Por David Brunnstrom
BRUXELAS (Reuters) - Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de toda a Europa na quarta-feira, protestando contra as medidas de austeridade que, segundo os sindicatos, irão desacelerar a recuperação econômica e punir os mais pobres.
Houve grandes manifestações em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia, e nas cidades portuguesas de Lisboa e Porto. Na Espanha, uma greve geral afetou parcialmente os transportes e a indústria.
Em dez outras capitais europeias também aconteceram protestos contra cortes de gastos públicos e reformas trabalhistas e previdenciárias, promovidas por vários governos para reduzir seu déficit e seu endividamento.
Em Bruxelas, os sindicatos disseram ter alcançado sua meta de levar 100 mil pessoas às ruas, embora a polícia tenha estimado a multidão em 56 mil, e detido 218 manifestantes por causa de pequenos incidentes.
Os sindicatos disseram ter reunido 50 mil pessoas em Lisboa e 20 mil no Porto. A polícia não divulgou estimativas.
"Este é o começo da nossa luta, não o final. Que nossa voz seja ouvida é a nossa grande exigência hoje - contra a austeridade e pelos empregos e o crescimento", disse John Monks, presidente da Confederação Europeia de Sindicatos, numa manifestação perto da sede da UE, que parou parte da capital belga.
Parte da ira dos manifestantes se dirigia contra o fato de o governo ter usado bilhões de euros para salvar bancos, enquanto os cidadãos comuns têm de aceitar os cortes de gastos públicos. Um grupo caracterizado como "banqueiros bandidos" (ternos pretos e máscaras pretas) abria a passeata, caracterizada como um cortejo fúnebre para a Europa.
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse a jornalistas que a UE está ciente da "reação social em cadeia", mas que os governos não veem alternativa às medidas impopulares.
Economistas julgam que as manifestações não irão fazer os governos recuarem.
"Acho que no momento elas não são uma ameaça tão grande", disse David Lea, analista de Europa Ocidental da consultoria Control Risks, à TV Reuters Insider. "E acho que há uma admissão de que muitas dessas medidas de austeridade simplesmente vão acontecer, e que eles não conseguiram afastar o governo disso."
Muitos trabalhadores, no entanto, consideram que estão sendo punidos por um problema que não causaram. "Entendemos que há uma crise, mas ela está sendo usada como um ótimo pretexto para todos os tipos de pressão sobre as pessoas que são empregadas, trabalhadores, e não as grandes empresas", disse Alexander Nikolov, que foi de carro da Bulgária a Bruxelas para protestar.
Na quarta-feira ocorreram manifestações também em Dublin, Roma, Paris, Riga, Varsóvia, Nicósia, Bucareste, Praga, Vilna, Belgrado e Atenas. Na Eslovênia, uma greve com adesão de cerca de metade do funcionalismo público chegou ao seu terceiro dia.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Grandes expectativas para o sucessor de Lula
O Brasil é um país feliz –ou ao menos é o que muitos acreditam. De fato, o talento do futebol do país, o êxtase coletivo de seus carnavais, sua herança multirracial e, é claro, aqueles biquínis minúsculos, todos fazem parte do imenso poder “soft” do Brasil. Some a isso uma economia que está crescendo rapidamente e os brasileiros podem –segundo Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente em fim de mandato do país– reivindicar ser o povo “mais feliz e mais criativo” do mundo.
Há certa verdade nesse orgulho. Às vésperas de eleições presidenciais que deverão conduzir ao poder a candidata apoiada por Lula, aparentemente a situação nunca esteve tão boa para o Brasil. Apesar de ainda marcado por grande desigualdade social e crime violento, ele é uma das famosas economias Bric –Brasil, Rússia, Índia e China– que estão mudando a ordem internacional. A oferta de ações de US$ 67 bilhões da Petrobras, a estatal do petróleo, na semana passada, foi a maior do mundo e apenas a mais recente expressão do poder financeiro emergente do Brasil. O país já é um importante centro regional para formação de capital; a previsão é de que até 2025 ele seja uma das cinco maiores economias do mundo.
No passado, as eleições brasileiras costumavam ser catalisadoras de crises financeiras –e a postura blasé de muitos investidores em relação à votação de 3 de outubro é um sinal, para Jim O’Neill, o economista do Goldman Sachs que cunhou a sigla Bric, de que “as pessoas podem agora estar se empolgando”.
Todavia, na política externa, um antigo figurante agora é um sério candidato para um assento permanente no conselho de segurança da ONU. Em questões como o Irã, Brasília também buscou –apesar de não totalmente bem-sucedida– exercer um papel de mediadora internacional. E como sede da próxima Copa do Mundo de futebol e, em 2016, dos Jogos Olímpicos, o Brasil chegou de forma confiante ao palco global.
Como muitos de seus vizinhos latino-americanos, o Brasil nunca careceu de promessa –ou decepção. A pergunta agora é se desta vez é realmente diferente.
A julgar pela reação dos investidores, acadêmicos e muitos brasileiros, é. Outros se mostram mais cautelosos. Para Luis Alberto Moreno, chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento, os maiores riscos enfrentados pelo Brasil são “complacência e excesso de confiança”.
Por ora, os otimistas parecem estar em vantagem. Os investidores estrangeiros que pagaram pela oferta da Petrobras, na semana passada, injetarão aproximadamente US$ 50 bilhões adicionais no país neste ano. Uma enxurrada de livros recentes celebra a “chegada” do Brasil e sua maior autoconfiança. Enquanto isso, Lula, cujas raízes de esquerda estão no movimento sindical, deverá deixar o palácio presidencial com um índice de aprovação de 80% –um endosso notável de um país que passou pela crise financeira global praticamente ileso e viu mais de 30 milhões ingressarem na classe média em cinco anos.
Dilma Rousseff, a ex-ministra da Casa Civil que parece que vencerá com facilidade a eleição, tem concorrido com a promessa de mais do mesmo. Uma ex-diretora da Petrobras, a tecnocrata austera –às vezes apelidada, de forma previsível, de “Dama de Ferro”– acredita firmemente no poder de um Estado atuante. A capitalização da Petrobras, que ele ajudou a planejar, aumentará o poder do governo sobre a empresa. Rousseff também é responsável por uma série de programas de investimento em estradas, portos e ferrovias, em parte financiados por bancos estatais, desesperadamente necessários pelo Brasil para melhorar sua infraestrutura dilapidada. Eles estão em andamento, mas, atrapalhados pela burocracia, não no ritmo que muitos imaginavam ou esperavam.
Seu maior adversário político, José Serra, o governador centrista de São Paulo, não tem conseguido avançar com uma plataforma que parece ser uma versão mais enxuta, mais eficiente, das políticas voltadas para o social de Lula. De fato, as pesquisas mostram que em todas as classes os brasileiros estão em grande parte felizes com suas vidas e acreditam que ela até melhorará.
Em vez disso, os maiores desafios diante de Dilma estão nas entranhas sociais e econômicas mais profundas do país. Apesar de seus sucessos, o Brasil permanece de muitas formas um país altamente desigual, que está gastando além do que ganha. Apesar de a pobreza ter caído em um terço durante a última década, mais de um quinto dos 200 milhões de habitantes do Brasil ainda são considerados oficialmente pobres. A dívida pública caiu, mas o país ainda depende de reservas estrangeiras para poder financiar a si mesmo. Apesar do boom de exportação de commodities, a previsão é de que seu déficit em conta corrente neste ano seja de 3% do produto interno bruto. Ele poderá aumentar no próximo ano.
A violência que ainda atormenta suas infames favelas torna o Brasil um local ainda mais perigoso do que o México afligido pelo narcotráfico. Álvaro Uribe, o ex-presidente da Colômbia, é apenas uma das várias figuras regionais importantes que acreditam que o Brasil está dando “atenção insuficiente” ao consumo doméstico de drogas e à criminalidade relacionada. Pela experiência de seu próprio país nos anos 90, e a do México atualmente, ele aponta que “é um risco deixar de enfrentar o problema do narcotráfico”.
Enquanto isso, a ascensão extraordinária de Lula de engraxate a presidente tem projetado a imagem do Brasil como uma terra de promessa e mobilidade social. Mas como tantas histórias americanas, ela é parte mito. “No exterior, Lula se transformou em um símbolo de uma terra de oportunidade, onde o pobre pode chegar lá”, diz Fernando Henrique Cardoso, presidente por dois mandatos antes de Lula. “Isso não é realmente verdade.” O Brasil, apesar de seus recentes sucessos, continua sendo o 11º país mais desigual do mundo.
Em outros lugares, tamanha desigualdade poderia levar a um conflito civil aberto. Mas a generosidade dos brasileiros, sua predileção pela tolerância e conciliação –ou complacência, como dizem alguns críticos– têm afastado uma maior violência. “De que outra forma seria possível explicar o fato de não haver uma guerra constante no Rio de Janeiro, onde os moradores muito pobres das favelas convivem lado a lado com os super-ricos”, diz Julia Oliveira, uma consultora de administração.
Essa complacência também é o calcanhar-de-aquiles da economia brasileira. O país aspira ser uma potência global, mas para chegar ao próximo nível, argumentam os analistas, ele precisa passar para um novo patamar de desempenho econômico, um focado em fornecer melhores serviços públicos –não apenas mais– especialmente na educação.
O Estado, famoso por sua ineficiência e burocracia, também precisa ser reduzido. Um corte nos gastos públicos, por exemplo, aumentaria a poupança nacional e limitaria a dependência do país de capital estrangeiro. Isso o imunizaria de contágio financeiro em caso de piora da economia global. Sem isso, diz Neil Shearing, um analista da Capital Economics, o Brasil corre o risco de voltar ao padrão de boom e estouro do passado, com bons anos “pontuados por recessões causadas pela interrupção repentina do fluxo de capital”.
Há quase 70 anos, o romancista Stefan Zweig escreveu que o Brasil era “o país do futuro”. Esse otimismo está refletido na psique nacional –apesar dos rostos estressados dos trabalhadores urbanos nas ruas movimentadas de São Paulo sugerirem o contrário. A frase de Zweif acabou se transformando em slogan, depois em um clichê e finalmente em uma impossibilidade para os brasileiros –praticamente um “estigma e vaticínio”, nas palavras do escritor brasileiro Alberto Dines.
Mas graças às reformas econômicas implantadas por Fernando Henrique Cardoso, quando foi presidente de 1994 a 2002, as fundações para a estabilidade econômica do país foram estabelecidas. Nos oito anos seguintes, apesar dos recorrentes escândalos de corrupção, as políticas sociais de Lula ajudaram a deixar o país mais à vontade consigo mesmo. Estas eleições são as primeiras desde 1982 em que nenhum dos dois está concorrendo.
Eles deixam para trás um país mais próspero e socialmente coeso do que, supostamente, jamais foi – e uma provável presidente, Dilma Rousseff, que promete manter as políticas necessárias para manter essa estabilidade econômica. O país tem um setor privado próspero e três quartos dos brasileiros dizem acreditar na economia de mercado, segundo uma pesquisa do Centro Pew, em comparação a menos da metade dos mexicanos e argentinos. Tudo isso cria uma plataforma que sugere que o recente desempenho do país será mais do que fogo de palha –mesmo com o Brasil sem dúvida sendo um beneficiário felizardo do boom de commodities e da abundante liquidez global, condições que não durarão para sempre.
Em comparação com outros países Bric, o Brasil poderá nunca alcançar, digamos, a capacidade da China de executar iniciativas estratégicas ambiciosas no ensino ou tecnologia. Ele também precisa realizar mais reformas para elevar sua tendência de taxa de crescimento, de aproximadamente 4% agora. Ao mesmo tempo, ele carece de muitos dos outros problemas estruturais dos Brics, seja as divisões religiosas da Índia, o autoritarismo chinês ou as relações ambivalentes da Rússia com o Ocidente. A história de seus imigrantes também o deixa com abertura para ideias estrangeiras e a capacidade de adotá-las rapidamente.
De fato, uma delas pode ser lida no encosto de cada assento de voos domésticos da TAM, a maior companhia aérea do país: “Brasil: a 5º maior economia do mundo em 2025”. Para os brasileiros que se beliscam diante da ideia, diz muito o fato da declaração ser creditada à revista “The Economist”. O restante parece feliz –críticos como FHC dizem “anestesiado”– com a relativa prosperidade do status quo.
“O Brasil poderia ser de outra forma”, diz um brasileiro que trabalha como principal economista de um grande banco ocidental em São Paulo. “Mas então não seríamos o Brasil. Nós seríamos a Suíça (...) e isso não seria divertido.”
Há certa verdade nesse orgulho. Às vésperas de eleições presidenciais que deverão conduzir ao poder a candidata apoiada por Lula, aparentemente a situação nunca esteve tão boa para o Brasil. Apesar de ainda marcado por grande desigualdade social e crime violento, ele é uma das famosas economias Bric –Brasil, Rússia, Índia e China– que estão mudando a ordem internacional. A oferta de ações de US$ 67 bilhões da Petrobras, a estatal do petróleo, na semana passada, foi a maior do mundo e apenas a mais recente expressão do poder financeiro emergente do Brasil. O país já é um importante centro regional para formação de capital; a previsão é de que até 2025 ele seja uma das cinco maiores economias do mundo.
No passado, as eleições brasileiras costumavam ser catalisadoras de crises financeiras –e a postura blasé de muitos investidores em relação à votação de 3 de outubro é um sinal, para Jim O’Neill, o economista do Goldman Sachs que cunhou a sigla Bric, de que “as pessoas podem agora estar se empolgando”.
Todavia, na política externa, um antigo figurante agora é um sério candidato para um assento permanente no conselho de segurança da ONU. Em questões como o Irã, Brasília também buscou –apesar de não totalmente bem-sucedida– exercer um papel de mediadora internacional. E como sede da próxima Copa do Mundo de futebol e, em 2016, dos Jogos Olímpicos, o Brasil chegou de forma confiante ao palco global.
Como muitos de seus vizinhos latino-americanos, o Brasil nunca careceu de promessa –ou decepção. A pergunta agora é se desta vez é realmente diferente.
A julgar pela reação dos investidores, acadêmicos e muitos brasileiros, é. Outros se mostram mais cautelosos. Para Luis Alberto Moreno, chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento, os maiores riscos enfrentados pelo Brasil são “complacência e excesso de confiança”.
Por ora, os otimistas parecem estar em vantagem. Os investidores estrangeiros que pagaram pela oferta da Petrobras, na semana passada, injetarão aproximadamente US$ 50 bilhões adicionais no país neste ano. Uma enxurrada de livros recentes celebra a “chegada” do Brasil e sua maior autoconfiança. Enquanto isso, Lula, cujas raízes de esquerda estão no movimento sindical, deverá deixar o palácio presidencial com um índice de aprovação de 80% –um endosso notável de um país que passou pela crise financeira global praticamente ileso e viu mais de 30 milhões ingressarem na classe média em cinco anos.
Dilma Rousseff, a ex-ministra da Casa Civil que parece que vencerá com facilidade a eleição, tem concorrido com a promessa de mais do mesmo. Uma ex-diretora da Petrobras, a tecnocrata austera –às vezes apelidada, de forma previsível, de “Dama de Ferro”– acredita firmemente no poder de um Estado atuante. A capitalização da Petrobras, que ele ajudou a planejar, aumentará o poder do governo sobre a empresa. Rousseff também é responsável por uma série de programas de investimento em estradas, portos e ferrovias, em parte financiados por bancos estatais, desesperadamente necessários pelo Brasil para melhorar sua infraestrutura dilapidada. Eles estão em andamento, mas, atrapalhados pela burocracia, não no ritmo que muitos imaginavam ou esperavam.
Seu maior adversário político, José Serra, o governador centrista de São Paulo, não tem conseguido avançar com uma plataforma que parece ser uma versão mais enxuta, mais eficiente, das políticas voltadas para o social de Lula. De fato, as pesquisas mostram que em todas as classes os brasileiros estão em grande parte felizes com suas vidas e acreditam que ela até melhorará.
Em vez disso, os maiores desafios diante de Dilma estão nas entranhas sociais e econômicas mais profundas do país. Apesar de seus sucessos, o Brasil permanece de muitas formas um país altamente desigual, que está gastando além do que ganha. Apesar de a pobreza ter caído em um terço durante a última década, mais de um quinto dos 200 milhões de habitantes do Brasil ainda são considerados oficialmente pobres. A dívida pública caiu, mas o país ainda depende de reservas estrangeiras para poder financiar a si mesmo. Apesar do boom de exportação de commodities, a previsão é de que seu déficit em conta corrente neste ano seja de 3% do produto interno bruto. Ele poderá aumentar no próximo ano.
A violência que ainda atormenta suas infames favelas torna o Brasil um local ainda mais perigoso do que o México afligido pelo narcotráfico. Álvaro Uribe, o ex-presidente da Colômbia, é apenas uma das várias figuras regionais importantes que acreditam que o Brasil está dando “atenção insuficiente” ao consumo doméstico de drogas e à criminalidade relacionada. Pela experiência de seu próprio país nos anos 90, e a do México atualmente, ele aponta que “é um risco deixar de enfrentar o problema do narcotráfico”.
Enquanto isso, a ascensão extraordinária de Lula de engraxate a presidente tem projetado a imagem do Brasil como uma terra de promessa e mobilidade social. Mas como tantas histórias americanas, ela é parte mito. “No exterior, Lula se transformou em um símbolo de uma terra de oportunidade, onde o pobre pode chegar lá”, diz Fernando Henrique Cardoso, presidente por dois mandatos antes de Lula. “Isso não é realmente verdade.” O Brasil, apesar de seus recentes sucessos, continua sendo o 11º país mais desigual do mundo.
Em outros lugares, tamanha desigualdade poderia levar a um conflito civil aberto. Mas a generosidade dos brasileiros, sua predileção pela tolerância e conciliação –ou complacência, como dizem alguns críticos– têm afastado uma maior violência. “De que outra forma seria possível explicar o fato de não haver uma guerra constante no Rio de Janeiro, onde os moradores muito pobres das favelas convivem lado a lado com os super-ricos”, diz Julia Oliveira, uma consultora de administração.
Essa complacência também é o calcanhar-de-aquiles da economia brasileira. O país aspira ser uma potência global, mas para chegar ao próximo nível, argumentam os analistas, ele precisa passar para um novo patamar de desempenho econômico, um focado em fornecer melhores serviços públicos –não apenas mais– especialmente na educação.
O Estado, famoso por sua ineficiência e burocracia, também precisa ser reduzido. Um corte nos gastos públicos, por exemplo, aumentaria a poupança nacional e limitaria a dependência do país de capital estrangeiro. Isso o imunizaria de contágio financeiro em caso de piora da economia global. Sem isso, diz Neil Shearing, um analista da Capital Economics, o Brasil corre o risco de voltar ao padrão de boom e estouro do passado, com bons anos “pontuados por recessões causadas pela interrupção repentina do fluxo de capital”.
Há quase 70 anos, o romancista Stefan Zweig escreveu que o Brasil era “o país do futuro”. Esse otimismo está refletido na psique nacional –apesar dos rostos estressados dos trabalhadores urbanos nas ruas movimentadas de São Paulo sugerirem o contrário. A frase de Zweif acabou se transformando em slogan, depois em um clichê e finalmente em uma impossibilidade para os brasileiros –praticamente um “estigma e vaticínio”, nas palavras do escritor brasileiro Alberto Dines.
Mas graças às reformas econômicas implantadas por Fernando Henrique Cardoso, quando foi presidente de 1994 a 2002, as fundações para a estabilidade econômica do país foram estabelecidas. Nos oito anos seguintes, apesar dos recorrentes escândalos de corrupção, as políticas sociais de Lula ajudaram a deixar o país mais à vontade consigo mesmo. Estas eleições são as primeiras desde 1982 em que nenhum dos dois está concorrendo.
Eles deixam para trás um país mais próspero e socialmente coeso do que, supostamente, jamais foi – e uma provável presidente, Dilma Rousseff, que promete manter as políticas necessárias para manter essa estabilidade econômica. O país tem um setor privado próspero e três quartos dos brasileiros dizem acreditar na economia de mercado, segundo uma pesquisa do Centro Pew, em comparação a menos da metade dos mexicanos e argentinos. Tudo isso cria uma plataforma que sugere que o recente desempenho do país será mais do que fogo de palha –mesmo com o Brasil sem dúvida sendo um beneficiário felizardo do boom de commodities e da abundante liquidez global, condições que não durarão para sempre.
Em comparação com outros países Bric, o Brasil poderá nunca alcançar, digamos, a capacidade da China de executar iniciativas estratégicas ambiciosas no ensino ou tecnologia. Ele também precisa realizar mais reformas para elevar sua tendência de taxa de crescimento, de aproximadamente 4% agora. Ao mesmo tempo, ele carece de muitos dos outros problemas estruturais dos Brics, seja as divisões religiosas da Índia, o autoritarismo chinês ou as relações ambivalentes da Rússia com o Ocidente. A história de seus imigrantes também o deixa com abertura para ideias estrangeiras e a capacidade de adotá-las rapidamente.
De fato, uma delas pode ser lida no encosto de cada assento de voos domésticos da TAM, a maior companhia aérea do país: “Brasil: a 5º maior economia do mundo em 2025”. Para os brasileiros que se beliscam diante da ideia, diz muito o fato da declaração ser creditada à revista “The Economist”. O restante parece feliz –críticos como FHC dizem “anestesiado”– com a relativa prosperidade do status quo.
“O Brasil poderia ser de outra forma”, diz um brasileiro que trabalha como principal economista de um grande banco ocidental em São Paulo. “Mas então não seríamos o Brasil. Nós seríamos a Suíça (...) e isso não seria divertido.”
Greve geral tem adesão de 70% na Espanha, dizem sindicatos
Sindicatos da Espanha anunciaram que 70% dos trabalhadores do país aderiram nesta quarta-feira a uma greve geral que está afetando fábricas e serviços públicos.
O protesto é a resposta dos sindicatos ao pacote de reformas trabalhistas, aprovado pelo governo socialista do primeiro-ministro, José Luis Rodriguez Zapatero, no passado mês de junho.
A greve começou meia-noite e afeta principalmente o setor industrial. Nos polos da Catalunha e Galícia, onde funcionam a maioria de montadoras, a greve alcança quase os 100% de adesão, de acordo com as centrais sindicais Comissões Operárias e União Geral dos Trabalhadores.
Os sindicatos também estimam que a paralisação tenha afetado 70% dos serviços de transporte público e 80% dos voos nos aeroportos internacionais de Madri e Barcelona. Apenas 32% das escolas estariam funcionando normalmente.
Normalidade
O pacote de Zapatero, anunciado para combater a crise econômica, prevê, entre outros pontos, a redução dos direitos dos trabalhadores em novos contratos, mudanças para permitir aos empregadores realizar demissões mais facilmente e a reforma da previdência, alterando a idade mínima de aposentadoria dos atuais 65 anos para 67 anos.
Os sindicalistas dizem que greve é "a mais necessária entre todas as convocadas até agora na história da Espanha" e tem o objetivo de obrigar o governo a voltar à mesa de negociações e eliminar o pacote.
Já o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Gerardo Díaz Ferrán, definiu a greve como "inútil e lesiva para o país".
O representante dos empresários afirmou que a paralisação não só não ajuda em nada a uma nação com 20,3% da população ativa desempregada, como "é um problema que pagaremos todos os espanhóis".
O governo preferiu não fazer muitos comentários nem dar cifras sobre a greve.
Na chegada ao Parlamento, na manhã desta quarta-feira, Zapatero disse apenas que "o governo trabalha para garantir o direito ao trabalho e o direito à greve".
Já o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, afirmou que a paralisação geral acontecia "com normalidade e sem incidentes relevantes", embora as centrais sindicais tenham denunciado ao menos 30 detenções de grevistas que tentavam bloquear ruas em Madri.
Além da Espanha, trabalhadores de outros países também protestam nesta quarta-feira contra medidas tomadas pelos governos para combater a crise econômica.
Foram registradas manifestações nas capitais da Bélgica, Portugal, Itália, Letônia, Lituânia, República Checa, Chipre, Sérvia, Romênia, Polônia, Irlanda e França.
O protesto é a resposta dos sindicatos ao pacote de reformas trabalhistas, aprovado pelo governo socialista do primeiro-ministro, José Luis Rodriguez Zapatero, no passado mês de junho.
A greve começou meia-noite e afeta principalmente o setor industrial. Nos polos da Catalunha e Galícia, onde funcionam a maioria de montadoras, a greve alcança quase os 100% de adesão, de acordo com as centrais sindicais Comissões Operárias e União Geral dos Trabalhadores.
Os sindicatos também estimam que a paralisação tenha afetado 70% dos serviços de transporte público e 80% dos voos nos aeroportos internacionais de Madri e Barcelona. Apenas 32% das escolas estariam funcionando normalmente.
Normalidade
O pacote de Zapatero, anunciado para combater a crise econômica, prevê, entre outros pontos, a redução dos direitos dos trabalhadores em novos contratos, mudanças para permitir aos empregadores realizar demissões mais facilmente e a reforma da previdência, alterando a idade mínima de aposentadoria dos atuais 65 anos para 67 anos.
Os sindicalistas dizem que greve é "a mais necessária entre todas as convocadas até agora na história da Espanha" e tem o objetivo de obrigar o governo a voltar à mesa de negociações e eliminar o pacote.
Já o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Gerardo Díaz Ferrán, definiu a greve como "inútil e lesiva para o país".
O representante dos empresários afirmou que a paralisação não só não ajuda em nada a uma nação com 20,3% da população ativa desempregada, como "é um problema que pagaremos todos os espanhóis".
O governo preferiu não fazer muitos comentários nem dar cifras sobre a greve.
Na chegada ao Parlamento, na manhã desta quarta-feira, Zapatero disse apenas que "o governo trabalha para garantir o direito ao trabalho e o direito à greve".
Já o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, afirmou que a paralisação geral acontecia "com normalidade e sem incidentes relevantes", embora as centrais sindicais tenham denunciado ao menos 30 detenções de grevistas que tentavam bloquear ruas em Madri.
Além da Espanha, trabalhadores de outros países também protestam nesta quarta-feira contra medidas tomadas pelos governos para combater a crise econômica.
Foram registradas manifestações nas capitais da Bélgica, Portugal, Itália, Letônia, Lituânia, República Checa, Chipre, Sérvia, Romênia, Polônia, Irlanda e França.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
A milionária “Integração Cearense”
Documentos em poder da Polícia Federal envolvem o governador do Ceará, Cid Gomes, e seu irmão, o deputado Ciro Gomes (PSB) em um esquema de corrupção que desviou 300 milhões de reais das prefeituras do estado entre 2003 e o fim do ano passado. Raimundo Morais Filho, empresário que participava da lambança, deixou tudo registrado em 27 gigas de memória, de que VEJA tem cópia. Laurélia Cavalcante, delegada federal que investiga o caso, foi atropelada por um carro não-identificado nas ruas de Fortaleza. Morais Filho escreveu um outro relato em que se diz ameaçado.
Cid nega qualquer irregularidade. Ciro, que já anunciou a disposição de construir “uma nova hegemonia moral e intelectual no país” diz não conhecer o empresário: “Jamais fiz com ele ou com qualquer pessoa essa sórdida prática que estão querendo me imputar”.
Por Reinaldo Azevedo
Cid nega qualquer irregularidade. Ciro, que já anunciou a disposição de construir “uma nova hegemonia moral e intelectual no país” diz não conhecer o empresário: “Jamais fiz com ele ou com qualquer pessoa essa sórdida prática que estão querendo me imputar”.
Por Reinaldo Azevedo
Nem o piloto de motocross escapou: teve de pagar propina
Leia na VEJA:
Israel Guerra, o filho de Erenice, cobrou propina de um corredor de Motocross que descolara um patrocínio de 50 000 reais com a Eletrobrás, estatal sob a influência de Mamãe Gansa. Taxa de sucesso paga: 10 000 reais. “Israel chamava a Dilma de tia”, contou Luís Corsini, o desportista que pagou a taxa de sucesso.
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:01
Israel Guerra, o filho de Erenice, cobrou propina de um corredor de Motocross que descolara um patrocínio de 50 000 reais com a Eletrobrás, estatal sob a influência de Mamãe Gansa. Taxa de sucesso paga: 10 000 reais. “Israel chamava a Dilma de tia”, contou Luís Corsini, o desportista que pagou a taxa de sucesso.
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:01
Baracat: denúncias confirmadas em nova entrevista gravada e medo de morrer
Fábio Baracat (foto de Manoel Marques), uma das fontes dos jornalistas na revelação da existência do esquema de arrecadação de propina na Casa Civil. narrara, em conversas gravadas, as minúcias de suas tratativas com a família Guerra, que tinham por objetivo facilitar a obtenção de contratos da empresa MTA nos Correios. No sábado, depois de, como disse, sofrer “fortes pressões”, Baracat divulgou uma nota confusa, na qual “rechaçava oficialmente a reportagem”, mas, em seguida, confirmava os fatos relatados. Com medo de retaliações por parte do governo, o empresário refugiou-se no interior de São Paulo.
Ele aceitou voltar à capital paulista na última quinta-feira para mais uma entrevista. Disse ele na semana passada: “Temo pela minha vida. Vou passar um tempo fora do país”. O empresário aceitou ser fotografado e corroborou, diante de um gravador, as informações antes prestadas à revista. Leia na VEJA.
Por Reinaldo Azevedo
Ele aceitou voltar à capital paulista na última quinta-feira para mais uma entrevista. Disse ele na semana passada: “Temo pela minha vida. Vou passar um tempo fora do país”. O empresário aceitou ser fotografado e corroborou, diante de um gravador, as informações antes prestadas à revista. Leia na VEJA.
Por Reinaldo Azevedo
Marido de Erenice está num negócio que pode render R$ 100 milhões saídos dos cofres públicos
A VEJA desta semana traz outra história edificante, desta vez envolvendo o atual marido de Erenice Guerra, José Roberto Camargo Campos (foto). Ele convenceu uns amigos, que tinham uma minúscula empresa, a disputar o mercado de telefonia móvel em São Paulo. Em 2005, a Unicel, tendo Camargo como diretor comercial, conseguiu uma concessão da Anatel para operar em São Paulo. Por decisão pessoal do então presidente da agência, Elifas Gurgel, a empresa ganhou o direito de entrar no mercado. A decisão foi contestada na Anatel, mas Erenice entrou na parada, e tudo foi resolvido. Os que eram contra mudaram de idéia e foram promovidos.
Sim, foi assim mesmo, leitor. A empresa está no vermelho e acumula dívidas de R$ 20 milhões. Desastre? Não! Leia a revista para saber como o Plano Nacional de Banda Larga — que apelidei aqui de “Bandalheira Larga” — pode render à Unicel a bolada de R$ 100 milhões. Quem cuidava do PNBL, para o qual se anunciou a dinheirama de R$ 14 bilhões? Erenice! Quem é o operador do programa? Gabriel Boavista Lainder. Quem é Lainder? Um ex-funcionário da Unicel. Quem o indicou para o cargo? O marido de Erenice. “O marido da Erenice é um cara que admirava meu trabalho. Ela me disse que precisava de alguém para coordenar o PNBL”. Qual é o endereço da Unicel? Um modestíssimo escritório onde também funciona uma empresa de mineração do… marido de Erenice.
Leia a reportagem. Os detalhes são deliciosamente (para eles) sórdidos.
A revista traz ainda toda a ramificação da Família Erenice no governo e nas estatais. É impressionante! Chegou a hora de Dilma repetir a declaração de Lula de 2005: “Fui traída”
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:03
Sim, foi assim mesmo, leitor. A empresa está no vermelho e acumula dívidas de R$ 20 milhões. Desastre? Não! Leia a revista para saber como o Plano Nacional de Banda Larga — que apelidei aqui de “Bandalheira Larga” — pode render à Unicel a bolada de R$ 100 milhões. Quem cuidava do PNBL, para o qual se anunciou a dinheirama de R$ 14 bilhões? Erenice! Quem é o operador do programa? Gabriel Boavista Lainder. Quem é Lainder? Um ex-funcionário da Unicel. Quem o indicou para o cargo? O marido de Erenice. “O marido da Erenice é um cara que admirava meu trabalho. Ela me disse que precisava de alguém para coordenar o PNBL”. Qual é o endereço da Unicel? Um modestíssimo escritório onde também funciona uma empresa de mineração do… marido de Erenice.
Leia a reportagem. Os detalhes são deliciosamente (para eles) sórdidos.
A revista traz ainda toda a ramificação da Família Erenice no governo e nas estatais. É impressionante! Chegou a hora de Dilma repetir a declaração de Lula de 2005: “Fui traída”
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:03
Na Casa Civil, na gestão Dilma, a metros do gabinete de Lula: “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?” Eram R$ 200 mil em dinheiro vivo!
Estão preparados? Antes, uma pequena consideração.
Na noite de ontem, num comício em Juiz de Fora (MG), Lula voltou a um de seus divertimentos favoritos: atacar a imprensa (ver post nesta página). Segundo disse, se ele dependesse do jornalismo, em vez de 80%, teria zero de aprovação. É mentira, claro! Os feitos de seu governo são reconhecidos sem reservas — e até com exagero. Ocorre que ele quer ser amado também pelos seus defeitos, o que já é um vício dos tiranos. Ora, para os rapapés, ele já tem a imprensa que não depende de leitores, mas da generosidade oficial. Ninguém conspira contra Lula. O seu governo é que tem conspirado contra a decência, o que é coisa bem diferente. Agora ao ponto.
A revista VEJA que está chegando à casa dos assinantes e às bancas traz o caso mais escabroso de corrupção registrado até agora em quase oito anos. Com um agravante: desta vez, dinheiro vivo de propina circulou a alguns metros do gabinete presidencial., quando a chefe da Casa Civil era Dilma Rousseff. Chamo a atenção para o “até agora”. Eles sempre podem nos surpreender — ou melhor: já não surpreendem!
Lembram-se de Vinícius de Oliveira Castro (foto), um dos sócios de Israel Guerra, filho de Erenice? Foi o primeiro a cair na Casa Civil. Pois bem. Leiam agora um trecho da reportagem de Diego Escosteguy e Otávio Cabral. Ajeite-se na cadeira, leitor. Respire fundo.
*
Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra. Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta. O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 000 reais em dinheiro vivo - um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula. Vinícius, que flanava na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, começara a dar expediente na Casa Civil semanas antes, apadrinhado por Erenice Guerra e o filho-lobista dela, Israel Guerra, de quem logo virou compadre. Excitado com o pacotaço de propina, o neófito reagiu em voz alta : “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”. Um colega tratou de tranqüilizá-lo: “É o ‘PP’ do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”.
PP, no caso, era um recado — falado em português, mas dito em cifrão. Trata-se da sigla para os pagamentos oficiais do governo. Consta de qualquer despacho público envolvendo contratos ou ordens bancárias. Adaptada ao linguajar da cleptocracia, significa propina. Tamiflu, por sua vez, é o nome do remédio usado para tratar pacientes com a gripe A1N1, conhecida popularmente como gripe suína. Dias antes, em 23 de junho, o governo, diante da ameaça de uma pandemia, acabara de fechar uma compra emergencial desse medicamento — um contrato de 34,7 milhões de reais. O “PP” entregue ao assessor referia-se à comissão obtida pela turma da Casa Civil ao azeitar o negócio.
É isso, leitor! Leia na revista os detalhes dessa história. Entenda por que Lula detesta a imprensa independependente e por que seu governo tenta criar mecanismos para cerceá-la.
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:04
Na noite de ontem, num comício em Juiz de Fora (MG), Lula voltou a um de seus divertimentos favoritos: atacar a imprensa (ver post nesta página). Segundo disse, se ele dependesse do jornalismo, em vez de 80%, teria zero de aprovação. É mentira, claro! Os feitos de seu governo são reconhecidos sem reservas — e até com exagero. Ocorre que ele quer ser amado também pelos seus defeitos, o que já é um vício dos tiranos. Ora, para os rapapés, ele já tem a imprensa que não depende de leitores, mas da generosidade oficial. Ninguém conspira contra Lula. O seu governo é que tem conspirado contra a decência, o que é coisa bem diferente. Agora ao ponto.
A revista VEJA que está chegando à casa dos assinantes e às bancas traz o caso mais escabroso de corrupção registrado até agora em quase oito anos. Com um agravante: desta vez, dinheiro vivo de propina circulou a alguns metros do gabinete presidencial., quando a chefe da Casa Civil era Dilma Rousseff. Chamo a atenção para o “até agora”. Eles sempre podem nos surpreender — ou melhor: já não surpreendem!
Lembram-se de Vinícius de Oliveira Castro (foto), um dos sócios de Israel Guerra, filho de Erenice? Foi o primeiro a cair na Casa Civil. Pois bem. Leiam agora um trecho da reportagem de Diego Escosteguy e Otávio Cabral. Ajeite-se na cadeira, leitor. Respire fundo.
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Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra. Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta. O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 000 reais em dinheiro vivo - um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula. Vinícius, que flanava na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, começara a dar expediente na Casa Civil semanas antes, apadrinhado por Erenice Guerra e o filho-lobista dela, Israel Guerra, de quem logo virou compadre. Excitado com o pacotaço de propina, o neófito reagiu em voz alta : “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”. Um colega tratou de tranqüilizá-lo: “É o ‘PP’ do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”.
PP, no caso, era um recado — falado em português, mas dito em cifrão. Trata-se da sigla para os pagamentos oficiais do governo. Consta de qualquer despacho público envolvendo contratos ou ordens bancárias. Adaptada ao linguajar da cleptocracia, significa propina. Tamiflu, por sua vez, é o nome do remédio usado para tratar pacientes com a gripe A1N1, conhecida popularmente como gripe suína. Dias antes, em 23 de junho, o governo, diante da ameaça de uma pandemia, acabara de fechar uma compra emergencial desse medicamento — um contrato de 34,7 milhões de reais. O “PP” entregue ao assessor referia-se à comissão obtida pela turma da Casa Civil ao azeitar o negócio.
É isso, leitor! Leia na revista os detalhes dessa história. Entenda por que Lula detesta a imprensa independependente e por que seu governo tenta criar mecanismos para cerceá-la.
Por Reinaldo Azevedo
18/09/2010
às 9:04
domingo, 19 de setembro de 2010
Dilma afirma que não sabia de lobby na Casa Civil
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou hoje em Campinas (SP), no interior do Estado, que não sabia da existência de um esquema para facilitar interesses de empresa privadas na Casa Civil e nem da atuação de Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, no governo.
sábado, 18 de setembro de 2010
Governo americano volta a fazer pressão sobre o iuane
WASHINGTON - Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, reivindicou ontem uma apreciação significativa e sustentada da moeda chinesa durante um comparecimento no Congresso, onde os legisladores acusaram o governo de não atuar firmemente com relação a Pequim.
"A China necessita de uma apreciação significativa e sustentada para corrigir a desvalorização [de sua moeda] e permitir que a taxa cambial reflita plenamente as forças do mercado", disse Geithner em uma audiência do comitê de bancos do Senado.
Usando o tom mais severo até agora para falar sobre o ponto de embate entre Estados Unidos e China, Geithner disse que o iuane está se fortalecendo muito lentamente e que o governo Obama está buscando maneiras de apressar as autoridades chinesas.
Os parlamentares, que avaliam uma nova lei para punir a China por práticas cambiais que manteriam o iuane artificialmente desvalorizado, interrogaram Geithner sobre o motivo de não ter rotulado formalmente a China de manipuladora cambial, e pediram medidas concretas do governo norte-americano.
Se a acusação formal for feita, os Estados Unidos serão obrigados a estabelecer conversas bilaterais com o país ou transferir o assunto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Porém, apesar de ter sido veemente, Geithner procurou ganhar tempo para os esforços diplomáticos dos Estados Unidos com a China, dizendo que seu país usará a cúpula do Grupo dos 20 (G-20, que reúne os países emergentes e os ricos) em Seul na tentativa de mobilizar apoio para a reforma cambial chinesa.
"Nós compartilhamos a frustração dos senhores", disse Geithner em Washington, embora tenha ponderado sua declaração ao dizer que a política cambial da China não oferece risco sistêmico. Ele não falou sobre as medidas que estão consideradas.
Pequim anunciou no último dia 19 de junho que permitiria uma flutuação mais livre de sua divisa, apesar de o iuane de não ter registrado mudanças nos mercados desde então. O governo de Wen Jiabao limitou a valorização do iuane a menos de 1% face ao dólar desde então. Um sinal de que o executivo chinês não afrouxou o controlo sobre o valor do iuane, mantendo-o artificialmente baixo e conferindo maior competitividade às exportações.
Ontem, o governo chinês advertiu que as pressões externas sobre Pequim para uma valorização do iuane não resolvem o problema, poucas horas antes do secretário do Tesouro dos Estados Unidos falar em Washington sobre o nível da moeda chinesa.
"Exercer pressões não pode resolver os problemas. Isto provoca o contrário", declarou à imprensa a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Jiang Yu.
"A China necessita de uma apreciação significativa e sustentada para corrigir a desvalorização [de sua moeda] e permitir que a taxa cambial reflita plenamente as forças do mercado", disse Geithner em uma audiência do comitê de bancos do Senado.
Usando o tom mais severo até agora para falar sobre o ponto de embate entre Estados Unidos e China, Geithner disse que o iuane está se fortalecendo muito lentamente e que o governo Obama está buscando maneiras de apressar as autoridades chinesas.
Os parlamentares, que avaliam uma nova lei para punir a China por práticas cambiais que manteriam o iuane artificialmente desvalorizado, interrogaram Geithner sobre o motivo de não ter rotulado formalmente a China de manipuladora cambial, e pediram medidas concretas do governo norte-americano.
Se a acusação formal for feita, os Estados Unidos serão obrigados a estabelecer conversas bilaterais com o país ou transferir o assunto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Porém, apesar de ter sido veemente, Geithner procurou ganhar tempo para os esforços diplomáticos dos Estados Unidos com a China, dizendo que seu país usará a cúpula do Grupo dos 20 (G-20, que reúne os países emergentes e os ricos) em Seul na tentativa de mobilizar apoio para a reforma cambial chinesa.
"Nós compartilhamos a frustração dos senhores", disse Geithner em Washington, embora tenha ponderado sua declaração ao dizer que a política cambial da China não oferece risco sistêmico. Ele não falou sobre as medidas que estão consideradas.
Pequim anunciou no último dia 19 de junho que permitiria uma flutuação mais livre de sua divisa, apesar de o iuane de não ter registrado mudanças nos mercados desde então. O governo de Wen Jiabao limitou a valorização do iuane a menos de 1% face ao dólar desde então. Um sinal de que o executivo chinês não afrouxou o controlo sobre o valor do iuane, mantendo-o artificialmente baixo e conferindo maior competitividade às exportações.
Ontem, o governo chinês advertiu que as pressões externas sobre Pequim para uma valorização do iuane não resolvem o problema, poucas horas antes do secretário do Tesouro dos Estados Unidos falar em Washington sobre o nível da moeda chinesa.
"Exercer pressões não pode resolver os problemas. Isto provoca o contrário", declarou à imprensa a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Jiang Yu.
Crescimento chinês
Vários países da América Latina estão se beneficiando do forte crescimento econômico chinês por meio de canais diretos e indiretos, refletido na melhora de desempenho dos ratings soberanos, diz a Moody's Investors Service em relatório.
"A China afeta a região diretamente com o crescimento das exportações destinadas àquele país, já que China e América Latina são parceiros comerciais naturais", disse o analista da Moody's Sergio Valderrama, autor do relatório. "Indiretamente, o forte crescimento da China tem contribuído com a elevação histórica dos preços das commodities. Um benefício para a maioria dos países exportadores da América Latina, que os torna mais resistentes a choques adversos".
Parcialmente como resultado de choques relacionados à China, os países exportadores da região com laços mais estreitos com esse país, como o Brasil, Chile e Peru, tiveram seus ratings elevados de maneira significativa a partir de 2005, diz a Moody's. Outros países devem seguir o mesmo caminho, acrescenta.
Ao longo da última década, as importações da China vindas da América Latina cresceram mais de 20% anualmente, fazendo com que se torne um dos mais importantes mercados para a região. "A China está agora entre os três destinos de exportação mais importantes para a Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Peru e Venezuela", diz o relatório.
"Diferentemente de períodos anteriores de altos preços das commodities quando os governos da América Latina continuavam a tomar pesados empréstimos ou a ter déficits elevados, nos anos recentes a maioria dos governos usou os preços altos desses produtos para reduzir níveis de dívida, acumular ativos e reforçar as reservas internacionais", disse Valderrama. "Isto fortalece o perfil de crédito e pode pressionar os ratings para cima".
"A China afeta a região diretamente com o crescimento das exportações destinadas àquele país, já que China e América Latina são parceiros comerciais naturais", disse o analista da Moody's Sergio Valderrama, autor do relatório. "Indiretamente, o forte crescimento da China tem contribuído com a elevação histórica dos preços das commodities. Um benefício para a maioria dos países exportadores da América Latina, que os torna mais resistentes a choques adversos".
Parcialmente como resultado de choques relacionados à China, os países exportadores da região com laços mais estreitos com esse país, como o Brasil, Chile e Peru, tiveram seus ratings elevados de maneira significativa a partir de 2005, diz a Moody's. Outros países devem seguir o mesmo caminho, acrescenta.
Ao longo da última década, as importações da China vindas da América Latina cresceram mais de 20% anualmente, fazendo com que se torne um dos mais importantes mercados para a região. "A China está agora entre os três destinos de exportação mais importantes para a Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Peru e Venezuela", diz o relatório.
"Diferentemente de períodos anteriores de altos preços das commodities quando os governos da América Latina continuavam a tomar pesados empréstimos ou a ter déficits elevados, nos anos recentes a maioria dos governos usou os preços altos desses produtos para reduzir níveis de dívida, acumular ativos e reforçar as reservas internacionais", disse Valderrama. "Isto fortalece o perfil de crédito e pode pressionar os ratings para cima".
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Impostos "mordem" 46% de alta do PIB
Quase metade do crescimento da produção de bens e serviços contabilizada no Brasil nos últimos 15 anos foi apropriada pelo governo por meio da cobrança de impostos, impulsionando um aumento igualmente expressivo do gasto público, informa Érica Fraga, em reportagem na Folha desta terça-feira (a íntegra está disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Cálculos do economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, mostram que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu quase R$ 1,1 trilhão entre 1994 e 2009 em termos reais (descontada a inflação). No mesmo período, a carga tributária aumentou cerca de R$ 500 bilhões, o equivalente a 46% do crescimento da produção nacional.
A Folha apurou que a mordida foi maior nos anos FHC, entre 1994 e 2002, (60% da alta do PIB) do que no governo Lula, entre 2003 e 2009 (42%). Mas ambos os números são considerados muito altos.
O aumento da carga em relação à expansão do PIB se traduziu em crescimento da mesma magnitude do gasto público, que subiu R$ 500 bilhões entre 1994 e 2009.
As contas mostram que para cada R$ 100 de crescimento adicional da produção entre 1994 e 2009, R$ 46 foram absorvidos pelo governo (incluindo União, Estados e municípios).
Cálculos do economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, mostram que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu quase R$ 1,1 trilhão entre 1994 e 2009 em termos reais (descontada a inflação). No mesmo período, a carga tributária aumentou cerca de R$ 500 bilhões, o equivalente a 46% do crescimento da produção nacional.
A Folha apurou que a mordida foi maior nos anos FHC, entre 1994 e 2002, (60% da alta do PIB) do que no governo Lula, entre 2003 e 2009 (42%). Mas ambos os números são considerados muito altos.
O aumento da carga em relação à expansão do PIB se traduziu em crescimento da mesma magnitude do gasto público, que subiu R$ 500 bilhões entre 1994 e 2009.
As contas mostram que para cada R$ 100 de crescimento adicional da produção entre 1994 e 2009, R$ 46 foram absorvidos pelo governo (incluindo União, Estados e municípios).
Poupança do Brasil é a menor entre os emergentes
Os gastos excessivos do setor público contribuem para que o Brasil divida com a Turquia o posto de país emergente com a menor taxa de poupança doméstica.
A poupança de um país engloba recursos que, em vez de serem destinados ao consumo, são economizados. Na conta, entram tanto governo como empresas e famílias.
Segundo dados da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), Brasil e Turquia tinham taxas de poupança doméstica próximas a 15% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009, a menor entre 24 mercados emergentes. O percentual baixo contrasta com números de 54,5% da China, 31,4% da Índia, 24% da Argentina e 21,7% do México.
País que poupa pouco tem baixa capacidade de financiar investimentos. Se há disposição do setor privado para investir muito, os recursos precisam vir de fora.
É exatamente o que vem ocorrendo no Brasil, onde os investimentos produtivos das empresas têm aumentado, nos últimos anos, em um ambiente de forte consumo do governo e das famílias.
A consequência da baixa poupança doméstica tem sido deficit crescentes nas chamadas transações correntes do país com o exterior.
Depois de registrar superavit em conta corrente entre 2003 e 2007, o Brasil voltou a apresentar deficit em 2008. Os deficit em conta corrente do país acumulados em 12 meses têm crescido de forma consecutiva nos últimos dez meses, alcançando 2,24% do PIB em julho.
Robert Wood, analista sênior da EIU, diz que as reformas feitas na última década para aumentar a estabilidade econômica e desenvolver os mercados de capitais criaram um melhor ambiente para que as famílias brasileiras pudessem poupar parte de sua renda.
"Mas o fato de que a poupança doméstica permanece tão baixa sugere que fatores inerciais, como temor de volta da inflação ou de confiscos, e culturais, como a baixa propensão para poupar, talvez continuem sendo determinantes", diz Wood.
SETOR PÚBLICO
Além disso, o setor público continua gastando muito mais do que arrecada: o deficit nominal alcançou 3,36% do PIB nos 12 meses terminados em julho passado contra, respectivamente, 3,23% e 2,23% no mesmo período de 2009 e 2008.
Economistas projetam que o deficit em conta corrente continuará aumentando. Mas se perguntam sobre até que ponto investidores de fora estarão dispostos a financiá-lo, pois a fatia do deficit coberta por capital de curto prazo (que pode deixar o país da noite para o dia) aumentou significativamente.
A poupança de um país engloba recursos que, em vez de serem destinados ao consumo, são economizados. Na conta, entram tanto governo como empresas e famílias.
Segundo dados da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), Brasil e Turquia tinham taxas de poupança doméstica próximas a 15% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009, a menor entre 24 mercados emergentes. O percentual baixo contrasta com números de 54,5% da China, 31,4% da Índia, 24% da Argentina e 21,7% do México.
País que poupa pouco tem baixa capacidade de financiar investimentos. Se há disposição do setor privado para investir muito, os recursos precisam vir de fora.
É exatamente o que vem ocorrendo no Brasil, onde os investimentos produtivos das empresas têm aumentado, nos últimos anos, em um ambiente de forte consumo do governo e das famílias.
A consequência da baixa poupança doméstica tem sido deficit crescentes nas chamadas transações correntes do país com o exterior.
Depois de registrar superavit em conta corrente entre 2003 e 2007, o Brasil voltou a apresentar deficit em 2008. Os deficit em conta corrente do país acumulados em 12 meses têm crescido de forma consecutiva nos últimos dez meses, alcançando 2,24% do PIB em julho.
Robert Wood, analista sênior da EIU, diz que as reformas feitas na última década para aumentar a estabilidade econômica e desenvolver os mercados de capitais criaram um melhor ambiente para que as famílias brasileiras pudessem poupar parte de sua renda.
"Mas o fato de que a poupança doméstica permanece tão baixa sugere que fatores inerciais, como temor de volta da inflação ou de confiscos, e culturais, como a baixa propensão para poupar, talvez continuem sendo determinantes", diz Wood.
SETOR PÚBLICO
Além disso, o setor público continua gastando muito mais do que arrecada: o deficit nominal alcançou 3,36% do PIB nos 12 meses terminados em julho passado contra, respectivamente, 3,23% e 2,23% no mesmo período de 2009 e 2008.
Economistas projetam que o deficit em conta corrente continuará aumentando. Mas se perguntam sobre até que ponto investidores de fora estarão dispostos a financiá-lo, pois a fatia do deficit coberta por capital de curto prazo (que pode deixar o país da noite para o dia) aumentou significativamente.
Casa Civil pediu ao Itamaraty carta para marido de ministra
FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA
A Casa Civil pediu carta de apresentação ao Itamaraty para que o marido da hoje ministra Erenice Guerra viajasse ao exterior representando uma empresa privada em 2007, ano em que ela ocupava a secretaria executiva e a candidata Dilma Rousseff (PT) era a titular da pasta.
Troca de e-mails a que a Folha teve acesso revela que Raymundo Magno, então assessor especial da Casa Civil, solicita "nota diplomática" de pedido de visto para os EUA e para a China para José Roberto Camargo Campos.
No texto, o assessor explica que o marido de Erenice viajaria à China e, na volta, passaria por Chicago.
A Casa Civil informou que é "praxe que o Itamaraty emita nota diplomática à embaixada americana, comunicando a viagem de familiar de autoridade brasileira".
Afirmou que parentes de ocupantes de cargo de primeiro escalão têm direito a passaporte diplomático e que não há irregularidade nem privilégio.
No e-mail, Campos é identificado como "esposo da dra. Erenice" e diretor de telecomunicações da empresa Unicel". A troca de mensagens foi feita em cerca de 15 dias antes da viagem. A pressa aparece no texto: "Vamos mandar também o passaporte da dra. Erenice para pedir visto para os EUA, mas este sem a urgência do marido".
Destinatário do e-mail no Itamaraty, Eduardo Hosannah afirma não se lembrar do pedido. Mas esclarece que é muito comum o Itamaraty formular carta de apresentação de parentes de ocupantes de cargo público e diz que é a embaixada que decide sobre a concessão do visto e a celeridade do processo.
DE BRASÍLIA
A Casa Civil pediu carta de apresentação ao Itamaraty para que o marido da hoje ministra Erenice Guerra viajasse ao exterior representando uma empresa privada em 2007, ano em que ela ocupava a secretaria executiva e a candidata Dilma Rousseff (PT) era a titular da pasta.
Troca de e-mails a que a Folha teve acesso revela que Raymundo Magno, então assessor especial da Casa Civil, solicita "nota diplomática" de pedido de visto para os EUA e para a China para José Roberto Camargo Campos.
No texto, o assessor explica que o marido de Erenice viajaria à China e, na volta, passaria por Chicago.
A Casa Civil informou que é "praxe que o Itamaraty emita nota diplomática à embaixada americana, comunicando a viagem de familiar de autoridade brasileira".
Afirmou que parentes de ocupantes de cargo de primeiro escalão têm direito a passaporte diplomático e que não há irregularidade nem privilégio.
No e-mail, Campos é identificado como "esposo da dra. Erenice" e diretor de telecomunicações da empresa Unicel". A troca de mensagens foi feita em cerca de 15 dias antes da viagem. A pressa aparece no texto: "Vamos mandar também o passaporte da dra. Erenice para pedir visto para os EUA, mas este sem a urgência do marido".
Destinatário do e-mail no Itamaraty, Eduardo Hosannah afirma não se lembrar do pedido. Mas esclarece que é muito comum o Itamaraty formular carta de apresentação de parentes de ocupantes de cargo público e diz que é a embaixada que decide sobre a concessão do visto e a celeridade do processo.
Ex-jogadores, Bebeto e Romário repetem parceria na política
Os ex-craques da seleção brasileira Bebeto e Romário apostam na popularidade como jogadores de futebol para entrar na política. O primeiro é candidato a deputado estadual (PDT) e o segundo, a deputado federal (PSB), ambos pelo Rio de Janeiro.
Adolescente britânico é proibido de entrar nos EUA após mandar e-mail ofensivo a Obama
O adolescente britânico Luke Angel, 17, foi impedido de entrar nos Estados Unidos depois de mandar um e-mail ofensivo ao presidente americano, Barack Obama,, informou o jornal "Daily Mail" nesta terça-feira. O jovem, que mora em Silsoe (Bedfordshire), alegou que estava bêbado e que havia acabado de assistir a um documentário sobre os ataques terroristas de 11 de Setembro quando enviou a mensagem ao líder dos EUA.
Segundo o jornal, o FBI [polícia federal americana] interceptou a mensagem e contatou a polícia britânica, que foi até a casa de Angel. O nome do adolescente agora está em uma lista de pessoas proibidas de visitar os Estados Unidos.
Ao ser interrogado pela polícia de Bedfordshire, o jovem disse que estava bêbado.
Questionado pelo jornal sobre a proibição de entrar em solo americano, ele disse: "Não me importo. Mas meus pais não ficaram muito felizes. A polícia veio até aqui e me disse que eu estava banido de entrar nos EUA para sempre".
Um porta-voz da polícia de Bedfordshire disse: "O indivíduo enviou um e-mail à Casa Branca usando linguagem abusiva e fazendo ameaças. Nós fomos informados pela polícia metropolitana e fomos até sua casa. Ele disse 'Oh meu Deus, fui eu".
O caso ocorre cerca de um ano depois do que envolveu hacker britânico Gary McKinnon, 43, que pode ser condenado a até 70 anos na prisão por se infiltrar em computadores da Nasa e do Pentágono, em uma ação que foi considerada como 'a maior invasão a computadores militares de todos os tempos'.
McKinnon, que sofre da Síndrome de Asperger, foi descrito por seus advogados como "excêntrico obcecado por discos voadores" e usava a internet para procurar por vida alienígena. Ele foi acusado de provocar queda de toda a rede de 2.000 computadores do Exército norte-americano na região de Washington por 24 horas.
Ele foi detido em 2002, acusado de acesso ilegal a computadores, entre os quais sistemas da Nasa e do Pentágono, e de causar US$ 700 mil em danos.
Uma revisão do Ato de Extradição, que regula acordos entre EUA e Reino Unido, foi anunciada no início deste mês e pode permitir sua extradição.
A lei permite que a União Europeia e os EUA prendam cidadãos britânicos e os mandem para serem julgados no exterior, sem apresentar as evidências exigidas para que fossem levados à corte no Reino Unido.
Segundo o jornal, o FBI [polícia federal americana] interceptou a mensagem e contatou a polícia britânica, que foi até a casa de Angel. O nome do adolescente agora está em uma lista de pessoas proibidas de visitar os Estados Unidos.
Ao ser interrogado pela polícia de Bedfordshire, o jovem disse que estava bêbado.
Questionado pelo jornal sobre a proibição de entrar em solo americano, ele disse: "Não me importo. Mas meus pais não ficaram muito felizes. A polícia veio até aqui e me disse que eu estava banido de entrar nos EUA para sempre".
Um porta-voz da polícia de Bedfordshire disse: "O indivíduo enviou um e-mail à Casa Branca usando linguagem abusiva e fazendo ameaças. Nós fomos informados pela polícia metropolitana e fomos até sua casa. Ele disse 'Oh meu Deus, fui eu".
O caso ocorre cerca de um ano depois do que envolveu hacker britânico Gary McKinnon, 43, que pode ser condenado a até 70 anos na prisão por se infiltrar em computadores da Nasa e do Pentágono, em uma ação que foi considerada como 'a maior invasão a computadores militares de todos os tempos'.
McKinnon, que sofre da Síndrome de Asperger, foi descrito por seus advogados como "excêntrico obcecado por discos voadores" e usava a internet para procurar por vida alienígena. Ele foi acusado de provocar queda de toda a rede de 2.000 computadores do Exército norte-americano na região de Washington por 24 horas.
Ele foi detido em 2002, acusado de acesso ilegal a computadores, entre os quais sistemas da Nasa e do Pentágono, e de causar US$ 700 mil em danos.
Uma revisão do Ato de Extradição, que regula acordos entre EUA e Reino Unido, foi anunciada no início deste mês e pode permitir sua extradição.
A lei permite que a União Europeia e os EUA prendam cidadãos britânicos e os mandem para serem julgados no exterior, sem apresentar as evidências exigidas para que fossem levados à corte no Reino Unido.
Presidente Lula decide manter Erenice Guerra na Casa Civil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter a ministra Erenice Guerra (Casa Civil) no cargo após as denúncias de que teria atuado para viabilizar negócios nos Correios intermediados por uma empresa de consultoria de propriedade de seu filho, Israel Guerra.
Lula chamou Erenice domingo à noite no Palácio da Alvorada e recomendou que, se as denúncias são infundadas, ela deve apresentar respostas e provas "o mais rápido possível", segundo um interlocutor próximo ao presidente que participou do encontro.
Segundo esse assessor, Lula está "tranquilo" esperando os desdobramentos do caso.
Sábado, após ler as denúncias na revista "Veja", a ministra telefonou para o chefe-de-gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, "aos prantos" e alegando não ser verdade.
Partiu da ministra a iniciativa de liberar os sigilos bancários e fiscais da família.
Nesta tarde, Erenice se reunirá com advogados para agilizar sua defesa. Ela contatou o escritório Tojal, Teixeira Ferreira, Serrano & Renault Advogados Associados por sugestão do ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
A pedido da ministra, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu abrir hoje um procedimento preliminar para apurar a sua conduta. O conselheiro Fabio Coutinho foi escolhido para analisar a documentação enviada pela própria ministra à comissão.
Reportagem da revista aponta que o filho da ministra, Israel Guerra, e a empresa Capital Assessoria e Consultoria Empresarial, à qual é ligado, fizeram lobby para ajudar a MTA Linhas Aéreas a obter a renovação de uma concessão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
A renovação permitiu, depois, que a empresa assinasse um contrato em condições privilegiadas com os Correios. A revista diz que foi Erenice quem viabilizou o sucesso da atuação do filho. Segundo a reportagem, o dinheiro pago na intermediação teria sido citado pela ministra como necessário para cumprir "compromissos políticos."
No pedido enviado à comissão, Erenice informou "disposição" de abrir, "se necessário", os seus sigilos bancário, telefônico e fiscal, assim como os de seu filho Israel.
O assessor da Casa Civil, Vinícius de Oliveira Castro, citado na reportagem como participante do suposto esquema para beneficiar empresas com contratos no governo, pediu demissão hoje.
Lula chamou Erenice domingo à noite no Palácio da Alvorada e recomendou que, se as denúncias são infundadas, ela deve apresentar respostas e provas "o mais rápido possível", segundo um interlocutor próximo ao presidente que participou do encontro.
Segundo esse assessor, Lula está "tranquilo" esperando os desdobramentos do caso.
Sábado, após ler as denúncias na revista "Veja", a ministra telefonou para o chefe-de-gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, "aos prantos" e alegando não ser verdade.
Partiu da ministra a iniciativa de liberar os sigilos bancários e fiscais da família.
Nesta tarde, Erenice se reunirá com advogados para agilizar sua defesa. Ela contatou o escritório Tojal, Teixeira Ferreira, Serrano & Renault Advogados Associados por sugestão do ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
A pedido da ministra, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu abrir hoje um procedimento preliminar para apurar a sua conduta. O conselheiro Fabio Coutinho foi escolhido para analisar a documentação enviada pela própria ministra à comissão.
Reportagem da revista aponta que o filho da ministra, Israel Guerra, e a empresa Capital Assessoria e Consultoria Empresarial, à qual é ligado, fizeram lobby para ajudar a MTA Linhas Aéreas a obter a renovação de uma concessão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
A renovação permitiu, depois, que a empresa assinasse um contrato em condições privilegiadas com os Correios. A revista diz que foi Erenice quem viabilizou o sucesso da atuação do filho. Segundo a reportagem, o dinheiro pago na intermediação teria sido citado pela ministra como necessário para cumprir "compromissos políticos."
No pedido enviado à comissão, Erenice informou "disposição" de abrir, "se necessário", os seus sigilos bancário, telefônico e fiscal, assim como os de seu filho Israel.
O assessor da Casa Civil, Vinícius de Oliveira Castro, citado na reportagem como participante do suposto esquema para beneficiar empresas com contratos no governo, pediu demissão hoje.
Valorização de moedas locais coloca em risco crescimento da América Latina
A valorização das moedas latinoamericanas, em especial do real brasileiro, poderá afetar a competitividade das exportações da região e desacelerar o crescimento desses países em 2011, com um impacto negativo para a reativação mundial, estimou nesta terça-feira a Unctad (Conferência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento).
"O perigo, uma vez em certos países latinoamericanos, em particular no Brasil, está vinculado à forte valorização das moedas nos últimos meses", indicou o economista Heiner Flassbeck, ao apresentar o relatório anual da Unctad, em Genebra.
• ONU aponta queda de renda e ameaça de deflação nos Estados Unidos
• PIB da América Latina crescerá cerca de 5% neste ano, prevê ONU
De fato, as moedas latinoamericanas não deixam de se reforçar diante do dólar desde o início do ano.
O melhor exemplo desta situação é dado pelo real brasileiro, que alcançou em 10 setembro seu nível mais alto ante a moeda americana, a 1,7202 unidades por dólar.
Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o real valorizou 105,38%, passando de 3,533 por dólar a seu valor atual.
Flassbeck teme que essas apreciações "reduzam as exportações latinoamericanas" por tornarem-se menos competitivas, o que poderia se traduzir numa queda do poder aquisitivo dos consumidores e um crescimento mais frágil nos países da região.
Além disso, uma desaceleração da atividade econômica na América Latina terá consequências no resto do mundo, à medida que nos países desta região e os da Ásia são os que empurram atualmente o crescimento mundial, segundo o informe da Unctad.
Com seus volumes de intercâmbios comerciais outras vez nos níveis anteriores à crise o PIB (Produto Interno Bruto) da América Latina crescerá neste ano 5%, enquanto que o da Ásia registrará um crescimento de 8%, de acordo com as projeções desta agência das Nações Unidas.
De seu lado, o PIB real mundial só crescerá 3,5% em 2010, segundo a Unctad, que observa uma nova aceleração do crescimento da produção em quase todas as regiões com exceção da UE (União Europeia).
Mas frente aos cortes orçamentários adotados pelos governos, Flassbeck se mostra menos otimista para 2011 e espera um crescimento entre 2% e 2,5% do PIB.
"O perigo, uma vez em certos países latinoamericanos, em particular no Brasil, está vinculado à forte valorização das moedas nos últimos meses", indicou o economista Heiner Flassbeck, ao apresentar o relatório anual da Unctad, em Genebra.
• ONU aponta queda de renda e ameaça de deflação nos Estados Unidos
• PIB da América Latina crescerá cerca de 5% neste ano, prevê ONU
De fato, as moedas latinoamericanas não deixam de se reforçar diante do dólar desde o início do ano.
O melhor exemplo desta situação é dado pelo real brasileiro, que alcançou em 10 setembro seu nível mais alto ante a moeda americana, a 1,7202 unidades por dólar.
Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o real valorizou 105,38%, passando de 3,533 por dólar a seu valor atual.
Flassbeck teme que essas apreciações "reduzam as exportações latinoamericanas" por tornarem-se menos competitivas, o que poderia se traduzir numa queda do poder aquisitivo dos consumidores e um crescimento mais frágil nos países da região.
Além disso, uma desaceleração da atividade econômica na América Latina terá consequências no resto do mundo, à medida que nos países desta região e os da Ásia são os que empurram atualmente o crescimento mundial, segundo o informe da Unctad.
Com seus volumes de intercâmbios comerciais outras vez nos níveis anteriores à crise o PIB (Produto Interno Bruto) da América Latina crescerá neste ano 5%, enquanto que o da Ásia registrará um crescimento de 8%, de acordo com as projeções desta agência das Nações Unidas.
De seu lado, o PIB real mundial só crescerá 3,5% em 2010, segundo a Unctad, que observa uma nova aceleração do crescimento da produção em quase todas as regiões com exceção da UE (União Europeia).
Mas frente aos cortes orçamentários adotados pelos governos, Flassbeck se mostra menos otimista para 2011 e espera um crescimento entre 2% e 2,5% do PIB.
ONU aponta queda de renda e ameaça de deflação nos Estados Unidos
Economistas das Nações Unidas alertaram nesta terça-feira que a retirada das medidas de estímulo às economias desenvolvidas poderá desencadear uma espiral deflacionária como a que atingiu a economia japonesa nos anos 1990.
"Este é um dos maiores problemas que temos no mundo econômico neste momento, há um perigo deflacionário dramático", disse Heiner Flassbeck, economista-sênior da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento).
Flassbeck notou que os Estados Unidos têm perseguido uma política monetária "agressiva".
"Nós temos exatamente o mesmo perigo que ocorreu no Japão depois da explosão da bolha no começo dos anos 1990, esse problema agora ameaça a economia americana, porque a renda nos Estados Unidos está caindo pela primeira vez desde 1950", disse a jornalistas.
O relatório anual da Unctad sobre comércio e desenvolvimento, que foi divulgado nesta terça-feira, informa que a economia global crescerá a uma média de 3,5% este ano, antes de se contrair novamente em 2011.
Menciona que uma "saída prematura" do estado de intervenção para estimular a demanda poderia causar uma recuperação econômica "frágil".
"Uma continuidade da postura fiscal expansionista é necessária para evitar uma espiral deflacionária e uma posterior piora da situação do emprego", afirmou o relatório 2010.
"Está ficando claro que nem todos os países podem contar com as exportações para impulsionar o crescimento e o emprego; mais do que nunca, é necessário dar mais atenção ao fortalecimento da demanda doméstica", acrescentou.
Este relatório prevê que o crescimento cairá no ano que vem, enquanto as medidas de estímulo são retiradas, prolongando deficiências sistêmicas, como desequilíbrios nas contas-correntes globais.
Flassbeck prevê que o crescimento global ficará em uma média de 2% a 2,5% em 2011.
A ONU pediu que os países dos G20, de nações desenvolvidas e emergentes, mantenham sua intenção de coordenar as políticas econômicas, em meio a sinais de que a retomada será significativamente diferente de cada lado do Atlântico e na China.
Nem EUA, China, zona do euro ou Japão estão na posição de servir de motor ao crescimento para a economia mundial, já que os ajustes pós-crise reduziram seu peso, afirmou o relatório.
Proprietários de residências foram forçados a cortar suas dívidas e gastos nos Estados Unidos, enquanto a China está tentando mover-se de uma economia voltada às exportações para uma economia impulsionada pelo consumo interno. Os europeus, por sua vez, preferiram a austeridade fiscal.
"Este é um dos maiores problemas que temos no mundo econômico neste momento, há um perigo deflacionário dramático", disse Heiner Flassbeck, economista-sênior da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento).
Flassbeck notou que os Estados Unidos têm perseguido uma política monetária "agressiva".
"Nós temos exatamente o mesmo perigo que ocorreu no Japão depois da explosão da bolha no começo dos anos 1990, esse problema agora ameaça a economia americana, porque a renda nos Estados Unidos está caindo pela primeira vez desde 1950", disse a jornalistas.
O relatório anual da Unctad sobre comércio e desenvolvimento, que foi divulgado nesta terça-feira, informa que a economia global crescerá a uma média de 3,5% este ano, antes de se contrair novamente em 2011.
Menciona que uma "saída prematura" do estado de intervenção para estimular a demanda poderia causar uma recuperação econômica "frágil".
"Uma continuidade da postura fiscal expansionista é necessária para evitar uma espiral deflacionária e uma posterior piora da situação do emprego", afirmou o relatório 2010.
"Está ficando claro que nem todos os países podem contar com as exportações para impulsionar o crescimento e o emprego; mais do que nunca, é necessário dar mais atenção ao fortalecimento da demanda doméstica", acrescentou.
Este relatório prevê que o crescimento cairá no ano que vem, enquanto as medidas de estímulo são retiradas, prolongando deficiências sistêmicas, como desequilíbrios nas contas-correntes globais.
Flassbeck prevê que o crescimento global ficará em uma média de 2% a 2,5% em 2011.
A ONU pediu que os países dos G20, de nações desenvolvidas e emergentes, mantenham sua intenção de coordenar as políticas econômicas, em meio a sinais de que a retomada será significativamente diferente de cada lado do Atlântico e na China.
Nem EUA, China, zona do euro ou Japão estão na posição de servir de motor ao crescimento para a economia mundial, já que os ajustes pós-crise reduziram seu peso, afirmou o relatório.
Proprietários de residências foram forçados a cortar suas dívidas e gastos nos Estados Unidos, enquanto a China está tentando mover-se de uma economia voltada às exportações para uma economia impulsionada pelo consumo interno. Os europeus, por sua vez, preferiram a austeridade fiscal.
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