A cise do euro se tornou tão grave, tão ameaçadora, tão incontrolável que mesmo discussões sobre resgates servem apenas para aumentar o pânico crescente. Investidores já perceberam que os líderes europeus parecem sempre pouco dispostos a fazer o suficiente para reverter esse cenário. No entanto, a menos que os políticos se apressem em dizer ao mundo que seu desejo de preservar o euro é maior que a habilidade dos mercados de apostar contra eles, a moeda está fadada ao fracasso. Enquanto as linhas de crédito continuam a criar problemas, e forasteiros imploram por uma ação mais dura, não é apenas o euro que corre risco, mas o futuro da União Europeia e a saúde da economia mundial.
Os custos para solucionar esse problema serão altos. Poucos querem uma vasta intervenção nos mercados financeiros ou uma grande mudança na soberania nacional para a Europa. Ninguém também parece querer uma divisão ainda maior entre os 17 países da zona do euro e os dez países restantes da União Europeia. O problema é que as alternativas são muito piores. Essa é a dura verdade que a chanceler alemã Angela Merkel precisa urgentemente explicar a seu povo.
O fracasso da austeridade
Um resgate deve fazer quatro coisas rapidamente. Primeiro, deve deixar claro quais dos governos da Europa são pouco líquidos e quais são incapazes de pagar suas dívidas, dando respaldo ilimitado aos governos capazes, mas reestruturando a dívida daqueles que nunca serão capazes de pagá-la. Em segundo lugar, deve reforçar os bancos europeus para garantir que eles serão capazes de aguentar uma moratória. Em terceiro lugar, o resgate precisa mudar a política macroeconômica da sua obsessão com cortes de gastos, visando uma meta de crescimento. Por fim, deve dar início ao processo de elaborar um novo sistema para evitar que cenários como esse voltem a se desenvolver.
A quarta parte levará tempo. Ela envolve novos tratados e provações dos parlamentos. Outros devem ser decisivos e rápidos e manter a meta clara de que governos europeus e o Banco Central Europeu ajam juntos para dar um fim ao círculo vicioso de pânico no qual as fraquezas das finanças governamentais, a fragilidade dos bancos e as preocupações com o baixo crescimento se alimentem uns dos outros.
Ao invés de austeridade e fingimento, um sistema de resgate confiável deveria começar com o crescimento e com uma séria reestruturação das dívidas. A Europa precisa fazer um julgamento honesto sobre de que lado seus países estão. A Grécia, que claramente é incapaz de arcar com sua dívida, deve ter uma dura, mas metódica desvalorização. O último (e inadequado) plano de resgate da Grécia, deve ser jogado fora e reescrito. Mas todos os outros membros da zona do euro ( e isso inclui Portugal) devem ser defendidos com um gigantesco poder de fogo financeiro. Todas as economias em perigo, capazes ou não de pagar as dívidas, precisam de programas renovados de reformas estruturais e liberalização. Libertando serviços e profissões, privatizando companhias, cortando a burocracia e adiando a aposentadoria, a Europa criará condições para o crescimento renovado – e essa é a melhor maneira de cortar dívidas.
E como evitar o contágio? Uma moratória grega ameaçaria vários bancos, não apenas na Grécia: nessa semana os mercados elegeram como alvo os bancos franceses que concentram as dívidas dos países do sul da Europa. Além disso, países com estabilidade financeira precisam de espaço para levar as reformas adiante, o que implicaria em duas reformas simultâneas: um esquema para fortalecer os bancos, o que deve levar meses para ser posto em prática, e uma promessa sólida de apoio aos governos capazes, que deve ser imediata.
A recapitalização dos bancos europeus deve ser baseada em testes (que a essa altura devem envolver a possibilidade de uma moratória grega), e alguns bancos devem ser capazes de levantar dinheiro junto aos mercados, mas os mais vulneráveis ainda dependerão do governo. Países centrais como a Alemanha e a Holanda têm dinheiro suficiente para cuidar de seus bancos, mas governos da periferia podem precisar de fundos da zona do euro. Idealmente, esse dinheiro viria do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF), cuja renovação foi a melhor notícia a surgir do encontro de julho. Mas também faz sentido a criação de um fundo bancário da zona do euro, associado a uma autoridade bancária. No entanto, o BCE poderia ajudar os bancos, oferecendo liquidez ilimitada, que se mantivesse pelo tempo necessário, ao invés dos seis meses concedidos nos dias atuais.
O euro atingiu o ponto em que ninguém conseguirá aquilo que quer, e isso precisa ficar claro para os alemães – mais que para qualquer outro. Nos últimos 18 meses eles apoiaram resgate atrás de resgate, e a as contas aumentaram. Ver o BCE se mantendo atrás de países menos prudentes pode ser incômodo para os alemães; mas deixar que o euro fracasse é muito, muito, pior. É hora de deixar isso claro a seus eleitores, Sra. Merkel.
domingo, 18 de setembro de 2011
Os Estados Unidos em um beco sem saída
Quando é que as coisas darão certo para Barack Obama no Oriente Médio? O presidente assumiu o cargo esperando entregar uma solução para o dilema do Estado palestino, e perdeu boa parte de seu poder político ao fracassar. Ele queria colocar os Estados Unidos do lado certo da Primavera Árabe, embora isso significasse se juntar a uma guerra contra um país árabe (Líbia), e fazer vista grossa enquanto outro (Síria) massacrava seus cidadãos. Agora ele está no meio de uma série de brigas entre os melhores amigos dos Estados Unidos no Mediterrâneo, das quais o país parece não ter escapatória.
Há pouco tempo o leste do Mediterrâneo parecia tranquilo sob a patrulha das frotas norte-americanas. Israel, Egito e Turquia eram todos amigos, não apenas dos Estados Unidos, mas uns dos outros. Com o passar dos anos, a amizade entre Israel e Egito esfriou, é verdade, e após os conflitos de Gaza entre Israel e Hamas em 2008, as relações entre Israel e a Turquia também esfriaram. Nos bastidores, no entanto, os governos (e as forças armadas) dos três países pareciam contentes em manter os acordos estratégicos, um triângulo que os legisladores norte-americanos acreditavam que pudesse ser bem-sucedido na complicada geometria do Oriente Médio.
Isso é passado. No dia 10 de setembro, Obama e seu secretário de Defesa, Leon Panetta, se viram em telefonemas frenéticos para o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu e o Marechal Muhammad Hussein Tantawi, presidente do conselho de governo do Egito, tentando salvar a equipe israelense no Cairo da fúria de populares que invadiam o prédio da embaixada. Soldados egípcios conseguiram garantir a segurança dos israelenses, mas a imagem do embaixador fugindo das garras da Primavera Árabe para a segurança de Jerusalém foi um sinal do que o despertar democrático do mundo árabe pode significar para as relações entre Egito e Israel, cujo tratado de paz foi o maior feito da gestão de Jimmy Carter e definiu as bases da diplomacia árabe-israelense que se manteve por 30 anos.
Mal-estar entre vizinhos
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos lutam, sem sucesso para reparar a cisão entre Israel e Turquia decorrente do incidente no qual forças israelenses mataram oito turcos em um barco que seguia rumo à Faixa de Gaza, violando o bloqueio naval israelense, em maio do ano passado. Depois que os parceiros de coalizão de Netanyahu se recusaram a permitir que ele se desculpasse formalmente, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, deu a entender que navios de guerra poderão escoltar embarcações turcas que sigam rumo à Faixa de Gaza.
Assim como acontece no caso das tensões entre Israel e o Egito, o conflito entre Israel e Turquia deixa os Estados Unidos completamente desorientados no meio da disputa. A Turquia é uma parceira da Otan; Israel é um amigo especial. Obama e os norte-americanos adorariam ver seus aliados trabalhando juntos, mas isso não acontecerá tão cedo. O relatório da ONU que classifica o bloqueio naval israelense como legal, elimina qualquer chance de um pedido de desculpas por parte de Netanyahu. Erdogan, por sua vez, tem visitado os países afetados pela Primavera Árabe, e levado as multidões ao delírio com discursos beligerantes contra Israel.
Após o ataque contra o barco, Erdogan também desenvolveu planos de tornar a Turquia a defensora número um dos palestinos, apoiando o pedido de reconhecimento do Estado palestino na ONU nesse mês. Os norte-americanos, principais promotores do interminável processo de paz, estão incomodados com essa ideia. Por mais que defenda a criação de um Estado palestino, Obama não enxerga a possibilidade de fazer isso via ONU, sem acordos bilaterais. Para piorar, os amigos de Israel no Congresso norte-americano estão cogitando retaliações, como corte de auxílios financeiros. A cooperação na segurança da Cisjordânia pode ruir, criando uma nova intifada. Obama certamente vetará a criação do Estado palestino se a discussão chegar ao Conselho de Segurança. Isso lhe dará as credenciais pró-Israel necessária para se aproximar de sua reeleição no ano que vem, mas destruirá seus esforços para melhorar as relações dos Estados Unidos com o mundo árabe. Se os israelenses – que agora são vítimas de uma nova onda de ódio por parte do mundo árabe – estão pagando a chamada “taxa Netanyahu”, graças à intransigência de seu primeiro-ministro para com os palestinos, os norte-americanos também estão pagando uma taxa cada vez mais cara por sua amizade com Israel.
Há pouco tempo o leste do Mediterrâneo parecia tranquilo sob a patrulha das frotas norte-americanas. Israel, Egito e Turquia eram todos amigos, não apenas dos Estados Unidos, mas uns dos outros. Com o passar dos anos, a amizade entre Israel e Egito esfriou, é verdade, e após os conflitos de Gaza entre Israel e Hamas em 2008, as relações entre Israel e a Turquia também esfriaram. Nos bastidores, no entanto, os governos (e as forças armadas) dos três países pareciam contentes em manter os acordos estratégicos, um triângulo que os legisladores norte-americanos acreditavam que pudesse ser bem-sucedido na complicada geometria do Oriente Médio.
Isso é passado. No dia 10 de setembro, Obama e seu secretário de Defesa, Leon Panetta, se viram em telefonemas frenéticos para o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu e o Marechal Muhammad Hussein Tantawi, presidente do conselho de governo do Egito, tentando salvar a equipe israelense no Cairo da fúria de populares que invadiam o prédio da embaixada. Soldados egípcios conseguiram garantir a segurança dos israelenses, mas a imagem do embaixador fugindo das garras da Primavera Árabe para a segurança de Jerusalém foi um sinal do que o despertar democrático do mundo árabe pode significar para as relações entre Egito e Israel, cujo tratado de paz foi o maior feito da gestão de Jimmy Carter e definiu as bases da diplomacia árabe-israelense que se manteve por 30 anos.
Mal-estar entre vizinhos
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos lutam, sem sucesso para reparar a cisão entre Israel e Turquia decorrente do incidente no qual forças israelenses mataram oito turcos em um barco que seguia rumo à Faixa de Gaza, violando o bloqueio naval israelense, em maio do ano passado. Depois que os parceiros de coalizão de Netanyahu se recusaram a permitir que ele se desculpasse formalmente, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, deu a entender que navios de guerra poderão escoltar embarcações turcas que sigam rumo à Faixa de Gaza.
Assim como acontece no caso das tensões entre Israel e o Egito, o conflito entre Israel e Turquia deixa os Estados Unidos completamente desorientados no meio da disputa. A Turquia é uma parceira da Otan; Israel é um amigo especial. Obama e os norte-americanos adorariam ver seus aliados trabalhando juntos, mas isso não acontecerá tão cedo. O relatório da ONU que classifica o bloqueio naval israelense como legal, elimina qualquer chance de um pedido de desculpas por parte de Netanyahu. Erdogan, por sua vez, tem visitado os países afetados pela Primavera Árabe, e levado as multidões ao delírio com discursos beligerantes contra Israel.
Após o ataque contra o barco, Erdogan também desenvolveu planos de tornar a Turquia a defensora número um dos palestinos, apoiando o pedido de reconhecimento do Estado palestino na ONU nesse mês. Os norte-americanos, principais promotores do interminável processo de paz, estão incomodados com essa ideia. Por mais que defenda a criação de um Estado palestino, Obama não enxerga a possibilidade de fazer isso via ONU, sem acordos bilaterais. Para piorar, os amigos de Israel no Congresso norte-americano estão cogitando retaliações, como corte de auxílios financeiros. A cooperação na segurança da Cisjordânia pode ruir, criando uma nova intifada. Obama certamente vetará a criação do Estado palestino se a discussão chegar ao Conselho de Segurança. Isso lhe dará as credenciais pró-Israel necessária para se aproximar de sua reeleição no ano que vem, mas destruirá seus esforços para melhorar as relações dos Estados Unidos com o mundo árabe. Se os israelenses – que agora são vítimas de uma nova onda de ódio por parte do mundo árabe – estão pagando a chamada “taxa Netanyahu”, graças à intransigência de seu primeiro-ministro para com os palestinos, os norte-americanos também estão pagando uma taxa cada vez mais cara por sua amizade com Israel.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Brics vão discutir como ajudar UE a sair da crise, diz Mantega
O ministro da Fazenda Guido Mantega declarou nesta terça-feira, 13, que o Brasil irá discutir com outros países emergentes formas de ajudar a Europa a sair da atual crise da dívida. O encontro acontecerá em Washington na semana que vem nos bastidores da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Nós, dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) iremos nos reunir semana que vem em Washington para discutir como fazer para ajudar a União Europeia a sair dessa situação”, afirmou Mantega a jornalistas.
Ontem, em discurso ao núcleo do governo, Mantega exortou nações europeias em melhores condições fiscais a ajudarem os países em dificuldades, citando especificamente França, Alemanha e Holanda, que mantém mercados mais ativos e estáveis. A crise, que atingiu Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália, ameaça a zona do euro. Segundo Sergio Marchionne, presidente-executivo da Fiat, os mercados estrangeiros estão um pouco descrentes na superação da crise da dívida.
A forma como as economias emergentes do Brics administraram a crise se destacou, por isso uma possível medida a ser discutida na reunião em Washington seja a compra de títulos em euros pelas reservas internacionais desses países. A Rússia já demonstrou interesse na medida, que permitiria a diversificação da sua carteira de ativos. A China, por sua vez declarou que continuará a investir no mercado europeu. A porta-voz do ministério do Exterior chinês, Jiang Yu, ressaltou nesta terça-feira, 13, a importância da solução da dívida da Europa para o desenvolvimento da economia global.
“Apoiamos os esforços dos países europeus para lidar com a crise da dívida e acreditamos que vamos ampliar a coordenação e tomar medidas coletivas para tratar apropriadamente as questões relacionadas”, afirmou Jiang Yu.
“Nós, dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) iremos nos reunir semana que vem em Washington para discutir como fazer para ajudar a União Europeia a sair dessa situação”, afirmou Mantega a jornalistas.
Ontem, em discurso ao núcleo do governo, Mantega exortou nações europeias em melhores condições fiscais a ajudarem os países em dificuldades, citando especificamente França, Alemanha e Holanda, que mantém mercados mais ativos e estáveis. A crise, que atingiu Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália, ameaça a zona do euro. Segundo Sergio Marchionne, presidente-executivo da Fiat, os mercados estrangeiros estão um pouco descrentes na superação da crise da dívida.
A forma como as economias emergentes do Brics administraram a crise se destacou, por isso uma possível medida a ser discutida na reunião em Washington seja a compra de títulos em euros pelas reservas internacionais desses países. A Rússia já demonstrou interesse na medida, que permitiria a diversificação da sua carteira de ativos. A China, por sua vez declarou que continuará a investir no mercado europeu. A porta-voz do ministério do Exterior chinês, Jiang Yu, ressaltou nesta terça-feira, 13, a importância da solução da dívida da Europa para o desenvolvimento da economia global.
“Apoiamos os esforços dos países europeus para lidar com a crise da dívida e acreditamos que vamos ampliar a coordenação e tomar medidas coletivas para tratar apropriadamente as questões relacionadas”, afirmou Jiang Yu.
Desvios de verbas na Saúde somam R$ 2,3 bilhões em nove anos
O governo federal contabilizou um orçamento paralelo de R$ 2,3 bilhões nos últimos nove anos. A verba deveria ser usada na cura e prevenção de doenças, mas acabou sendo desviada. Esse é o montante de dinheiro desviado da Saúde, segundo constatação de Tomadas de Contas Especiais (TCEs) encaminhadas ao Tribunal de Contas da União (TCU), entre janeiro de 2002 e 30 de junho de 2011.
O setor da saúde responde por um terço (32,38%) dos recursos federais que se perderam no caminho, considerando 24 ministérios e a Presidência. Ao todo, a União perdeu R$ 6,89 bilhões em desvios.
Os números refletem as 3.205 fraudes ou outras irregularidades identificadas pelo Ministério da Saúde e Controladoria Geral da União (CGU). Para o Ministério Público Federal (MPF), recuperar esse montante é tarefa difícil. Mais Na maioria dos casos, são prefeitos, secretários de Saúde ou donos de clínicas e hospitais que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS) que embolsam estas quantias desviadas.
A procuradora Eliana Torelly, da Procuradoria Regional da República da 1ª Região, avalia que é difícil punir porque os processos, tanto administrativos quanto judiciais, demoram a encerrar. Em 2004, o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) levantou um mar de desvios em Paço do Lumiar (MA), município de cem mil habitantes na Região Metropolitana de São Luís (MA). O processo aponta saques milionários da conta da Saúde, entre 2001 e 2003, que jamais se reverteram em ações à população. Só em 2010, o processo administrativo chegou ao TCU. Em valores corrigidos em 2010, a fraude soma R$ 27.927.295,70.
“A probabilidade de recuperar o dinheiro é muito baixa”, diz Eliana.
O setor da saúde responde por um terço (32,38%) dos recursos federais que se perderam no caminho, considerando 24 ministérios e a Presidência. Ao todo, a União perdeu R$ 6,89 bilhões em desvios.
Os números refletem as 3.205 fraudes ou outras irregularidades identificadas pelo Ministério da Saúde e Controladoria Geral da União (CGU). Para o Ministério Público Federal (MPF), recuperar esse montante é tarefa difícil. Mais Na maioria dos casos, são prefeitos, secretários de Saúde ou donos de clínicas e hospitais que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS) que embolsam estas quantias desviadas.
A procuradora Eliana Torelly, da Procuradoria Regional da República da 1ª Região, avalia que é difícil punir porque os processos, tanto administrativos quanto judiciais, demoram a encerrar. Em 2004, o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) levantou um mar de desvios em Paço do Lumiar (MA), município de cem mil habitantes na Região Metropolitana de São Luís (MA). O processo aponta saques milionários da conta da Saúde, entre 2001 e 2003, que jamais se reverteram em ações à população. Só em 2010, o processo administrativo chegou ao TCU. Em valores corrigidos em 2010, a fraude soma R$ 27.927.295,70.
“A probabilidade de recuperar o dinheiro é muito baixa”, diz Eliana.
Ministro usou dinheiro público para pagar governanta
Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada nesta terça-feira, 13, revelou que o ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB), pagou o salário da sua governanta com dinheiro público durante sete anos, entre 2003 e 2010.
De acordo com o jornal, a empregada Doralice Bento de Souza foi nomeada por Novais secretária parlamentar na Câmara, mas trabalhava em seu apartamento em Brasília, enquanto o atual ministro era deputado federal pelo PMDB do Maranhão. O salário mensal de Doralice seria entre R$ 1.142 e R$ 2.284.
‘Apoio administrativo’
Quando Novais assumiu a chefia do ministério do Turismo, em janeiro, Doralice foi exonerada do cargo de secretária parlamentar e contratada pela empresa Visão, Administração e Serviços, que recebe anualmente R$ 1,5 milhão da pasta para fornecer mão-de-obra.
A assessoria do ministro confirmou que Doralice trabalhou até dezembro do ano passado no gabinete de Novais como secretária parlamentar, e que sua função era dar “apoio administrativo ao deputado e outros funcionários”.
De acordo com o jornal, a empregada Doralice Bento de Souza foi nomeada por Novais secretária parlamentar na Câmara, mas trabalhava em seu apartamento em Brasília, enquanto o atual ministro era deputado federal pelo PMDB do Maranhão. O salário mensal de Doralice seria entre R$ 1.142 e R$ 2.284.
‘Apoio administrativo’
Quando Novais assumiu a chefia do ministério do Turismo, em janeiro, Doralice foi exonerada do cargo de secretária parlamentar e contratada pela empresa Visão, Administração e Serviços, que recebe anualmente R$ 1,5 milhão da pasta para fornecer mão-de-obra.
A assessoria do ministro confirmou que Doralice trabalhou até dezembro do ano passado no gabinete de Novais como secretária parlamentar, e que sua função era dar “apoio administrativo ao deputado e outros funcionários”.
Mulher do ministro usa funcionário da Câmara como motorista
Um dia após a denúncia de que o Ministro do Turismo, Pedro Novais, usou dinheiro público para pagar o salário de sua governanta enquanto era deputado federal, uma nova reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada nesta quarta-feira, 14, revela que a mulher do ministro usa um servidor público como motorista particular.
De acordo com o jornal, o funcionário da Câmara dos Deputados Adão dos Santos Pereira fica à disposição de Maria Helena de Melo, mulher de Pedro Novais, que é funcionária pública aposentada. Ele foi flagrado pela reportagem nas últimas duas semanas fazendo compras em supermercados para o ministro e transportando sua mulher.
Ministro terá que dar explicações
O jornal informou ainda que Pereira foi contratado pelo gabinete do deputado Francisco Escórcio (PMDB-MA) em julho de 2010, embora nunca tenha trabalhado lá. Pereira foi exonerado nesta terça-feira, 13, após o deputado ter conhecimento da reportagem que estava sendo produzida. O funcionário recebia entre R$ 901,61 e R$ 1.803,22.
A notícia do pagamento irregular do salário da governanta de Pedro Novais gerou polêmica. A ministra Ideli Salvatti disse que o ministro deve prestar esclarecimentos sobre o caso. O Ministério Público Federal do DF também vai analisar a situação.
De acordo com o jornal, o funcionário da Câmara dos Deputados Adão dos Santos Pereira fica à disposição de Maria Helena de Melo, mulher de Pedro Novais, que é funcionária pública aposentada. Ele foi flagrado pela reportagem nas últimas duas semanas fazendo compras em supermercados para o ministro e transportando sua mulher.
Ministro terá que dar explicações
O jornal informou ainda que Pereira foi contratado pelo gabinete do deputado Francisco Escórcio (PMDB-MA) em julho de 2010, embora nunca tenha trabalhado lá. Pereira foi exonerado nesta terça-feira, 13, após o deputado ter conhecimento da reportagem que estava sendo produzida. O funcionário recebia entre R$ 901,61 e R$ 1.803,22.
A notícia do pagamento irregular do salário da governanta de Pedro Novais gerou polêmica. A ministra Ideli Salvatti disse que o ministro deve prestar esclarecimentos sobre o caso. O Ministério Público Federal do DF também vai analisar a situação.
Moody’s rebaixa nota de dois dos principais bancos franceses
A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou nesta quarta-feira, 14, a nota de dois dos principais bancos franceses, o Crédit Agricole e o Société Générale, por causa de sua exposição à dívida da Grécia.
Enquanto a classificação do Crédit Agricole foi rebaixada de Aa1 para Aa2, a nota do Société Générale foi rebaixada de Aa2 para Aa3. Um outro banco francês, o BPN Paribas, teve sua nota Aa2 mantida, mas está em revisão para rebaixamento.
A Moody’s informou por meio de um comunicado que pretende ampliar sua análise dos três bancos e que ela poderá resultar em mais cortes nas notas das instituições.
‘Investimento de alta qualidade’
Embora as notas dos bancos Crédit Agricole e Société Générale tenham sido reduzidas, elas continuam sendo consideradas boas e as instituições seguem na categoria que a Moody’s considera “investimento de alta qualidade”.
O rebaixamento dos bancos franceses pela agência Moody’s é mais uma notícia ruim para a economia europeia, que busca salvar o euro das crises da dívida nos países mais periféricos do bloco.
Enquanto a classificação do Crédit Agricole foi rebaixada de Aa1 para Aa2, a nota do Société Générale foi rebaixada de Aa2 para Aa3. Um outro banco francês, o BPN Paribas, teve sua nota Aa2 mantida, mas está em revisão para rebaixamento.
A Moody’s informou por meio de um comunicado que pretende ampliar sua análise dos três bancos e que ela poderá resultar em mais cortes nas notas das instituições.
‘Investimento de alta qualidade’
Embora as notas dos bancos Crédit Agricole e Société Générale tenham sido reduzidas, elas continuam sendo consideradas boas e as instituições seguem na categoria que a Moody’s considera “investimento de alta qualidade”.
O rebaixamento dos bancos franceses pela agência Moody’s é mais uma notícia ruim para a economia europeia, que busca salvar o euro das crises da dívida nos países mais periféricos do bloco.
É hora de admitir que o euro fracassou
Um grande editor certa vez disse que as grandes notícias não surgem, elas vazam. O fim do euro – a moeda de 17 dos 27 países da União Europeia – é uma dessas histórias. E cada vez que ela vaza, o mercado de ações dos Estados Unidos cai. O colapso do euro, de uma maneira ou de outra, é inevitável, e quando ele vier, bancos ao redor do mundo sofrerão um abalo e mercados de ações despencarão. Investidores espertos devem estar preparados para saber tirar proveito desse cenário.
Na última semana, uma nova série de rumores de uma moratória grega surgiu, e o principal membro alemão do Banco Central Europeu inexplicavelmente se demitiu. Como consequência, a Dow Jones terminou a semana mais de 600 pontos abaixo do nível registrado oito dias antes, quando a situação da Grécia parecia momentaneamente melhor.
Acadêmicos, jornalistas e mesmo membros do governo propuseram uma infinidade de planos para salvar o euro – novas instituições financeiras europeias, títulos europeus bancados coletivamente por todos os países, e até mesmo os Estados Unidos da Europa. Mas está claro que tais planos de salvação não encontrarão apoio político nos dias de hoje. O fim do euro provavelmente será extremamente doloroso, mas as alternativas se mostram ainda piores.
Para entender o porquê disso, é necessário entender porque os países europeus adotaram o euro. Deixando de lado promessas de solidariedade e todo o discurso sobre uma Europa única e livre, o euro surgiu porque ajudou a cuidar das necessidades de vários países. Sim, uma moeda comum facilitou o comércio e eliminou custos desnecessários de transações. E sim, o euro foi parte de uma tendência admirável que apontava para a interdependência, a cooperação e a liberdade de movimentação na Europa. Mas acima de tudo, o euro era uma maneira de resolver problemas práticos.
Países como Portugal, Irlanda e Grécia, por exemplo, puderam pegar enormes quantias de dinheiro emprestadas a juros baixos para financiar seu desenvolvimento. A França conseguiu preservar seu sistema altamente centralizado impondo a burocracia a seus rivais econômicos. A Alemanha parece ser o bom vizinho, tendo aberto mão de seu forte marco em nome da unidade continental e depois tendo que arcar com uma porção desproporcional dos custos quando tudo deu errado. Mas o país foi motivado pela lógica econômica. A Alemanha e outros países do norte da Europa, como a Holanda, são enormes exportadores. Para eles, a manutenção dos baixos índices de desemprego exige exportações sólidas, o que se torna difícil se suas moedas se valorizam. Na semana passada a Suíça se viu obrigada a estabelecer um teto no valor do franco suíço porque produtos suíços estavam se tornando muito caros para os estrangeiros.
A brilhante solução alemã foi se aliar às economias mais fracas por meio do euro, impedindo que a moeda se valorizasse demais. Na prática, a Alemanha estava subsidiando consumidores italianos, espanhóis e gregos para que comprassem produtos alemães caros, evitando reduções na manufatura alemã. Isso fez muito sentido enquanto o custo de elevar as economias mais fracas não era tão alto. Mas agora a Alemanha se vê frente a frente com a possibilidade de enormes e infinitos pagamentos que superam em muito os benefícios econômicos.
Enquanto isso, outros países da zona do euro também começam a sentir que o euro deixou de ser uma bênção e passou a ser um fardo, mas por razões diferentes. A Grécia e a Itália estão sendo obrigadas a fazer duros cortes. A França e a Alemanha chegaram a sugerir que os 17 países da zona do euro adotassem emendas de equilíbrio orçamentário – uma ideia descrita como insana ou fanática nos Estados Unidos, quando proposta pelo Tea Party.
A verdade é que, no momento atual, nem os fortes nem os fracos se beneficiam com o euro. Mas separações são difíceis, e quatro cenários são possíveis, um deles mais provável que os outros:
1 – A política atual simplesmente continua. Isso acontecerá num curto prazo, é claro, mas não poderá se manter por muito tempo. Quando a dívida atingir um certo nível, ela se tornará incapaz de ser paga. A Grécia provavelmente já atingiu esse estágio, e a Espanha e a Itália parecem caminhar para lá. A Alemanha reclama dos resgates financeiros, e em algum momento será incapaz de financiá-los, independentemente de sua vontade.
2 – Um sistema financeiro europeu é criado. A unificação é a única solução de longo prazo que garantiria a sobrevivência da zona do euro. Mas isso significaria que países como a Grécia, a Itália e a Espanha teriam que obedecer a Alemanha em termos financeiros. E isso também obrigaria países como a França a fazer com que suas identidades nacionais desaparecessem sob um superestado europeu. A Alemanha se dispôs a gastar dinheiro quase sem limites para incorporar a Alemanha Oriental após a reunificação. Mas outras lealdades locais na Europa ainda são mais fortes que qualquer identidade continental. Essa possibilidade é bastante improvável.
3 – Os países fortes expulsam a Grécia e outros países fracos da zona do euro. Esse é o cenário mais provável. Nele, os países mais fortes da zona do euro resgatam os mais fracos e exigem cortes de gastos até que a resistência de um lado ou de outra força uma moratória. Nesse caso, os países endividados seriam expulsos da zona do euro. Esse cenário produziria uma série de problemas. O país endividado teria problemas de crédito e, portanto, custos de empréstimos mais altos, por uma década. E como suas dívidas são em euros, haveria pouco alívio. Os países ricos da Europa arcariam com boa parte do fardo financeiro, seja pagando os custos de uma reestruturação ou resgatando bancos por todo o continente que mantivessem a dívida. Por pior que isso possa soar, esse continua sendo o cenário mais provável, porque é o que exige menos liderança, e de fato, a Alemanha já se prepara para essa situação.
4 – A Alemanha e outros países fortes deixam a zona do euro. Esse não é um cenário provável, mas sem dúvida seria a melhor solução para todos os envolvidos. Alemanha, Holanda e um par de outros exportadores financeiramente fortes poderiam deixar a zona do euro de maneira unilateral e criar sua nova moeda. O euro iria se desvalorizar, tornando os países que permanecessem na zona do euro mais competitivos, e reduzindo o valor de suas dívidas nacionais, criando um alívio econômico quase que imediato. Essa solução foi apresentada há dois anos por Ambrose Evans-Pritchard, mas ainda não é discutida por políticos europeus. A ideia de uma Alemanha financeiramente dominante, cercada por satélites é considerada perturbadora por razões históricas. Em uma versão mais sutil dessa estratégia, a Polônia, a Eslováquia e a República Tcheca poderiam ser incluídas para segurar a valorização da nova moeda. Se a Alemanha será responsável pelo resgate econômico de alguém, que seja de países que garantem contratos baratos à indústria alemã. É só evitar que a nova moeda se chame Deutsches Reich.
É importante notar que um sistema financeiro unificado na Europa poderia procrastinar a crise do euro indefinidamente, e essa está longe de ser a melhor solução. Todas as outras soluções levariam a uma moratória, e custos que cairiam sobre os bancos, cujas ações despencariam ainda que eles fossem resgatados. Já para os especuladores há uma possibilidade de aproveitar o colapso, como com a venda de ações de bancos. Mas para a maioria dos investidores individuais não há muito a fazer senão guardar dinheiro.
As oportunidades de investimento surgirão de compras realizadas após uma moratória ou alguma nova crise. É bastante provável que algo termine dando errado, e quando isso acontecer, todos saberão. Se as ações norte-americanas despencarem – lembre-se do que aconteceu com a Dow durante as vendas de 2009 – vários estarão cogitando comprá-las, entre eles a Chevron e a Exxon, se o preço do petróleo cair mais graças aos temores de uma nova recessão global.
Na última semana, uma nova série de rumores de uma moratória grega surgiu, e o principal membro alemão do Banco Central Europeu inexplicavelmente se demitiu. Como consequência, a Dow Jones terminou a semana mais de 600 pontos abaixo do nível registrado oito dias antes, quando a situação da Grécia parecia momentaneamente melhor.
Acadêmicos, jornalistas e mesmo membros do governo propuseram uma infinidade de planos para salvar o euro – novas instituições financeiras europeias, títulos europeus bancados coletivamente por todos os países, e até mesmo os Estados Unidos da Europa. Mas está claro que tais planos de salvação não encontrarão apoio político nos dias de hoje. O fim do euro provavelmente será extremamente doloroso, mas as alternativas se mostram ainda piores.
Para entender o porquê disso, é necessário entender porque os países europeus adotaram o euro. Deixando de lado promessas de solidariedade e todo o discurso sobre uma Europa única e livre, o euro surgiu porque ajudou a cuidar das necessidades de vários países. Sim, uma moeda comum facilitou o comércio e eliminou custos desnecessários de transações. E sim, o euro foi parte de uma tendência admirável que apontava para a interdependência, a cooperação e a liberdade de movimentação na Europa. Mas acima de tudo, o euro era uma maneira de resolver problemas práticos.
Países como Portugal, Irlanda e Grécia, por exemplo, puderam pegar enormes quantias de dinheiro emprestadas a juros baixos para financiar seu desenvolvimento. A França conseguiu preservar seu sistema altamente centralizado impondo a burocracia a seus rivais econômicos. A Alemanha parece ser o bom vizinho, tendo aberto mão de seu forte marco em nome da unidade continental e depois tendo que arcar com uma porção desproporcional dos custos quando tudo deu errado. Mas o país foi motivado pela lógica econômica. A Alemanha e outros países do norte da Europa, como a Holanda, são enormes exportadores. Para eles, a manutenção dos baixos índices de desemprego exige exportações sólidas, o que se torna difícil se suas moedas se valorizam. Na semana passada a Suíça se viu obrigada a estabelecer um teto no valor do franco suíço porque produtos suíços estavam se tornando muito caros para os estrangeiros.
A brilhante solução alemã foi se aliar às economias mais fracas por meio do euro, impedindo que a moeda se valorizasse demais. Na prática, a Alemanha estava subsidiando consumidores italianos, espanhóis e gregos para que comprassem produtos alemães caros, evitando reduções na manufatura alemã. Isso fez muito sentido enquanto o custo de elevar as economias mais fracas não era tão alto. Mas agora a Alemanha se vê frente a frente com a possibilidade de enormes e infinitos pagamentos que superam em muito os benefícios econômicos.
Enquanto isso, outros países da zona do euro também começam a sentir que o euro deixou de ser uma bênção e passou a ser um fardo, mas por razões diferentes. A Grécia e a Itália estão sendo obrigadas a fazer duros cortes. A França e a Alemanha chegaram a sugerir que os 17 países da zona do euro adotassem emendas de equilíbrio orçamentário – uma ideia descrita como insana ou fanática nos Estados Unidos, quando proposta pelo Tea Party.
A verdade é que, no momento atual, nem os fortes nem os fracos se beneficiam com o euro. Mas separações são difíceis, e quatro cenários são possíveis, um deles mais provável que os outros:
1 – A política atual simplesmente continua. Isso acontecerá num curto prazo, é claro, mas não poderá se manter por muito tempo. Quando a dívida atingir um certo nível, ela se tornará incapaz de ser paga. A Grécia provavelmente já atingiu esse estágio, e a Espanha e a Itália parecem caminhar para lá. A Alemanha reclama dos resgates financeiros, e em algum momento será incapaz de financiá-los, independentemente de sua vontade.
2 – Um sistema financeiro europeu é criado. A unificação é a única solução de longo prazo que garantiria a sobrevivência da zona do euro. Mas isso significaria que países como a Grécia, a Itália e a Espanha teriam que obedecer a Alemanha em termos financeiros. E isso também obrigaria países como a França a fazer com que suas identidades nacionais desaparecessem sob um superestado europeu. A Alemanha se dispôs a gastar dinheiro quase sem limites para incorporar a Alemanha Oriental após a reunificação. Mas outras lealdades locais na Europa ainda são mais fortes que qualquer identidade continental. Essa possibilidade é bastante improvável.
3 – Os países fortes expulsam a Grécia e outros países fracos da zona do euro. Esse é o cenário mais provável. Nele, os países mais fortes da zona do euro resgatam os mais fracos e exigem cortes de gastos até que a resistência de um lado ou de outra força uma moratória. Nesse caso, os países endividados seriam expulsos da zona do euro. Esse cenário produziria uma série de problemas. O país endividado teria problemas de crédito e, portanto, custos de empréstimos mais altos, por uma década. E como suas dívidas são em euros, haveria pouco alívio. Os países ricos da Europa arcariam com boa parte do fardo financeiro, seja pagando os custos de uma reestruturação ou resgatando bancos por todo o continente que mantivessem a dívida. Por pior que isso possa soar, esse continua sendo o cenário mais provável, porque é o que exige menos liderança, e de fato, a Alemanha já se prepara para essa situação.
4 – A Alemanha e outros países fortes deixam a zona do euro. Esse não é um cenário provável, mas sem dúvida seria a melhor solução para todos os envolvidos. Alemanha, Holanda e um par de outros exportadores financeiramente fortes poderiam deixar a zona do euro de maneira unilateral e criar sua nova moeda. O euro iria se desvalorizar, tornando os países que permanecessem na zona do euro mais competitivos, e reduzindo o valor de suas dívidas nacionais, criando um alívio econômico quase que imediato. Essa solução foi apresentada há dois anos por Ambrose Evans-Pritchard, mas ainda não é discutida por políticos europeus. A ideia de uma Alemanha financeiramente dominante, cercada por satélites é considerada perturbadora por razões históricas. Em uma versão mais sutil dessa estratégia, a Polônia, a Eslováquia e a República Tcheca poderiam ser incluídas para segurar a valorização da nova moeda. Se a Alemanha será responsável pelo resgate econômico de alguém, que seja de países que garantem contratos baratos à indústria alemã. É só evitar que a nova moeda se chame Deutsches Reich.
É importante notar que um sistema financeiro unificado na Europa poderia procrastinar a crise do euro indefinidamente, e essa está longe de ser a melhor solução. Todas as outras soluções levariam a uma moratória, e custos que cairiam sobre os bancos, cujas ações despencariam ainda que eles fossem resgatados. Já para os especuladores há uma possibilidade de aproveitar o colapso, como com a venda de ações de bancos. Mas para a maioria dos investidores individuais não há muito a fazer senão guardar dinheiro.
As oportunidades de investimento surgirão de compras realizadas após uma moratória ou alguma nova crise. É bastante provável que algo termine dando errado, e quando isso acontecer, todos saberão. Se as ações norte-americanas despencarem – lembre-se do que aconteceu com a Dow durante as vendas de 2009 – vários estarão cogitando comprá-las, entre eles a Chevron e a Exxon, se o preço do petróleo cair mais graças aos temores de uma nova recessão global.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Alemanha já estuda Grécia fora do euro
A revista semanal mais importante da Alemanha, a Der Spiegel, noticiou neste fim de semana que o país prepara um plano B para o caso de o Estado grego quebrar, e que uma das opções consideradas é fazer a Grécia deixar a zona do euro.
A revista cita fontes do ministério alemão das Finanças. Em um cenário de quebra da Grécia, os investidores deixariam de emprestar dinheiro aos elos mais fracos da zona do euro, como Espanha e Itália, que podem ser os próximos a pedir ajuda externa.
Medidas ‘insuficientes’
Na sexta-feira, 9, a agência de notícias financeiras Bloomberg já havia noticiado que Berlim estava em negociações secretas com seguradoras e bancos alemães a fim de encontrar a melhor maneira de ajudar as instituições que têm títulos da dívida grega.
O ministro alemão da Economia, Philipp Roesler, publicou nesta segunda-feira, 12, um artigo no jornal Die Welt reforçando a percepção de que a Grécia pode mesmo quebrar. Para Roesler, as medidas de redução do déficit aplicadas pelo país são “insuficientes”.
A revista cita fontes do ministério alemão das Finanças. Em um cenário de quebra da Grécia, os investidores deixariam de emprestar dinheiro aos elos mais fracos da zona do euro, como Espanha e Itália, que podem ser os próximos a pedir ajuda externa.
Medidas ‘insuficientes’
Na sexta-feira, 9, a agência de notícias financeiras Bloomberg já havia noticiado que Berlim estava em negociações secretas com seguradoras e bancos alemães a fim de encontrar a melhor maneira de ajudar as instituições que têm títulos da dívida grega.
O ministro alemão da Economia, Philipp Roesler, publicou nesta segunda-feira, 12, um artigo no jornal Die Welt reforçando a percepção de que a Grécia pode mesmo quebrar. Para Roesler, as medidas de redução do déficit aplicadas pelo país são “insuficientes”.
Chanceler alemã nega insolvência da Grécia
'Melhor favor que podemos fazer à Grécia é não especular, mas encorajá-la a cumprir os compromissos que adquiriu', disse Angela Merkel
Em meio aos boatos de que a Alemanha já estaria estudando um plano B para o caso de a Grécia quebrar, a chanceler alemã, Angela Merkel, rejeitou taxativamente as especulações sobre uma possível declaração de insolvência por parte do Estado grego, ressaltando que o país “sabe muito bem o que deve fazer”.
“Acho que o melhor favor que podemos fazer à Grécia é não especular, mas encorajá-la a cumprir os compromissos que adquiriu”, disse Angela Merkel em entrevista a uma rádio alemã transmitida nesta terça-feira, 13. A chanceler também criticou aqueles que alimentaram essa possibilidade. Entre estes estão membros da coalização governamental.
Efeito dominó
“Todos devem medir agora suas palavras com precaução. O que não precisamos é de nervosismo nos mercados financeiros. A insegurança já é grande demais”, alertou a chanceler alemã.
Angela Merkel ressaltou ainda a necessidade de “manter unido o entorno do euro, já que poderia ocorrer um rápido efeito dominó e processos incontroláveis”, ameaçando a estabilidade da moeda.
Em meio aos boatos de que a Alemanha já estaria estudando um plano B para o caso de a Grécia quebrar, a chanceler alemã, Angela Merkel, rejeitou taxativamente as especulações sobre uma possível declaração de insolvência por parte do Estado grego, ressaltando que o país “sabe muito bem o que deve fazer”.
“Acho que o melhor favor que podemos fazer à Grécia é não especular, mas encorajá-la a cumprir os compromissos que adquiriu”, disse Angela Merkel em entrevista a uma rádio alemã transmitida nesta terça-feira, 13. A chanceler também criticou aqueles que alimentaram essa possibilidade. Entre estes estão membros da coalização governamental.
Efeito dominó
“Todos devem medir agora suas palavras com precaução. O que não precisamos é de nervosismo nos mercados financeiros. A insegurança já é grande demais”, alertou a chanceler alemã.
Angela Merkel ressaltou ainda a necessidade de “manter unido o entorno do euro, já que poderia ocorrer um rápido efeito dominó e processos incontroláveis”, ameaçando a estabilidade da moeda.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Carta de embaixador dos EUA mostra preocupação com corrupção no governo Lula
Documento de diplomata americano foi revelado pelo site WikiLeaks esta semana
Jamil Chade / CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo
A diplomacia americana considera que a corrupção durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva era "generalizada e persistente" e atingia todos os Três Poderes. A avaliação foi revelada em uma carta enviada há um ano e meio pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, ao procurador-geral americano, Eric Holder.
Na carta, que servia como uma preparação para a visita de Holder ao Brasil, Shannon fez ainda um raio X da Justiça brasileira, acusando-a de "despreparada" e "disfuncional". O documento foi revelado esta semana pelo WikiLeaks.
Essa não é a primeira revelação sobre os comentários da diplomacia americana sobre a corrupção no Brasil. Documentos de 2004 e 2005 revelaram a mesma preocupação e mesmo o risco de os escândalos do mensalão acabarem imobilizando o governo.
Mas o que fica claro é que, mesmo no último ano do governo Lula, a percepção americana não havia mudado sobre a presença da corrupção na administração. E o fenômeno não se limitaria aos Três Poderes. Segundo Shannon, as forças de ordem também seriam prejudicadas por "falta de treinamento, rivalidades burocráticas, corrupção em algumas agências e uma força policial muito pequena para cobrir um país com 200 milhões de habitantes".
Outra constatação da diplomacia americana foi sobre os problemas enfrentados pela Justiça no Brasil. "Apesar de muitos juristas serem de alto nível, o sistema judiciário brasileiro é frequentemente descrito como sendo disfuncional, permeado por jurisdições que se acumulam, falta de treinamento, burocracia e atrasos", escreveu o embaixador.
Para Shannon, "polícia, procuradores e juízes precisam de treinamento adicional" no Brasil. "Procuradores e juízes, em especial, precisam de treinamento básico para ajudá-los a caminhar em direção a um sistema acusatório mais eficiente", escreveu.
Cooperação. A preocupação não se limita a comentários distantes sobre a situação no Brasil. Shannon deixa claro que são os interesses americanos que podem sair prejudicados. "Com seu crescente papel econômico e diplomático, os interesses americanos em termos de Justiça no Brasil também aumentam, já que o incremento do comércio, viagens, comunicação e finanças no Brasil também trazem oportunidades de exploração criminosa."
O diplomata aponta que a cooperação na área de Justiça com o Brasil é considerada no governo Obama como uma das prioridade para permitir que os Estados Unidos "atinjam seus objetivos na América do Sul". Para isso, sugere programas para o treinamento de juízes e policiais para lidar com o crime organizado.
A ajuda não seria desinteressada. "Procuradores e juízes precisam treinamento especializado em áreas de especial interesse para os EUA: gangues, crime organizado, drogas, tráfico de pessoas e lavagem de dinheiro", escreveu.
Jamil Chade / CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo
A diplomacia americana considera que a corrupção durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva era "generalizada e persistente" e atingia todos os Três Poderes. A avaliação foi revelada em uma carta enviada há um ano e meio pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, ao procurador-geral americano, Eric Holder.
Na carta, que servia como uma preparação para a visita de Holder ao Brasil, Shannon fez ainda um raio X da Justiça brasileira, acusando-a de "despreparada" e "disfuncional". O documento foi revelado esta semana pelo WikiLeaks.
Essa não é a primeira revelação sobre os comentários da diplomacia americana sobre a corrupção no Brasil. Documentos de 2004 e 2005 revelaram a mesma preocupação e mesmo o risco de os escândalos do mensalão acabarem imobilizando o governo.
Mas o que fica claro é que, mesmo no último ano do governo Lula, a percepção americana não havia mudado sobre a presença da corrupção na administração. E o fenômeno não se limitaria aos Três Poderes. Segundo Shannon, as forças de ordem também seriam prejudicadas por "falta de treinamento, rivalidades burocráticas, corrupção em algumas agências e uma força policial muito pequena para cobrir um país com 200 milhões de habitantes".
Outra constatação da diplomacia americana foi sobre os problemas enfrentados pela Justiça no Brasil. "Apesar de muitos juristas serem de alto nível, o sistema judiciário brasileiro é frequentemente descrito como sendo disfuncional, permeado por jurisdições que se acumulam, falta de treinamento, burocracia e atrasos", escreveu o embaixador.
Para Shannon, "polícia, procuradores e juízes precisam de treinamento adicional" no Brasil. "Procuradores e juízes, em especial, precisam de treinamento básico para ajudá-los a caminhar em direção a um sistema acusatório mais eficiente", escreveu.
Cooperação. A preocupação não se limita a comentários distantes sobre a situação no Brasil. Shannon deixa claro que são os interesses americanos que podem sair prejudicados. "Com seu crescente papel econômico e diplomático, os interesses americanos em termos de Justiça no Brasil também aumentam, já que o incremento do comércio, viagens, comunicação e finanças no Brasil também trazem oportunidades de exploração criminosa."
O diplomata aponta que a cooperação na área de Justiça com o Brasil é considerada no governo Obama como uma das prioridade para permitir que os Estados Unidos "atinjam seus objetivos na América do Sul". Para isso, sugere programas para o treinamento de juízes e policiais para lidar com o crime organizado.
A ajuda não seria desinteressada. "Procuradores e juízes precisam treinamento especializado em áreas de especial interesse para os EUA: gangues, crime organizado, drogas, tráfico de pessoas e lavagem de dinheiro", escreveu.
Chifre da África enfrenta pior crise de fome do século
Não há dúvida da resposta pífia dos países africanos até agora; somente um punhado prometeu ajuda humanitária*
Na pior crise de fome do século, no Chifre da África, 29 mil crianças podem já ter perecido. Muitas ainda morrerão. Mas além de expressões de preocupação, quais foram as reações à fome?
O mundo pode pensar que avançou desde a fome etíope de 1984-85, mas organizações beneficentes estão usando as mesmas fotos comoventes que usavam na década de 80 para angariar fundos. As câmeras de televisão são tão invasivas quanto naquela época – talvez até mais. Equipes de cinegrafistas foram expulsas de um hospital num campo de refugiados em Dadaab , no Quênia, num esforço para preservar a dignidade dos pacientes. “Sem fotos é difícil conseguir uma reação”, lamenta um funcionário do governo etíope. Ainda assim, o ciclo da mídia mudou desde os tempos pré-internet. A África em si também mudou desde então.
O apelo de celebridades, nessa crise de alimentos, está vindo dos africanos mesmos. Uma organização chamada Africans Act 4 Africa diz querer juntar estrelas africanas para angariar fundos e promover a causa etíope. A ONU diz que tem apenas US$ 1,3 bilhão dos US$ 2,4 bilhões necessários para dar assistência às 12 milhões de pessoas em situação de necessidade. Independente da ambiguidade de tais números, não há dúvida da resposta pífia dos países africanos até agora. Somente um punhado prometeu qualquer coisa.
A fome convenientemente sublinhou a visão vigente de muitos especialistas. Em preços inflacionados e alimentos roubados, ativistas anticorrupção encontram prova de que o auxílio humanitário estraga tudo em que toca. Climatologistas veem evidências de mudanças climáticas. O Oceano Índico está esquentando, argumentam, e os africanos pobres sofrerão as consequências mediante secas e chuvas voláteis.
Para o bem ou para o mal, a fome é uma plataforma útil. Debora Doane do World Development Movement, um lobby por “um comércio internacional mais justo”, aponta que o dinheiro de doadores só compra hoje metade da comida que comprava há uma década. O aumento sensível no preço de alimentos, ela argumenta, é resultado de especulação nos mercados futuros; a fome é uma oportunidade de tornar a regulação financeira mais rigorosa. Ao fim, porém, todos olham para o céu. Como um funcionário do World Food Programme observa, “ajuda humanitária não faz chover”.
*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia
Na pior crise de fome do século, no Chifre da África, 29 mil crianças podem já ter perecido. Muitas ainda morrerão. Mas além de expressões de preocupação, quais foram as reações à fome?
O mundo pode pensar que avançou desde a fome etíope de 1984-85, mas organizações beneficentes estão usando as mesmas fotos comoventes que usavam na década de 80 para angariar fundos. As câmeras de televisão são tão invasivas quanto naquela época – talvez até mais. Equipes de cinegrafistas foram expulsas de um hospital num campo de refugiados em Dadaab , no Quênia, num esforço para preservar a dignidade dos pacientes. “Sem fotos é difícil conseguir uma reação”, lamenta um funcionário do governo etíope. Ainda assim, o ciclo da mídia mudou desde os tempos pré-internet. A África em si também mudou desde então.
O apelo de celebridades, nessa crise de alimentos, está vindo dos africanos mesmos. Uma organização chamada Africans Act 4 Africa diz querer juntar estrelas africanas para angariar fundos e promover a causa etíope. A ONU diz que tem apenas US$ 1,3 bilhão dos US$ 2,4 bilhões necessários para dar assistência às 12 milhões de pessoas em situação de necessidade. Independente da ambiguidade de tais números, não há dúvida da resposta pífia dos países africanos até agora. Somente um punhado prometeu qualquer coisa.
A fome convenientemente sublinhou a visão vigente de muitos especialistas. Em preços inflacionados e alimentos roubados, ativistas anticorrupção encontram prova de que o auxílio humanitário estraga tudo em que toca. Climatologistas veem evidências de mudanças climáticas. O Oceano Índico está esquentando, argumentam, e os africanos pobres sofrerão as consequências mediante secas e chuvas voláteis.
Para o bem ou para o mal, a fome é uma plataforma útil. Debora Doane do World Development Movement, um lobby por “um comércio internacional mais justo”, aponta que o dinheiro de doadores só compra hoje metade da comida que comprava há uma década. O aumento sensível no preço de alimentos, ela argumenta, é resultado de especulação nos mercados futuros; a fome é uma oportunidade de tornar a regulação financeira mais rigorosa. Ao fim, porém, todos olham para o céu. Como um funcionário do World Food Programme observa, “ajuda humanitária não faz chover”.
*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia
Voto secreto: proteção contra pressões ou instrumento da impunidade?
Absolvição de Jaqueline Roriz traz de volta discussão sobre votações de parlamentares. Por Felipe Varne
Enquanto Dilma Rousseff saudava os Dragões da Independência que desfilavam ao som do hino nacional, cerca de 30 mil pessoas se reuniam para a marcha contra a corrupção, que aconteceu em Brasília, e muitas outras capitais do país, na última quarta-feira, 7. Houve muitos protestos contra a impunidade, contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, e contra os gastos com os preparativos para a Copa do Mundo de 2014. Mas o grande alvo das manifestações populares foi o voto secreto, que atraiu a atenção da população após a recente absolvição da deputada Jacqueline Roriz (PMN-DF), flagrada recebendo suposta propina de Durval Barbosa, delator do esquema conhecido como “Mensalão do DEM”.
O resultado da votação foi atribuído ao voto secreto, e vários deputados dos mais diferentes partidos afirmaram que seus colegas estavam votando em autoproteção e que o voto secreto era a base de um sistema que permitia a perpetuação da impunidade.
É natural que a população espere saber de seu representante, suas posições nos assuntos relevantes para a nação. Mais natural que isso – e especialmente em um país como o Brasil, que nas últimas eleições teve como deputado mais votado um palhaço que dizia “não saber o que faz um deputado federal” – é esperar que os eleitores queiram avaliar o comportamento daqueles escolhidos para representá-los. Com o voto secreto, isso é impossível. Mas talvez com o voto aberto, a democracia possa ficar abalada no Congresso. É o que entende a Constituição, que afirma que deputados e senadores precisam de proteção contra pressões que lhe retirariam a liberdade de votar segundo sua consciência.
Esse é o argumento defendido pelo juiz Hugo de Brito Machado, presidente do Instituto Cearense de Estudos Tributários (ICET). Segundo ele, a Constituição de 1934, a mais democrática até a elaboração da atual Constituição, previa o voto secreto em uma série de situações, enquanto a de 1937, a mais antidemocrática da História, estabelecia que as sessões do Congresso deveriam ser públicas, e não permitia em nenhuma hipótese o voto secreto.
É verdade que o voto secreto dá aos parlamentares a mesma garantia concedida ao povo, de votar livremente, sem o constrangimento das pressões espúrias. É verdade também que isso possibilita que parlamentares não ajam de acordo com o que pregaram no período eleitoral, traindo a confiança depositada neles pelos eleitores. Duas perguntas surgem nesse dilema. Devemos confiar na consciência de nossos representantes ou exigir que eles deem a “cara a tapa” e não se deixem levar pelas pressões das sinistras maquinações da política do Planalto Central? E será que aqueles suscetíveis a pressões têm lugar no Congresso nacional? Cada vez mais o povo brasileiro parece achar que não.
Caro leitor,
Você é favorável à extinção do voto secreto para deputados e senadores no Congresso?
Você acredita que a manutenção do voto secreto possa dificultar o combate à corrupção e à impunidade?
Você crê que as marchas contra a corrupção possam ter efeito sobre os políticos de Brasília, levando a mudanças no comportamento da classe política brasileira?
Enquanto Dilma Rousseff saudava os Dragões da Independência que desfilavam ao som do hino nacional, cerca de 30 mil pessoas se reuniam para a marcha contra a corrupção, que aconteceu em Brasília, e muitas outras capitais do país, na última quarta-feira, 7. Houve muitos protestos contra a impunidade, contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, e contra os gastos com os preparativos para a Copa do Mundo de 2014. Mas o grande alvo das manifestações populares foi o voto secreto, que atraiu a atenção da população após a recente absolvição da deputada Jacqueline Roriz (PMN-DF), flagrada recebendo suposta propina de Durval Barbosa, delator do esquema conhecido como “Mensalão do DEM”.
O resultado da votação foi atribuído ao voto secreto, e vários deputados dos mais diferentes partidos afirmaram que seus colegas estavam votando em autoproteção e que o voto secreto era a base de um sistema que permitia a perpetuação da impunidade.
É natural que a população espere saber de seu representante, suas posições nos assuntos relevantes para a nação. Mais natural que isso – e especialmente em um país como o Brasil, que nas últimas eleições teve como deputado mais votado um palhaço que dizia “não saber o que faz um deputado federal” – é esperar que os eleitores queiram avaliar o comportamento daqueles escolhidos para representá-los. Com o voto secreto, isso é impossível. Mas talvez com o voto aberto, a democracia possa ficar abalada no Congresso. É o que entende a Constituição, que afirma que deputados e senadores precisam de proteção contra pressões que lhe retirariam a liberdade de votar segundo sua consciência.
Esse é o argumento defendido pelo juiz Hugo de Brito Machado, presidente do Instituto Cearense de Estudos Tributários (ICET). Segundo ele, a Constituição de 1934, a mais democrática até a elaboração da atual Constituição, previa o voto secreto em uma série de situações, enquanto a de 1937, a mais antidemocrática da História, estabelecia que as sessões do Congresso deveriam ser públicas, e não permitia em nenhuma hipótese o voto secreto.
É verdade que o voto secreto dá aos parlamentares a mesma garantia concedida ao povo, de votar livremente, sem o constrangimento das pressões espúrias. É verdade também que isso possibilita que parlamentares não ajam de acordo com o que pregaram no período eleitoral, traindo a confiança depositada neles pelos eleitores. Duas perguntas surgem nesse dilema. Devemos confiar na consciência de nossos representantes ou exigir que eles deem a “cara a tapa” e não se deixem levar pelas pressões das sinistras maquinações da política do Planalto Central? E será que aqueles suscetíveis a pressões têm lugar no Congresso nacional? Cada vez mais o povo brasileiro parece achar que não.
Caro leitor,
Você é favorável à extinção do voto secreto para deputados e senadores no Congresso?
Você acredita que a manutenção do voto secreto possa dificultar o combate à corrupção e à impunidade?
Você crê que as marchas contra a corrupção possam ter efeito sobre os políticos de Brasília, levando a mudanças no comportamento da classe política brasileira?
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Grécia pode desestabilizar governo de Merkel na Alemanha
BERLIM – A primeira-ministra da Alemanha, Angela Mekel, está lutando para sufocar uma rebelião com potencial de desestabilizar seu governo depois que 25 parlamentares da ala de centro-direita da coalizão indicou que poderão não dar apoio à legislação que fortalece o fundo de socorro da Europa.
Uma simulação da votação entre os parlamentares da coalizão de Merkel realizada na segunda-feira mostrou que a primeira-ministra terá de lutar para manter a maioria do governo unida em uma votação crucial marcada para o dia 29 de setembro, quando o parlamento alemão vai votar as propostas para tornar o principal fundo de socorro da zona do euro em um instrumento maior e mais flexível.
Ampliar imagemA primeira-ministra alemã enfrenta uma rebelião de parlamentares de sua coalizão com potencial de desestabilizar seu governo.
As medidas em questão são um elemento chave no acordo fechado em 21 de julho pelos líderes europeus para restaurar a confiança do investidor na dívida soberana dos países a zona do euro. Contudo, um número maior que o esperado de membros da União Democrata Cristã, partido de Merkel, assim como de seu parceiro júnior na coalizão, os Democratas Liberais, se recusaram a apoiar a medida na simulação de segunda-feira. A fala de apoio é um sinal público de divisão dentro do partido.
Apesar dessa revolta nos quadros do governo, espera-se que o parlamento alemão aprove as medidas, porque os partidos de oposição já declararam que vão dar o seu apoio. Mas depender dos votos da oposição seria um sério embaraço à primeira-ministra, o que levantaria dúvidas sobre a sobrevivência do governo. A revolta dentro do governo reflete a convicção de muitos parlamentares de que operações de resgate cada vez maiores aos membros mais pobres da zona do euro representam um crescente risco aos contribuintes alemães.
Merkel deverá trabalhar duro para obter o apoio dos parlamentares da coalizão às medidas. Alguns dos parlamentares que se abstiveram ou se opuseram à simulação podem ceder à pressão e apoiar o governo dia 29 de setembro, segundo analistas.
Mas se o governo falhar em aprovar as medidas da zona do euro com os votos de sua própria coalizão no parlamento, isso poderá desencadear uma crise política na Alemanha, uma vez que mostraria que Merkel não tem uma maioria governista de fato na maior questão diante do país e da Europa. Isso também colocaria em dúvida a capacidade da primeira-ministra em executar outras reformas da zona do euro, como a maior coordenação das políticas fiscais e do gerenciamento da dívida, que muitos economistas afirmam que são necessárias para reforçar a moeda única.
A coalizão de centro-direita da Alemanha tem 19 votos a mais que o necessário para manter a maioria de 311 votos no parlamento. Na simulação, 14 parlamentares votaram contra a medida para reforçar o fundo de resgate da zona do euro, enquanto outros 11 não participaram da votação.
PACOTE DE MEDIDAS AUMENTA PODER DO EFSF
As medidas em questão vão aumentar a capacidade de empréstimo do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês), de 250 bilhões de euros para 440 bilhões de euros, e também vão permitir ao fundo conceder empréstimos de forma mais flexível para governos e comprar bônus da dívida soberana no mercado secundário. O Banco Central Europeu (BCE) está pressionando os governos dos países membros da zona do euro a implementarem essas mudanças o mais rápido possível.
O problema é que o esforço de Merkel de manter o apoio para suas políticas na zona do euro dentro de sua coalizão esbarra nos recentes eventos na Grécia, onde o governo está enfrentando dificuldades em cumprir as medidas para reduzir seu déficit orçamentário, que é a contrapartida para receber o empréstimo de emergência da Alemanha e do resto da zona do euro.
O resultado da luta de Merkel no parlamento vai depender, em parte, de uma decisão do supremo tribunal constitucional da Alemanha, esperado para esta quarta-feira, sobre a participação alemã nos programas de socorro europeus para a Grécia, Irlanda e Portugal. Se o tribunal decidir que essas decisões do governo em participar dessas operações de resgate não ferem a constituição da Alemanha, isso poderá ajudar Merkel a desarmar parte das críticas dentro de sua coalizão, segundo analistas.
Se o tribunal exigir que futuras operações de resgate terão de passar pelo crivo do parlamento alemão, como muitos analistas esperam, isso também poderá ajudar Merkel a obter o apoio de seus aliados, embora isso possa dificultar a tomada de decisões mais rápidas na Europa, caso ocorra uma nova escalada da crise.
(Marcus Walker e Bernd Radowitz | Wall Street Journal)
Uma simulação da votação entre os parlamentares da coalizão de Merkel realizada na segunda-feira mostrou que a primeira-ministra terá de lutar para manter a maioria do governo unida em uma votação crucial marcada para o dia 29 de setembro, quando o parlamento alemão vai votar as propostas para tornar o principal fundo de socorro da zona do euro em um instrumento maior e mais flexível.
Ampliar imagemA primeira-ministra alemã enfrenta uma rebelião de parlamentares de sua coalizão com potencial de desestabilizar seu governo.
As medidas em questão são um elemento chave no acordo fechado em 21 de julho pelos líderes europeus para restaurar a confiança do investidor na dívida soberana dos países a zona do euro. Contudo, um número maior que o esperado de membros da União Democrata Cristã, partido de Merkel, assim como de seu parceiro júnior na coalizão, os Democratas Liberais, se recusaram a apoiar a medida na simulação de segunda-feira. A fala de apoio é um sinal público de divisão dentro do partido.
Apesar dessa revolta nos quadros do governo, espera-se que o parlamento alemão aprove as medidas, porque os partidos de oposição já declararam que vão dar o seu apoio. Mas depender dos votos da oposição seria um sério embaraço à primeira-ministra, o que levantaria dúvidas sobre a sobrevivência do governo. A revolta dentro do governo reflete a convicção de muitos parlamentares de que operações de resgate cada vez maiores aos membros mais pobres da zona do euro representam um crescente risco aos contribuintes alemães.
Merkel deverá trabalhar duro para obter o apoio dos parlamentares da coalizão às medidas. Alguns dos parlamentares que se abstiveram ou se opuseram à simulação podem ceder à pressão e apoiar o governo dia 29 de setembro, segundo analistas.
Mas se o governo falhar em aprovar as medidas da zona do euro com os votos de sua própria coalizão no parlamento, isso poderá desencadear uma crise política na Alemanha, uma vez que mostraria que Merkel não tem uma maioria governista de fato na maior questão diante do país e da Europa. Isso também colocaria em dúvida a capacidade da primeira-ministra em executar outras reformas da zona do euro, como a maior coordenação das políticas fiscais e do gerenciamento da dívida, que muitos economistas afirmam que são necessárias para reforçar a moeda única.
A coalizão de centro-direita da Alemanha tem 19 votos a mais que o necessário para manter a maioria de 311 votos no parlamento. Na simulação, 14 parlamentares votaram contra a medida para reforçar o fundo de resgate da zona do euro, enquanto outros 11 não participaram da votação.
PACOTE DE MEDIDAS AUMENTA PODER DO EFSF
As medidas em questão vão aumentar a capacidade de empréstimo do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês), de 250 bilhões de euros para 440 bilhões de euros, e também vão permitir ao fundo conceder empréstimos de forma mais flexível para governos e comprar bônus da dívida soberana no mercado secundário. O Banco Central Europeu (BCE) está pressionando os governos dos países membros da zona do euro a implementarem essas mudanças o mais rápido possível.
O problema é que o esforço de Merkel de manter o apoio para suas políticas na zona do euro dentro de sua coalizão esbarra nos recentes eventos na Grécia, onde o governo está enfrentando dificuldades em cumprir as medidas para reduzir seu déficit orçamentário, que é a contrapartida para receber o empréstimo de emergência da Alemanha e do resto da zona do euro.
O resultado da luta de Merkel no parlamento vai depender, em parte, de uma decisão do supremo tribunal constitucional da Alemanha, esperado para esta quarta-feira, sobre a participação alemã nos programas de socorro europeus para a Grécia, Irlanda e Portugal. Se o tribunal decidir que essas decisões do governo em participar dessas operações de resgate não ferem a constituição da Alemanha, isso poderá ajudar Merkel a desarmar parte das críticas dentro de sua coalizão, segundo analistas.
Se o tribunal exigir que futuras operações de resgate terão de passar pelo crivo do parlamento alemão, como muitos analistas esperam, isso também poderá ajudar Merkel a obter o apoio de seus aliados, embora isso possa dificultar a tomada de decisões mais rápidas na Europa, caso ocorra uma nova escalada da crise.
(Marcus Walker e Bernd Radowitz | Wall Street Journal)
Decisão do BC da Suíça foi de desespero, avalia Mantega
BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou hoje que é melhor para o Brasil seguir com o câmbio flutuante, ao invés de adotar decisão como a anunciada pela Suíça para conter a valorização de sua moeda. Segundo ele, o caso suíço reflete uma situação de desespero, e ele tem dúvidas se o país tem lastro para rechaçar um ataque especulativo.
O banco central da Suíça voltou a agir contra a supervalorização da moeda nacional e estabeleceu hoje um limite mínimo de cotação de 1,20 franco por euro.
"Cada país tem as suas necessidades. Então, essa é uma maneira de você fixar o câmbio. Vamos ver se ela tem capacidade de bancar um eventual ataque especulativo. Porque signfiica que vai comprar tudo o que for ofertado naquele preço. Mas não sei quais são os recursos que a Suíça tem para aguentar um ataque dessa natureza", comentou Mantega.
"É uma situação limite, onde eles estão desesperados e tomando essas medidas. Nós não precisamos. É sempre melhor atuar com o câmbio flutuante, na minha opinião. Já tivemos câmbio fixo no passado e não fomos bem sucedidos. Mas vamos verificar o que acontece. Não é uma modalidade que serviria ao Brasil", prosseguiu ele.
(Azelma Rodrigues/Valor)
O banco central da Suíça voltou a agir contra a supervalorização da moeda nacional e estabeleceu hoje um limite mínimo de cotação de 1,20 franco por euro.
"Cada país tem as suas necessidades. Então, essa é uma maneira de você fixar o câmbio. Vamos ver se ela tem capacidade de bancar um eventual ataque especulativo. Porque signfiica que vai comprar tudo o que for ofertado naquele preço. Mas não sei quais são os recursos que a Suíça tem para aguentar um ataque dessa natureza", comentou Mantega.
"É uma situação limite, onde eles estão desesperados e tomando essas medidas. Nós não precisamos. É sempre melhor atuar com o câmbio flutuante, na minha opinião. Já tivemos câmbio fixo no passado e não fomos bem sucedidos. Mas vamos verificar o que acontece. Não é uma modalidade que serviria ao Brasil", prosseguiu ele.
(Azelma Rodrigues/Valor)
BC suíço estabelece limite para a cotação do franco
GENEBRA - O banco central da Suíça voltou a agir contra a supervalorização da moeda nacional, agora estabelecendo um limite mínimo de 1,20 franco por euro.
A autoridade monetária "vai fazer prevalecer essa cotação mínima com toda sua determinação e está pronta para comprar divisas em quantidade ilimitada", anunciou a instituição nesta manhã em Zurique. "Com efeito imediato, o Banco Nacional da Suíça não vai tolerar uma taxa de câmbio abaixo do mínimo de 1,20 franco", comunicou.
O franco suíço imediatamente subiu para esse nível, depois de ter aberto a 1,12 franco por euro.
O BC suíço já fez de tudo, intervindo com aquisições de mais de 200 bilhões de francos, reduzindo taxa de juro e colocando mais liquidez na economia.
Há algumas semanas, o franco suíço chegou à paridade com o euro, a moeda do principal mercado para as empresas helvéticas.
A nova decisão vem um dia depois que a União Sindical Suíça exigiu um limite mínimo para a moeda helvética a fim de evitar mais estragos na economia.
Para as autoridades monetárias suíças, a supervalorização atual do franco é "extrema" e representa "uma grave ameaça para a economia" do país.
Analistas consideram, em todo caso, que o limite mínimo de 1,20 franco por euro foi uma decisão marcante, mas o nível ainda é alto, implicando que a economia continuará a sofrer com a moeda forte.
O franco continua a atrair investidores inquietos com a deterioração da economia global e que enxergam a moeda helvética como um valor de refúgio.
(Assis Moreira | Valor)
A autoridade monetária "vai fazer prevalecer essa cotação mínima com toda sua determinação e está pronta para comprar divisas em quantidade ilimitada", anunciou a instituição nesta manhã em Zurique. "Com efeito imediato, o Banco Nacional da Suíça não vai tolerar uma taxa de câmbio abaixo do mínimo de 1,20 franco", comunicou.
O franco suíço imediatamente subiu para esse nível, depois de ter aberto a 1,12 franco por euro.
O BC suíço já fez de tudo, intervindo com aquisições de mais de 200 bilhões de francos, reduzindo taxa de juro e colocando mais liquidez na economia.
Há algumas semanas, o franco suíço chegou à paridade com o euro, a moeda do principal mercado para as empresas helvéticas.
A nova decisão vem um dia depois que a União Sindical Suíça exigiu um limite mínimo para a moeda helvética a fim de evitar mais estragos na economia.
Para as autoridades monetárias suíças, a supervalorização atual do franco é "extrema" e representa "uma grave ameaça para a economia" do país.
Analistas consideram, em todo caso, que o limite mínimo de 1,20 franco por euro foi uma decisão marcante, mas o nível ainda é alto, implicando que a economia continuará a sofrer com a moeda forte.
O franco continua a atrair investidores inquietos com a deterioração da economia global e que enxergam a moeda helvética como um valor de refúgio.
(Assis Moreira | Valor)
FMI rebaixa previsão de crescimento da economia mundial
Roma, 7 set (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a diminuir sua previsão sobre o crescimento da economia mundial, desta vez de 4,2% para 4%, de acordo com a prévia do relatório "Perspectivas econômicas mundiais", informou nesta quarta-feira (7) a agência de notícias italiana "Ansa".
O documento será divulgado em 20 de setembro. Há um mês, o FMI lançou seu último relatório, com previsão de 4,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2011 e 4,3% em 2012. Enquanto a prévia do estudo prevê uma queda para 4% neste ano, em 2012 a previsão é que de o PIB chegue a 4,2%.
O FMI também fez previsões sobre a zona do euro. O PIB da região deve ser de 1,7% em 2011 e 1,3% em 2012, ao contrário das taxas de 1,9% e 1,4% previstas anteriormente.
Para os países emergentes, as previsões do PIB eram de 6,6% e 6,4%, em 2011 e 2012, e caíram para 6,5% e 6,4%, respectivamente.
Com relação à taxa de desemprego mundial, a "Ansa" adiantou que o relatório prevê queda no mundo inteiro, menos na zona do euro, onde deve permanecer em cerca de 10%. Ainda de acordo com as previsões do FMI, a inflação deve subir em todos os países este ano, e voltar a cair em 2012.
Na zona do euro, a taxa de inflação chega a 2,5% este ano, e cai até 1,5% no próximo. Já nos Estados Unidos, a inflação passa de 1,6% a 3% até o final de 2011, para voltar a cair até o índice de 1,3% em 2012.
O documento será divulgado em 20 de setembro. Há um mês, o FMI lançou seu último relatório, com previsão de 4,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2011 e 4,3% em 2012. Enquanto a prévia do estudo prevê uma queda para 4% neste ano, em 2012 a previsão é que de o PIB chegue a 4,2%.
O FMI também fez previsões sobre a zona do euro. O PIB da região deve ser de 1,7% em 2011 e 1,3% em 2012, ao contrário das taxas de 1,9% e 1,4% previstas anteriormente.
Para os países emergentes, as previsões do PIB eram de 6,6% e 6,4%, em 2011 e 2012, e caíram para 6,5% e 6,4%, respectivamente.
Com relação à taxa de desemprego mundial, a "Ansa" adiantou que o relatório prevê queda no mundo inteiro, menos na zona do euro, onde deve permanecer em cerca de 10%. Ainda de acordo com as previsões do FMI, a inflação deve subir em todos os países este ano, e voltar a cair em 2012.
Na zona do euro, a taxa de inflação chega a 2,5% este ano, e cai até 1,5% no próximo. Já nos Estados Unidos, a inflação passa de 1,6% a 3% até o final de 2011, para voltar a cair até o índice de 1,3% em 2012.
Na TV, Dilma garante estabilidade econômica do país
Em meio às crises econômicas que atingem vários países, a presidente Dilma Rousseff garantiu, em pronunciamento transmitido pelas rádios e TVs, que a estabilidade econômica do país está “garantida”.
A presidente ressaltou em seu discurso que a inflação está controlada e que o país tem condições plenas para combater os efeitos da crise global.
“O emprego e a renda batem recordes históricos, nossas reservas internacionais estão mais sólidas do que nunca, o crédito continua crescendo e a inflação está sob controle. (…) Os juros voltaram a baixar e a estabilidade econômica esta garantida”, afirmou a presidente, em seu terceiro pronunciamento em rede de rádio e TV desde que tomou posse.
Durante o pronunciamento, a presidente ressaltou que, para que o Brasil responda à crise, o conceito de independência precisa ser renovado. “Vivemos um momento de transformação. O mundo enfrenta os desafios de uma grave crise econômica e cobra respostas novas para seus problemas.”
Dilma afirmou que o governo não vai permitir “ataques” às indústrias e aos empregos do Brasil, nem vai deixar que artigos estrangeiros concorram “de forma desleal” com os produtos nacionais. Ela disse ainda que o país vai continuar investindo em infraestrutura e em programas sociais, e afirmou que o combate à corrupção será um valor sempre presente.
A presidente ressaltou em seu discurso que a inflação está controlada e que o país tem condições plenas para combater os efeitos da crise global.
“O emprego e a renda batem recordes históricos, nossas reservas internacionais estão mais sólidas do que nunca, o crédito continua crescendo e a inflação está sob controle. (…) Os juros voltaram a baixar e a estabilidade econômica esta garantida”, afirmou a presidente, em seu terceiro pronunciamento em rede de rádio e TV desde que tomou posse.
Durante o pronunciamento, a presidente ressaltou que, para que o Brasil responda à crise, o conceito de independência precisa ser renovado. “Vivemos um momento de transformação. O mundo enfrenta os desafios de uma grave crise econômica e cobra respostas novas para seus problemas.”
Dilma afirmou que o governo não vai permitir “ataques” às indústrias e aos empregos do Brasil, nem vai deixar que artigos estrangeiros concorram “de forma desleal” com os produtos nacionais. Ela disse ainda que o país vai continuar investindo em infraestrutura e em programas sociais, e afirmou que o combate à corrupção será um valor sempre presente.
O que a ONU pode fazer para deixar de ser alvo de terroristas
A criação de um departamento responsável pela proteção e segurança claramente não fez o bastante para mitigar as vulnerabilidades enfrentadas pela instituição*
Por muitos anos a ONU se esforçou para se apresentar ao mundo como uma instituição internacional imparcial dedicada a ajudar as pessoas ao redor do mundo. Mas a explosão de um carro-bomba num complexo da ONU promovida na última sexta-feira, 2, por uma organização terrorista islâmica chamada Boko Haram, em Abuja, Nigéria, matando 23 e ferindo ao menos 75, foi um lembrete cruel que, não importa o quanto a ONU se esforce para ser neutra, muitos, especialmente no mundo islâmico, encaram-na como procuradora das potências ocidentais. Com efeito, para muitos grupos determinados a instaurar o caos, a ONU se tornou sinônimo dos Estados Unidos. E isto é problemático para a Organização, dado que suas instalações são muito menos seguras do que as bases militares e embaixadas norte-americanas em território estrangeiro. Como a maior parte dos terroristas são oportunistas – optando, na grande maioria dos casos, por alvos simbólicos fáceis de atacar – a ONU tem que tomar medidas mais duras para tornar as suas instalações mais segurar se deseja continuar operando.
Apesar de grandes esforços para se dissociar dos EUA, o destino da ONU parece ter sido selado pela invasão norte-americana do Iraque, a qual a administração Bush retratou como uma operação autorizada pela ONU. Após a derrubada do regime de Saddam Hussein, a ONU expandiu sua presença em Bagdá para auxiliar projetos de reconstrução iraquianos. Como parte dos esforços da Organização para continuar como uma instituição neutra, seu escritório nacional foi mantido no Hotel Canal na zona central da cidade, ao invés de se estabelecer na protegida Zona Verde. O custo de tentar parecer imparcial ao se estabelecer abertamente no meio da sociedade iraquiana foi deixar a sua sede amplamente exposta – decisão que se provou fatídica quando terroristas bombardearam o complexo da ONU em 19 de agosto de 2003, matando 22, incluindo o Representante Especial da ONU no Iraque, o brasileiro Sergio Vieira de Mello.
Desde o ataque a Bagdá, a ONU convocou diversas juntas de especialistas que publicaram vários relatórios sobre como melhorar a segurança de funcionários e instalações da Organização. Os relatórios recomendaram, entre outras coisas, que a ONU melhorasse a administração interna e a supervisão. Mas muitos destes conselhos, garantindo maior imputabilidade, foram desconsiderados ou postos em prática de maneira superficial. Os conselhos que foram ouvidos, como a criação de um departamento responsável pela proteção e segurança, claramente não fizeram o bastante para mitigar as vulnerabilidades enfrentadas pela instituição, a qual, desde o ataque em Bagdá, tem sido alvo de ao menos dez atentados terroristas por ano.
É claro que proteger a ONU não é barato, e instalações cada vez mais militarizadas provavelmente reforçarão a percepção de que a ONU é uma presença estranha em muitos países. Mas num mundo em que as pessoas perguntam “A ONU? Os EUA? Qual a diferença?”, a alternativa parece mais dispendiosa.
*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia
Por muitos anos a ONU se esforçou para se apresentar ao mundo como uma instituição internacional imparcial dedicada a ajudar as pessoas ao redor do mundo. Mas a explosão de um carro-bomba num complexo da ONU promovida na última sexta-feira, 2, por uma organização terrorista islâmica chamada Boko Haram, em Abuja, Nigéria, matando 23 e ferindo ao menos 75, foi um lembrete cruel que, não importa o quanto a ONU se esforce para ser neutra, muitos, especialmente no mundo islâmico, encaram-na como procuradora das potências ocidentais. Com efeito, para muitos grupos determinados a instaurar o caos, a ONU se tornou sinônimo dos Estados Unidos. E isto é problemático para a Organização, dado que suas instalações são muito menos seguras do que as bases militares e embaixadas norte-americanas em território estrangeiro. Como a maior parte dos terroristas são oportunistas – optando, na grande maioria dos casos, por alvos simbólicos fáceis de atacar – a ONU tem que tomar medidas mais duras para tornar as suas instalações mais segurar se deseja continuar operando.
Apesar de grandes esforços para se dissociar dos EUA, o destino da ONU parece ter sido selado pela invasão norte-americana do Iraque, a qual a administração Bush retratou como uma operação autorizada pela ONU. Após a derrubada do regime de Saddam Hussein, a ONU expandiu sua presença em Bagdá para auxiliar projetos de reconstrução iraquianos. Como parte dos esforços da Organização para continuar como uma instituição neutra, seu escritório nacional foi mantido no Hotel Canal na zona central da cidade, ao invés de se estabelecer na protegida Zona Verde. O custo de tentar parecer imparcial ao se estabelecer abertamente no meio da sociedade iraquiana foi deixar a sua sede amplamente exposta – decisão que se provou fatídica quando terroristas bombardearam o complexo da ONU em 19 de agosto de 2003, matando 22, incluindo o Representante Especial da ONU no Iraque, o brasileiro Sergio Vieira de Mello.
Desde o ataque a Bagdá, a ONU convocou diversas juntas de especialistas que publicaram vários relatórios sobre como melhorar a segurança de funcionários e instalações da Organização. Os relatórios recomendaram, entre outras coisas, que a ONU melhorasse a administração interna e a supervisão. Mas muitos destes conselhos, garantindo maior imputabilidade, foram desconsiderados ou postos em prática de maneira superficial. Os conselhos que foram ouvidos, como a criação de um departamento responsável pela proteção e segurança, claramente não fizeram o bastante para mitigar as vulnerabilidades enfrentadas pela instituição, a qual, desde o ataque em Bagdá, tem sido alvo de ao menos dez atentados terroristas por ano.
É claro que proteger a ONU não é barato, e instalações cada vez mais militarizadas provavelmente reforçarão a percepção de que a ONU é uma presença estranha em muitos países. Mas num mundo em que as pessoas perguntam “A ONU? Os EUA? Qual a diferença?”, a alternativa parece mais dispendiosa.
*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia
Saiba quem representa um risco para o mercado global
Gráfico da 'Economist' mostra que dívida grega é o maior risco para o mercado, enquanto Suíça tem a dívida mais segura
terça-feira, 6 de setembro de 2011
LG demite e fábricas de carros param produção
A desaceleração no consumo e o aumento dos estoques já provocam demissões na indústria. Hoje, a LG Electronics cortou 200 trabalhadores da fábrica de celulares e monitores de Taubaté (SP).
Além disso, a empresa mantém 800 funcionários em licença remunerada até sexta-feira.
A interrupção na produção fez duas empresas que fornecem componentes para celulares anunciarem cortes de 40% no quadro de pessoal. Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Edmir Marcolino da Silva, a Blue Tech, que emprega 200 pessoas, e a Sun Tech, com 270 trabalhadores, podem demitir, depois de terem dado férias coletivas.
Já as montadoras tentam reduzir a produção de veículos, aproveitando o feriado desta quarta-feira para suspender o trabalho na semana e ajustar os estoques à demanda menor. A freada no ritmo das fábricas já tem impacto nas fabricantes de autopeças, que anunciaram férias coletivas.
Os metalúrgicos da Fiat de Betim (MG), por exemplo, voltam ao trabalho só na próxima quinta-feira. A montadora nega que a paralisação temporária seja um reflexo da desaceleração nas vendas, mas admite que a chamada "ponte" ajuda a promover um ajuste nos estoques, hoje na casa de 22 mil veículos.
A Volkswagen paralisou a produção de veículos durante esta semana na fábrica de São José dos Pinhais (PR). "A empresa alega que o pátio está cheio", disse o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Jamil DÁvila. A assessoria de imprensa da Volkswagen disse apenas que "está utilizando suas ferramentas de flexibilização para realizar ajustes nos estoques".
Na fábrica da Volks do ABC paulista, cerca de 10 mil trabalhadores vão emendar o feriado de 7 de Setembro até sexta-feira. Na Volks de Taubaté (SP), 4,5 mil trabalhadores estão de folga esta semana, informou o Sindicato do Metalúrgicos de Taubaté.
Na Scania de São Bernardo do Campo (SP), 2,8 mil trabalhadores estão de folga desde ontem e retornam só na quinta-feira.
Na Ford de Taubaté, serão 23 dias de férias coletivas a 1,6 mil trabalhadores, escalonadas em três períodos, até 14 de outubro, segundo o sindicato dos metalúrgicos local. Já na fábrica da montadora em São Bernardo do Campo (SP), 1,2 mil trabalhadores da linha de automóveis folgam a semana inteira, informou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Na GM, a produção de Gravataí (RS) foi suspensa aos sábados. Com isso, a empresa deixa de fabricar 2,3 mil veículos. Em julho, havia cerca de 6,8 mil unidades estacionadas na montadora, enquanto o número normal é de 3,5 mil a 4 mil, informou a empresa. Não houve produção nos dias 13 e 27 de agosto e está programada paralisação no dia 24. Na fábrica de São José dos Campos (SP), 300 trabalhadores tiveram 15 dias de férias coletivas até ontem, informou o sindicato dos metalúrgicos local.
Cascata
A paralisação da produção nas montadoras afeta as fabricantes de autopeças. A Autometal, por exemplo, que fabrica componentes para freio em Taubaté (SP), programou férias coletivas para 420 trabalhadores entre 12 de setembro e 11 de outubro, informou o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté. Em São José dos Campos (SP), Trelleborg, fabricante de autopeças, deu férias coletivas entre os dias 1.º e 10 de setembro, informou o sindicato local de metalúrgicos.
Além disso, a empresa mantém 800 funcionários em licença remunerada até sexta-feira.
A interrupção na produção fez duas empresas que fornecem componentes para celulares anunciarem cortes de 40% no quadro de pessoal. Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Edmir Marcolino da Silva, a Blue Tech, que emprega 200 pessoas, e a Sun Tech, com 270 trabalhadores, podem demitir, depois de terem dado férias coletivas.
Já as montadoras tentam reduzir a produção de veículos, aproveitando o feriado desta quarta-feira para suspender o trabalho na semana e ajustar os estoques à demanda menor. A freada no ritmo das fábricas já tem impacto nas fabricantes de autopeças, que anunciaram férias coletivas.
Os metalúrgicos da Fiat de Betim (MG), por exemplo, voltam ao trabalho só na próxima quinta-feira. A montadora nega que a paralisação temporária seja um reflexo da desaceleração nas vendas, mas admite que a chamada "ponte" ajuda a promover um ajuste nos estoques, hoje na casa de 22 mil veículos.
A Volkswagen paralisou a produção de veículos durante esta semana na fábrica de São José dos Pinhais (PR). "A empresa alega que o pátio está cheio", disse o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Jamil DÁvila. A assessoria de imprensa da Volkswagen disse apenas que "está utilizando suas ferramentas de flexibilização para realizar ajustes nos estoques".
Na fábrica da Volks do ABC paulista, cerca de 10 mil trabalhadores vão emendar o feriado de 7 de Setembro até sexta-feira. Na Volks de Taubaté (SP), 4,5 mil trabalhadores estão de folga esta semana, informou o Sindicato do Metalúrgicos de Taubaté.
Na Scania de São Bernardo do Campo (SP), 2,8 mil trabalhadores estão de folga desde ontem e retornam só na quinta-feira.
Na Ford de Taubaté, serão 23 dias de férias coletivas a 1,6 mil trabalhadores, escalonadas em três períodos, até 14 de outubro, segundo o sindicato dos metalúrgicos local. Já na fábrica da montadora em São Bernardo do Campo (SP), 1,2 mil trabalhadores da linha de automóveis folgam a semana inteira, informou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Na GM, a produção de Gravataí (RS) foi suspensa aos sábados. Com isso, a empresa deixa de fabricar 2,3 mil veículos. Em julho, havia cerca de 6,8 mil unidades estacionadas na montadora, enquanto o número normal é de 3,5 mil a 4 mil, informou a empresa. Não houve produção nos dias 13 e 27 de agosto e está programada paralisação no dia 24. Na fábrica de São José dos Campos (SP), 300 trabalhadores tiveram 15 dias de férias coletivas até ontem, informou o sindicato dos metalúrgicos local.
Cascata
A paralisação da produção nas montadoras afeta as fabricantes de autopeças. A Autometal, por exemplo, que fabrica componentes para freio em Taubaté (SP), programou férias coletivas para 420 trabalhadores entre 12 de setembro e 11 de outubro, informou o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté. Em São José dos Campos (SP), Trelleborg, fabricante de autopeças, deu férias coletivas entre os dias 1.º e 10 de setembro, informou o sindicato local de metalúrgicos.
Grécia não receberá parcela se falhar em revisão, diz Alemanha
Schaeuble acrescentou que o euro perderia confiança dos mercados se bônus comuns da zona do euro fossem implementados agora
O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse nesta terça-feira que a Grécia não receberá outra parcela de seu programa de resgate se o relatório da visita de Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia não for positivo.
Schaeuble acrescentou que o euro perderia confiança dos mercados se bônus comuns da zona do euro fossem implementados agora.
Ele disse ainda que o cálculo recente do FMI de que os bancos europeus precisam de 200 bilhões de euros em recapitalização está parcialmente errado e que a questão será discutida pelos ministros das Finanças do G7 no fim da semana.
O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse nesta terça-feira que a Grécia não receberá outra parcela de seu programa de resgate se o relatório da visita de Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia não for positivo.
Schaeuble acrescentou que o euro perderia confiança dos mercados se bônus comuns da zona do euro fossem implementados agora.
Ele disse ainda que o cálculo recente do FMI de que os bancos europeus precisam de 200 bilhões de euros em recapitalização está parcialmente errado e que a questão será discutida pelos ministros das Finanças do G7 no fim da semana.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
PT quer calar a mídia e o Povo brasileiro
Texto aprovado em congresso do partido sugere regulamentar os artigos da Constituição sobre comunicações
O Palácio do Planalto agiu para tentar amenizar ontem, último dia do 4º Congresso do PT, a eventual repercussão da decisão do partido de incorporar definitivamente à sua agenda a luta pela regulação da mídia no País, bandeira que tem rendido à legenda acusações de defesa da censura. Paralelamente à ação de bastidores, porém, os cerca de 1.300 delegados aprovaram uma "convocação" aos militantes do partido para que se engajem na luta pela "democratização dos meios de comunicação", marcada por duros ataques à imprensa.
Foi uma coreografia complexa, que envolveu dois documentos: a resolução política geral, aprovada no sábado e emendada ontem, tratando de uma grande variedade de assuntos, entre eles a comunicação, e um texto específico sobre o assunto, de seis páginas.
Inicialmente, o objetivo do partido era mencionar o tema no primeiro texto e aprofundá-lo no segundo, que seria uma resolução, ou seja, uma diretriz para o PT. A articulação, porém, garantiu que o documento específico sobre mídia, muito detalhado, virasse moção – manifestação de apoio, de caráter mais brando. A resolução geral, que já tinha dois parágrafos defendendo a regulamentação da mídia, ganhou a "convocação" aos militantes.
O presidente do PT, Rui Falcão, chegou anunciar que o encontro votaria uma resolução com as propostas do partido para o setor. Minutos depois, porém, o texto sobre comunicação, sem alterações, foi distribuído aos jornalistas, com o aviso de que virara moção. Foi atendida, assim, a preocupação do governo – que temia ser novamente acusado de tentar controlar a mídia e calar críticas – e, ao mesmo tempo, mantida a linha de crítica ao setor de comunicação.
‘Conspiração’. O texto se refere a suposta "conspiração midiática" que teria se aliado à oposição contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um de seus trechos: "O 4º Congresso (...) convoca o partido e a sociedade na luta pela democratização da comunicação (...), enfatizando a importância de um novo marco regulatório para as comunicações (...), que, assegurando de modo intransigente a liberdade de expressão e de imprensa, enfrente questões como o controle de meios por monopólios, a propriedade cruzada, a inexistência de uma Lei de Imprensa, a dificuldade para o direito de resposta, a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam do assunto, a importância de um setor público de comunicação e das rádios e televisões comunitárias. A democratização da mídia é parte essencial da luta democrática em nossa terra".
No Planalto, a questão da comunicação é vista como delicada: a presidente Dilma Rousseff pediu ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que tirasse do projeto sobre o assunto, feito na gestão Lula, pelo então ministro Franklin Martins (Comunicação Social), tudo que remetesse a controle da imprensa.
O Palácio do Planalto agiu para tentar amenizar ontem, último dia do 4º Congresso do PT, a eventual repercussão da decisão do partido de incorporar definitivamente à sua agenda a luta pela regulação da mídia no País, bandeira que tem rendido à legenda acusações de defesa da censura. Paralelamente à ação de bastidores, porém, os cerca de 1.300 delegados aprovaram uma "convocação" aos militantes do partido para que se engajem na luta pela "democratização dos meios de comunicação", marcada por duros ataques à imprensa.
Foi uma coreografia complexa, que envolveu dois documentos: a resolução política geral, aprovada no sábado e emendada ontem, tratando de uma grande variedade de assuntos, entre eles a comunicação, e um texto específico sobre o assunto, de seis páginas.
Inicialmente, o objetivo do partido era mencionar o tema no primeiro texto e aprofundá-lo no segundo, que seria uma resolução, ou seja, uma diretriz para o PT. A articulação, porém, garantiu que o documento específico sobre mídia, muito detalhado, virasse moção – manifestação de apoio, de caráter mais brando. A resolução geral, que já tinha dois parágrafos defendendo a regulamentação da mídia, ganhou a "convocação" aos militantes.
O presidente do PT, Rui Falcão, chegou anunciar que o encontro votaria uma resolução com as propostas do partido para o setor. Minutos depois, porém, o texto sobre comunicação, sem alterações, foi distribuído aos jornalistas, com o aviso de que virara moção. Foi atendida, assim, a preocupação do governo – que temia ser novamente acusado de tentar controlar a mídia e calar críticas – e, ao mesmo tempo, mantida a linha de crítica ao setor de comunicação.
‘Conspiração’. O texto se refere a suposta "conspiração midiática" que teria se aliado à oposição contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um de seus trechos: "O 4º Congresso (...) convoca o partido e a sociedade na luta pela democratização da comunicação (...), enfatizando a importância de um novo marco regulatório para as comunicações (...), que, assegurando de modo intransigente a liberdade de expressão e de imprensa, enfrente questões como o controle de meios por monopólios, a propriedade cruzada, a inexistência de uma Lei de Imprensa, a dificuldade para o direito de resposta, a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam do assunto, a importância de um setor público de comunicação e das rádios e televisões comunitárias. A democratização da mídia é parte essencial da luta democrática em nossa terra".
No Planalto, a questão da comunicação é vista como delicada: a presidente Dilma Rousseff pediu ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que tirasse do projeto sobre o assunto, feito na gestão Lula, pelo então ministro Franklin Martins (Comunicação Social), tudo que remetesse a controle da imprensa.
Lagarde pede injeção de dinheiro para os bancos europeus
Para a diretora-gerente do FMI, as economias desenvolvidas precisam adotar planos de longo prazo para controlarem sua dívida, mas sem abrirem mão do crescimento
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, pediu no último final de semana algumas medidas para evitar uma nova recessão econômica global. Para ela, os bancos europeus precisam de uma injeção de dinheiro, e a forma mais eficiente seria uma “recapitalização obrigatória” por meio de algum financiamento público — e, se possível, também por canais privados.
Segundo Lagarde, economias desenvolvidas precisam adotar planos de longo prazo para controlarem sua dívida, mas sem abrirem mão do crescimento para não prejudicarem a recuperação econômica. “Colocando em termos simples, as políticas macroeconômicas precisam apoiar o crescimento. A política monetária também precisa continuar altamente acomodativa, já que o risco de recessão supera o de inflação.”
Nos Estados Unidos, as autoridades precisam se importar com a geração de crescimento no curto prazo, e não apenas focar na consolidação fiscal de longo prazo, afirmou Lagarde. “Afinal, quem acreditaria que os compromissos de corte de gastos poderão sobreviver a uma estagnação longa, com prolongados índices de desemprego e insatisfação social?”, questionou.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, pediu no último final de semana algumas medidas para evitar uma nova recessão econômica global. Para ela, os bancos europeus precisam de uma injeção de dinheiro, e a forma mais eficiente seria uma “recapitalização obrigatória” por meio de algum financiamento público — e, se possível, também por canais privados.
Segundo Lagarde, economias desenvolvidas precisam adotar planos de longo prazo para controlarem sua dívida, mas sem abrirem mão do crescimento para não prejudicarem a recuperação econômica. “Colocando em termos simples, as políticas macroeconômicas precisam apoiar o crescimento. A política monetária também precisa continuar altamente acomodativa, já que o risco de recessão supera o de inflação.”
Nos Estados Unidos, as autoridades precisam se importar com a geração de crescimento no curto prazo, e não apenas focar na consolidação fiscal de longo prazo, afirmou Lagarde. “Afinal, quem acreditaria que os compromissos de corte de gastos poderão sobreviver a uma estagnação longa, com prolongados índices de desemprego e insatisfação social?”, questionou.
Um rombo de € 200 bilhões nos Bancos Europeus
Na entrevista à Der Spiegel, Christine Lagarde(Diretora Gerente do FMI) reiterou o alerta dado em um relatório recente de analistas do FMI de que os bancos europeus precisam de até € 200 bilhões (tamanho do buraco nos balanços de suas contas) em capital adicional para se protegerem da desaceleração econômica e do impacto da crise de dívida soberana, tomando por base as estimativas do FMI.
domingo, 4 de setembro de 2011
Para oposição, Obama é um ‘fracote’ na Casa Branca
Com Obama dependendo da permissão de John Boehner para apresentar programa de criação de empregos, EUA se perguntam se ele algum dia lutará pelas políticas em que acredita. Por Michael Tomasky*
Me deprime ler declarações como a do porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que diz que “O presidente espera que os membros do Congresso voltem do recesso de agosto com o espírito do compromisso bipartidário e com a urgência necessária para atender às necessidades de nossa economia e de nossa força de trabalho”. Ou essa: “Haverá uma série de razões para pessoas em ambos os lados gostarem do plano de criação de empregos do presidente”.
É assustador que Barack Obama irá enfrentar a batalha econômica desse outono com seu repertório de clichês datados. De que provas mais ele precisa para entender que os republicanos voltarão a Washington com o espírito da hostilidade partidária? Quando Obama irá revidar?
Espero que a Casa Branca mantenha uma carta na manga, pois até agora o placar marca 2 a 0 para os republicanos (com a ameaça de suspensão do governo e o acordo da dívida) durante um período no qual a popularidade do presidente teve uma queda de 10%, um número impressionante, considerando que, no mesmo período, os Estados Unidos finalmente mataram Osama bin Laden. A tática dos republicanos tem funcionado quase que perfeitamente. Não importa que o partido tenha um alto índice de rejeição. As pessoas votam em candidatos individuais, e no momento, Obama está em apuros, empatado com nomes como Mitt Romney e Rick Perry em alguns dos maiores estados do país. Obviamente todos na casa Branca sabem disso. Eles só parecem não querer fazer nada a respeito.
A declaração sobre o plano de criação de empregos mostra, novamente, que a Casa Branca se recusa a entender o tipo de oposição que está enfrentando. Foi uma tolice agendar a discussão no mesmo dia do debate do Partido Republicano, já que o único canal simpático ao governo, a MSNBC, é a patrocinadora do debate. Qualquer que seja o resultado final, a disputa é um bom exemplo da falta de astúcia política da Casa Branca, e a esperança é a de que Obama reflita sobre o fato de John Boehner ter sido o primeiro presidente do Congresso da história a recusar uma data escolhida pelo presidente do país, e comece a perceber a realidade ao seu redor.
A julgar pelas informações que vazaram, o programa é um tanto modesto, com um provável corte de impostos para empregadores, um benefício fiscal para os empregadores de veteranos militares e mais nada. Eu esperava uma proposta de infraestrutura bancária, que fizesse com que corporações norte-americanas trouxessem os negócios de volta do exterior, e que usasse esse dinheiro para financiar os bancos. Essa é uma ideia que circula por Washington, e até mesmo Tom Donahue, da Câmara de Comércio, já se mostrou favorável a ela.
Os liberais querem que Obama vá mais longe – como, por exemplo, uma proposta de US$ 227 bilhões para um programa de empregos públicos financiado por um imposto extra em famílias com rendas acima de US$ 1 milhão. Eles querem que Obama anuncie ideias grandes e claras, capazes de cativar o povo. Deixe que os republicanos as bloqueiem, e então os culpe, para que a população veja quem está impedindo a criação de empregos. Tenho certeza de que Obama afirmaria que nunca iria propor algo que ele soubesse que não seria aprovado, e preferiria vitórias menores que poderiam produzir alguns empregos que pudessem lhe garantir alguns pontos politicamente.
É justo – exceto pelo fato de que não há porque acreditar que ele vá conseguir nem ao menos as pequenas vitórias. Os republicanos tratarão qualquer coisa que ele faça como um novo plano fracassado de estímulo, a propaganda de direita colocará uma fatwa sobre a cabeça de qualquer congressista ou senador mais ousado, e nenhum plano com “Obama” no nome será aprovado no Senado, muito menos na Câmara, e é assim que será. Sabemos disso.
Por isso é tão desesperador ler declarações como as de Carney. O plano pode ser ousado ou modesto. O importante é que ele terá que lutar com todas as forças, mas não o fará. Ao invés de culpar ambos os lados, ele não culpa nenhum. Ele fala em acabar com os impasses partidários como se falasse de uma ato divino, como o furacão Irene, que poderia ser superado se todos unissem forças.
Mas a verdade é que o impasse é um ato dos homens. McConnell, Boehner e Cantor nunca são criticados pelo presidente. São duas sílabas a mais do que “Martin, Barton e Fish”, o trio de obstrucionistas republicanos denunciados por Franklin Roosevelt, mas o presidente é um homem articulado, que certamente não teria dificuldade em pronunciar esses nomes.
Lembre-se, Obama. Você foi o homem eleito sob a plataforma da mudança. É hora de mudar.
* Correspondente da Newsweek e editor do Democracy: A Journal of Ideas
Me deprime ler declarações como a do porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que diz que “O presidente espera que os membros do Congresso voltem do recesso de agosto com o espírito do compromisso bipartidário e com a urgência necessária para atender às necessidades de nossa economia e de nossa força de trabalho”. Ou essa: “Haverá uma série de razões para pessoas em ambos os lados gostarem do plano de criação de empregos do presidente”.
É assustador que Barack Obama irá enfrentar a batalha econômica desse outono com seu repertório de clichês datados. De que provas mais ele precisa para entender que os republicanos voltarão a Washington com o espírito da hostilidade partidária? Quando Obama irá revidar?
Espero que a Casa Branca mantenha uma carta na manga, pois até agora o placar marca 2 a 0 para os republicanos (com a ameaça de suspensão do governo e o acordo da dívida) durante um período no qual a popularidade do presidente teve uma queda de 10%, um número impressionante, considerando que, no mesmo período, os Estados Unidos finalmente mataram Osama bin Laden. A tática dos republicanos tem funcionado quase que perfeitamente. Não importa que o partido tenha um alto índice de rejeição. As pessoas votam em candidatos individuais, e no momento, Obama está em apuros, empatado com nomes como Mitt Romney e Rick Perry em alguns dos maiores estados do país. Obviamente todos na casa Branca sabem disso. Eles só parecem não querer fazer nada a respeito.
A declaração sobre o plano de criação de empregos mostra, novamente, que a Casa Branca se recusa a entender o tipo de oposição que está enfrentando. Foi uma tolice agendar a discussão no mesmo dia do debate do Partido Republicano, já que o único canal simpático ao governo, a MSNBC, é a patrocinadora do debate. Qualquer que seja o resultado final, a disputa é um bom exemplo da falta de astúcia política da Casa Branca, e a esperança é a de que Obama reflita sobre o fato de John Boehner ter sido o primeiro presidente do Congresso da história a recusar uma data escolhida pelo presidente do país, e comece a perceber a realidade ao seu redor.
A julgar pelas informações que vazaram, o programa é um tanto modesto, com um provável corte de impostos para empregadores, um benefício fiscal para os empregadores de veteranos militares e mais nada. Eu esperava uma proposta de infraestrutura bancária, que fizesse com que corporações norte-americanas trouxessem os negócios de volta do exterior, e que usasse esse dinheiro para financiar os bancos. Essa é uma ideia que circula por Washington, e até mesmo Tom Donahue, da Câmara de Comércio, já se mostrou favorável a ela.
Os liberais querem que Obama vá mais longe – como, por exemplo, uma proposta de US$ 227 bilhões para um programa de empregos públicos financiado por um imposto extra em famílias com rendas acima de US$ 1 milhão. Eles querem que Obama anuncie ideias grandes e claras, capazes de cativar o povo. Deixe que os republicanos as bloqueiem, e então os culpe, para que a população veja quem está impedindo a criação de empregos. Tenho certeza de que Obama afirmaria que nunca iria propor algo que ele soubesse que não seria aprovado, e preferiria vitórias menores que poderiam produzir alguns empregos que pudessem lhe garantir alguns pontos politicamente.
É justo – exceto pelo fato de que não há porque acreditar que ele vá conseguir nem ao menos as pequenas vitórias. Os republicanos tratarão qualquer coisa que ele faça como um novo plano fracassado de estímulo, a propaganda de direita colocará uma fatwa sobre a cabeça de qualquer congressista ou senador mais ousado, e nenhum plano com “Obama” no nome será aprovado no Senado, muito menos na Câmara, e é assim que será. Sabemos disso.
Por isso é tão desesperador ler declarações como as de Carney. O plano pode ser ousado ou modesto. O importante é que ele terá que lutar com todas as forças, mas não o fará. Ao invés de culpar ambos os lados, ele não culpa nenhum. Ele fala em acabar com os impasses partidários como se falasse de uma ato divino, como o furacão Irene, que poderia ser superado se todos unissem forças.
Mas a verdade é que o impasse é um ato dos homens. McConnell, Boehner e Cantor nunca são criticados pelo presidente. São duas sílabas a mais do que “Martin, Barton e Fish”, o trio de obstrucionistas republicanos denunciados por Franklin Roosevelt, mas o presidente é um homem articulado, que certamente não teria dificuldade em pronunciar esses nomes.
Lembre-se, Obama. Você foi o homem eleito sob a plataforma da mudança. É hora de mudar.
* Correspondente da Newsweek e editor do Democracy: A Journal of Ideas
Ciberteologia ganha espaço com artigo de padre italiano
Para o padre jesuíta Antonio Spadaro, hacking é uma forma de participação nas criações de Deus
“O reino dos céus pertence a criaturas como essas”, disse Jesus sobre as crianças. Mas hackers de computador podem estar competindo pelo lugar no paraíso, de acordo com Antonio Spadaro, um padre jesuíta italiano. Em um artigo publicado na La Civilità Cattolica, uma revista apoiada pelo Vaticano, ele não apenas elogiou os hackers, mas afirmou que sua abordagem da vida se aproxima do divino. Spadaro defende a ideia de que o hacking é uma forma de participação nas criações de Deus (ele se refere ao hacking no sentido tradicional da palavra, que significa a criação ou alteração de códigos, não a invasão de websites, conhecida como “cracking”).
Spadaro diz ter se interessado no assunto quando percebeu que hackers utilizavam “a linguagem dos valores teológicos” ao escrever sobre criatividade e códigos de computador, o que fez com que ele se aprofundasse no assunto. A ética dos hackers, criada na costa oeste norte-americana nos anos 1970 e 1980 era divertida, buscava o compartilhamento e desafiava modelos de controle de propriedade, competição e mesmo propriedade privada. Hackers deram origem ao movimento de “código-fonte aberto”, que cria e distribui softwares que são livres em dois sentidos: não apenas são gratuitos, mas também podem ser modificados. “Em um mundo devotado à logica do lucro”, escreveu Spadaro, hackers e cristãos têm “muito a dar uns para os outros”, na medida em que promovem uma visão mais positiva do trabalho, da distribuição e da criatividade.
Spadaro não é o único a enxergar uma afinidade entre os hackers do código-fonte aberto e o cristianismo. Defensores cristãos do modelo fundaram um grupo chamado Elèutheros para encorajar a Igreja a apoiar esse tipo de software colaborativo. Seu manifesto cita “fortes afinidades ideológicas entre o cristianismo, a filosofia do software livre, e a a adoção de formatos e protocolos abertos”. Marco Fioretti, cofundador do grupo, diz que softwares de código-fonte aberto ensinam a outros as “dimensões práticas de comunidade e caridade que já estão na mensagem da Igreja”. Também existem motivações legais. Softwares comerciais como o Microsoft Word já são amplamente pirateados em diversas partes do mundo, por católicos e não-católicos. Fioretti defende o usos de softwares livres porque não quer que pessoas “violem a lei sem razão, somente para abrir um documento da Igreja”.
Internet ‘abençoada’
Embora o Vaticano ainda precise encorajar seus fieis a viverem como hackers, a Igreja Católica já se pronunciou em relação à internet, considerando-a “verdadeiramente abençoada” por sua habilidade de conectar pessoas e compartilhar informações. O papa até mesmo abriu uma conta no Twitter. Mas elogios sempre foram temperados com alertas, e já em 2002, um documento do Vaticano chamava atenção para o fato de que “não há sacramentos na internet”. Além disso, hackers têm características problemáticas para a visão da Igreja Católica, como a desconfiança em relação às autoridades e o ceticismo quanto aos dogmas. E a ideia de alterar materiais para adequá-los às necessidades individuais é contrária à ênfase católica na autoridade e na tradição.
Spadaro reconhece essas tensões, mas acredita que elas sejam controláveis. Nem todos concordam. Eric Raymond, autor de um ensaio sobre softwares livres, “The Cathedral and The Bazaar” (“A Catedral e o Bazar”), não acredita que cristãos queiram canonizar a mentalidade hacker. Depois de ser citado no estudo de Spadaro, Raymond, em seu blog pessoal, deliberadamente comparou as catedrais com os softwares fechados de propriedade privada, num contraste com o caótico bazar de igualdades dos produtos de código-fonte abertos. “Catedrais – edifícios religiosos verticais imbuídos com a tradição do autoritarismo e da “verdade” – são o oposto do saudável, cético e antiautoritário ambiente que é o centro da cultura hacker”, escreveu Raymond, que se referiu às ideias de Spadaro como dotadas de “uma maluquice especial”.
Mas Spadaro é somente o mais recente a associar a codificação a atitudes cristãs. Don Parris, um pastor da Carolina do Norte, escreveu um artigo no Linux Journal em 2004, no qual defendia a ideia de que “softwares fechados limitam minha habilidade de ajudar o meu vizinho, um dos pilares da fé cristã”. Larry Wall, o criador da Perl, uma linguagem de programação de código-fonte aberto, declarou há uma década, que Deus espera que humanos criem e ajudem outros humanos a criar. “Do meu jeito, estou sorrateiramente ajudando pessoas a entender um pouco mais sobre o tipo de pessoa que agrada a Deus”.
Recentemente, Kevin Kelly, cofundador da revista Wired, e autor de What Technology Wants (“O que a tecnologia quer”), publicado no ano passado, diz que a habilidade de criar vidas artificiais virá com grande responsabilidade, e sugere que mundos artificiais serão necessários para imbuí-las de valores morais. “Isso causa uma espécie de ressurreição da religião, porque é o papel da religião pensar sobre assuntos como esse”, diz.
Visto de fora, o hacking é encarado como uma disciplina técnica, não como uma visão teologicamente rica de como viver. Mas há quem enxergue um aspecto divino na programação – ao menos quando é encarada sob o olhar da fé.
THE Economist
“O reino dos céus pertence a criaturas como essas”, disse Jesus sobre as crianças. Mas hackers de computador podem estar competindo pelo lugar no paraíso, de acordo com Antonio Spadaro, um padre jesuíta italiano. Em um artigo publicado na La Civilità Cattolica, uma revista apoiada pelo Vaticano, ele não apenas elogiou os hackers, mas afirmou que sua abordagem da vida se aproxima do divino. Spadaro defende a ideia de que o hacking é uma forma de participação nas criações de Deus (ele se refere ao hacking no sentido tradicional da palavra, que significa a criação ou alteração de códigos, não a invasão de websites, conhecida como “cracking”).
Spadaro diz ter se interessado no assunto quando percebeu que hackers utilizavam “a linguagem dos valores teológicos” ao escrever sobre criatividade e códigos de computador, o que fez com que ele se aprofundasse no assunto. A ética dos hackers, criada na costa oeste norte-americana nos anos 1970 e 1980 era divertida, buscava o compartilhamento e desafiava modelos de controle de propriedade, competição e mesmo propriedade privada. Hackers deram origem ao movimento de “código-fonte aberto”, que cria e distribui softwares que são livres em dois sentidos: não apenas são gratuitos, mas também podem ser modificados. “Em um mundo devotado à logica do lucro”, escreveu Spadaro, hackers e cristãos têm “muito a dar uns para os outros”, na medida em que promovem uma visão mais positiva do trabalho, da distribuição e da criatividade.
Spadaro não é o único a enxergar uma afinidade entre os hackers do código-fonte aberto e o cristianismo. Defensores cristãos do modelo fundaram um grupo chamado Elèutheros para encorajar a Igreja a apoiar esse tipo de software colaborativo. Seu manifesto cita “fortes afinidades ideológicas entre o cristianismo, a filosofia do software livre, e a a adoção de formatos e protocolos abertos”. Marco Fioretti, cofundador do grupo, diz que softwares de código-fonte aberto ensinam a outros as “dimensões práticas de comunidade e caridade que já estão na mensagem da Igreja”. Também existem motivações legais. Softwares comerciais como o Microsoft Word já são amplamente pirateados em diversas partes do mundo, por católicos e não-católicos. Fioretti defende o usos de softwares livres porque não quer que pessoas “violem a lei sem razão, somente para abrir um documento da Igreja”.
Internet ‘abençoada’
Embora o Vaticano ainda precise encorajar seus fieis a viverem como hackers, a Igreja Católica já se pronunciou em relação à internet, considerando-a “verdadeiramente abençoada” por sua habilidade de conectar pessoas e compartilhar informações. O papa até mesmo abriu uma conta no Twitter. Mas elogios sempre foram temperados com alertas, e já em 2002, um documento do Vaticano chamava atenção para o fato de que “não há sacramentos na internet”. Além disso, hackers têm características problemáticas para a visão da Igreja Católica, como a desconfiança em relação às autoridades e o ceticismo quanto aos dogmas. E a ideia de alterar materiais para adequá-los às necessidades individuais é contrária à ênfase católica na autoridade e na tradição.
Spadaro reconhece essas tensões, mas acredita que elas sejam controláveis. Nem todos concordam. Eric Raymond, autor de um ensaio sobre softwares livres, “The Cathedral and The Bazaar” (“A Catedral e o Bazar”), não acredita que cristãos queiram canonizar a mentalidade hacker. Depois de ser citado no estudo de Spadaro, Raymond, em seu blog pessoal, deliberadamente comparou as catedrais com os softwares fechados de propriedade privada, num contraste com o caótico bazar de igualdades dos produtos de código-fonte abertos. “Catedrais – edifícios religiosos verticais imbuídos com a tradição do autoritarismo e da “verdade” – são o oposto do saudável, cético e antiautoritário ambiente que é o centro da cultura hacker”, escreveu Raymond, que se referiu às ideias de Spadaro como dotadas de “uma maluquice especial”.
Mas Spadaro é somente o mais recente a associar a codificação a atitudes cristãs. Don Parris, um pastor da Carolina do Norte, escreveu um artigo no Linux Journal em 2004, no qual defendia a ideia de que “softwares fechados limitam minha habilidade de ajudar o meu vizinho, um dos pilares da fé cristã”. Larry Wall, o criador da Perl, uma linguagem de programação de código-fonte aberto, declarou há uma década, que Deus espera que humanos criem e ajudem outros humanos a criar. “Do meu jeito, estou sorrateiramente ajudando pessoas a entender um pouco mais sobre o tipo de pessoa que agrada a Deus”.
Recentemente, Kevin Kelly, cofundador da revista Wired, e autor de What Technology Wants (“O que a tecnologia quer”), publicado no ano passado, diz que a habilidade de criar vidas artificiais virá com grande responsabilidade, e sugere que mundos artificiais serão necessários para imbuí-las de valores morais. “Isso causa uma espécie de ressurreição da religião, porque é o papel da religião pensar sobre assuntos como esse”, diz.
Visto de fora, o hacking é encarado como uma disciplina técnica, não como uma visão teologicamente rica de como viver. Mas há quem enxergue um aspecto divino na programação – ao menos quando é encarada sob o olhar da fé.
THE Economist
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