-jogadores, Bebeto e Romário repetem parceria na política
Os ex-craques da seleção brasileira Bebeto e Romário apostam na popularidade como jogadores de futebol para entrar na política. O primeiro é candidato a deputado estadual (PDT) e o segundo, a deputado federal (PSB), ambos pelo Rio de Janeiro.
Adolescente britânico é proibido de entrar nos EUA após mandar e-mail ofensivo a Obama
O adolescente britânico Luke Angel, 17, foi impedido de entrar nos Estados Unidos depois de mandar um e-mail ofensivo ao presidente americano, Barack Obama,, informou o jornal "Daily Mail" nesta terça-feira. O jovem, que mora em Silsoe (Bedfordshire), alegou que estava bêbado e que havia acabado de assistir a um documentário sobre os ataques terroristas de 11 de Setembro quando enviou a mensagem ao líder dos EUA.
Segundo o jornal, o FBI [polícia federal americana] interceptou a mensagem e contatou a polícia britânica, que foi até a casa de Angel. O nome do adolescente agora está em uma lista de pessoas proibidas de visitar os Estados Unidos.
Ao ser interrogado pela polícia de Bedfordshire, o jovem disse que estava bêbado.
Questionado pelo jornal sobre a proibição de entrar em solo americano, ele disse: "Não me importo. Mas meus pais não ficaram muito felizes. A polícia veio até aqui e me disse que eu estava banido de entrar nos EUA para sempre".
Um porta-voz da polícia de Bedfordshire disse: "O indivíduo enviou um e-mail à Casa Branca usando linguagem abusiva e fazendo ameaças. Nós fomos informados pela polícia metropolitana e fomos até sua casa. Ele disse 'Oh meu Deus, fui eu".
O caso ocorre cerca de um ano depois do que envolveu hacker britânico Gary McKinnon, 43, que pode ser condenado a até 70 anos na prisão por se infiltrar em computadores da Nasa e do Pentágono, em uma ação que foi considerada como 'a maior invasão a computadores militares de todos os tempos'.
McKinnon, que sofre da Síndrome de Asperger, foi descrito por seus advogados como "excêntrico obcecado por discos voadores" e usava a internet para procurar por vida alienígena. Ele foi acusado de provocar queda de toda a rede de 2.000 computadores do Exército norte-americano na região de Washington por 24 horas.
Ele foi detido em 2002, acusado de acesso ilegal a computadores, entre os quais sistemas da Nasa e do Pentágono, e de causar US$ 700 mil em danos.
Uma revisão do Ato de Extradição, que regula acordos entre EUA e Reino Unido, foi anunciada no início deste mês e pode permitir sua extradição.
A lei permite que a União Europeia e os EUA prendam cidadãos britânicos e os mandem para serem julgados no exterior, sem apresentar as evidências exigidas para que fossem levados à corte no Reino Unido.
Segundo o jornal, o FBI [polícia federal americana] interceptou a mensagem e contatou a polícia britânica, que foi até a casa de Angel. O nome do adolescente agora está em uma lista de pessoas proibidas de visitar os Estados Unidos.
Ao ser interrogado pela polícia de Bedfordshire, o jovem disse que estava bêbado.
Questionado pelo jornal sobre a proibição de entrar em solo americano, ele disse: "Não me importo. Mas meus pais não ficaram muito felizes. A polícia veio até aqui e me disse que eu estava banido de entrar nos EUA para sempre".
Um porta-voz da polícia de Bedfordshire disse: "O indivíduo enviou um e-mail à Casa Branca usando linguagem abusiva e fazendo ameaças. Nós fomos informados pela polícia metropolitana e fomos até sua casa. Ele disse 'Oh meu Deus, fui eu".
O caso ocorre cerca de um ano depois do que envolveu hacker britânico Gary McKinnon, 43, que pode ser condenado a até 70 anos na prisão por se infiltrar em computadores da Nasa e do Pentágono, em uma ação que foi considerada como 'a maior invasão a computadores militares de todos os tempos'.
McKinnon, que sofre da Síndrome de Asperger, foi descrito por seus advogados como "excêntrico obcecado por discos voadores" e usava a internet para procurar por vida alienígena. Ele foi acusado de provocar queda de toda a rede de 2.000 computadores do Exército norte-americano na região de Washington por 24 horas.
Ele foi detido em 2002, acusado de acesso ilegal a computadores, entre os quais sistemas da Nasa e do Pentágono, e de causar US$ 700 mil em danos.
Uma revisão do Ato de Extradição, que regula acordos entre EUA e Reino Unido, foi anunciada no início deste mês e pode permitir sua extradição.
A lei permite que a União Europeia e os EUA prendam cidadãos britânicos e os mandem para serem julgados no exterior, sem apresentar as evidências exigidas para que fossem levados à corte no Reino Unido.
Presidente Lula decide manter Erenice Guerra na Casa Civil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter a ministra Erenice Guerra (Casa Civil) no cargo após as denúncias de que teria atuado para viabilizar negócios nos Correios intermediados por uma empresa de consultoria de propriedade de seu filho, Israel Guerra.
Lula chamou Erenice domingo à noite no Palácio da Alvorada e recomendou que, se as denúncias são infundadas, ela deve apresentar respostas e provas "o mais rápido possível", segundo um interlocutor próximo ao presidente que participou do encontro.
Segundo esse assessor, Lula está "tranquilo" esperando os desdobramentos do caso.
Sábado, após ler as denúncias na revista "Veja", a ministra telefonou para o chefe-de-gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, "aos prantos" e alegando não ser verdade.
Partiu da ministra a iniciativa de liberar os sigilos bancários e fiscais da família.
Nesta tarde, Erenice se reunirá com advogados para agilizar sua defesa. Ela contatou o escritório Tojal, Teixeira Ferreira, Serrano & Renault Advogados Associados por sugestão do ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
A pedido da ministra, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu abrir hoje um procedimento preliminar para apurar a sua conduta. O conselheiro Fabio Coutinho foi escolhido para analisar a documentação enviada pela própria ministra à comissão.
Reportagem da revista aponta que o filho da ministra, Israel Guerra, e a empresa Capital Assessoria e Consultoria Empresarial, à qual é ligado, fizeram lobby para ajudar a MTA Linhas Aéreas a obter a renovação de uma concessão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
A renovação permitiu, depois, que a empresa assinasse um contrato em condições privilegiadas com os Correios. A revista diz que foi Erenice quem viabilizou o sucesso da atuação do filho. Segundo a reportagem, o dinheiro pago na intermediação teria sido citado pela ministra como necessário para cumprir "compromissos políticos."
No pedido enviado à comissão, Erenice informou "disposição" de abrir, "se necessário", os seus sigilos bancário, telefônico e fiscal, assim como os de seu filho Israel.
O assessor da Casa Civil, Vinícius de Oliveira Castro, citado na reportagem como participante do suposto esquema para beneficiar empresas com contratos no governo, pediu demissão hoje.
Lula chamou Erenice domingo à noite no Palácio da Alvorada e recomendou que, se as denúncias são infundadas, ela deve apresentar respostas e provas "o mais rápido possível", segundo um interlocutor próximo ao presidente que participou do encontro.
Segundo esse assessor, Lula está "tranquilo" esperando os desdobramentos do caso.
Sábado, após ler as denúncias na revista "Veja", a ministra telefonou para o chefe-de-gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, "aos prantos" e alegando não ser verdade.
Partiu da ministra a iniciativa de liberar os sigilos bancários e fiscais da família.
Nesta tarde, Erenice se reunirá com advogados para agilizar sua defesa. Ela contatou o escritório Tojal, Teixeira Ferreira, Serrano & Renault Advogados Associados por sugestão do ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
A pedido da ministra, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu abrir hoje um procedimento preliminar para apurar a sua conduta. O conselheiro Fabio Coutinho foi escolhido para analisar a documentação enviada pela própria ministra à comissão.
Reportagem da revista aponta que o filho da ministra, Israel Guerra, e a empresa Capital Assessoria e Consultoria Empresarial, à qual é ligado, fizeram lobby para ajudar a MTA Linhas Aéreas a obter a renovação de uma concessão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
A renovação permitiu, depois, que a empresa assinasse um contrato em condições privilegiadas com os Correios. A revista diz que foi Erenice quem viabilizou o sucesso da atuação do filho. Segundo a reportagem, o dinheiro pago na intermediação teria sido citado pela ministra como necessário para cumprir "compromissos políticos."
No pedido enviado à comissão, Erenice informou "disposição" de abrir, "se necessário", os seus sigilos bancário, telefônico e fiscal, assim como os de seu filho Israel.
O assessor da Casa Civil, Vinícius de Oliveira Castro, citado na reportagem como participante do suposto esquema para beneficiar empresas com contratos no governo, pediu demissão hoje.
Valorização de moedas locais coloca em risco crescimento da América Latina
A valorização das moedas latinoamericanas, em especial do real brasileiro, poderá afetar a competitividade das exportações da região e desacelerar o crescimento desses países em 2011, com um impacto negativo para a reativação mundial, estimou nesta terça-feira a Unctad (Conferência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento).
"O perigo, uma vez em certos países latinoamericanos, em particular no Brasil, está vinculado à forte valorização das moedas nos últimos meses", indicou o economista Heiner Flassbeck, ao apresentar o relatório anual da Unctad, em Genebra.
• ONU aponta queda de renda e ameaça de deflação nos Estados Unidos
• PIB da América Latina crescerá cerca de 5% neste ano, prevê ONU
De fato, as moedas latinoamericanas não deixam de se reforçar diante do dólar desde o início do ano.
O melhor exemplo desta situação é dado pelo real brasileiro, que alcançou em 10 setembro seu nível mais alto ante a moeda americana, a 1,7202 unidades por dólar.
Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o real valorizou 105,38%, passando de 3,533 por dólar a seu valor atual.
Flassbeck teme que essas apreciações "reduzam as exportações latinoamericanas" por tornarem-se menos competitivas, o que poderia se traduzir numa queda do poder aquisitivo dos consumidores e um crescimento mais frágil nos países da região.
Além disso, uma desaceleração da atividade econômica na América Latina terá consequências no resto do mundo, à medida que nos países desta região e os da Ásia são os que empurram atualmente o crescimento mundial, segundo o informe da Unctad.
Com seus volumes de intercâmbios comerciais outras vez nos níveis anteriores à crise o PIB (Produto Interno Bruto) da América Latina crescerá neste ano 5%, enquanto que o da Ásia registrará um crescimento de 8%, de acordo com as projeções desta agência das Nações Unidas.
De seu lado, o PIB real mundial só crescerá 3,5% em 2010, segundo a Unctad, que observa uma nova aceleração do crescimento da produção em quase todas as regiões com exceção da UE (União Europeia).
Mas frente aos cortes orçamentários adotados pelos governos, Flassbeck se mostra menos otimista para 2011 e espera um crescimento entre 2% e 2,5% do PIB.
"O perigo, uma vez em certos países latinoamericanos, em particular no Brasil, está vinculado à forte valorização das moedas nos últimos meses", indicou o economista Heiner Flassbeck, ao apresentar o relatório anual da Unctad, em Genebra.
• ONU aponta queda de renda e ameaça de deflação nos Estados Unidos
• PIB da América Latina crescerá cerca de 5% neste ano, prevê ONU
De fato, as moedas latinoamericanas não deixam de se reforçar diante do dólar desde o início do ano.
O melhor exemplo desta situação é dado pelo real brasileiro, que alcançou em 10 setembro seu nível mais alto ante a moeda americana, a 1,7202 unidades por dólar.
Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o real valorizou 105,38%, passando de 3,533 por dólar a seu valor atual.
Flassbeck teme que essas apreciações "reduzam as exportações latinoamericanas" por tornarem-se menos competitivas, o que poderia se traduzir numa queda do poder aquisitivo dos consumidores e um crescimento mais frágil nos países da região.
Além disso, uma desaceleração da atividade econômica na América Latina terá consequências no resto do mundo, à medida que nos países desta região e os da Ásia são os que empurram atualmente o crescimento mundial, segundo o informe da Unctad.
Com seus volumes de intercâmbios comerciais outras vez nos níveis anteriores à crise o PIB (Produto Interno Bruto) da América Latina crescerá neste ano 5%, enquanto que o da Ásia registrará um crescimento de 8%, de acordo com as projeções desta agência das Nações Unidas.
De seu lado, o PIB real mundial só crescerá 3,5% em 2010, segundo a Unctad, que observa uma nova aceleração do crescimento da produção em quase todas as regiões com exceção da UE (União Europeia).
Mas frente aos cortes orçamentários adotados pelos governos, Flassbeck se mostra menos otimista para 2011 e espera um crescimento entre 2% e 2,5% do PIB.
ONU aponta queda de renda e ameaça de deflação nos Estados Unidos
Economistas das Nações Unidas alertaram nesta terça-feira que a retirada das medidas de estímulo às economias desenvolvidas poderá desencadear uma espiral deflacionária como a que atingiu a economia japonesa nos anos 1990.
"Este é um dos maiores problemas que temos no mundo econômico neste momento, há um perigo deflacionário dramático", disse Heiner Flassbeck, economista-sênior da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento).
Flassbeck notou que os Estados Unidos têm perseguido uma política monetária "agressiva".
"Nós temos exatamente o mesmo perigo que ocorreu no Japão depois da explosão da bolha no começo dos anos 1990, esse problema agora ameaça a economia americana, porque a renda nos Estados Unidos está caindo pela primeira vez desde 1950", disse a jornalistas.
O relatório anual da Unctad sobre comércio e desenvolvimento, que foi divulgado nesta terça-feira, informa que a economia global crescerá a uma média de 3,5% este ano, antes de se contrair novamente em 2011.
Menciona que uma "saída prematura" do estado de intervenção para estimular a demanda poderia causar uma recuperação econômica "frágil".
"Uma continuidade da postura fiscal expansionista é necessária para evitar uma espiral deflacionária e uma posterior piora da situação do emprego", afirmou o relatório 2010.
"Está ficando claro que nem todos os países podem contar com as exportações para impulsionar o crescimento e o emprego; mais do que nunca, é necessário dar mais atenção ao fortalecimento da demanda doméstica", acrescentou.
Este relatório prevê que o crescimento cairá no ano que vem, enquanto as medidas de estímulo são retiradas, prolongando deficiências sistêmicas, como desequilíbrios nas contas-correntes globais.
Flassbeck prevê que o crescimento global ficará em uma média de 2% a 2,5% em 2011.
A ONU pediu que os países dos G20, de nações desenvolvidas e emergentes, mantenham sua intenção de coordenar as políticas econômicas, em meio a sinais de que a retomada será significativamente diferente de cada lado do Atlântico e na China.
Nem EUA, China, zona do euro ou Japão estão na posição de servir de motor ao crescimento para a economia mundial, já que os ajustes pós-crise reduziram seu peso, afirmou o relatório.
Proprietários de residências foram forçados a cortar suas dívidas e gastos nos Estados Unidos, enquanto a China está tentando mover-se de uma economia voltada às exportações para uma economia impulsionada pelo consumo interno. Os europeus, por sua vez, preferiram a austeridade fiscal.
"Este é um dos maiores problemas que temos no mundo econômico neste momento, há um perigo deflacionário dramático", disse Heiner Flassbeck, economista-sênior da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento).
Flassbeck notou que os Estados Unidos têm perseguido uma política monetária "agressiva".
"Nós temos exatamente o mesmo perigo que ocorreu no Japão depois da explosão da bolha no começo dos anos 1990, esse problema agora ameaça a economia americana, porque a renda nos Estados Unidos está caindo pela primeira vez desde 1950", disse a jornalistas.
O relatório anual da Unctad sobre comércio e desenvolvimento, que foi divulgado nesta terça-feira, informa que a economia global crescerá a uma média de 3,5% este ano, antes de se contrair novamente em 2011.
Menciona que uma "saída prematura" do estado de intervenção para estimular a demanda poderia causar uma recuperação econômica "frágil".
"Uma continuidade da postura fiscal expansionista é necessária para evitar uma espiral deflacionária e uma posterior piora da situação do emprego", afirmou o relatório 2010.
"Está ficando claro que nem todos os países podem contar com as exportações para impulsionar o crescimento e o emprego; mais do que nunca, é necessário dar mais atenção ao fortalecimento da demanda doméstica", acrescentou.
Este relatório prevê que o crescimento cairá no ano que vem, enquanto as medidas de estímulo são retiradas, prolongando deficiências sistêmicas, como desequilíbrios nas contas-correntes globais.
Flassbeck prevê que o crescimento global ficará em uma média de 2% a 2,5% em 2011.
A ONU pediu que os países dos G20, de nações desenvolvidas e emergentes, mantenham sua intenção de coordenar as políticas econômicas, em meio a sinais de que a retomada será significativamente diferente de cada lado do Atlântico e na China.
Nem EUA, China, zona do euro ou Japão estão na posição de servir de motor ao crescimento para a economia mundial, já que os ajustes pós-crise reduziram seu peso, afirmou o relatório.
Proprietários de residências foram forçados a cortar suas dívidas e gastos nos Estados Unidos, enquanto a China está tentando mover-se de uma economia voltada às exportações para uma economia impulsionada pelo consumo interno. Os europeus, por sua vez, preferiram a austeridade fiscal.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
EMERGENTES - Brasil tem diferenças importantes com Brics / Sergio Leo
Só a Índia, entre os países conhecidos como Brics, tem total liberdade para o câmbio; e a cotação da rúpia, moeda local, tem caído em relação ao dólar.
Também pudera, o comércio exterior indiano tem um déficit gigantesco, as importações superaram as exportações em mais de US$ 10 bilhões só em junho e, nesse mês, apesar de haver um superávit no comércio de serviços, ficaram deficitárias em US$ 13 bilhões as contas correntes do país, que incluem pagamentos de royalties e outras rendas, e transferências de moeda ao exterior. Só o apetite dos investidores permite à Índia fechar suas contas externas com um pequeno superávit. Será um bom modelo para o Brasil?
A demonstração de que só a Índia, entre os Brics, encaixa-se na definição de país com câmbio flutuante consta de trabalho recém-concluído pela Confederação Nacional da Indústria, comparando as políticas de câmbio de Brasil, Rússia, Índia e China durante a crise financeira recente. Apesar das diferenças de regimes de câmbio, todos os Brics, à exceção da China, tiveram movimentos de valorização da moeda em relação ao dólar até meados de 2008 - enquanto a China, comprando dólares massivamente, manteve inalterada a cotação do yuan.
Entre maio de 2008 e maio de 2010, mais uma vez a China destoou, valorizou ligeiramente a moeda, em 2,1%, enquanto os outros desvalorizavam, em ritmos distintos: a rúpia, 8,8%, o real, 9,2% e o rublo, submetido, como a moeda brasileira a uma espécie de flutuação "suja", quase 29%. Rússia e Índia perderam reservas nesse período, enquanto China e Brasil aumentaram as suas. (A China em mais de US$ 600 bilhões, volume quase três vezes o total das reservas do Brasil).
Curiosamente, porém, o Brasil só ficou abaixo da Rússia em matéria de turbulência na taxa de câmbio, e a Índia, apesar do câmbio livre, não mostrou tanta incerteza em seu mercado cambial. A diferença entre a situação indiana e a brasileira, de maior imprevisibilidade, tem a ver com a maior estabilidade nos fluxos financeiros para a Índia, menores e menos voláteis que os atraídos ao Brasil pelas altas taxas de juros do país. Enquanto a taxa de câmbio indiana parece responder mais a fatores estruturais, a brasileira soma, às tendência naturais da economia, as oscilações de humor do mercado financeiro, provocando o governo a intervir.
Essa forte influência dos fluxos financeiros sobre a taxa de câmbio são um dos fatores a demonstrar, segundo o gerente executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, que no Brasil é necessária maior coordenação entre as políticas monetária, fiscal e comercial, inclusive dos mecanismos de defesa comercial, como processos antidumping e de salvaguardas, para evitar uma crescente deterioração das contas externas do país. Brasil não é Índia, os indianos, apesar do grande déficit comercial, estão em uma economia bem mais fechada, com mais barreiras a aumentos bruscos de importação.
Evidentemente, o câmbio não é a única desvantagem dos exportadores brasileiros, que teriam muito a ganhar com avanços na redução de carga tributária, educação da mão de obra e na melhoria da infraestrutura, de portos à burocracia alfandegária. Mas é inegável que o câmbio da moeda chinesa, estável e bastante desvalorizado mesmo durante os piores momentos da crise internacional, ajuda os exportadores chineses a conquistar mercados antes cativos dos fornecedores brasileiros.
Recente atualização ainda inédita feita pela professora da Fundação Getúlio Vargas Lia Valls Pereira de estudo sobre a perda de mercado para os chineses mostra que, em comparação com 2005, a fatia de mercado perdida pelo Brasil à China nos EUA, União Europeia e América Latina em 2008 equivale a quase US$ 6 bilhões em mercadorias. Mais preocupante é o aumento da parcela das perdas atribuídas à competição chinesa fora dos tradicionais setores de calçados e têxteis, em produtos sofisticados como celulares, máquinas e equipamentos e automóveis.
Nas vendas aos Estados Unidos, 43% da queda nas vendas de produtos cerâmicos pode ser atribuída à competição chinesa; na União Europeia, foi mais sensível a derrota para os chineses nas vendas de móveis, produtos fundidos de ferro e aço e em máquinas e equipamentos; na Argentina, embora a China ameace principalmente nos setores tradicionais de têxteis - onde mais de 90% da queda nas vendas brasileiras se deveu à opção pelos asiáticos-, sinais de alarme soam até no setor automobilístico: as perdas de mercado em automóveis atribuídas à China somam quase US$ 180 milhões, apenas 2% do total exportado aos argentinos mas quase 68% da fatia de mercado perdida pelo Brasil para estrangeiros.
Uma avaliação desapaixonada do comportamento do comércio exterior brasileiro mostra que ainda é notável o crescimento das exportações e que há folga nas contas externas para abrigar a progressiva deterioração do saldo comercial. Mas sinais como os do estudo da CNI e do levantamento de Lia Valls não devem ser ignorados; sugerem medidas de correção enquanto ainda são apenas indicadores de tendências negativas da economia brasileira.
Também pudera, o comércio exterior indiano tem um déficit gigantesco, as importações superaram as exportações em mais de US$ 10 bilhões só em junho e, nesse mês, apesar de haver um superávit no comércio de serviços, ficaram deficitárias em US$ 13 bilhões as contas correntes do país, que incluem pagamentos de royalties e outras rendas, e transferências de moeda ao exterior. Só o apetite dos investidores permite à Índia fechar suas contas externas com um pequeno superávit. Será um bom modelo para o Brasil?
A demonstração de que só a Índia, entre os Brics, encaixa-se na definição de país com câmbio flutuante consta de trabalho recém-concluído pela Confederação Nacional da Indústria, comparando as políticas de câmbio de Brasil, Rússia, Índia e China durante a crise financeira recente. Apesar das diferenças de regimes de câmbio, todos os Brics, à exceção da China, tiveram movimentos de valorização da moeda em relação ao dólar até meados de 2008 - enquanto a China, comprando dólares massivamente, manteve inalterada a cotação do yuan.
Entre maio de 2008 e maio de 2010, mais uma vez a China destoou, valorizou ligeiramente a moeda, em 2,1%, enquanto os outros desvalorizavam, em ritmos distintos: a rúpia, 8,8%, o real, 9,2% e o rublo, submetido, como a moeda brasileira a uma espécie de flutuação "suja", quase 29%. Rússia e Índia perderam reservas nesse período, enquanto China e Brasil aumentaram as suas. (A China em mais de US$ 600 bilhões, volume quase três vezes o total das reservas do Brasil).
Curiosamente, porém, o Brasil só ficou abaixo da Rússia em matéria de turbulência na taxa de câmbio, e a Índia, apesar do câmbio livre, não mostrou tanta incerteza em seu mercado cambial. A diferença entre a situação indiana e a brasileira, de maior imprevisibilidade, tem a ver com a maior estabilidade nos fluxos financeiros para a Índia, menores e menos voláteis que os atraídos ao Brasil pelas altas taxas de juros do país. Enquanto a taxa de câmbio indiana parece responder mais a fatores estruturais, a brasileira soma, às tendência naturais da economia, as oscilações de humor do mercado financeiro, provocando o governo a intervir.
Essa forte influência dos fluxos financeiros sobre a taxa de câmbio são um dos fatores a demonstrar, segundo o gerente executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, que no Brasil é necessária maior coordenação entre as políticas monetária, fiscal e comercial, inclusive dos mecanismos de defesa comercial, como processos antidumping e de salvaguardas, para evitar uma crescente deterioração das contas externas do país. Brasil não é Índia, os indianos, apesar do grande déficit comercial, estão em uma economia bem mais fechada, com mais barreiras a aumentos bruscos de importação.
Evidentemente, o câmbio não é a única desvantagem dos exportadores brasileiros, que teriam muito a ganhar com avanços na redução de carga tributária, educação da mão de obra e na melhoria da infraestrutura, de portos à burocracia alfandegária. Mas é inegável que o câmbio da moeda chinesa, estável e bastante desvalorizado mesmo durante os piores momentos da crise internacional, ajuda os exportadores chineses a conquistar mercados antes cativos dos fornecedores brasileiros.
Recente atualização ainda inédita feita pela professora da Fundação Getúlio Vargas Lia Valls Pereira de estudo sobre a perda de mercado para os chineses mostra que, em comparação com 2005, a fatia de mercado perdida pelo Brasil à China nos EUA, União Europeia e América Latina em 2008 equivale a quase US$ 6 bilhões em mercadorias. Mais preocupante é o aumento da parcela das perdas atribuídas à competição chinesa fora dos tradicionais setores de calçados e têxteis, em produtos sofisticados como celulares, máquinas e equipamentos e automóveis.
Nas vendas aos Estados Unidos, 43% da queda nas vendas de produtos cerâmicos pode ser atribuída à competição chinesa; na União Europeia, foi mais sensível a derrota para os chineses nas vendas de móveis, produtos fundidos de ferro e aço e em máquinas e equipamentos; na Argentina, embora a China ameace principalmente nos setores tradicionais de têxteis - onde mais de 90% da queda nas vendas brasileiras se deveu à opção pelos asiáticos-, sinais de alarme soam até no setor automobilístico: as perdas de mercado em automóveis atribuídas à China somam quase US$ 180 milhões, apenas 2% do total exportado aos argentinos mas quase 68% da fatia de mercado perdida pelo Brasil para estrangeiros.
Uma avaliação desapaixonada do comportamento do comércio exterior brasileiro mostra que ainda é notável o crescimento das exportações e que há folga nas contas externas para abrigar a progressiva deterioração do saldo comercial. Mas sinais como os do estudo da CNI e do levantamento de Lia Valls não devem ser ignorados; sugerem medidas de correção enquanto ainda são apenas indicadores de tendências negativas da economia brasileira.
Estados Unidos encaram alta dos déficits comercial e fiscal
O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou 19% em junho, para US$ 49,90 bilhões, marcando uma máxima recorde em 21 meses, segundo o Departamento de Comércio. O déficit em maio foi revisado para US$ 41,98 bilhões. Originalmente, o déficit de maio havia sido calculado em US$ 42,27 bilhões. O resultado foi maior do que a média das previsões dos economistas, que esperavam déficit de US$ 42,7 bilhões.
As exportações caíram 1,3% em junho, para US$ 150,45 bilhões, de US$ 152,44 bilhões em maio. As importações subiram 3,1%, para US$ 200,35 bilhões, de US$ 194,42 bilhões.
O déficit real, que é ajustado pela inflação e que os economistas usam para medir o impacto do comércio exterior no Produto Interno Bruto (PIB), subiu para US$ 54,14 bilhões em junho, de US$ 45,99 bilhões em maio.
As importações de produtos de consumo avançaram 7,8%, conduzidas pelas compras de produtos farmacêuticos e de limpeza. As importações de automóveis subiram 6,6%, enquanto as de bens de capital cresceram 1,2%.
Em valor, as importações de petróleo subiram para US$ 22,60 bilhões em junho, de US$ 21,54 bilhões em maio. O preço médio do barril caiu cerca de 6%, ou US$ 4,49, para US$ 72,44. Em volume, a importação de petróleo cresceu em 32 milhões de barris, para 311,93 milhões de barris.
Os Estados Unidos pagaram US$ 28,02 bilhões por todos os tipos de produtos ligados ao setor de energia em junho, ante US$ 27,60 bilhões em maio.
As importações de produtos de consumo fabricados no exterior como farmacêuticos, brinquedos e vestuário subiram em US$ 3,1 bilhões. As importações de autopeças cresceram em US$ 1,29 bilhão, enquanto as de bens de capital fabricados fora do país, como computadores, avançaram em US$ 462 milhões. As importações de alimentos e de ração para animais aumentaram em US$ 33 milhões. As importações de suprimentos industriais recuaram em US$ 186 milhões em junho.
As exportações dos EUA de bens de capital caíram em US$ 1,43 bilhão. Os embarques de suprimentos industriais, como óleo combustível, diminuíram em US$ 1,01 bilhão. As exportações de bens de consumo aumentaram levemente em US$ 123 milhões em junho, enquanto as de automóveis cresceram em US$ 233 milhões. As exportações de alimentos, ração animal e bebidas caíram em US$ 310 milhões.
Já o déficit comercial dos Estados Unidos com a China ampliou-se para US$ 26,15 bilhões em junho, o maior nível desde outubro de 2008 e 17% acima do déficit de US$ 22,28 bilhões de maio.
O dado deve oferecer mais munição aos legisladores norte-americanos, que pressionam a administração Obama para que exija da China mudança em sua política de câmbio.
Orçamento
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que o governo do país teve um déficit orçamentário de US$ 165,04 bilhões em julho. Economistas consultados pela Dow Jones previam um déficit levemente maior, de US$ 169,5 bilhões. Julho foi o 22º mês consecutivo de déficits orçamentários nos EUA. O déficit do mês passado também foi o segundo maior da história no mês de julho, atrás apenas do de 2009, de US$ 180,68 bilhões.
Segundo o Departamento do Tesouro, a receita somou US$ 155,55 bilhões em julho deste ano, de US$ 151,48 bilhões no mesmo mês do ano passado. As despesas totalizaram US$ 320,59 bilhões em julho deste ano, de US$ 332,16 bilhões no mesmo mês de 2009.
Ajuda de US$ 3 bi
O governo Obama planeja disponibilizar US$ 3 bilhões adicionais em ajuda a desempregados com dificuldades de pagar hipotecas nos EUA. Ontem, o governo anunciou o plano para acrescentar US$ 2 bilhões ao Fundo para os Mais Atingidos, anunciado em fevereiro, destinado a apoiar os mercados de moradias nos estados norte-americanos que sofreram o pior impacto durante a recessão. Também foi anunciado que o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano norte-americano lançará um novo programa de US$ 1 bilhão para empréstimos-ponte a proprietários de imóveis em risco de inadimplência.
O déficit comercial dos EUA subiu 19% em junho, a US$ 49,90 bilhões. Já o déficit orçamentário foi a US$ 165,04 bilhões em julho.
As exportações caíram 1,3% em junho, para US$ 150,45 bilhões, de US$ 152,44 bilhões em maio. As importações subiram 3,1%, para US$ 200,35 bilhões, de US$ 194,42 bilhões.
O déficit real, que é ajustado pela inflação e que os economistas usam para medir o impacto do comércio exterior no Produto Interno Bruto (PIB), subiu para US$ 54,14 bilhões em junho, de US$ 45,99 bilhões em maio.
As importações de produtos de consumo avançaram 7,8%, conduzidas pelas compras de produtos farmacêuticos e de limpeza. As importações de automóveis subiram 6,6%, enquanto as de bens de capital cresceram 1,2%.
Em valor, as importações de petróleo subiram para US$ 22,60 bilhões em junho, de US$ 21,54 bilhões em maio. O preço médio do barril caiu cerca de 6%, ou US$ 4,49, para US$ 72,44. Em volume, a importação de petróleo cresceu em 32 milhões de barris, para 311,93 milhões de barris.
Os Estados Unidos pagaram US$ 28,02 bilhões por todos os tipos de produtos ligados ao setor de energia em junho, ante US$ 27,60 bilhões em maio.
As importações de produtos de consumo fabricados no exterior como farmacêuticos, brinquedos e vestuário subiram em US$ 3,1 bilhões. As importações de autopeças cresceram em US$ 1,29 bilhão, enquanto as de bens de capital fabricados fora do país, como computadores, avançaram em US$ 462 milhões. As importações de alimentos e de ração para animais aumentaram em US$ 33 milhões. As importações de suprimentos industriais recuaram em US$ 186 milhões em junho.
As exportações dos EUA de bens de capital caíram em US$ 1,43 bilhão. Os embarques de suprimentos industriais, como óleo combustível, diminuíram em US$ 1,01 bilhão. As exportações de bens de consumo aumentaram levemente em US$ 123 milhões em junho, enquanto as de automóveis cresceram em US$ 233 milhões. As exportações de alimentos, ração animal e bebidas caíram em US$ 310 milhões.
Já o déficit comercial dos Estados Unidos com a China ampliou-se para US$ 26,15 bilhões em junho, o maior nível desde outubro de 2008 e 17% acima do déficit de US$ 22,28 bilhões de maio.
O dado deve oferecer mais munição aos legisladores norte-americanos, que pressionam a administração Obama para que exija da China mudança em sua política de câmbio.
Orçamento
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que o governo do país teve um déficit orçamentário de US$ 165,04 bilhões em julho. Economistas consultados pela Dow Jones previam um déficit levemente maior, de US$ 169,5 bilhões. Julho foi o 22º mês consecutivo de déficits orçamentários nos EUA. O déficit do mês passado também foi o segundo maior da história no mês de julho, atrás apenas do de 2009, de US$ 180,68 bilhões.
Segundo o Departamento do Tesouro, a receita somou US$ 155,55 bilhões em julho deste ano, de US$ 151,48 bilhões no mesmo mês do ano passado. As despesas totalizaram US$ 320,59 bilhões em julho deste ano, de US$ 332,16 bilhões no mesmo mês de 2009.
Ajuda de US$ 3 bi
O governo Obama planeja disponibilizar US$ 3 bilhões adicionais em ajuda a desempregados com dificuldades de pagar hipotecas nos EUA. Ontem, o governo anunciou o plano para acrescentar US$ 2 bilhões ao Fundo para os Mais Atingidos, anunciado em fevereiro, destinado a apoiar os mercados de moradias nos estados norte-americanos que sofreram o pior impacto durante a recessão. Também foi anunciado que o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano norte-americano lançará um novo programa de US$ 1 bilhão para empréstimos-ponte a proprietários de imóveis em risco de inadimplência.
O déficit comercial dos EUA subiu 19% em junho, a US$ 49,90 bilhões. Já o déficit orçamentário foi a US$ 165,04 bilhões em julho.
DESAQUECIMENTO - BC dos EUA muda política para aquecer economia
Fed recua de planos de aperto monetário e vai comprar títulos do Tesouro. EUA dão sinais de enfraquecimento com desaceleração do PIB, aumento de pessoal sem emprego e deflação.
Com a economia americana dando sinais cada vez mais claros de desaceleração, o Fed (o banco central dos EUA) disse ontem que pretende adquirir títulos do Tesouro para reanimar a retomada e impedir a deflação.
A ideia da entidade é usar os recursos dos títulos lastreados em hipotecas de seu portfólio que estão vencendo para a compra de papéis do Tesouro americano. Com isso, visa reduzir os juros para empresas e indivíduos.
A estimativa é que sejam adquiridos cerca de US$ 100 bilhões em títulos do Tesouro americano ao ano, um valor pequeno em relação ao total do balanço do Fed, que comprou, a partir de 2007, mais de US$ 1,3 trilhão em papéis ligados a hipotecas (especialmente das agências Fannie Mae e Freddie Mac).
A ação do Fed, se não chega a ser agressiva (já que não vai aumentar o tamanho do seu portfólio, mas, sim, mantê-lo em cerca de US$ 2 trilhões), marca, porém, uma mudança na sua política.
As medidas anteriores do banco central pavimentavam um caminho para o aperto da política monetária, em que iria reduzir gradualmente o seu portfólio e, eventualmente, subir os juros.
Agora, isso mudou e já há quem fale que o Fed pode retomar o ciclo de relaxamento monetário, com uma nova rodada de compra de ativos.
Essa alteração se deve aos sinais de enfraquecimento da maior economia mundial. "O ritmo da recuperação econômica provavelmente será mais modesto, no curto prazo, do que vinha sendo antecipado", afirmou o Fed, em nota divulgada ao fim da reunião do comitê monetário.
O avanço do PIB americano se desacelerou do primeiro para o segundo trimestre, o desemprego continua a crescer e a economia acumula três meses seguidos de deflação, com os consumidores relutantes em gastar.
Com a economia americana dando sinais cada vez mais claros de desaceleração, o Fed (o banco central dos EUA) disse ontem que pretende adquirir títulos do Tesouro para reanimar a retomada e impedir a deflação.
A ideia da entidade é usar os recursos dos títulos lastreados em hipotecas de seu portfólio que estão vencendo para a compra de papéis do Tesouro americano. Com isso, visa reduzir os juros para empresas e indivíduos.
A estimativa é que sejam adquiridos cerca de US$ 100 bilhões em títulos do Tesouro americano ao ano, um valor pequeno em relação ao total do balanço do Fed, que comprou, a partir de 2007, mais de US$ 1,3 trilhão em papéis ligados a hipotecas (especialmente das agências Fannie Mae e Freddie Mac).
A ação do Fed, se não chega a ser agressiva (já que não vai aumentar o tamanho do seu portfólio, mas, sim, mantê-lo em cerca de US$ 2 trilhões), marca, porém, uma mudança na sua política.
As medidas anteriores do banco central pavimentavam um caminho para o aperto da política monetária, em que iria reduzir gradualmente o seu portfólio e, eventualmente, subir os juros.
Agora, isso mudou e já há quem fale que o Fed pode retomar o ciclo de relaxamento monetário, com uma nova rodada de compra de ativos.
Essa alteração se deve aos sinais de enfraquecimento da maior economia mundial. "O ritmo da recuperação econômica provavelmente será mais modesto, no curto prazo, do que vinha sendo antecipado", afirmou o Fed, em nota divulgada ao fim da reunião do comitê monetário.
O avanço do PIB americano se desacelerou do primeiro para o segundo trimestre, o desemprego continua a crescer e a economia acumula três meses seguidos de deflação, com os consumidores relutantes em gastar.
China planeja medidas para impulsionar as suas importações
O governo da China planeja anunciar um pacote de medidas destinadas a impulsionar as importações. A afirmação foi feita por um funcionário do Ministério do Comércio, depois que os dados publicados ontem indicaram que o crescimento das importações desacelerou acentuadamente em julho. As importações de julho subiram 22,7%, abaixo do aumento de 34,1% de junho e das expectativas de aumento de 30,2%.
A fonte informou que o ministério concederá uma entrevista coletiva hoje para falar sobre as medidas e não forneceu mais detalhes. Não havia um porta-voz disponível no ministério para comentar.
Mais cedo, o Escritório Nacional de Estatísticas da China informou que a produção industrial do país cresceu 13,4% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, desacelerando em relação aos 13,7% de junho. A expansão foi maior do que a mediana das previsões de nove economistas, que apontava para um crescimento de 13,2%.
Já o investimento em ativos fixos nas áreas urbanas chinesas aumentou 24,9% no período janeiro-julho em relação a igual intervalo de 2009, diminuindo o ritmo na comparação com o crescimento de 25,5% verificado no período janeiro-junho. A previsão dos economistas indicava expansão de 25,3% nos sete primeiros meses do ano.
As vendas no varejo do país, também divulgadas ontem, tiveram no mês passado um aumento de 17,9% sobre as de julho de 2009, abaixo dos 18,3% registrados em junho.
Por sua vez, o índice de preços ao consumidor na China teve aumento de 3,3% no mês de julho, na comparação anual. A taxa de inflação foi menor do que a vista nos 12 meses encerrados em junho, que foi de 2,9%.
Por outro lado, as instituições financeiras da China concederam 532,8 bilhões de iuanes (US$ 78,657 bilhões) em novos empréstimos em iuanes no mês de julho, informou o banco central chinês. O total ficou abaixo da previsão de economistas, que apontava para 600 bilhões de iuanes, e também foi menor do que os 603,4 bilhões de iuanes em novos empréstimos concedidos em junho. Em geral, os bancos emprestam mais no primeiro semestre e no início dos trimestres.
Entre janeiro e julho, foram concedidos 5,16 trilhões de iuanes em novos empréstimos, 68,8% da meta estabelecida pelo banco central para 2010 de 7,5 trilhões de iuanes e a qual a instituição não pretende alterar, segundo informou. Portanto, os bancos poderão conceder mais 2,34 trilhões de iuanes em novos empréstimos até o fim do ano.
A fonte informou que o ministério concederá uma entrevista coletiva hoje para falar sobre as medidas e não forneceu mais detalhes. Não havia um porta-voz disponível no ministério para comentar.
Mais cedo, o Escritório Nacional de Estatísticas da China informou que a produção industrial do país cresceu 13,4% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, desacelerando em relação aos 13,7% de junho. A expansão foi maior do que a mediana das previsões de nove economistas, que apontava para um crescimento de 13,2%.
Já o investimento em ativos fixos nas áreas urbanas chinesas aumentou 24,9% no período janeiro-julho em relação a igual intervalo de 2009, diminuindo o ritmo na comparação com o crescimento de 25,5% verificado no período janeiro-junho. A previsão dos economistas indicava expansão de 25,3% nos sete primeiros meses do ano.
As vendas no varejo do país, também divulgadas ontem, tiveram no mês passado um aumento de 17,9% sobre as de julho de 2009, abaixo dos 18,3% registrados em junho.
Por sua vez, o índice de preços ao consumidor na China teve aumento de 3,3% no mês de julho, na comparação anual. A taxa de inflação foi menor do que a vista nos 12 meses encerrados em junho, que foi de 2,9%.
Por outro lado, as instituições financeiras da China concederam 532,8 bilhões de iuanes (US$ 78,657 bilhões) em novos empréstimos em iuanes no mês de julho, informou o banco central chinês. O total ficou abaixo da previsão de economistas, que apontava para 600 bilhões de iuanes, e também foi menor do que os 603,4 bilhões de iuanes em novos empréstimos concedidos em junho. Em geral, os bancos emprestam mais no primeiro semestre e no início dos trimestres.
Entre janeiro e julho, foram concedidos 5,16 trilhões de iuanes em novos empréstimos, 68,8% da meta estabelecida pelo banco central para 2010 de 7,5 trilhões de iuanes e a qual a instituição não pretende alterar, segundo informou. Portanto, os bancos poderão conceder mais 2,34 trilhões de iuanes em novos empréstimos até o fim do ano.
Derrubar juros: só uma receita funciona
No longo tempo da inflação descontrolada, formaramse no Brasil duas correntes: uma dizia que a inflação era a inimiga principal e que, sem eliminála, o Brasil não teria futuro. A outra sustentava que o país deveria se preocupar com políticas de crescimento, inclusive e especialmente com gastos públicos e estatais, podendose dar um jeito nessa questão, secundária, dos preços. Que jeito? Tabelamento definido pelo governo, acordos entre patrões e empregados, ameaças a alguns supermercados.
No lado mais sofisticado desse projeto de conviver com a inflação, nasceu a correção monetária, para “neutralizar” o fogo do dragão. Se todos os ativos, preços e salários fossem igualmente corrigidos, ficava todo mundo na mesma, mesmo que os valores nominais mudassem todo dia.
Acontece, porém, que não é possível corrigir tudo ao mesmo tempo, pelo mesmo indexador. Para simplificar: preços podiam ser remarcados todos os dias; salários, na melhor hipótese, mensalmente. Se você colocasse 100 cruzeiros no banco, não tinha correção. Se aplicasse um milhão, ganhava a correção plena.
A correção monetária acabou, assim, multiplicando os efeitos perversos da inflação: quanto mais dinheiro a pessoa tinha, mais tinha como ganhar da inflação; pobres e assalariados pagavam a conta. A correção acabou sendo uma solução engenhosa para uma economia avacalhada.
Quando o pessoal que considerava a inflação como o obstáculo maior conseguiu emplacar o Real, em 1994, a tese se demonstrou na prática. Enquanto caía a inflação — de inacreditáveis 2.447%, em 1993, para o também inacreditável índice de 1,6% em 1998 — o salário real tinha ganhos sucessivos, até atingir seu maior valor em 1999.
E como a inflação acabou? Por uma combinação de imaginação criadora — para acabar com a ampla e espalhada indexação dos preços — com ortodoxia (âncora cambial, ajuste de contas públicas, responsabilidade fiscal, saneamento de dívidas dos Estados, privatizações, liquidação e/ou capitalização de bancos públicos reformados).
E mais: em vez de tabelamento e controle de preços, liberdade de mercado.
Em vez de fechamento de mercado local, abertura às importações, que forçaram o produtor local a derrubar preços e melhorar a qualidade.
Mas por que estamos tratando desse passado? Porque ele está presente no debate atual em torno de uma questão crucial: por que os juros continuam tão elevados no Brasil? Como derrubá-los? Há duas correntes.
Uma coloca a culpa no que considera uma exagerada ortodoxia neoliberal do Banco Central. Por essa miopia ideológica, o BC manteria juros muito acima do que seria necessário para conter a inflação.
Ou então, mais grave que isso, o BC manteria juros elevados simplesmente para turbinar os lucros dos bancos e dos especuladores do mercado financeiro global. Por isso, diz esse pessoal, o BC não pode ter autonomia. Independente, o BC eleva os juros.
Para essa turma, portanto, basta uma decisão política do presidente da República determinando ao BC que reduza a taxa básica de juros de imediato. Com isso, segue a explicação, se resolve de tabela um outro problema, o das contas públicas. Como a despesa com juros é muito pesada, reduzindo-se a taxa de juros que incide sobre os títulos da dívida pública, o gasto do governo federal cairia abruptamente, sobrando dinheiro para outros programas e investimentos.
Ou seja, é uma coisa muito fácil de fazer, não exige sacrifício algum e dá um baita benefício.
É a mesma postura em relação à inflação do passado. Também essa corrente dizia que não precisava fazer nenhum sacrifício, nenhuma reforma monetária, nada de controle de gasto. Bastava o governo forçar o crescimento econômico que o aumento da produção derrubaria a inflação.
Espantam o viés antimercado e uma atitude de quem não se manca.
Se fosse tão simples, será que alguém, em algum país, já não teria feito? Ou mesmo aqui. Qual presidente não adoraria derrubar os juros? Também espanta a cegueira em relação ao mundo. Dizem aqui que o BC não pode ser autônomo (ou independente) porque, nessa condição, tende a elevar juros.
Ora, é o contrário: BCs independentes, na lei, praticam juros mais baixos.
Dizem também aqui que a meta de inflação tem de ser mais alta — os nossos 4,5%, para permitir mais crescimento.
Mas os países que têm meta mais baixa combinam menos inflação, menos juros e mais crescimento.
O que nos leva à outra corrente, que se pode chamar amplamente da turma do Real. Hoje, esse pessoal sustenta que há duas providências imediatas para derrubar os juros no Brasil: 1. Fixar em lei a autonomia do Banco Central e reduzir a meta de inflação; 2. O governo federal iniciar um programa de médio prazo de redução do gasto público, também definido em lei, determinando que a despesa cresça sempre menos que a expansão da economia. Isso reduziria o tamanho do Estado e permitiria diminuir a carga tributária.
É mais difícil, mas também se considerava impossível (ou desnecessário) acabar com a inflação no Brasil.
Por que os juros continuam tão elevados no Brasil? Como derrubá-los?
Carlos Alberto Sardenberg
No lado mais sofisticado desse projeto de conviver com a inflação, nasceu a correção monetária, para “neutralizar” o fogo do dragão. Se todos os ativos, preços e salários fossem igualmente corrigidos, ficava todo mundo na mesma, mesmo que os valores nominais mudassem todo dia.
Acontece, porém, que não é possível corrigir tudo ao mesmo tempo, pelo mesmo indexador. Para simplificar: preços podiam ser remarcados todos os dias; salários, na melhor hipótese, mensalmente. Se você colocasse 100 cruzeiros no banco, não tinha correção. Se aplicasse um milhão, ganhava a correção plena.
A correção monetária acabou, assim, multiplicando os efeitos perversos da inflação: quanto mais dinheiro a pessoa tinha, mais tinha como ganhar da inflação; pobres e assalariados pagavam a conta. A correção acabou sendo uma solução engenhosa para uma economia avacalhada.
Quando o pessoal que considerava a inflação como o obstáculo maior conseguiu emplacar o Real, em 1994, a tese se demonstrou na prática. Enquanto caía a inflação — de inacreditáveis 2.447%, em 1993, para o também inacreditável índice de 1,6% em 1998 — o salário real tinha ganhos sucessivos, até atingir seu maior valor em 1999.
E como a inflação acabou? Por uma combinação de imaginação criadora — para acabar com a ampla e espalhada indexação dos preços — com ortodoxia (âncora cambial, ajuste de contas públicas, responsabilidade fiscal, saneamento de dívidas dos Estados, privatizações, liquidação e/ou capitalização de bancos públicos reformados).
E mais: em vez de tabelamento e controle de preços, liberdade de mercado.
Em vez de fechamento de mercado local, abertura às importações, que forçaram o produtor local a derrubar preços e melhorar a qualidade.
Mas por que estamos tratando desse passado? Porque ele está presente no debate atual em torno de uma questão crucial: por que os juros continuam tão elevados no Brasil? Como derrubá-los? Há duas correntes.
Uma coloca a culpa no que considera uma exagerada ortodoxia neoliberal do Banco Central. Por essa miopia ideológica, o BC manteria juros muito acima do que seria necessário para conter a inflação.
Ou então, mais grave que isso, o BC manteria juros elevados simplesmente para turbinar os lucros dos bancos e dos especuladores do mercado financeiro global. Por isso, diz esse pessoal, o BC não pode ter autonomia. Independente, o BC eleva os juros.
Para essa turma, portanto, basta uma decisão política do presidente da República determinando ao BC que reduza a taxa básica de juros de imediato. Com isso, segue a explicação, se resolve de tabela um outro problema, o das contas públicas. Como a despesa com juros é muito pesada, reduzindo-se a taxa de juros que incide sobre os títulos da dívida pública, o gasto do governo federal cairia abruptamente, sobrando dinheiro para outros programas e investimentos.
Ou seja, é uma coisa muito fácil de fazer, não exige sacrifício algum e dá um baita benefício.
É a mesma postura em relação à inflação do passado. Também essa corrente dizia que não precisava fazer nenhum sacrifício, nenhuma reforma monetária, nada de controle de gasto. Bastava o governo forçar o crescimento econômico que o aumento da produção derrubaria a inflação.
Espantam o viés antimercado e uma atitude de quem não se manca.
Se fosse tão simples, será que alguém, em algum país, já não teria feito? Ou mesmo aqui. Qual presidente não adoraria derrubar os juros? Também espanta a cegueira em relação ao mundo. Dizem aqui que o BC não pode ser autônomo (ou independente) porque, nessa condição, tende a elevar juros.
Ora, é o contrário: BCs independentes, na lei, praticam juros mais baixos.
Dizem também aqui que a meta de inflação tem de ser mais alta — os nossos 4,5%, para permitir mais crescimento.
Mas os países que têm meta mais baixa combinam menos inflação, menos juros e mais crescimento.
O que nos leva à outra corrente, que se pode chamar amplamente da turma do Real. Hoje, esse pessoal sustenta que há duas providências imediatas para derrubar os juros no Brasil: 1. Fixar em lei a autonomia do Banco Central e reduzir a meta de inflação; 2. O governo federal iniciar um programa de médio prazo de redução do gasto público, também definido em lei, determinando que a despesa cresça sempre menos que a expansão da economia. Isso reduziria o tamanho do Estado e permitiria diminuir a carga tributária.
É mais difícil, mas também se considerava impossível (ou desnecessário) acabar com a inflação no Brasil.
Por que os juros continuam tão elevados no Brasil? Como derrubá-los?
Carlos Alberto Sardenberg
Tobogã da economia
Tobogã da economia
Antonio Machado
O clima na economia global está fechando outra vez, com alertas e chamados à prudência expelindo o teor otimista dos comunicados dos economistas, consultorias, dos bancos e de governos, até de países emergentes que escaparam relativamente incólumes à grande crise.
Em meio ao ambiente festivo da campanha eleitoral, o consumo com pegada firme, empregos e salários crescendo, oposição desalentada pela avassaladora taxa de aprovação do presidente Lula, aqui tais prognósticos pessimistas só estão refletidos no eletrocardiograma do preço das ações na Bovespa e no fluxo de ingresso de capitais.
O noticiário econômico e a maioria das análises tratam a crise lá fora descontextualizada da economia nacional, enquanto ao governo não convém, pelo menos até o término do processo eleitoral, turvar a sensação de bem-estar da sociedade atribuída ao crescimento.
Ainda não se entranharam nas decisões e no debate análises sérias sobre as consequências de outro tombo dos EUA - e encavalado agora com o reconhecimento da dificuldade da China para mudar seu modelo de crescimento do pólo exportador para o mercado doméstico.
Se um dos dois motores da economia globalizada deixar de rodar em velocidade de cruzeiro, como vinha a China desde que degringolou o dos EUA, o mundo pode não parar, mas será como entrar à noite numa estrada de mão dupla, sem sinalização, chovendo e congestionada. O risco de colisões e engavetamento é elevado.
Do que se gabam governos como Lula com a chamada “nova geografia comercial”, que enfatiza o intercâmbio comercial com emergentes em geral e a China em particular, em detrimento do comércio com EUA, é totalmente dependente desse fenômeno apelidado de G-2: a relação umbilical entre as economias chinesa e americana.
É ela que tem feito o bode dos déficits comerciais dos EUA voar, já que financiados pelas reservas acumuladas pela China graças ao renminbi propositalmente depreciado. A China se tornou a fábrica de produtos baratos dos EUA, primeiro, e do mundo, depois.
Isso tem um preço salgado: a China sustentar os déficits dos EUA, enviando dois terços das reservas acumuladas (US$ 2,3 trilhões) e não aplicadas no país em papéis indexados ao dólar. A depreciação foi bancada, como explica o economista americano Michael Pettis, professor da Universidade de Pequim, à custa de salários ínfimos, rede pública pífia de serviços sociais e impostos indiretos.
Caronas da bicicleta
O desbalanceamento entre déficits dos EUA e superávits da China, secundados por outros superavitários como produtores de petróleo, Alemanha, Japão, Brasil e Índia – e os dois últimos influenciados pelas importações chinesas de bens primários -, a crise global não resolveu. Mas expôs a fragilidade do arranjo e desidratou os EUA.
Se a bicicleta que movimenta a interação EUA-China parar, não cai um ou outro apenas. Caem os dois e todos os países dependentes das pedaladas de ambos, acidentando-se os que mais estão condicionados à dinâmica importadora da China. Brasil está na fila do gargarejo.
Tecla pausa acionada
Nos EUA é como tivesse sido pressionada a tecla pausa da retomada iniciada em meados do segundo semestre de 2009. “Nós assistimos a uma pausa da recuperação, uma recuperação modesta, mas a pausa de uma recuperação modesta é sentida como uma quase-recessão”, disse o ex-presidente do Federal Alan Greenspan, personagem polêmico, já que muito ouvido, embora acusado de ter gestado a crise ao manter por tempo demais, nos anos 2000, juros básicos próximos de zero.
Os alertas de Ben Bernanke, seu sucessor no Fed, não desautorizam o pessimismo. Greenspan acha alto o risco de outra recessão, até pela paralisia do governo Barack Obama pela eleição legislativa de novembro. Pesquisas sinalizam que vai perder a maioria na Câmara.
Encruzilhada chinesa
Na China, o aumento do consumo doméstico esperado não vem, o que parece empurrar o governo à velha saída de exportar o que produz. O país se tornou o maior mercado de carros do mundo, por exemplo, com 15 milhões de unidades vendidas em 2009, superando os EUA.
Mas o secretário-geral da associação dos fabricantes, Dong Yang, como destaca o economista Pettis, projeta para o ano crescimento de apenas 10%, vindo de 48% no primeiro semestre e 45% em 2009. Ou seja, os recordes de vendas se deveram somente a incentivos dados pelo governo. Sem eles, as vendas devem cair 20% neste semestre. Com EUA trafegando na contramão do crescimento e a China pisando no freio, o que virá? No Brasil, só o mercado interno não basta.
Selic aliena o debate
A situação da economia global, ditada pelo que vai aos EUA, China e mais atrás Europa e Japão, vai influenciar a política econômica do futuro governo. Nenhum país é uma ilha. Dos países que importam se sabe tudo. Da China, porém, só o que o governo chinês informa.
A censura alcança até o relatório anual do FMI, fonte primária de comparações entre economias e de suas projeções. Mais que isso só garimpado. A agência Bloomberg, por exemplo, achou numa revista de junho do governo chinês artigo em que o vice-premiê Li Kegiang diz que o modelo econômico criou uma “estrutura econômica irracional”. “O desenvolvimento descoordenado e insustentável é cada vez mais evidente”, disse, agitando o já movediço cenário global. Foi outro sinal do debate medíocre no Brasil, se limitado à Selic.
Antonio Machado
O clima na economia global está fechando outra vez, com alertas e chamados à prudência expelindo o teor otimista dos comunicados dos economistas, consultorias, dos bancos e de governos, até de países emergentes que escaparam relativamente incólumes à grande crise.
Em meio ao ambiente festivo da campanha eleitoral, o consumo com pegada firme, empregos e salários crescendo, oposição desalentada pela avassaladora taxa de aprovação do presidente Lula, aqui tais prognósticos pessimistas só estão refletidos no eletrocardiograma do preço das ações na Bovespa e no fluxo de ingresso de capitais.
O noticiário econômico e a maioria das análises tratam a crise lá fora descontextualizada da economia nacional, enquanto ao governo não convém, pelo menos até o término do processo eleitoral, turvar a sensação de bem-estar da sociedade atribuída ao crescimento.
Ainda não se entranharam nas decisões e no debate análises sérias sobre as consequências de outro tombo dos EUA - e encavalado agora com o reconhecimento da dificuldade da China para mudar seu modelo de crescimento do pólo exportador para o mercado doméstico.
Se um dos dois motores da economia globalizada deixar de rodar em velocidade de cruzeiro, como vinha a China desde que degringolou o dos EUA, o mundo pode não parar, mas será como entrar à noite numa estrada de mão dupla, sem sinalização, chovendo e congestionada. O risco de colisões e engavetamento é elevado.
Do que se gabam governos como Lula com a chamada “nova geografia comercial”, que enfatiza o intercâmbio comercial com emergentes em geral e a China em particular, em detrimento do comércio com EUA, é totalmente dependente desse fenômeno apelidado de G-2: a relação umbilical entre as economias chinesa e americana.
É ela que tem feito o bode dos déficits comerciais dos EUA voar, já que financiados pelas reservas acumuladas pela China graças ao renminbi propositalmente depreciado. A China se tornou a fábrica de produtos baratos dos EUA, primeiro, e do mundo, depois.
Isso tem um preço salgado: a China sustentar os déficits dos EUA, enviando dois terços das reservas acumuladas (US$ 2,3 trilhões) e não aplicadas no país em papéis indexados ao dólar. A depreciação foi bancada, como explica o economista americano Michael Pettis, professor da Universidade de Pequim, à custa de salários ínfimos, rede pública pífia de serviços sociais e impostos indiretos.
Caronas da bicicleta
O desbalanceamento entre déficits dos EUA e superávits da China, secundados por outros superavitários como produtores de petróleo, Alemanha, Japão, Brasil e Índia – e os dois últimos influenciados pelas importações chinesas de bens primários -, a crise global não resolveu. Mas expôs a fragilidade do arranjo e desidratou os EUA.
Se a bicicleta que movimenta a interação EUA-China parar, não cai um ou outro apenas. Caem os dois e todos os países dependentes das pedaladas de ambos, acidentando-se os que mais estão condicionados à dinâmica importadora da China. Brasil está na fila do gargarejo.
Tecla pausa acionada
Nos EUA é como tivesse sido pressionada a tecla pausa da retomada iniciada em meados do segundo semestre de 2009. “Nós assistimos a uma pausa da recuperação, uma recuperação modesta, mas a pausa de uma recuperação modesta é sentida como uma quase-recessão”, disse o ex-presidente do Federal Alan Greenspan, personagem polêmico, já que muito ouvido, embora acusado de ter gestado a crise ao manter por tempo demais, nos anos 2000, juros básicos próximos de zero.
Os alertas de Ben Bernanke, seu sucessor no Fed, não desautorizam o pessimismo. Greenspan acha alto o risco de outra recessão, até pela paralisia do governo Barack Obama pela eleição legislativa de novembro. Pesquisas sinalizam que vai perder a maioria na Câmara.
Encruzilhada chinesa
Na China, o aumento do consumo doméstico esperado não vem, o que parece empurrar o governo à velha saída de exportar o que produz. O país se tornou o maior mercado de carros do mundo, por exemplo, com 15 milhões de unidades vendidas em 2009, superando os EUA.
Mas o secretário-geral da associação dos fabricantes, Dong Yang, como destaca o economista Pettis, projeta para o ano crescimento de apenas 10%, vindo de 48% no primeiro semestre e 45% em 2009. Ou seja, os recordes de vendas se deveram somente a incentivos dados pelo governo. Sem eles, as vendas devem cair 20% neste semestre. Com EUA trafegando na contramão do crescimento e a China pisando no freio, o que virá? No Brasil, só o mercado interno não basta.
Selic aliena o debate
A situação da economia global, ditada pelo que vai aos EUA, China e mais atrás Europa e Japão, vai influenciar a política econômica do futuro governo. Nenhum país é uma ilha. Dos países que importam se sabe tudo. Da China, porém, só o que o governo chinês informa.
A censura alcança até o relatório anual do FMI, fonte primária de comparações entre economias e de suas projeções. Mais que isso só garimpado. A agência Bloomberg, por exemplo, achou numa revista de junho do governo chinês artigo em que o vice-premiê Li Kegiang diz que o modelo econômico criou uma “estrutura econômica irracional”. “O desenvolvimento descoordenado e insustentável é cada vez mais evidente”, disse, agitando o já movediço cenário global. Foi outro sinal do debate medíocre no Brasil, se limitado à Selic.
Em artigo no FT, analista diz que Lula 'arrisca legado' fomentando 'euforia' petroleira
Em artigo no influente diário britânico Financial Times, o diretor-executivo do instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, Norman Gall, alerta para o risco de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "por em risco seu legado" por conta das polêmicas envolvendo as políticas de seu governo para o petróleo.
Intitulado "Euforia com o petróleo põe em risco o legado de Lula", o texto encadeia argumentos críticos ao que o autor considera serem ambições de "escala demasiadamente grande e perfil demasiadamente alto" assumidas pela Petrobras em sintonia com os benefícios políticos para o governo.
"Lula está usando a imagem do Brasil como potência petroleira emergente como uma arma política, invocando sentimentos de triunfalismo para ajudar a levar o PT à vitória (eleitoral)", escreve Norman Gall.
Em outro trecho, o acadêmico afirma: "Da mesma forma que (na legenda) Ícaro viu suas asas de cera derreterem quando voou perto demais do sol, Lula está arriscando seu legado à medida que as polêmicas se multiplicam em relação às suas políticas petroleiras".
Polêmicas
Entre as controvérsias tratadas pelo artigo está o que o autor denomina uma "estranha política da descoberta", afirmando que a candidata do governo à Presidência, Dilma Rousseff, estava à frente do conselho de administração da Petrobras justamente quando o governo preparava o projeto do pré-sal, que dará mais poderes à estatal sobre as novas reservas.
A outra questão, para o autor, é a segurança. "A explosão do poço Macondo, da BP, em abril, expôs as dificuldades de exploração petroleira em águas profundas", diz.
Situadas a uma profundidade muito maior no Oceano – e bem mais distantes da costa que os poços da BP –, as reservas da Petrobras colocam para a empresa "desafios logísticos" de escala muito mais impressionante, argumenta Gall.
O artigo lembra ainda que a legislaçãco do pré-sal coloca a estatal como operadora única dos campos de petróleo descobertos na área e que os ambiciosos planos da empresa vão requerer investimentos de US$ 224 bilhões no médio prazo.
"As necessidades financeiras da companhia são tão grandes agora que fazem parecer pequena a capacidade de investimento do governo federal do Brasil, em um país que precisa desesperadamente gastar mais em infraestrutura e educação."
Para Normal Gall, isso também deve "tirar recursos de outras prioridades", como a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016, a hidrelétrica de Belo Monte e o trem-bala entre Rio e São Paulo.
"Quando Lula chegou ao poder, em 2003, teve a sabedoria de reconhecer que os brasileiros não aceitariam um retorno à inflação crônica que impediu seu bem-estar durante décadas. Os críticos agora argumentam que o aumento no gasto público, junto com as polêmicas financeiras envolvendo as descobertas de petróleo, pode significar um infeliz retorno ao passado", escreveu.
"Se o Brasil não endireitar suas prioridades, Lula pode descobrir em breve que sua reputação está afundando à mesma profundidade que as reservas de petróleo que tanto entusiasmaram seu país."
Intitulado "Euforia com o petróleo põe em risco o legado de Lula", o texto encadeia argumentos críticos ao que o autor considera serem ambições de "escala demasiadamente grande e perfil demasiadamente alto" assumidas pela Petrobras em sintonia com os benefícios políticos para o governo.
"Lula está usando a imagem do Brasil como potência petroleira emergente como uma arma política, invocando sentimentos de triunfalismo para ajudar a levar o PT à vitória (eleitoral)", escreve Norman Gall.
Em outro trecho, o acadêmico afirma: "Da mesma forma que (na legenda) Ícaro viu suas asas de cera derreterem quando voou perto demais do sol, Lula está arriscando seu legado à medida que as polêmicas se multiplicam em relação às suas políticas petroleiras".
Polêmicas
Entre as controvérsias tratadas pelo artigo está o que o autor denomina uma "estranha política da descoberta", afirmando que a candidata do governo à Presidência, Dilma Rousseff, estava à frente do conselho de administração da Petrobras justamente quando o governo preparava o projeto do pré-sal, que dará mais poderes à estatal sobre as novas reservas.
A outra questão, para o autor, é a segurança. "A explosão do poço Macondo, da BP, em abril, expôs as dificuldades de exploração petroleira em águas profundas", diz.
Situadas a uma profundidade muito maior no Oceano – e bem mais distantes da costa que os poços da BP –, as reservas da Petrobras colocam para a empresa "desafios logísticos" de escala muito mais impressionante, argumenta Gall.
O artigo lembra ainda que a legislaçãco do pré-sal coloca a estatal como operadora única dos campos de petróleo descobertos na área e que os ambiciosos planos da empresa vão requerer investimentos de US$ 224 bilhões no médio prazo.
"As necessidades financeiras da companhia são tão grandes agora que fazem parecer pequena a capacidade de investimento do governo federal do Brasil, em um país que precisa desesperadamente gastar mais em infraestrutura e educação."
Para Normal Gall, isso também deve "tirar recursos de outras prioridades", como a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016, a hidrelétrica de Belo Monte e o trem-bala entre Rio e São Paulo.
"Quando Lula chegou ao poder, em 2003, teve a sabedoria de reconhecer que os brasileiros não aceitariam um retorno à inflação crônica que impediu seu bem-estar durante décadas. Os críticos agora argumentam que o aumento no gasto público, junto com as polêmicas financeiras envolvendo as descobertas de petróleo, pode significar um infeliz retorno ao passado", escreveu.
"Se o Brasil não endireitar suas prioridades, Lula pode descobrir em breve que sua reputação está afundando à mesma profundidade que as reservas de petróleo que tanto entusiasmaram seu país."
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Irã já afeta laços comerciais Brasil-EUA
A deterioração nas relações entre Brasil e EUA em meio a divergências quanto à questão iraniana começa a ameaçar os laços comerciais bilaterais.
Autoridades brasileiras queixam-se privadamente de que seu esforço, em maio, para mediar um acordo nuclear foi descartado, com pouco caso ao status do Brasil como potência emergente.
Enquanto isso, Washington se irrita com a interferência em tema que julga uma das maiores ameaças de longo prazo à segurança global.
O que mais preocupa investidores agora é o risco real de uma rusga de longo prazo que pode afetar negativamente os negócios bilaterais.
"Me preocupa", disse o representante (deputado) democrata Eliot Engel, presidente do subcomitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA. "Acho que a política de Lula [almeja] separar os países. Ele quer que os EUA tenham menos influência."
Uma importante fonte em Brasília disse que hoje "estão no freezer" os laços bilaterais --já danificados por tensões como a disputa sobre subsídios americanos ao algodão, as diferenças de opinião quanto ao desfecho do golpe de Estado em Honduras e o resultado decepcionante da cúpula climática de Copenhague, em dezembro.
"DECEPÇÃO"
Diplomatas dos dois lados mantêm contatos regulares, e o fluxo de investimento mútuo está em alta. Mas há sinais de que a rusga começa a afetar os negócios, a saber:
1) Lobistas em prol do uso de etanol de milho, produzido nos EUA, usam a questão iraniana para reivindicar a manutenção das tarifas à importação do etanol brasileiro.
2) Está empacado o diálogo pelo acordo de comércio e investimentos (TIFA). Uma fonte diz que o atraso é a "primeira vítima fatal" da disputa em torno do Irã.
3) Alguns itens correm o risco de serem removidos pelo Congresso de um programa de tarifas preferenciais que, hoje, permite a exportação de US$ 3 bilhões em produtos brasileiros aos EUA.
Arturo Valenzuela, o mais alto diplomata do governo Obama para a América Latina, nega que o Irã afete os laços entre EUA e Brasil.
"Nossa decepção com esse assunto em particular não nos impedirá de trabalhar juntos em numerosos e significativos temas de interesse mútuo", disse por e-mail.
Já Steven Bipes, diretor-executivo da seção americana no Brazil-U.S. Business Council, se disse "frustrado".
Do lado brasileiro, não há sinais de retaliação, mas sim indicações de um desvio de atenções -dos EUA para a China. Empresas americanas já perderam fatias de mercado no Brasil nos últimos anos, e, em 2009, a China suplantou os EUA como maior parceiro comercial do Brasil.
Mark Smith, ex-diretor da Câmara de Comércio americana, disse que os temores sobre a queda da influência americana no Brasil são exagerados. Diz que a China compra sobretudo commodities, enquanto os EUA adquirem produtos com valor agregado do Brasil.
"Quanta influência você pode obter comprando minério de ferro?", questionou. "Importamos aviões e serviços. É aí que está o futuro."
REAÇÃO
O Itamaraty disse ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que, na visão do governo brasileiro, "a posição adotada em relação ao Irã não prejudica ou ameaça o comércio com os EUA".
Colaborou a Sucursal de Brasília
Autoridades brasileiras queixam-se privadamente de que seu esforço, em maio, para mediar um acordo nuclear foi descartado, com pouco caso ao status do Brasil como potência emergente.
Enquanto isso, Washington se irrita com a interferência em tema que julga uma das maiores ameaças de longo prazo à segurança global.
O que mais preocupa investidores agora é o risco real de uma rusga de longo prazo que pode afetar negativamente os negócios bilaterais.
"Me preocupa", disse o representante (deputado) democrata Eliot Engel, presidente do subcomitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA. "Acho que a política de Lula [almeja] separar os países. Ele quer que os EUA tenham menos influência."
Uma importante fonte em Brasília disse que hoje "estão no freezer" os laços bilaterais --já danificados por tensões como a disputa sobre subsídios americanos ao algodão, as diferenças de opinião quanto ao desfecho do golpe de Estado em Honduras e o resultado decepcionante da cúpula climática de Copenhague, em dezembro.
"DECEPÇÃO"
Diplomatas dos dois lados mantêm contatos regulares, e o fluxo de investimento mútuo está em alta. Mas há sinais de que a rusga começa a afetar os negócios, a saber:
1) Lobistas em prol do uso de etanol de milho, produzido nos EUA, usam a questão iraniana para reivindicar a manutenção das tarifas à importação do etanol brasileiro.
2) Está empacado o diálogo pelo acordo de comércio e investimentos (TIFA). Uma fonte diz que o atraso é a "primeira vítima fatal" da disputa em torno do Irã.
3) Alguns itens correm o risco de serem removidos pelo Congresso de um programa de tarifas preferenciais que, hoje, permite a exportação de US$ 3 bilhões em produtos brasileiros aos EUA.
Arturo Valenzuela, o mais alto diplomata do governo Obama para a América Latina, nega que o Irã afete os laços entre EUA e Brasil.
"Nossa decepção com esse assunto em particular não nos impedirá de trabalhar juntos em numerosos e significativos temas de interesse mútuo", disse por e-mail.
Já Steven Bipes, diretor-executivo da seção americana no Brazil-U.S. Business Council, se disse "frustrado".
Do lado brasileiro, não há sinais de retaliação, mas sim indicações de um desvio de atenções -dos EUA para a China. Empresas americanas já perderam fatias de mercado no Brasil nos últimos anos, e, em 2009, a China suplantou os EUA como maior parceiro comercial do Brasil.
Mark Smith, ex-diretor da Câmara de Comércio americana, disse que os temores sobre a queda da influência americana no Brasil são exagerados. Diz que a China compra sobretudo commodities, enquanto os EUA adquirem produtos com valor agregado do Brasil.
"Quanta influência você pode obter comprando minério de ferro?", questionou. "Importamos aviões e serviços. É aí que está o futuro."
REAÇÃO
O Itamaraty disse ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que, na visão do governo brasileiro, "a posição adotada em relação ao Irã não prejudica ou ameaça o comércio com os EUA".
Colaborou a Sucursal de Brasília
domingo, 1 de agosto de 2010
Guerras entre Estados são cada vez mais raras no mundo, diz estudo Desde 1945, maioria dos conflitos armados ocorre
Em 2009, o mundo presenciou um total de 365 conflitos políticos, entre os quais sete guerras e 24 crises severas. É o que diz um estudo do Instituto Heidelberg para Pesquisas em Conflitos Internacionais (HIIK), publicado anualmente. O número não é muito diferente do ano anterior, que registrou 353 confrontos, mas o que chama a atenção numa análise mais detalhada é a mudança na natureza das guerras nas últimas décadas. Segundo a pesquisa, chamada ‘Conflitobarômetro’ [clique aqui para ler a íntegra, em inglês], hoje, é cada vez mais difícil a batalha direta entre duas nações. “Conflitos muito violentos entre Estados são extremamente raros. [...] Desde o declínio da União Soviética, seu número caiu severamente – nos últimos anos, apenas um ou até nenhum conflito entre estados é contabilizado por ano”, explicou em entrevista ao G1 uma das diretoras do Instituto, Lotta Mayers.
Baseado nesse estudo, o G1 publica a partir desta quinta-feira (29) uma série de reportagens analisando os principais conflitos armados no mundo. A primeira é sobre a guerra do Afeganistão. Para Kristine Eck, professora da Universidade Uppsala, na Suécia, todo o período pós-Segunda Guerra foi marcado por um número maior de conflitos internos do que de guerras entre Estados. "Mas deve-se levar em conta também que, apesar de as nações estarem menos inclinadas a lutarem diretamente entre si, elas geralmente fornecem apoio a grupos rebeldes, como um tipo de 'guerra proxy' [guerra por procuração], provendo apoio com armamentos, treinamento ou ajuda financeira. Esse tipo de ajuda é recebida em 75% de todos conflitos internos."
Além disso, o modo como os confrontos terminam também tem mudado. Antes da Guerra Fria, segundo a professora Eck, a maioria das guerras terminava com uma vitória militar de um lado e destruição do outro. "Hoje, essa é a maneira mais improvável de acabar um confronto. Os conflitos terminam de um jeito diferente agora: é mais provável que eles acabem com um cessar-fogo, um acordo de paz, ou outro motivo, como mudança de liderança ou de estratégia."
Outra mudança apontada por Eck é a diminuição de mortes nos conflitos atuais, tendência que pode ser vista desde 1980. Segundo ela, isso pode ser explicado pois desde o fim da Guerra Fria o apoio armamentista e financeiro vindo de países para grupos rebeldes é bem menor. "Os partidos guerreiros não têm o mesmo acesso a armas, tecnologia e dinheiro que eles tinham há 30 anos."
Fluxo contínuo
Nos anos de 1980 a 1990 houve um crescimento mais ou menos contínuo no número de conflitos violentos até que se atingiu um pico em 1992, com 52 conflitos altamente violentos. “Isso ocorreu por causa do declínio da União Soviética”, explica Lotta Mayers. "Depois disso, o número diminuiu muito até 1995, mas voltou a crescer em 2004. Os últimos cinco anos foram marcados por uma oscilação entre uma média de 30 a 40 conflitos muito violentos."
Metodologia
O HIIK diferencia três categorias de conflitos violentos: crise, crise grave e guerra. Crises são caracterizadas por uso esporádico da violência, ao passo que crises severas e guerras seriam uma resposta organizada com uso de violência sistêmica durante um longo período de tempo, causando intensa destruição. Crises severas e guerras, na metodologia do Instituto, podem ser agrupadas na categoria ‘conflitos muito violentos’.
Baseado nesse estudo, o G1 publica a partir desta quinta-feira (29) uma série de reportagens analisando os principais conflitos armados no mundo. A primeira é sobre a guerra do Afeganistão. Para Kristine Eck, professora da Universidade Uppsala, na Suécia, todo o período pós-Segunda Guerra foi marcado por um número maior de conflitos internos do que de guerras entre Estados. "Mas deve-se levar em conta também que, apesar de as nações estarem menos inclinadas a lutarem diretamente entre si, elas geralmente fornecem apoio a grupos rebeldes, como um tipo de 'guerra proxy' [guerra por procuração], provendo apoio com armamentos, treinamento ou ajuda financeira. Esse tipo de ajuda é recebida em 75% de todos conflitos internos."
Além disso, o modo como os confrontos terminam também tem mudado. Antes da Guerra Fria, segundo a professora Eck, a maioria das guerras terminava com uma vitória militar de um lado e destruição do outro. "Hoje, essa é a maneira mais improvável de acabar um confronto. Os conflitos terminam de um jeito diferente agora: é mais provável que eles acabem com um cessar-fogo, um acordo de paz, ou outro motivo, como mudança de liderança ou de estratégia."
Outra mudança apontada por Eck é a diminuição de mortes nos conflitos atuais, tendência que pode ser vista desde 1980. Segundo ela, isso pode ser explicado pois desde o fim da Guerra Fria o apoio armamentista e financeiro vindo de países para grupos rebeldes é bem menor. "Os partidos guerreiros não têm o mesmo acesso a armas, tecnologia e dinheiro que eles tinham há 30 anos."
Fluxo contínuo
Nos anos de 1980 a 1990 houve um crescimento mais ou menos contínuo no número de conflitos violentos até que se atingiu um pico em 1992, com 52 conflitos altamente violentos. “Isso ocorreu por causa do declínio da União Soviética”, explica Lotta Mayers. "Depois disso, o número diminuiu muito até 1995, mas voltou a crescer em 2004. Os últimos cinco anos foram marcados por uma oscilação entre uma média de 30 a 40 conflitos muito violentos."
Metodologia
O HIIK diferencia três categorias de conflitos violentos: crise, crise grave e guerra. Crises são caracterizadas por uso esporádico da violência, ao passo que crises severas e guerras seriam uma resposta organizada com uso de violência sistêmica durante um longo período de tempo, causando intensa destruição. Crises severas e guerras, na metodologia do Instituto, podem ser agrupadas na categoria ‘conflitos muito violentos’.
Lobby do amianto gasta US$ 100 milhões no mundo
Uma rede mundial de grupos de lobby gastou quase US$ 100 milhões desde a metade dos anos 80 a fim de preservar o mercado internacional do amianto, carcinógeno conhecido que já tirou milhões de vidas e tem seu uso proibido ou restrito em 52 países, constatou o ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists) depois de nove meses de investigação.
Com apoio de verbas públicas e privadas e a assistência de cientistas e governos simpáticos à causa, os grupos ajudaram a facilitar a venda de dois milhões de toneladas de amianto no ano passado, em sua maior parte a países em desenvolvimento. Ancorada pelo Chrysotile Institute, sediado em Montreal (Canadá), a rede se estende de Nova Delhi (Índia) à Cidade do México, passando pela cidade de Asbest, (Rússia). Sua mensagem é a de que o amianto pode ser usado em segurança sob condições "controladas".
Como resultado, o uso do amianto está crescendo rapidamente em países como China e Índia, o que leva especialistas em saúde a alertar sobre futuras epidemias de câncer de pulmão, asbestose e mesotelioma, um câncer maligno altamente agressivo que costuma atacar o revestimento dos pulmões. A OMS (Organização Mundial da Saúde) informa que 125 milhões de pessoas continuam a encontrar amianto em seus locais de trabalho, e a OIT (Organização Internacional do Trabalho) estima que 100 mil trabalhadores morram a cada ano de doenças relacionadas ao amianto. Outros milhares perecem de exposição ambiental ao material. James Leigh, diretor do Centro de Saúde Ocupacional e Ambiental na Escola de Saúde Pública de Sydney, Austrália, previu que haverá um total de cinco milhões a 10 milhões de mortes causadas por cânceres relacionados ao amianto até 2030, uma estimativa que ele considera como "conservadora".
"É totalmente antiético", disse Jukka Takala, diretor da Agência de Segurança e Saúde no Trabalho e antigo dirigente da OIT, sobre a campanha de promoção do uso do amianto. "É quase um crime. O amianto não pode ser usado de maneira segura. É claramente carcinógeno. Mata pessoas".
De fato, um painel de 27 especialistas formado pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer, da OMS, reportou no ano passado que "as provas epidemiológicas vêm mostrando associação cada vez maior entre todas as formas de amianto e risco ampliado de câncer de pulmão e mesotelioma".
Com apoio de verbas públicas e privadas e a assistência de cientistas e governos simpáticos à causa, os grupos ajudaram a facilitar a venda de dois milhões de toneladas de amianto no ano passado, em sua maior parte a países em desenvolvimento. Ancorada pelo Chrysotile Institute, sediado em Montreal (Canadá), a rede se estende de Nova Delhi (Índia) à Cidade do México, passando pela cidade de Asbest, (Rússia). Sua mensagem é a de que o amianto pode ser usado em segurança sob condições "controladas".
Como resultado, o uso do amianto está crescendo rapidamente em países como China e Índia, o que leva especialistas em saúde a alertar sobre futuras epidemias de câncer de pulmão, asbestose e mesotelioma, um câncer maligno altamente agressivo que costuma atacar o revestimento dos pulmões. A OMS (Organização Mundial da Saúde) informa que 125 milhões de pessoas continuam a encontrar amianto em seus locais de trabalho, e a OIT (Organização Internacional do Trabalho) estima que 100 mil trabalhadores morram a cada ano de doenças relacionadas ao amianto. Outros milhares perecem de exposição ambiental ao material. James Leigh, diretor do Centro de Saúde Ocupacional e Ambiental na Escola de Saúde Pública de Sydney, Austrália, previu que haverá um total de cinco milhões a 10 milhões de mortes causadas por cânceres relacionados ao amianto até 2030, uma estimativa que ele considera como "conservadora".
"É totalmente antiético", disse Jukka Takala, diretor da Agência de Segurança e Saúde no Trabalho e antigo dirigente da OIT, sobre a campanha de promoção do uso do amianto. "É quase um crime. O amianto não pode ser usado de maneira segura. É claramente carcinógeno. Mata pessoas".
De fato, um painel de 27 especialistas formado pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer, da OMS, reportou no ano passado que "as provas epidemiológicas vêm mostrando associação cada vez maior entre todas as formas de amianto e risco ampliado de câncer de pulmão e mesotelioma".
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