O governo federal publicou nesta quarta-feira uma MP (medida provisória) que permite a taxação em até 25% de operações de derivativos feitas por investidores brasileiros e estrangeiros no país.
A cobrança do Imposto sobre Operações de Crédito se dará sobre o valor da operação. A MP, publicada no "Diário Oficial", também autorizou a imposição de depósitos sobre os valores dos contratos.
Dólar fecha em nova taxa mínima do ano, a R$ 1,53
Entrada recorde de dólares anula efeito de medidas do BC
As medidas têm como alvo as operações com derivativos cambiais, que tem grande influência na formação de preços da moeda norte-americana no mercado à vista.
O dólar sofreu fortes quedas frente ao real desde a última semana, alimentando preocupações com a competitividade das exportações brasileiras. A divisa norte-americana está no menor patamar em mais de 12 anos e meio diante do impasse sobre a dívida dos Estados Unidos.
A MP autorizou o CMN (Conselho Monetário Nacional) a estabelecer condições específicas para negociação de contratos de derivativos.
Além da fixação dos depósitos sobre os valores de referência dos contratos, o CMN poderá definir limites, prazos e outras condições sobre negociação dos derivativos.
A possibilidade de taxação dos derivativos com IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) entra em vigor nesta quarta-feira. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverá conceder entrevista para comentar a medida.
"Controles de capital, taxação, etc., podem ajudar a alterar a composição dos fluxos de capital, mas não vão resolver o problema", afirmou o economista para mercados emergentes da consultoria Capital Economics, David Rees, em Londres.
"A pressão sobre o real vai permanecer", disse o analista, acrescentando que no médio e longo prazos o Brasil precisa reduzir sua taxa de juros e promover reformas estruturais.
Há duas semanas, fonte da equipe econômica havia adiantado que o governo estudava impor um limite aos contratos de derivativos cambiais, preocupado com as posições vendidas em câmbio elevadas de investidores estrangeiros.
Na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff indicou, contudo, que o governo não pretendia tomar medidas para o câmbio enquanto perdurassem as incertezas mais agudas em torno da negociação para a elevação do teto da dívida dos EUA e também com relação à crise da dívida soberana na Europa.
Já nesta semana, o ministro Mantega afirmou que o governo estaria sempre "propenso" a tomar medidas para evitar valorização excessiva do real. "Não vamos deixar a guerra cambial nos derrotar", afirmou durante apresentação na terça-feira.
O dólar barato contribui no combate à inflação, que está no momento acima da meta do governo, mas torna as exportações brasileiras menos competitivas.
Na terça-feira, o dólar à vista fechou a R$ 1,5388 para venda, em queda de 0,35% no dia.
IOF
O "Diário Oficial" também traz um decreto que regulamenta o IOF.
O decreto penaliza o contribuinte que tomar o empréstimo externo com prazo médio superior a 720 dias e antecipar a sua liquidação. Ele terá que pagar juros moratórios e multa.
Segundo o decreto, o IOF será cobrado à alíquota de 1%, sobre o valor nacional ajustado, na aquisição, venda ou vencimento de contratos de derivativos financeiros cujo valor de liquidação seja afetado pela variação da taxa de câmbio e que resultem em aumento da exposição líquida vendida em relação à apurada ao final do dia útil anterior.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
Uma nova Guerra Fria
O sétimo encontro ministerial do Conselho do Ártico em maio tinha tudo para ser um evento trivial, focado na assinatura de um novo acordo de busca e resgate, e a passagem da presidência do Conselho para a Suécia. Mas o clima em Nuuk ganhou um novo tom com a primeira visita dos Estados Unidos ao fórum, representada pela presença da Secretária de Estado, Hillary Clinton; do secretário do Interior, Ken Salazar, e de uma série de outros pesos pesados da política norte-americana.
A mensagem foi clara: O Estados Unidos estão se colocando no centro do debate sobre o futuro do Polo Norte, em um momento no qual uma nova corrida por petróleo e minerais acontece, já que o aquecimento global facilita a extração. E como de costume, a suave diplomacia norte-americana foi acompanhada de uma boa dose de simbolismo pesado. Pouca semanas antes do encontro, dois submarinos nucleares foram enviados para uma patrulha, 150 milhas ao norte de Prudhoe Bay, no Alasca.
Enquanto isso, a Rússia – uma das oito nações do Conselho – parecia contente em afastar dos planos qualquer possibilidade de que países como A China pudessem ganhar status de observadores no Conselho. A patrulha da marinha norte-americana coincidiu com relatos de que Rússia estaria aumentando os testes com mísseis na área, e com a mudança da principal base militar norueguesa para o Polo Norte. A China, nesse meio tempo, começou a cortejar países e regiões como a Groenlândia, ricos em minerais terrestres raros, usados na construção de telefones celulares e equipamento de última tecnologia. Os interesses comerciais no Ártico também são atrapalhados pela falta de um acordo que esclareça quem é exatamente dono do quê. Muitos países enviam reivindicações de terra conflitantes para as nações Unidas, com base na Convenção das Leis do Mar – um tratado até hoje nunca assinado pelos Estados Unidos.
“Corrida armamentista pode estar começando”
O Canadá e outros também se incomodaram quando Artur Chilingarov, um veterano explorador russo fincou uma bandeira no solo oceânico do Ártico, em 2007. na ocasião, ele disse aos repórteres que sua missão era provar que o Ártico pertence à Rússia. “Devemos provar que o Polo Norte é uma extensão do território russo”. O Canadá encarou a manobra de Chilingarov como uma provocação, mas Moscou tratou de colocar panos quentes sobre a situação, insistindo que tudo não passava de um gesto de um cientista contratado por empresas privadas. Curiosamente, Chilingarov – um membro do Parlamento russo – ganhou, no ano seguinte, o título de Herói da Federação Russa.
Preocupações com uma nova Guerra Fria levaram acadêmicos como Rob Huebert, professor de ciência política na Universidade de Calgary a alertar em um recente estudo para o Instituto Canadense de Defesa e Relações Exteriores que “uma corrida armamentista poderia estar começando”.
Huebert afirma que ouviu o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, falando sobre a necessidade da criação de uma “zona de paz” no Ártico, mas que também muitas ações no sentido contrário. “O valor estratégico da região está crescendo, e com isso, cada Estado irá agregar um valor maior a seus interesses nacionais na região. Os Estados do Ártico podem estar falando em cooperação, mas estão se preparando para um conflito”.
“Por enquanto as disputas foram resolvidas de maneira pacífica”, afirmou o almirante James Stavridis, comandante supremo da OTAN na Europa. “Mas as mudanças climáticas podem alterar esse equilíbrio nos próximos anos, dando lugar a uma disputa motivada pelas tentações da exploração de recursos naturais mais acessíveis”. Stavridis crê que unidades militares, como as guardas-costeiras, têm um papel importante na coordenação internacional da região, especialmente para assistência especializada aos interesses comerciais e de outras naturezas. “Os interesses em sequência e as consequências dos efeitos do aquecimento global deveriam fazer com que os líderes globais economizassem, e unificassem seus esforços para garantir que o Ártico permaneça como uma zona de cooperação – ao invés de encarar a região como uma zona de competição, ou pior, uma zona de conflito”, completou o almirante.
Huebert afirma que além de abrir um centro de operações de alta tecnologia na montanha de Reitan, no extremo norte da Noruega, o governo de Oslo também está gastando quantias até então inéditas em novos equipamentos militares, que incluem cinco fragatas Fridtjof Nansen, de última geração. A classe de navios é batizada em homenagem ao famoso explorador polar, o que talvez indique os planos da marinha norueguesa. Já o ex-ministro de relações exteriores do Canadá, Lawrence Cannon, se mostrou confiante de que seu país irá ficar com o território. “Vamos exercer nossa soberania no Ártico”, disse ele a seu equivalente russo em Moscou.
Mas os otimistas dizem que os temores são exagerados e apontam desenvolvimentos positivos como o acordo de fronteiras mutuamente firmado entre a Rússia e a Noruega, na divisão do Mar de Barents, e a parceria entre russos, noruegueses, norte-americanos e britânicos, que, discretamente, trabalha para tirar de circulação os submarinos nucleares e busca resolver outros problemas de poluição radioativa na península de Kola e na região de Arkhangelsk.
Momento é ideal para resolução de conflitos
No entanto, Paul Berkman, diretor do programa de geopolítica do Oceano Ártico no Instituto de Pesquisa Polar Scott, acredita que a enorme quantidade de livros e reportagens apresentando potencias problemas na região não pode ser ignorada. “É importante se perguntar porque essas manchetes alarmantes e alarmistas estão sendo escritas. Podem restar assuntos mal resolvidos da era da Guerra Fria”. Ele afirma que é necessário promover a cooperação e prevenir o conflito. “Não lugar para complacência nessa questão, e é importante aproveitar enquanto as tensões estão baixas para tratar dos riscos de instabilidades políticas, econômicas e culturais que são consequências inerentes das mudanças ambientais no Oceano Ártico”.
Líderes da etnia inuit temem que as conversas sobre a industrialização e riquezas minerais no Ártico aumentem as tensões. Aqqaluk Lynge, ex-presidente do conselho do fórum de povos indígenas, o Conselho Circumpolar Inuit, se diz “nervoso” com os atuais desenvolvimentos. “Há um crescimento militar e um aumento na diplomacia dos megafones. Não queremos um retorno da Guerra Fria”.
A mensagem foi clara: O Estados Unidos estão se colocando no centro do debate sobre o futuro do Polo Norte, em um momento no qual uma nova corrida por petróleo e minerais acontece, já que o aquecimento global facilita a extração. E como de costume, a suave diplomacia norte-americana foi acompanhada de uma boa dose de simbolismo pesado. Pouca semanas antes do encontro, dois submarinos nucleares foram enviados para uma patrulha, 150 milhas ao norte de Prudhoe Bay, no Alasca.
Enquanto isso, a Rússia – uma das oito nações do Conselho – parecia contente em afastar dos planos qualquer possibilidade de que países como A China pudessem ganhar status de observadores no Conselho. A patrulha da marinha norte-americana coincidiu com relatos de que Rússia estaria aumentando os testes com mísseis na área, e com a mudança da principal base militar norueguesa para o Polo Norte. A China, nesse meio tempo, começou a cortejar países e regiões como a Groenlândia, ricos em minerais terrestres raros, usados na construção de telefones celulares e equipamento de última tecnologia. Os interesses comerciais no Ártico também são atrapalhados pela falta de um acordo que esclareça quem é exatamente dono do quê. Muitos países enviam reivindicações de terra conflitantes para as nações Unidas, com base na Convenção das Leis do Mar – um tratado até hoje nunca assinado pelos Estados Unidos.
“Corrida armamentista pode estar começando”
O Canadá e outros também se incomodaram quando Artur Chilingarov, um veterano explorador russo fincou uma bandeira no solo oceânico do Ártico, em 2007. na ocasião, ele disse aos repórteres que sua missão era provar que o Ártico pertence à Rússia. “Devemos provar que o Polo Norte é uma extensão do território russo”. O Canadá encarou a manobra de Chilingarov como uma provocação, mas Moscou tratou de colocar panos quentes sobre a situação, insistindo que tudo não passava de um gesto de um cientista contratado por empresas privadas. Curiosamente, Chilingarov – um membro do Parlamento russo – ganhou, no ano seguinte, o título de Herói da Federação Russa.
Preocupações com uma nova Guerra Fria levaram acadêmicos como Rob Huebert, professor de ciência política na Universidade de Calgary a alertar em um recente estudo para o Instituto Canadense de Defesa e Relações Exteriores que “uma corrida armamentista poderia estar começando”.
Huebert afirma que ouviu o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, falando sobre a necessidade da criação de uma “zona de paz” no Ártico, mas que também muitas ações no sentido contrário. “O valor estratégico da região está crescendo, e com isso, cada Estado irá agregar um valor maior a seus interesses nacionais na região. Os Estados do Ártico podem estar falando em cooperação, mas estão se preparando para um conflito”.
“Por enquanto as disputas foram resolvidas de maneira pacífica”, afirmou o almirante James Stavridis, comandante supremo da OTAN na Europa. “Mas as mudanças climáticas podem alterar esse equilíbrio nos próximos anos, dando lugar a uma disputa motivada pelas tentações da exploração de recursos naturais mais acessíveis”. Stavridis crê que unidades militares, como as guardas-costeiras, têm um papel importante na coordenação internacional da região, especialmente para assistência especializada aos interesses comerciais e de outras naturezas. “Os interesses em sequência e as consequências dos efeitos do aquecimento global deveriam fazer com que os líderes globais economizassem, e unificassem seus esforços para garantir que o Ártico permaneça como uma zona de cooperação – ao invés de encarar a região como uma zona de competição, ou pior, uma zona de conflito”, completou o almirante.
Huebert afirma que além de abrir um centro de operações de alta tecnologia na montanha de Reitan, no extremo norte da Noruega, o governo de Oslo também está gastando quantias até então inéditas em novos equipamentos militares, que incluem cinco fragatas Fridtjof Nansen, de última geração. A classe de navios é batizada em homenagem ao famoso explorador polar, o que talvez indique os planos da marinha norueguesa. Já o ex-ministro de relações exteriores do Canadá, Lawrence Cannon, se mostrou confiante de que seu país irá ficar com o território. “Vamos exercer nossa soberania no Ártico”, disse ele a seu equivalente russo em Moscou.
Mas os otimistas dizem que os temores são exagerados e apontam desenvolvimentos positivos como o acordo de fronteiras mutuamente firmado entre a Rússia e a Noruega, na divisão do Mar de Barents, e a parceria entre russos, noruegueses, norte-americanos e britânicos, que, discretamente, trabalha para tirar de circulação os submarinos nucleares e busca resolver outros problemas de poluição radioativa na península de Kola e na região de Arkhangelsk.
Momento é ideal para resolução de conflitos
No entanto, Paul Berkman, diretor do programa de geopolítica do Oceano Ártico no Instituto de Pesquisa Polar Scott, acredita que a enorme quantidade de livros e reportagens apresentando potencias problemas na região não pode ser ignorada. “É importante se perguntar porque essas manchetes alarmantes e alarmistas estão sendo escritas. Podem restar assuntos mal resolvidos da era da Guerra Fria”. Ele afirma que é necessário promover a cooperação e prevenir o conflito. “Não lugar para complacência nessa questão, e é importante aproveitar enquanto as tensões estão baixas para tratar dos riscos de instabilidades políticas, econômicas e culturais que são consequências inerentes das mudanças ambientais no Oceano Ártico”.
Líderes da etnia inuit temem que as conversas sobre a industrialização e riquezas minerais no Ártico aumentem as tensões. Aqqaluk Lynge, ex-presidente do conselho do fórum de povos indígenas, o Conselho Circumpolar Inuit, se diz “nervoso” com os atuais desenvolvimentos. “Há um crescimento militar e um aumento na diplomacia dos megafones. Não queremos um retorno da Guerra Fria”.
A farsa da quitação da dívida externa
As observações de Bastiat não apenas permanecem atuais, como são capazes de explicar fatores ocultos ainda desconhecidos do grande público nos trâmites econômicos, muitas vezes de proporções abissais.
Bastiat, em sua obra “O que se vê e o que não se vê”, define corretamente que há mais de um personagem em uma transação econômica: aquele que paga, aquele que recebe e aquele que poderia ter recebido. O último é a peça fundamental no entendimento de questões econômicas. É aquele sujeito economicamente ativo que deixa de lucrar por força de o pagador escolher fazer outra compra. O exemplo de Bastiat trata da destruição de um bem, sendo que sua restituição não constitui lucro para seu dono – e, por conseguinte, para a sociedade. Como resultado geral, o pagador perde um bem, sem ganhar nenhum outro que valha o mesmo. Seria o mesmo que perder o próprio dinheiro.
Mas, quando se perde dinheiro, a perda não é clara e nítida ao perdedor? Na verdade, pode ser aí que reside o maior engano – e o maior perigo – do nosso sistema: gastamos um caudal de dinheiro antes mesmo de vê-lo, de pegá-lo, de termos um contato com ele que nos lembre, o tempo todo, que ele é nosso. Some-se a isso uma cultura que trata o Estado como aquele que deve ser o provedor de tudo (sem nunca perguntar o que não se vê: quanto isso custará?) e a falta de questionamento sobre o funcionamento dos impostos (que, afinal, é um dinheiro gasto por imposição), também devido à complexidade de cálculo, e temos a mais formidável máquina de destruição de riqueza já criada.
Um exemplo recente foi a suposta quitação da dívida externa brasileira com o FMI. Ao citar uma sigla que causa arrepios até em brasileiros cultos (que nem por isso são versados no “economês”), foi fácil para o governo pintar-se em tons de competência que beiram a mágica, ao passo que, na verdade, praticava uma destruição prejudicial a todos os brasileiros, que não viram seu dinheiro ser vaporizado.
A quitação da dívida externa, que atemoriza os brasileiros desde a época desenvolvimentista, era uma “promessa” governista de seus tempos de passeatas anti-FMI. Para tal, aumentou sobremaneira a dívida interna: em 2005, o governo vira devedor do mercado financeiro em US$12,4 bilhões – valor bem próximo aos US$15,5 bilhões que pagou ao FMI. Com isso, a balança comercial brasileira passa de uma situação deficitária para uma superavitária: do déficit de US$ 33,4 bilhões em 1998, para o superávit de US$ 13,5 bilhões, em 2006. A dívida externa, então, não foi “quitada” (afinal, qualquer dólar que um brasileiro fique devendo para um site de compras estrangeiro é computado na “dívida externa”), e sim passamos a uma situação de superávit. Contudo, trocou-se, na prática, uma dívida com juros de 4% ao ano por outra, com o mercado interno, com juros entre 8% e 12,75% – o Tesouro continua a pagar juros acima de 13% da dívida interna.
Essa troca, em microeconomia, nunca seria feita – nem mesmo o trabalhador menos instruído em educação financeira aumentaria de bom grado os juros de sua dívida. Porém, como se trata de grandezas macroeconômicas, e o governo pôde se ver livre de palavras como “dívida externa” e “FMI”, a ação foi aplaudida, enquanto o partido situacionista era saudado como salvador da situação econômica do Brasil – e toda a oposição era demonizada homogeneamente como uma oligarquia que nunca tinha feito nada pelo bem do brasileiro em todos os outros governos.
Tal e qual um sindicato de funcionários públicos, que pressionam uma autoridade política por fins econômicos, a motivação aqui também foi eleitoreira, e não financeira – faz mais sentido pagar também do seu próprio bolso uma dívida que pode atingir 12,75% de juros ao invés de uma de 4%, desde que seu partido permaneça no poder – o que também inclui salários oriundos diretamente da máquina estatal, que serão superiores em bem mais de 12,75% aos salários que poderiam obter da iniciativa privada.
Este processo de crescimento exponencial da dívida interna já vinha sendo produzido desde antes da era FHC. Se em janeiro de 1995 a dívida interna era de 62 bilhões, em janeiro de 2003, quando Lula foi empossado, a dívida estava em R$ 687 bilhões. Com Lula, ela atinge R$ 1,6 trilhão em dezembro de 2008 (ou R$ 1,9 trilhão, se computados os títulos em poder do Banco Central e as dívidas das estatais) – aumento de 60% em três anos. Este é o custo da ação governamental de “quitação” (ou balanceamento) da dívida externa. Pode parecer um custo por demais elevado – porém, o valor eleitoreiro de quitar uma dívida que é anátema de décadas do Brasil é incalculável.
Para um panorama mais abrangente, os gastos do governo até 2008 com juros e amortizações da dívida pública foram de 30,57% do orçamento (R$ 282 bilhões). Se calcularmos os recursos emitidos para o refinanciamento das dívidas este percentual sobe para 47%. E estes 17% de diferença do orçamento governamental escondem uma verdadeira batata quente que é passada pelas mãos de governante a governante há decênios: o refinanciamento da dívida significa, como acontece com toda dívida em prestações que não foi paga, renovar as parcelas vencidas com novos prazos – e, naturalmente, com novos juros.
Na prática, isso é jogar a bomba para o próximo governo pagar – um custo de ação alto para o orçamento (dinheiro público tratado aqui como dinheiro de ninguém), mas duplamente vantajoso, em termos políticos: além de se livrar, no presente, da problemática, o próximo governo, possivelmente oposicionista, terá de arcar com dívidas maiores, fazer ajustes fiscais ortodoxos, cortar benefícios que geram impopularidade em uma parcela grande do eleitorado e ter menos dinheiro em caixa para gastar do que o governo anterior, que criou essas dívidas. Como um governo em crise parece incompetente, a população, que não analisou friamente as causas da austeridade governista, ficará com uma saudosa sensação de que o governo anterior (que gerou a própria crise com gastos esdrúxulos) era melhor, pois “quitava dívidas” e gastava mais com o povo. O governo não apenas garante que se livrará, a curto prazo, de uma bomba relógio financeira: ele garante que seu nome vai ficar na história como o último governo antes de uma crise. (A Grécia sofre agora por isso, assim como, em proporções menores, a cidade de São Paulo, após gestões seguidas de arroubos fiscais de Maluf, Pitta e Marta Suplicy.)
Outra forma de torturar os números até que eles confessem uma verdade estatística que eles não possuem é esconder uma das variáveis da equação para poder inverter o sinal desfavorável em favorável. O custo de escolha da ação governamental, então, parece ter sido melhor do que o de outros governos – quando na verdade não o foi. Por exemplo, o governo petista aponta que a dívida interna correspondeu, em meados de maio de 2010, a 42% do PIB (a relação dívida/PIB é a forma mais correta de análise desses dados), enquanto no governo FHC este patamar atingiu um pico de 56% em 1998. Ou seja, o que vale não é o valor da dívida em si, mas sim o seu percentual em relação ao PIB. Além de se esquivar das quatro crises internacionais seqüenciadas que o governo FHC enfrentou (não sem merecer críticas), esta fração ignora a retração do PIB no governo Lula – ademais, a dívida pública fica alta para fazer reservas, mas isso na verdade aumenta muito a dívida bruta, que é o que importa e não aparece nos gráficos. Se o PIB cai, contudo, a dívida aumenta, já que neste cenário é necessário aumentar os juros, aumentando ainda mais a dívida até que o governo resolva diminuir as despesas – cortar na carne, impopularmente. Com o orçamento engessadíssimo, esta manobra é meio abafada, já que cada imposto precisa ir para um lugar específico, conforme a Constituição – por isso também se cria tantas “contribuições”.
O próprio crescimento do PIB merece atenção especial: já em 2004, no segundo ano sob égide do governo Lula, o país cresceu 4,9% – valor mais alto do que o melhor período tucano (4,4%, em 2000). Aqui, além de fingir desconhecer as crises que o governo FHC enfrentou (México em 1995, tigres asiáticos em 1997, Rússia em 1998 e o terror islâmico em 2001), faz-se uma manobra inversa do que a relação do PIB com a dívida: esconde-se o crescimento mundial e fica-se só com o PIB. Enquanto o mundo crescia a 2,9%, o Brasil patinava em 0,6 em 2003, graças aos temores do mercado em relação ao próprio projeto petista.
Já em 2005 o mundo crescia a 4,3%, e estávamos novamente bem abaixo: 2,3% (dados do Ipeadata, IBGE, Banco Mundial e FMI). Comparado ao crescimento mundial, o crescimento petista, desde 1961, só fica acima da desastrosa gestão Collor (desempenho médio negativo de -57,8%).
Também é o mesmo princípio que rege o câmbio do Real. Com o câmbio apreciado, a inflação fica mais lenta (as metas de inflação deixaram de assustar a população desde o Plano Real), e com os preços dos produtos importados abaixando desde então (só segurados por impostos altíssimos), os brasileiros passam a consumir produtos que nunca puderam ter, sobretudo bens de consumo duráveis, como eletroeletrônicos. Também as transações internacionais se tornam favoráveis ao consumidor médio: pode-se viajar mais e as dívidas e juros em dólar se tornam mais baratas (estranhamente, o governo trocou sua dívida em dólares por uma dívida em reais atrelada à taxa de juros, o que, novamente, significou mais gastos que não se vê, pautados num nacionalismo que apenas parece nos tirar das guerras do mercado americano).
O preço disso tudo é um pouco menos visível, e geralmente apenas sentido em longo prazo (novamente, talvez durante um governo oposicionista, dentro de alguns anos). As exportações já começaram a sentir este peso – a demanda externa ficou estancada, o que fez com que o governo aplicasse o complexo swap cambial reverso para tentar amenizar a situação do fluxo de recursos em 29 de setembro de 2008, no auge da crise americana. O baixo crescimento brasileiro deve-se ao fato de ter se escorado na demanda externa, há décadas maior do que as importações – e, para manter o crescimento, agora depende da expansão da demanda interna.
Mais uma vez, a escolha desastrosa do governo esconde-se em uma relação que não é vista: o efeito contrário da apreciação cambial sobre empregos e a produção coincide com o pico da demanda interna – com o aumento da demanda, o câmbio não parece “culpado” pela retração, já que outras forças empurram a economia. Porém, o consumo que aumenta é o de bens duráveis, que menos empregam trabalho local e que mais têm tecnologia automatizada – destruindo alguns empregos num médio prazo. Por fim, as atividades comercializáveis também perdem investimentos, comprometendo as próprias tecnologias que facilitou em um primeiro momento. Mas, com fácil certeza, os efeitos nocivos desta ação, o custo de oportunidade oculto da escolha do governo, só serão sentidos quando ninguém mais se lembrará de culpar as autoridades atuais.
Com isso, expõe-se algumas escolhas econômicas discutíveis, com custos que, como nos dizia Bastiat, não são vistos – e, piores do que a destruição de um bem, são relações de destruição de dinheiro macroeconômicas e governamentais – ou seja, além de envolverem quantias gigantescas, tornam-se, através de impostos, obrigatórias para toda a população destruir a sua riqueza.
Artigo originalmente publicado no site do Instituto Millenium
Bastiat, em sua obra “O que se vê e o que não se vê”, define corretamente que há mais de um personagem em uma transação econômica: aquele que paga, aquele que recebe e aquele que poderia ter recebido. O último é a peça fundamental no entendimento de questões econômicas. É aquele sujeito economicamente ativo que deixa de lucrar por força de o pagador escolher fazer outra compra. O exemplo de Bastiat trata da destruição de um bem, sendo que sua restituição não constitui lucro para seu dono – e, por conseguinte, para a sociedade. Como resultado geral, o pagador perde um bem, sem ganhar nenhum outro que valha o mesmo. Seria o mesmo que perder o próprio dinheiro.
Mas, quando se perde dinheiro, a perda não é clara e nítida ao perdedor? Na verdade, pode ser aí que reside o maior engano – e o maior perigo – do nosso sistema: gastamos um caudal de dinheiro antes mesmo de vê-lo, de pegá-lo, de termos um contato com ele que nos lembre, o tempo todo, que ele é nosso. Some-se a isso uma cultura que trata o Estado como aquele que deve ser o provedor de tudo (sem nunca perguntar o que não se vê: quanto isso custará?) e a falta de questionamento sobre o funcionamento dos impostos (que, afinal, é um dinheiro gasto por imposição), também devido à complexidade de cálculo, e temos a mais formidável máquina de destruição de riqueza já criada.
Um exemplo recente foi a suposta quitação da dívida externa brasileira com o FMI. Ao citar uma sigla que causa arrepios até em brasileiros cultos (que nem por isso são versados no “economês”), foi fácil para o governo pintar-se em tons de competência que beiram a mágica, ao passo que, na verdade, praticava uma destruição prejudicial a todos os brasileiros, que não viram seu dinheiro ser vaporizado.
A quitação da dívida externa, que atemoriza os brasileiros desde a época desenvolvimentista, era uma “promessa” governista de seus tempos de passeatas anti-FMI. Para tal, aumentou sobremaneira a dívida interna: em 2005, o governo vira devedor do mercado financeiro em US$12,4 bilhões – valor bem próximo aos US$15,5 bilhões que pagou ao FMI. Com isso, a balança comercial brasileira passa de uma situação deficitária para uma superavitária: do déficit de US$ 33,4 bilhões em 1998, para o superávit de US$ 13,5 bilhões, em 2006. A dívida externa, então, não foi “quitada” (afinal, qualquer dólar que um brasileiro fique devendo para um site de compras estrangeiro é computado na “dívida externa”), e sim passamos a uma situação de superávit. Contudo, trocou-se, na prática, uma dívida com juros de 4% ao ano por outra, com o mercado interno, com juros entre 8% e 12,75% – o Tesouro continua a pagar juros acima de 13% da dívida interna.
Essa troca, em microeconomia, nunca seria feita – nem mesmo o trabalhador menos instruído em educação financeira aumentaria de bom grado os juros de sua dívida. Porém, como se trata de grandezas macroeconômicas, e o governo pôde se ver livre de palavras como “dívida externa” e “FMI”, a ação foi aplaudida, enquanto o partido situacionista era saudado como salvador da situação econômica do Brasil – e toda a oposição era demonizada homogeneamente como uma oligarquia que nunca tinha feito nada pelo bem do brasileiro em todos os outros governos.
Tal e qual um sindicato de funcionários públicos, que pressionam uma autoridade política por fins econômicos, a motivação aqui também foi eleitoreira, e não financeira – faz mais sentido pagar também do seu próprio bolso uma dívida que pode atingir 12,75% de juros ao invés de uma de 4%, desde que seu partido permaneça no poder – o que também inclui salários oriundos diretamente da máquina estatal, que serão superiores em bem mais de 12,75% aos salários que poderiam obter da iniciativa privada.
Este processo de crescimento exponencial da dívida interna já vinha sendo produzido desde antes da era FHC. Se em janeiro de 1995 a dívida interna era de 62 bilhões, em janeiro de 2003, quando Lula foi empossado, a dívida estava em R$ 687 bilhões. Com Lula, ela atinge R$ 1,6 trilhão em dezembro de 2008 (ou R$ 1,9 trilhão, se computados os títulos em poder do Banco Central e as dívidas das estatais) – aumento de 60% em três anos. Este é o custo da ação governamental de “quitação” (ou balanceamento) da dívida externa. Pode parecer um custo por demais elevado – porém, o valor eleitoreiro de quitar uma dívida que é anátema de décadas do Brasil é incalculável.
Para um panorama mais abrangente, os gastos do governo até 2008 com juros e amortizações da dívida pública foram de 30,57% do orçamento (R$ 282 bilhões). Se calcularmos os recursos emitidos para o refinanciamento das dívidas este percentual sobe para 47%. E estes 17% de diferença do orçamento governamental escondem uma verdadeira batata quente que é passada pelas mãos de governante a governante há decênios: o refinanciamento da dívida significa, como acontece com toda dívida em prestações que não foi paga, renovar as parcelas vencidas com novos prazos – e, naturalmente, com novos juros.
Na prática, isso é jogar a bomba para o próximo governo pagar – um custo de ação alto para o orçamento (dinheiro público tratado aqui como dinheiro de ninguém), mas duplamente vantajoso, em termos políticos: além de se livrar, no presente, da problemática, o próximo governo, possivelmente oposicionista, terá de arcar com dívidas maiores, fazer ajustes fiscais ortodoxos, cortar benefícios que geram impopularidade em uma parcela grande do eleitorado e ter menos dinheiro em caixa para gastar do que o governo anterior, que criou essas dívidas. Como um governo em crise parece incompetente, a população, que não analisou friamente as causas da austeridade governista, ficará com uma saudosa sensação de que o governo anterior (que gerou a própria crise com gastos esdrúxulos) era melhor, pois “quitava dívidas” e gastava mais com o povo. O governo não apenas garante que se livrará, a curto prazo, de uma bomba relógio financeira: ele garante que seu nome vai ficar na história como o último governo antes de uma crise. (A Grécia sofre agora por isso, assim como, em proporções menores, a cidade de São Paulo, após gestões seguidas de arroubos fiscais de Maluf, Pitta e Marta Suplicy.)
Outra forma de torturar os números até que eles confessem uma verdade estatística que eles não possuem é esconder uma das variáveis da equação para poder inverter o sinal desfavorável em favorável. O custo de escolha da ação governamental, então, parece ter sido melhor do que o de outros governos – quando na verdade não o foi. Por exemplo, o governo petista aponta que a dívida interna correspondeu, em meados de maio de 2010, a 42% do PIB (a relação dívida/PIB é a forma mais correta de análise desses dados), enquanto no governo FHC este patamar atingiu um pico de 56% em 1998. Ou seja, o que vale não é o valor da dívida em si, mas sim o seu percentual em relação ao PIB. Além de se esquivar das quatro crises internacionais seqüenciadas que o governo FHC enfrentou (não sem merecer críticas), esta fração ignora a retração do PIB no governo Lula – ademais, a dívida pública fica alta para fazer reservas, mas isso na verdade aumenta muito a dívida bruta, que é o que importa e não aparece nos gráficos. Se o PIB cai, contudo, a dívida aumenta, já que neste cenário é necessário aumentar os juros, aumentando ainda mais a dívida até que o governo resolva diminuir as despesas – cortar na carne, impopularmente. Com o orçamento engessadíssimo, esta manobra é meio abafada, já que cada imposto precisa ir para um lugar específico, conforme a Constituição – por isso também se cria tantas “contribuições”.
O próprio crescimento do PIB merece atenção especial: já em 2004, no segundo ano sob égide do governo Lula, o país cresceu 4,9% – valor mais alto do que o melhor período tucano (4,4%, em 2000). Aqui, além de fingir desconhecer as crises que o governo FHC enfrentou (México em 1995, tigres asiáticos em 1997, Rússia em 1998 e o terror islâmico em 2001), faz-se uma manobra inversa do que a relação do PIB com a dívida: esconde-se o crescimento mundial e fica-se só com o PIB. Enquanto o mundo crescia a 2,9%, o Brasil patinava em 0,6 em 2003, graças aos temores do mercado em relação ao próprio projeto petista.
Já em 2005 o mundo crescia a 4,3%, e estávamos novamente bem abaixo: 2,3% (dados do Ipeadata, IBGE, Banco Mundial e FMI). Comparado ao crescimento mundial, o crescimento petista, desde 1961, só fica acima da desastrosa gestão Collor (desempenho médio negativo de -57,8%).
Também é o mesmo princípio que rege o câmbio do Real. Com o câmbio apreciado, a inflação fica mais lenta (as metas de inflação deixaram de assustar a população desde o Plano Real), e com os preços dos produtos importados abaixando desde então (só segurados por impostos altíssimos), os brasileiros passam a consumir produtos que nunca puderam ter, sobretudo bens de consumo duráveis, como eletroeletrônicos. Também as transações internacionais se tornam favoráveis ao consumidor médio: pode-se viajar mais e as dívidas e juros em dólar se tornam mais baratas (estranhamente, o governo trocou sua dívida em dólares por uma dívida em reais atrelada à taxa de juros, o que, novamente, significou mais gastos que não se vê, pautados num nacionalismo que apenas parece nos tirar das guerras do mercado americano).
O preço disso tudo é um pouco menos visível, e geralmente apenas sentido em longo prazo (novamente, talvez durante um governo oposicionista, dentro de alguns anos). As exportações já começaram a sentir este peso – a demanda externa ficou estancada, o que fez com que o governo aplicasse o complexo swap cambial reverso para tentar amenizar a situação do fluxo de recursos em 29 de setembro de 2008, no auge da crise americana. O baixo crescimento brasileiro deve-se ao fato de ter se escorado na demanda externa, há décadas maior do que as importações – e, para manter o crescimento, agora depende da expansão da demanda interna.
Mais uma vez, a escolha desastrosa do governo esconde-se em uma relação que não é vista: o efeito contrário da apreciação cambial sobre empregos e a produção coincide com o pico da demanda interna – com o aumento da demanda, o câmbio não parece “culpado” pela retração, já que outras forças empurram a economia. Porém, o consumo que aumenta é o de bens duráveis, que menos empregam trabalho local e que mais têm tecnologia automatizada – destruindo alguns empregos num médio prazo. Por fim, as atividades comercializáveis também perdem investimentos, comprometendo as próprias tecnologias que facilitou em um primeiro momento. Mas, com fácil certeza, os efeitos nocivos desta ação, o custo de oportunidade oculto da escolha do governo, só serão sentidos quando ninguém mais se lembrará de culpar as autoridades atuais.
Com isso, expõe-se algumas escolhas econômicas discutíveis, com custos que, como nos dizia Bastiat, não são vistos – e, piores do que a destruição de um bem, são relações de destruição de dinheiro macroeconômicas e governamentais – ou seja, além de envolverem quantias gigantescas, tornam-se, através de impostos, obrigatórias para toda a população destruir a sua riqueza.
Artigo originalmente publicado no site do Instituto Millenium
Países ricos registram aumento no mercado negro
Uma nova estimativa dos números do mercado negro no mundo alerta para uma tendência preocupante. De acordo com Friedrich Schneider, da Universidade de Linz, na Áustria, pela primeira vez em dez anos, as transações econômicas que ocorrem fora da economia oficial estão aumentando. A definição de mercado negro aqui não diz respeito aos lucros obtidos com a comercialização de itens ilegais, mas atividades econômicas legais que não são taxadas.
Schneider atribui essa reviravolta à crise financeira, que levou muitas pessoas dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e na União Europeia (UE) a evitarem o fardo dos impostos, recorrendo a negociações informais. O mercado negro acaba funcionando como uma forma de alívio nos momentos mais difíceis.
Schneider atribui essa reviravolta à crise financeira, que levou muitas pessoas dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e na União Europeia (UE) a evitarem o fardo dos impostos, recorrendo a negociações informais. O mercado negro acaba funcionando como uma forma de alívio nos momentos mais difíceis.
Crescimento da dívida pode congelar recuperação econômica europeia
Em agosto, vários bancos atuando na Europa perceberam um aumento nas perdas de crédito. Entre eles estavam UniCredit, Erste Group e OTP. Havia esperança de que as perdas de crédito diminuíssem, mas ao invés disso, elas dispararam. Na Letônia, um quinto da dívida que se destaca é improdutivo. No Cazaquistão, o índice ultrapassa um terço da dívida. Mesmo com boa parte do sistema bancário europeu se reerguendo após a crise, os números do leste mostram que o trabalho de recuperação ainda está longe de terminar.
Na Hungria e na Polônia, a dívida improdutiva está abaixo dos 8%, mas vem crescendo, e, como suas economias são maiores, o estrago também ser mais devastador. Na Ucrânia, o índice também está abaixo dos 10%, mas os bancos serão punidos por fazer empréstimos, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que o índice verdadeiro beire os 30%. O grande motivo para o aumento das dívidas improdutivas é o fato de muitos bancos terem se acostumado a pedir dinheiro emprestado em moedas estrangeiras, como o franco suíço, que oferecia juros menores que as moedas locais. Com a valorização da moeda suíça, cresceram também os juros e as dívidas dos países do leste.
O grande perigo é que os credores vejam que seu capital passou a ser prejudicado com a série de maus empréstimos. Isso poderia levar a uma paralisação do sistema bancário europeu. “Há o risco de um congelamento semelhante ao que aconteceu no Japão. A preocupação não é com uma crise bancária, mas com um a interrupção na recuperação”, diz Piroska Nagy, do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento. Os governos não querem forçar uma conversão das dívidas em moeda estrangeira para moedas locais, pois isso cristalizaria as dívidas, que teria então que ser apoiadas pelos bancos. A Hungria baniu as hipotecas em moeda estrangeira e a Polônia adotou medidas mais rígidas para controlar o crescimento das dívidas. A curto prazo, essas decisões podem acabar tendo o efeito reverso do esperado, e atrapalhando o fornecimento de crédito a economias que precisam desesperadamente dele.
Na Hungria e na Polônia, a dívida improdutiva está abaixo dos 8%, mas vem crescendo, e, como suas economias são maiores, o estrago também ser mais devastador. Na Ucrânia, o índice também está abaixo dos 10%, mas os bancos serão punidos por fazer empréstimos, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que o índice verdadeiro beire os 30%. O grande motivo para o aumento das dívidas improdutivas é o fato de muitos bancos terem se acostumado a pedir dinheiro emprestado em moedas estrangeiras, como o franco suíço, que oferecia juros menores que as moedas locais. Com a valorização da moeda suíça, cresceram também os juros e as dívidas dos países do leste.
O grande perigo é que os credores vejam que seu capital passou a ser prejudicado com a série de maus empréstimos. Isso poderia levar a uma paralisação do sistema bancário europeu. “Há o risco de um congelamento semelhante ao que aconteceu no Japão. A preocupação não é com uma crise bancária, mas com um a interrupção na recuperação”, diz Piroska Nagy, do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento. Os governos não querem forçar uma conversão das dívidas em moeda estrangeira para moedas locais, pois isso cristalizaria as dívidas, que teria então que ser apoiadas pelos bancos. A Hungria baniu as hipotecas em moeda estrangeira e a Polônia adotou medidas mais rígidas para controlar o crescimento das dívidas. A curto prazo, essas decisões podem acabar tendo o efeito reverso do esperado, e atrapalhando o fornecimento de crédito a economias que precisam desesperadamente dele.
Empresas levam suas fábricas de volta aos Estados Unidos
“Quando clientes consideram a hipótese de abrir outra fábrica na China, eu os imploro para que considerem locações alternativas”, diz Hal Sirkin, do Boston Consulting Group (BCG). “Será que eles pensaram, por exemplo, no Vietnã? Ou será que chegaram a tentar produzir algo nos Estados Unidos?” Quando seus clientes são companhias norte-americanas querendo construir fábricas para atender a clientes norte-americanos, Sirkin cada vez mais sugere que eles fiquem nos Estados Unidos, não por razões patrióticas, mas porque a economia da globalização está passando por uma rápida transformação.
A arbitragem trabalhista – tirar proveito de salários mais baixos no exterior, especialmente nos países mais pobres – nunca foi a única força empurrando as multinacionais pra fora de seus países de origem, mas certamente teve uma grande importância. Agora, no entanto, com o boom das economias emergentes, os salários estão subindo. O pagamento aos operários chineses, por exemplo, teve um aumento de 69% entre 2005 e 2010. Logo, os ganhos da arbitragem trabalhista começam a diminuir, em alguns casos tornando-se irrelevantes, de acordo com um novo estudo do BCG.
“Em algum momento por volta de 2015, a indústria que produz para o consumo norte-americano será indiferente quanto à localização de suas fábricas, seja nos Estados Unidos ou na China”, diz Sirkin. Esse cálculo parte do princípio que o crescimento salarial continuará por volta dos 17% anuais na China, e permanecerá relativamente lento nos Estados Unidos, e que o crescimento da produtividade continuará seguindo as tendências atuais em ambos os países. O estudo também prevê uma apreciação modesta do yuan em relação ao dólar.
O ano de 2015 não está tão longe. Fábricas demoram a ser construídas, e podem continuar a produzir engenhocas por anos. Portanto, empresas que planejam hoje a produção do amanhã estão voltando seus olhos cada vez mais para os países de origem. O BCG lista diversos exemplos de empresas que já levaram fábricas e trabalhos de volta aos Estados Unidos. A Caterpillar, uma fabricante de veículos agrários, está levando parte de sua produção de retro escavadeiras de volta ao Texas. A Sauder, uma fabricante norte-americana de móveis, também esta trazendo de volta a produção de países de salários baixos. A NCR levou de volta a produção de caixas eletrônicos para a Geórgia (o estado norte-americano, não o país ocasionalmente invadido pela Rússia). No ano passado, a Wham-O recuperou metade da produção de seus frisbees e bambolês em solo norte-americano, diminuindo sua produção na China e no México.
O BCG prevê um “renascimento da manufatura” nos Estados Unidos, mas há razões para o ceticismo. O surto de produção manufatureira do ano passado foi motivado pela necessidade de recuperar terreno perdido durante a crise financeira. Além disso, algumas das novas fábricas do país foram agraciadas com subsídios que podem, em breve, se esvair. Mas ainda assim, a nova economia da arbitragem trabalhista fará a diferença.
Ao invés de uma infinidade de fábricas voltando para o país, “salários mais altos na China podem fazer com que algumas empresas que iam diminuir suas operações nos Estados Unidos mantenham suas opções em aberto, mantendo suas fábricas no país”, diz Gary Pisano, da Harvard Business School. O anúncio, feito no dia 10 de maio, de que a General Motors (GM) irá investir US$ 2 bilhões para criar mais 4 mil empregos em 17 fábricas sustenta a visão de Pisano. A GM provavelmente não está criando muitos empregos novos, mas mantém nos Estados Unidos empregos que numa situação diferente, poderiam ter sido exportados.
Mesmo que salários na China disparem, algumas multinacionais terão dificuldade em trazer tantos empregos de volta para os Estados Unidos, afirma Pisano. Em algumas áreas, como em produtos eletrônicos, o país já não tem mais a base de oferta ou a infraestrutura necessárias. Empresas não perceberam, quando levaram suas operações para países de salários baixos, que algumas manobras seriam “praticamente irreversíveis”, diz Pisano.
Muitas multinacionais continuarão a construir a maior parte de suas novas fábricas em mercados emergentes, não para exportar seus produtos de volta, mas sim porque nesses mercados, a demanda está crescendo rapidamente. E empresas de outros países ricos provavelmente continuarão aproveitando a oportunidade de arbitragem trabalhista por mais tempo que as norte-americanas, diz Sirkin. Seus custos trabalhistas são mais altos que os dos Estados Unidos e permanecerão dessa forma a menos que o euro caia dramaticamente em relação ao yuan.
Não há lugar como o lar
A oportunidade da arbitragem trabalhista está desaparecendo cada vez mais rápido na manufatura básica na China. Outros setores e países são menos afetados. Como Pankaj Ghemawat, autor de “World 3.0”, destaca, apesar do rápido aumento salarial na Índia, sua indústria de softwares e terceirização de escritórios deve manter sua vantagem de custo pelos próximos anos, também graças ao seu rápido crescimento de produtividade.
Ainda assim, um número cada vez maior de multinacionais, especialmente nos países ricos, começam a ver os benefícios de manter porções cada vez maiores de sua produção perto de casa. Para muitos produtos, o trabalho é uma porção cada vez menor dos custos totais. E longas e complexas cadeias de fornecimento se mostram mais arriscadas do que muitas firmas perceberam. Quando os preços do petróleo disparam, o transporte se torna mais caro. Quando uma epidemia como a gripe aviária atinge a Ásia, ou quando um terremoto atinge o Japão, cadeias de fornecimento são interrompidas. “Houve uma clara redução das cadeias de fornecimento, especialmente aquelas com 30 ou 40 etapas no processo”, diz Ghemawat.
As empresas também estão tentando reduzir os custos de seu armazenamento. Importações da China para os Estados Unidos podem exigir que uma companhia utilize 100 dias de armazenamento. Esse fardo pode ser consideravelmente reduzido se os bens forem fabricados num local mais próximo (que poderia ser o México ao invés dos Estados Unidos).
As empresas estão pensando de maneira mais sofisticada a respeito de suas cadeias de fornecimento. Os chefes já não partem mais do princípio de que devem sempre produzir nos países com salários mais baixos. Cada vez mais, faz sentido produzir em uma variedade de locais, incluindo os Estados Unidos.
A arbitragem trabalhista – tirar proveito de salários mais baixos no exterior, especialmente nos países mais pobres – nunca foi a única força empurrando as multinacionais pra fora de seus países de origem, mas certamente teve uma grande importância. Agora, no entanto, com o boom das economias emergentes, os salários estão subindo. O pagamento aos operários chineses, por exemplo, teve um aumento de 69% entre 2005 e 2010. Logo, os ganhos da arbitragem trabalhista começam a diminuir, em alguns casos tornando-se irrelevantes, de acordo com um novo estudo do BCG.
“Em algum momento por volta de 2015, a indústria que produz para o consumo norte-americano será indiferente quanto à localização de suas fábricas, seja nos Estados Unidos ou na China”, diz Sirkin. Esse cálculo parte do princípio que o crescimento salarial continuará por volta dos 17% anuais na China, e permanecerá relativamente lento nos Estados Unidos, e que o crescimento da produtividade continuará seguindo as tendências atuais em ambos os países. O estudo também prevê uma apreciação modesta do yuan em relação ao dólar.
O ano de 2015 não está tão longe. Fábricas demoram a ser construídas, e podem continuar a produzir engenhocas por anos. Portanto, empresas que planejam hoje a produção do amanhã estão voltando seus olhos cada vez mais para os países de origem. O BCG lista diversos exemplos de empresas que já levaram fábricas e trabalhos de volta aos Estados Unidos. A Caterpillar, uma fabricante de veículos agrários, está levando parte de sua produção de retro escavadeiras de volta ao Texas. A Sauder, uma fabricante norte-americana de móveis, também esta trazendo de volta a produção de países de salários baixos. A NCR levou de volta a produção de caixas eletrônicos para a Geórgia (o estado norte-americano, não o país ocasionalmente invadido pela Rússia). No ano passado, a Wham-O recuperou metade da produção de seus frisbees e bambolês em solo norte-americano, diminuindo sua produção na China e no México.
O BCG prevê um “renascimento da manufatura” nos Estados Unidos, mas há razões para o ceticismo. O surto de produção manufatureira do ano passado foi motivado pela necessidade de recuperar terreno perdido durante a crise financeira. Além disso, algumas das novas fábricas do país foram agraciadas com subsídios que podem, em breve, se esvair. Mas ainda assim, a nova economia da arbitragem trabalhista fará a diferença.
Ao invés de uma infinidade de fábricas voltando para o país, “salários mais altos na China podem fazer com que algumas empresas que iam diminuir suas operações nos Estados Unidos mantenham suas opções em aberto, mantendo suas fábricas no país”, diz Gary Pisano, da Harvard Business School. O anúncio, feito no dia 10 de maio, de que a General Motors (GM) irá investir US$ 2 bilhões para criar mais 4 mil empregos em 17 fábricas sustenta a visão de Pisano. A GM provavelmente não está criando muitos empregos novos, mas mantém nos Estados Unidos empregos que numa situação diferente, poderiam ter sido exportados.
Mesmo que salários na China disparem, algumas multinacionais terão dificuldade em trazer tantos empregos de volta para os Estados Unidos, afirma Pisano. Em algumas áreas, como em produtos eletrônicos, o país já não tem mais a base de oferta ou a infraestrutura necessárias. Empresas não perceberam, quando levaram suas operações para países de salários baixos, que algumas manobras seriam “praticamente irreversíveis”, diz Pisano.
Muitas multinacionais continuarão a construir a maior parte de suas novas fábricas em mercados emergentes, não para exportar seus produtos de volta, mas sim porque nesses mercados, a demanda está crescendo rapidamente. E empresas de outros países ricos provavelmente continuarão aproveitando a oportunidade de arbitragem trabalhista por mais tempo que as norte-americanas, diz Sirkin. Seus custos trabalhistas são mais altos que os dos Estados Unidos e permanecerão dessa forma a menos que o euro caia dramaticamente em relação ao yuan.
Não há lugar como o lar
A oportunidade da arbitragem trabalhista está desaparecendo cada vez mais rápido na manufatura básica na China. Outros setores e países são menos afetados. Como Pankaj Ghemawat, autor de “World 3.0”, destaca, apesar do rápido aumento salarial na Índia, sua indústria de softwares e terceirização de escritórios deve manter sua vantagem de custo pelos próximos anos, também graças ao seu rápido crescimento de produtividade.
Ainda assim, um número cada vez maior de multinacionais, especialmente nos países ricos, começam a ver os benefícios de manter porções cada vez maiores de sua produção perto de casa. Para muitos produtos, o trabalho é uma porção cada vez menor dos custos totais. E longas e complexas cadeias de fornecimento se mostram mais arriscadas do que muitas firmas perceberam. Quando os preços do petróleo disparam, o transporte se torna mais caro. Quando uma epidemia como a gripe aviária atinge a Ásia, ou quando um terremoto atinge o Japão, cadeias de fornecimento são interrompidas. “Houve uma clara redução das cadeias de fornecimento, especialmente aquelas com 30 ou 40 etapas no processo”, diz Ghemawat.
As empresas também estão tentando reduzir os custos de seu armazenamento. Importações da China para os Estados Unidos podem exigir que uma companhia utilize 100 dias de armazenamento. Esse fardo pode ser consideravelmente reduzido se os bens forem fabricados num local mais próximo (que poderia ser o México ao invés dos Estados Unidos).
As empresas estão pensando de maneira mais sofisticada a respeito de suas cadeias de fornecimento. Os chefes já não partem mais do princípio de que devem sempre produzir nos países com salários mais baixos. Cada vez mais, faz sentido produzir em uma variedade de locais, incluindo os Estados Unidos.
A ressurreição da manufatura norte-americana
Como muitos imigrantes, o australiano Andrew Liveris, chefe da Dow Chemical, compartilha do sonho americano. Mas agora ele teme que esse sonho esteja ameaçado. Liveris se tornou uma das principais vozes que pedem ao governo norte-americano que abrace a política industrial. Em julho do ano passado, a Dow lançou um plano para ressuscitar a manufatura norte-americana, que Liveris transformou em um livro, “Make it in America” (“Prospere na América”). No dia 24 de junho, o presidente Barack Obama o nomeou co-presidente do conselho de uma nova “Parceria Avançada de Manufatura”, que reúne governo, acadêmicos e homens de negócios para “traçar um mapa” rumo a um setor manufatureiro mais competitivo.
Liveris não está defendendo o protecionismo (Dois terços das receitas da Dow Chemical vêm de fora do país). Pelo contrário, ele quer que os Estados Unidos retomem a liderança na derrubada de barreiras comerciais, mas para isso, quer que que o governo desenvolva uma estratégia que permitas às empresas norte-americanas competirem com rivais estrangeiras. Outros países estão agindo como empresas, teme ele. A China e seus imitadores estão seguindo estratégias para criar empregos no setor manufatureiro, e os Estados Unidos também deveria se comportar como uma empresa, defende o chefe da Dow.
A empresa que ele tem em mente é, obviamente, a Dow. Outras empresas norte-americanas deveriam seguir os passos da Dow, se fastando da manufatura básica, rumo a uma espécie mais avançada que agrega mais valores. Se a Dow precisa de uma nova fonte de ingredientes básicos, ela se apoia principalmente em joint-ventures com empresas estrangeiras como a japonesa Mitsui. Mas seu foco principal são os elementos químicos que são usados para tudo, desde sistemas de purificação de água a telhas de tetos solares. A Dow tem centenas de produtos em seu arsenal, que irão explorar quatro “mega tendências”: energia limpa; saúde e nutrição; aumento do consumo nos mercados emergentes; e investimentos em transportes e infraestrutura.
Por décadas, a manufatura norte-americana deu lugar aos serviços. Liveris não acredita que isso seja desejável nem inevitável. A criação e a inovação caminham de mãos dadas, diz ele, e os empregos no setor manufatureiro têm um multiplicador maior (ou seja, cada emprego no setor cria mais empregos adicionais do que um emprego nos serviços). Nem todos os economistas concordam.
A imagem obsoleta do setor pode ter desencorajado os jovens norte-americanos, que deixaram de adquirir as habilidades necessárias para uma carreira na manufatura avançada, diz Liveris. “Norte-americanos costumam pensar nos empregos da manufatura como uma caricatura do que eles costumavam ser década atrás: empregos que exigem poucos talentos e menos pensamentos críticos”, resmunga ele. Fazer com que o país treine mais engenheiros e profissionais do ramo é uma peça-chave do plano.
Ele também acredita que os Estados Unidos devem se esforçar para atrair talento estrangeiro. Um bom começo, aponta Liveris, seria um aumento na emissão de vistos. Mais de um milhão de empregos nos ramos de ciência e tecnologia estarão disponíveis nos Estados Unidos em 2011, mas apenas 200 mil novos formandos terão as habilidades necessárias para preenchê-los. È por isso que engenheiros químicos estão entre os formandos mais bem pagos do mercado.
Subsídios “Made in USA”
Liveris repreende os reguladores por impor vários custos desnecessários nos negócios. Ele também quer que o país que o acolheu tenha uma das taxas corporativas mais baixas do mundo, como a registrada durante os anos 1980. Outras partes de seu plano são mais polêmicas. Ele quer que o governo ofereça maiores incentivos financeiros às empresas localizadas nos Estados Unidos, tornando o crédito fiscal de pesquisa e desenvolvimento permanente, e oferecendo isenções fiscais e benefícios para a construção de fábricas no país.
Isso é algo que a China já faz, observa Liveris. Muitas empresas norte-americanas deixaram o país para aproveitar benefícios financiados pelos contribuintes, e a Dow se beneficia enormemente. De acordo com Liveris, os termos de sua frutífera parceria com a China, ”não serão como nenhum que já tenha sido feito com uma nação”. A empresa já construiu um inovador centro de pesquisa e desenvolvimento nas cercanias de Xangai, criando produtos como a tinta que retira o formol do ar.
Empresas adoram receber dinheiro dos contribuintes. Se ele é um benefício, já é outra questão. Se os países competirem para oferecer os maiores subsídios, os principais vencedores podem ser os acionistas. É por isso que a União Europeia aplica pesadas restrições sobre o que chama de “ajuda estatal”.
Se Liveris está perturbado pela ideia de que os governos pequenos o considerariam um parasita, ele não demonstra. Os Estados Unidos precisam se livrar do pensamento de curto prazo que quase impediram sua transformação da Dow, afirma.
Em 2006, dois de seus principais executivos tentaram vender e empresa para a private-equity, e Liveris acredita que isso teria destruído a empresa. Em 2008, a crise financeira quase arruinou a compra da Rohm and Haas, outra firma do ramo de químicos. Liveris também reclama que o governo norte-americano “empaca a cada dois anos” com o ciclo eleitoral.
Ainda assim, Liveris diz que está otimista. “Esse país vai bem quando a crise paira no ar. Estamos reconhecendo que a escassez de empregos é uma crise. Se soarmos o sinal de alarme, podemos passar para a fase de soluções” Ele tem a solução certa? Comerciantes livres e outros do setor manufatureiro aplaudirão uma parte, por menor que seja, desse cenário. Já os contribuintes podem não ter muitas palmas.
Liveris não está defendendo o protecionismo (Dois terços das receitas da Dow Chemical vêm de fora do país). Pelo contrário, ele quer que os Estados Unidos retomem a liderança na derrubada de barreiras comerciais, mas para isso, quer que que o governo desenvolva uma estratégia que permitas às empresas norte-americanas competirem com rivais estrangeiras. Outros países estão agindo como empresas, teme ele. A China e seus imitadores estão seguindo estratégias para criar empregos no setor manufatureiro, e os Estados Unidos também deveria se comportar como uma empresa, defende o chefe da Dow.
A empresa que ele tem em mente é, obviamente, a Dow. Outras empresas norte-americanas deveriam seguir os passos da Dow, se fastando da manufatura básica, rumo a uma espécie mais avançada que agrega mais valores. Se a Dow precisa de uma nova fonte de ingredientes básicos, ela se apoia principalmente em joint-ventures com empresas estrangeiras como a japonesa Mitsui. Mas seu foco principal são os elementos químicos que são usados para tudo, desde sistemas de purificação de água a telhas de tetos solares. A Dow tem centenas de produtos em seu arsenal, que irão explorar quatro “mega tendências”: energia limpa; saúde e nutrição; aumento do consumo nos mercados emergentes; e investimentos em transportes e infraestrutura.
Por décadas, a manufatura norte-americana deu lugar aos serviços. Liveris não acredita que isso seja desejável nem inevitável. A criação e a inovação caminham de mãos dadas, diz ele, e os empregos no setor manufatureiro têm um multiplicador maior (ou seja, cada emprego no setor cria mais empregos adicionais do que um emprego nos serviços). Nem todos os economistas concordam.
A imagem obsoleta do setor pode ter desencorajado os jovens norte-americanos, que deixaram de adquirir as habilidades necessárias para uma carreira na manufatura avançada, diz Liveris. “Norte-americanos costumam pensar nos empregos da manufatura como uma caricatura do que eles costumavam ser década atrás: empregos que exigem poucos talentos e menos pensamentos críticos”, resmunga ele. Fazer com que o país treine mais engenheiros e profissionais do ramo é uma peça-chave do plano.
Ele também acredita que os Estados Unidos devem se esforçar para atrair talento estrangeiro. Um bom começo, aponta Liveris, seria um aumento na emissão de vistos. Mais de um milhão de empregos nos ramos de ciência e tecnologia estarão disponíveis nos Estados Unidos em 2011, mas apenas 200 mil novos formandos terão as habilidades necessárias para preenchê-los. È por isso que engenheiros químicos estão entre os formandos mais bem pagos do mercado.
Subsídios “Made in USA”
Liveris repreende os reguladores por impor vários custos desnecessários nos negócios. Ele também quer que o país que o acolheu tenha uma das taxas corporativas mais baixas do mundo, como a registrada durante os anos 1980. Outras partes de seu plano são mais polêmicas. Ele quer que o governo ofereça maiores incentivos financeiros às empresas localizadas nos Estados Unidos, tornando o crédito fiscal de pesquisa e desenvolvimento permanente, e oferecendo isenções fiscais e benefícios para a construção de fábricas no país.
Isso é algo que a China já faz, observa Liveris. Muitas empresas norte-americanas deixaram o país para aproveitar benefícios financiados pelos contribuintes, e a Dow se beneficia enormemente. De acordo com Liveris, os termos de sua frutífera parceria com a China, ”não serão como nenhum que já tenha sido feito com uma nação”. A empresa já construiu um inovador centro de pesquisa e desenvolvimento nas cercanias de Xangai, criando produtos como a tinta que retira o formol do ar.
Empresas adoram receber dinheiro dos contribuintes. Se ele é um benefício, já é outra questão. Se os países competirem para oferecer os maiores subsídios, os principais vencedores podem ser os acionistas. É por isso que a União Europeia aplica pesadas restrições sobre o que chama de “ajuda estatal”.
Se Liveris está perturbado pela ideia de que os governos pequenos o considerariam um parasita, ele não demonstra. Os Estados Unidos precisam se livrar do pensamento de curto prazo que quase impediram sua transformação da Dow, afirma.
Em 2006, dois de seus principais executivos tentaram vender e empresa para a private-equity, e Liveris acredita que isso teria destruído a empresa. Em 2008, a crise financeira quase arruinou a compra da Rohm and Haas, outra firma do ramo de químicos. Liveris também reclama que o governo norte-americano “empaca a cada dois anos” com o ciclo eleitoral.
Ainda assim, Liveris diz que está otimista. “Esse país vai bem quando a crise paira no ar. Estamos reconhecendo que a escassez de empregos é uma crise. Se soarmos o sinal de alarme, podemos passar para a fase de soluções” Ele tem a solução certa? Comerciantes livres e outros do setor manufatureiro aplaudirão uma parte, por menor que seja, desse cenário. Já os contribuintes podem não ter muitas palmas.
A loucura dos grandes homens
A aparição de Rupert Murdoch na Câmara dos Comuns fez com que o mundo debatesse se ele é um gênio do mal sofrendo os males de sua idade avançada ou um gênio do mal enganando o mundo. Balzac supostamente escreveu que “por trás de toda grande fortuna está um grande crime”. Seria mais correto afirmar que por trás de toda fortuna há uma aberração psicológica. Henry Ford detestava judeus. George Eastman apoiava a espionagem industrial. Thomas Watson transformou a IBM em um culto à personalidade. Michael Milken, o inventor das junk bonds foi preso. Richard Tedlow, da Harvard Business School diz que muitos dos “gigantes dos negócios” sofrem de um mal que os noruegueses chamam de stormannsgalskap: a loucura dos grandes homens.
A stormannsgalskap é particularmente comum entre os barões da mídia, especialmente porque eles transitam na tênue linha entre os relatos da realidade e a formação dessa mesma realidade a ser relatada. Suspeita-se que William Randolph Hearst teria fomentado a guerra Hispano-Americana para que seu jornal tivesse algo a reportar. Lorde Beaverbrook se considerava um “apontador de reis”, algo que ele fez literalmente no caso de George VI. A megalomania desses homens foi capturada em duas obras-primas. Cidadão Kane, o filme de Orson Welles, e Scoop, o romance de Evelyn Waugh.
O lado bruto dos empresários é quase sempre tão importante para seu sucesso quanto seu lado admirável. Não é possível remodelar toda uma indústria sem uma extraordinária confiança em sua certeza. E construir uma grande companhia do zero sem o que Tedlow chama de “imperialismo da alma” é um trabalho duro. A teimosia de Ford o levou a produzir carros em massa antes que existissem estradas suficientes para que eles circulassem. Mas ela também o cegou mais tarde, quando ele não percebeu que a General Motors estava vencendo a disputa comercial ao oferecer mais opções a seus consumidores. O desdém de Milken pelo modo como as coisas eram feitas o permitiu realizar uma revolução nos mercados financeiros, mas também não o fez perceber que estava violando a lei. O lado ruim dos grandes homens de negócios costuma piorar com a idade. Eles se cercam de familiares e lacaios, se tronam obsessivos com seus sucessos do passado, e passam a acreditar que são invulneráveis à medida em que a mortalidade se aproxima.
Os problemas de Murdoch seguem um padrão familiar. Ele construiu um império sendo mais esperto que companhias tradicionais ao redor do mundo e correu riscos extraordinários. No caminho, colecionou vários braços-direitos leais, que compartilham não apenas de suas opiniões conservadoras, mas também de sua visão “nós contra o resto do mundo”, e ele agora paga um preço por esse comportamento. Seu enorme império está ameaçado por uma única maçã podre. Antes de seu fechamento, o News of The World era responsável por menos de 1% das receitas da News Corporation. Ele foi aconselhado a se livrar do jornal, mas o manteve por uma forte ligação emocional.
A stormannsgalskap é particularmente comum entre os barões da mídia, especialmente porque eles transitam na tênue linha entre os relatos da realidade e a formação dessa mesma realidade a ser relatada. Suspeita-se que William Randolph Hearst teria fomentado a guerra Hispano-Americana para que seu jornal tivesse algo a reportar. Lorde Beaverbrook se considerava um “apontador de reis”, algo que ele fez literalmente no caso de George VI. A megalomania desses homens foi capturada em duas obras-primas. Cidadão Kane, o filme de Orson Welles, e Scoop, o romance de Evelyn Waugh.
O lado bruto dos empresários é quase sempre tão importante para seu sucesso quanto seu lado admirável. Não é possível remodelar toda uma indústria sem uma extraordinária confiança em sua certeza. E construir uma grande companhia do zero sem o que Tedlow chama de “imperialismo da alma” é um trabalho duro. A teimosia de Ford o levou a produzir carros em massa antes que existissem estradas suficientes para que eles circulassem. Mas ela também o cegou mais tarde, quando ele não percebeu que a General Motors estava vencendo a disputa comercial ao oferecer mais opções a seus consumidores. O desdém de Milken pelo modo como as coisas eram feitas o permitiu realizar uma revolução nos mercados financeiros, mas também não o fez perceber que estava violando a lei. O lado ruim dos grandes homens de negócios costuma piorar com a idade. Eles se cercam de familiares e lacaios, se tronam obsessivos com seus sucessos do passado, e passam a acreditar que são invulneráveis à medida em que a mortalidade se aproxima.
Os problemas de Murdoch seguem um padrão familiar. Ele construiu um império sendo mais esperto que companhias tradicionais ao redor do mundo e correu riscos extraordinários. No caminho, colecionou vários braços-direitos leais, que compartilham não apenas de suas opiniões conservadoras, mas também de sua visão “nós contra o resto do mundo”, e ele agora paga um preço por esse comportamento. Seu enorme império está ameaçado por uma única maçã podre. Antes de seu fechamento, o News of The World era responsável por menos de 1% das receitas da News Corporation. Ele foi aconselhado a se livrar do jornal, mas o manteve por uma forte ligação emocional.
Reprovados por má gestão
A maioria das pessoas pensa conhecer a aparência de um Estado falido. Um exemplo óbvio é a Somália, onde uma epidemia de fome no sul foi formalmente reconhecida pela ONU na semana passada.
De muitas maneiras a região atingida pela fome resume o colapso da autoridade: extremistas controlam estradas e mercados; o governo é impotente fora da capital; estrangeiros fornecem a pouca ajuda que há. Mas nem todos os Estados frágeis ou falidos se parecem com a Somália. Neste mês o Banco Mundial publicou sua lista anual de países por categoria de renda: rico, intermediário ou pobre. Vários países africanos estão em situação melhor do que a Somália; eles elevaram seu nível de renda de pobre a intermediário. Ainda assim, notavelmente, 15 dos 56 países de renda média baixa da lista (i.e. mais de um quarto dos países estudados) também aparecem na lista de Estados frágeis ou falidos. A falência de um Estado, tudo indica, não tem necessariamente a ver com outras desventuras humanas, como a pobreza, por exemplo.
Porque deve importar que um grupo de nações cruzou uma linha arbitrária separando países de renda média e baixa? O grupo é interessante por várias razões. Apesar de seus membros serem semiprósperos quando considerada a renda per capita, eles abrigam uma parcela grande e crescente de pessoas muito pobres. Países de renda média falidos ou frágeis englobam 180 milhões de pessoas do grupo mais necessitado do mundo (aqueles vivendo com menos de 1 US$ por mês). Este montante totaliza 17% do total das pessoas mais pobres do mundo – mais do que os 10% do total da população que vive em Estados pobres mas estáveis. Qualquer um preocupado com a mitigação da pobreza deve encarar esses Estados.
A categoria também cresceu rápido. Estados falidos costumavam ser pobres quase que por definição. Desde 2005, o grupo se expandiu em grande parte graças aos Estados que costumavam ser pobres terem se tornado mais ricos, mas não mais funcionais. Isso aponta para uma ampla lição sugerida pela ascensão deste novo grupo. Lugares indigentes costumam ser caóticos; mas aqueles que se encontram numa posição um pouco melhor não são necessariamente mais estáveis. A violência é mais responsável do que se pensava em manter estes países na pobreza. Ainda assim, países escapam da pobreza, mas nem sempre tornam-se mais pacíficos ao longo do processo.
Como o estudo que fundamenta o Relatório de Desenvolvimento Mundial revela, quase 70% das guerras e conflitos aconteceram no quartil mais pobre dos países nos anos ’60; pouco mais de 10% aconteceram no quartil acima, os países de renda média baixa. No ano 2000, entretanto, isso mudou. A parcela de conflitos no grupo de países mais pobres caiu abaixo dos 40%; a fatia dos países de renda média baixa subiu para mais de 40%. Conflitos estão se tornando mais comuns em países de renda média baixa, e governos fracos apontam para a violência de modo pelo menos tão enfático quando a própria pobreza.
*Texto adaptado para o Opinião e Notícia por Eduardo Sá
De muitas maneiras a região atingida pela fome resume o colapso da autoridade: extremistas controlam estradas e mercados; o governo é impotente fora da capital; estrangeiros fornecem a pouca ajuda que há. Mas nem todos os Estados frágeis ou falidos se parecem com a Somália. Neste mês o Banco Mundial publicou sua lista anual de países por categoria de renda: rico, intermediário ou pobre. Vários países africanos estão em situação melhor do que a Somália; eles elevaram seu nível de renda de pobre a intermediário. Ainda assim, notavelmente, 15 dos 56 países de renda média baixa da lista (i.e. mais de um quarto dos países estudados) também aparecem na lista de Estados frágeis ou falidos. A falência de um Estado, tudo indica, não tem necessariamente a ver com outras desventuras humanas, como a pobreza, por exemplo.
Porque deve importar que um grupo de nações cruzou uma linha arbitrária separando países de renda média e baixa? O grupo é interessante por várias razões. Apesar de seus membros serem semiprósperos quando considerada a renda per capita, eles abrigam uma parcela grande e crescente de pessoas muito pobres. Países de renda média falidos ou frágeis englobam 180 milhões de pessoas do grupo mais necessitado do mundo (aqueles vivendo com menos de 1 US$ por mês). Este montante totaliza 17% do total das pessoas mais pobres do mundo – mais do que os 10% do total da população que vive em Estados pobres mas estáveis. Qualquer um preocupado com a mitigação da pobreza deve encarar esses Estados.
A categoria também cresceu rápido. Estados falidos costumavam ser pobres quase que por definição. Desde 2005, o grupo se expandiu em grande parte graças aos Estados que costumavam ser pobres terem se tornado mais ricos, mas não mais funcionais. Isso aponta para uma ampla lição sugerida pela ascensão deste novo grupo. Lugares indigentes costumam ser caóticos; mas aqueles que se encontram numa posição um pouco melhor não são necessariamente mais estáveis. A violência é mais responsável do que se pensava em manter estes países na pobreza. Ainda assim, países escapam da pobreza, mas nem sempre tornam-se mais pacíficos ao longo do processo.
Como o estudo que fundamenta o Relatório de Desenvolvimento Mundial revela, quase 70% das guerras e conflitos aconteceram no quartil mais pobre dos países nos anos ’60; pouco mais de 10% aconteceram no quartil acima, os países de renda média baixa. No ano 2000, entretanto, isso mudou. A parcela de conflitos no grupo de países mais pobres caiu abaixo dos 40%; a fatia dos países de renda média baixa subiu para mais de 40%. Conflitos estão se tornando mais comuns em países de renda média baixa, e governos fracos apontam para a violência de modo pelo menos tão enfático quando a própria pobreza.
*Texto adaptado para o Opinião e Notícia por Eduardo Sá
Reforma fiscal é a grande chance de Barack Obama
Reformulação do sistema de impostos corporativos é a chave para combater desigualdade nos Estados Unidos
Qualquer que seja o acordo final para aumentar o teto da dívida fiscal norte-americana, ele certamente incluirá alguma espécie de promessa de que o Congresso e o presidente buscarão a “reforma fiscal” ou a “renovação fiscal”. O propósito não será apenas cortar as brechas fiscais e manter os impostos marginais baixos, mas também fazer com que as receitas subam de seu atual nível de 14,4% do PIB, um nível visto pela última vez na gestão Truman.
O termo “reforma fiscal” soa como música para liberais como Barack Obama. Ele carrega consigo o compromisso bipartidário e grandes negociações nas quais todos ganham. Conservadores ganham impostos mais baixos, liberais ganham um código fiscal mais justo com mais receitas para programas sociais, e menos benefícios para indústrias favorecidas.
Nada relativo à reforma fiscal será mais fácil que o acordo sobre o limite da dívida. Ainda assim, se um acordo orçamentário der ao Congresso uma missão, o objetivo da reforma fiscal pode significar muito mais do que uma simples aproximação da linha de receitas da linha de gastos. Como o código fiscal determina parâmetros básicos da estrutura econômica, pode ser uma oportunidade para mover todo o país na direção de uma maior justiça, crescimento e estabilidade financeira.
A maneira mais óbvia para que o código fiscal reduza a desigualdade parece ser a redistribuição – aumento dos impostos sobre os ricos, e então reduzindo taxas e subsídios para a classe operária e a classe média. Mas colocar em prática o plano de Obama seria como colher grandes fortunas com uma colher de chá e salpicá-la por todo o resto do país.
Como mostram dados recentes, uma porção considerável da enorme desigualdade econômica vem dos pagamentos a executivos dos altos escalões, que cresceram 430% desde os anos 1970, enquanto a média dos salário teve um aumento de apenas 26%. Indústrias inteiras, em especial a que fez de Mitt Romney um homem rico, o private equity, dependeu de regras fiscais que permitiam que transformassem o valor de suas empresas na forma de ganhos capitais.
Código promove desigualdade
O recente aumento na desigualdade é fruto das decisões de gestores corporativos que buscavam tirar mais dos lucros de suas empresas para si (41% dos maiores salários do país são de gestores corporativos), decisões essas que são encorajadas pelo código fiscal. Recompensando a si próprios com ações que acabam gerando um rendimento de curto prazo, eles tornaram suas companhias mais vulneráveis e seus empregados mais pobres.
Embora longe de ser a única causa da desigualdade estrutural, o código fiscal é uma grande parte dela, e a reforma fiscal pode alterara esse cenário. O primeiro passo é dar um fim ao tratamento especial de ganhos capitais e receitas de dividendos – não apenas porque os ricos ganham a maior parte de sua renda dessa forma, mas por causa dos incentivos criados para aumentar a desigualdade e o risco. Essa é uma reforma que, ao mesmo tempo, limparia o código e daria à população mais do que ela quer.
Quando tanta desigualdade é criada dentro de companhias únicas, por que não recompensar empresas que estão diminuindo o abismo salarial e taxar as que o aumentam? Em média, executivos-chefes levam para casa 350 vezes o salário dos trabalhadores, uma diferença que teve um aumento superior a 300% desde 1990 e que não aconteceu em nenhum outro país.
Leo Hindery, um ex-executivo das telecomunicações propôs uma penalidade fiscal para companhias nas quais a compensação executiva exceda um certo nível; outra proposta, apresentada pelo investidor Steve Silberstein, ajustaria a taxa de impostos corporativos com base na proporção salarial entre executivo-chefe e trabalhador médio. Uma companhia com uma proporção semelhante à registrada nos anos 1980, de 50:1, pagaria a taxa atual de 35%. Essa taxa subiria para companhias com proporções maiores e diminuiria para aquelas com proporções menores.
É claro que há muito trabalho a ser feito para garantir que essas propostas funcionem, mas essas ideias sugerem que a “reforma fiscal” pode ser muito mais que apenas um temeroso passo no projeto de responsabilidade fiscal. A cobrança de impostos gera a estrutura básica de incentivos na economia norte-americana, e as mudanças fiscais de Reagan e Bush não compreenderam isso. Se o acordo orçamentário levar à reforma fiscal, será uma ótima oportunidade para entendê-las dessa vez.
Qualquer que seja o acordo final para aumentar o teto da dívida fiscal norte-americana, ele certamente incluirá alguma espécie de promessa de que o Congresso e o presidente buscarão a “reforma fiscal” ou a “renovação fiscal”. O propósito não será apenas cortar as brechas fiscais e manter os impostos marginais baixos, mas também fazer com que as receitas subam de seu atual nível de 14,4% do PIB, um nível visto pela última vez na gestão Truman.
O termo “reforma fiscal” soa como música para liberais como Barack Obama. Ele carrega consigo o compromisso bipartidário e grandes negociações nas quais todos ganham. Conservadores ganham impostos mais baixos, liberais ganham um código fiscal mais justo com mais receitas para programas sociais, e menos benefícios para indústrias favorecidas.
Nada relativo à reforma fiscal será mais fácil que o acordo sobre o limite da dívida. Ainda assim, se um acordo orçamentário der ao Congresso uma missão, o objetivo da reforma fiscal pode significar muito mais do que uma simples aproximação da linha de receitas da linha de gastos. Como o código fiscal determina parâmetros básicos da estrutura econômica, pode ser uma oportunidade para mover todo o país na direção de uma maior justiça, crescimento e estabilidade financeira.
A maneira mais óbvia para que o código fiscal reduza a desigualdade parece ser a redistribuição – aumento dos impostos sobre os ricos, e então reduzindo taxas e subsídios para a classe operária e a classe média. Mas colocar em prática o plano de Obama seria como colher grandes fortunas com uma colher de chá e salpicá-la por todo o resto do país.
Como mostram dados recentes, uma porção considerável da enorme desigualdade econômica vem dos pagamentos a executivos dos altos escalões, que cresceram 430% desde os anos 1970, enquanto a média dos salário teve um aumento de apenas 26%. Indústrias inteiras, em especial a que fez de Mitt Romney um homem rico, o private equity, dependeu de regras fiscais que permitiam que transformassem o valor de suas empresas na forma de ganhos capitais.
Código promove desigualdade
O recente aumento na desigualdade é fruto das decisões de gestores corporativos que buscavam tirar mais dos lucros de suas empresas para si (41% dos maiores salários do país são de gestores corporativos), decisões essas que são encorajadas pelo código fiscal. Recompensando a si próprios com ações que acabam gerando um rendimento de curto prazo, eles tornaram suas companhias mais vulneráveis e seus empregados mais pobres.
Embora longe de ser a única causa da desigualdade estrutural, o código fiscal é uma grande parte dela, e a reforma fiscal pode alterara esse cenário. O primeiro passo é dar um fim ao tratamento especial de ganhos capitais e receitas de dividendos – não apenas porque os ricos ganham a maior parte de sua renda dessa forma, mas por causa dos incentivos criados para aumentar a desigualdade e o risco. Essa é uma reforma que, ao mesmo tempo, limparia o código e daria à população mais do que ela quer.
Quando tanta desigualdade é criada dentro de companhias únicas, por que não recompensar empresas que estão diminuindo o abismo salarial e taxar as que o aumentam? Em média, executivos-chefes levam para casa 350 vezes o salário dos trabalhadores, uma diferença que teve um aumento superior a 300% desde 1990 e que não aconteceu em nenhum outro país.
Leo Hindery, um ex-executivo das telecomunicações propôs uma penalidade fiscal para companhias nas quais a compensação executiva exceda um certo nível; outra proposta, apresentada pelo investidor Steve Silberstein, ajustaria a taxa de impostos corporativos com base na proporção salarial entre executivo-chefe e trabalhador médio. Uma companhia com uma proporção semelhante à registrada nos anos 1980, de 50:1, pagaria a taxa atual de 35%. Essa taxa subiria para companhias com proporções maiores e diminuiria para aquelas com proporções menores.
É claro que há muito trabalho a ser feito para garantir que essas propostas funcionem, mas essas ideias sugerem que a “reforma fiscal” pode ser muito mais que apenas um temeroso passo no projeto de responsabilidade fiscal. A cobrança de impostos gera a estrutura básica de incentivos na economia norte-americana, e as mudanças fiscais de Reagan e Bush não compreenderam isso. Se o acordo orçamentário levar à reforma fiscal, será uma ótima oportunidade para entendê-las dessa vez.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Para 'Economist', real forte é desafio no combate à inflação
Em um artigo publicado em sua última edição, a revista britânica The Economist diz que a valorização do real frente ao dólar representa um grande desafio para o Brasil no controle da inflação e compara os dois problemas, a alta da moeda brasileira e a inflação, a "cavalos selvagens".
De acordo com a revista, a dificuldade para o Banco Central é que cada alta dos juros - "já maiores que os de qualquer grande economia" - torna o Brasil mais atraente para o capital estrangeiro "sem limites", o que derruba a cotação do dólar, prejudicando as exportações.
Segundo a Economist, o real está "muito mais forte do que tanto o governo quando a indústria gostariam", com o dólar em sua cotação mais baixa em três anos.
A revista cita as “medidas macroprudenciais” tomadas pelo governo para tentar conter a inflação sem valorizar excessivamente o real, como o aumento do compulsório dos bancos.
"O perigo de tentar controlar a taxa de câmbio e a inflação simultaneamente é o risco de perder o controle de ambas", diz a Economist. "A política monetária no Brasil está tentando domar dois cavalos selvagens ao mesmo tempo."
A Economist diz que o governo brasileiro tem medo de “liberar o fluxo de capital externo, deixar o real se valorizar à vontade e cortar gastos para eliminar o crescente deficit fiscal”, algo que tem sido aconselhado por economistas na atual conjuntura, devido ao medo de que isso gere uma “fuga desestabilizadora” de capital caso países ricos adotem políticas monetárias mais restritivas, como, por exemplo, se aumentarem os juros.
A revista afirma ainda que outro grande desafio para a presidente Dilma Rousseff será o reajuste previsto do salário mínimo de 7,5% acima da inflação em 2012, o que aumentaria ainda mais os gastos públicos e pode gerar mais inflação.
De acordo com a revista, a dificuldade para o Banco Central é que cada alta dos juros - "já maiores que os de qualquer grande economia" - torna o Brasil mais atraente para o capital estrangeiro "sem limites", o que derruba a cotação do dólar, prejudicando as exportações.
Segundo a Economist, o real está "muito mais forte do que tanto o governo quando a indústria gostariam", com o dólar em sua cotação mais baixa em três anos.
A revista cita as “medidas macroprudenciais” tomadas pelo governo para tentar conter a inflação sem valorizar excessivamente o real, como o aumento do compulsório dos bancos.
"O perigo de tentar controlar a taxa de câmbio e a inflação simultaneamente é o risco de perder o controle de ambas", diz a Economist. "A política monetária no Brasil está tentando domar dois cavalos selvagens ao mesmo tempo."
A Economist diz que o governo brasileiro tem medo de “liberar o fluxo de capital externo, deixar o real se valorizar à vontade e cortar gastos para eliminar o crescente deficit fiscal”, algo que tem sido aconselhado por economistas na atual conjuntura, devido ao medo de que isso gere uma “fuga desestabilizadora” de capital caso países ricos adotem políticas monetárias mais restritivas, como, por exemplo, se aumentarem os juros.
A revista afirma ainda que outro grande desafio para a presidente Dilma Rousseff será o reajuste previsto do salário mínimo de 7,5% acima da inflação em 2012, o que aumentaria ainda mais os gastos públicos e pode gerar mais inflação.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Hesitação alemã agrava o impasse na ajuda à Grécia
A chanceler (premiê) da Alemanha, Angela Merkel, está sob crescente pressão externa por um papel menos hesitante na resolução da crise da dívida europeia.
Sua insistência para que credores privados arquem "voluntariamente" com cerca de € 30 bilhões de estimados € 115 bilhões de resgate da Grécia (um pré-requisito do Parlamento alemão para avalizar qualquer ajuda) criou um impasse para o avanço do programa grego.
As autoridades europeias e do FMI (Fundo Monetário Internacional) alertam que essa incerteza pode acabar contagiando a zona do euro.
"A Europa tem um encontro marcado com o destino. A salvação não vem das finanças, mas da política. E a política não pode mais cometer erros. Como aconteceu no Titanic, nem os passageiros da primeira classe serão salvos", afirmou na semana passada o ministro das Finanças da Itália, Giulio Tremonti.
Merkel diz que a Alemanha quer um acordo rápido, mas com uma solução "sensata". Ela afirma que recebe "feedbacks" contraditórios de banqueiros e economistas a respeito da real situação grega. "Como política, não posso fazer experimentos", disse, segundo a revista "Economist".
Enquanto claramente não quer que o bloco enfrente um colapso do sistema bancário, a chanceler é movida também pelo desejo de evitar que o seu país seja o líder de uma "união de transferência" sem fim ""uma espécie de "ajuda automática" das economias mais fortes para as economias mais fracas do bloco.
A Alemanha argumenta que já pagou a conta pela integração do Leste e que é hora de os demais países fazerem o seu dever de casa. Nesse ponto, Merkel tem amplo respaldo interno.
A revista semanal alemã "Stern" escreveu em sua última edição que a Grécia é uma "nova RDA" (a antiga Alemanha Oriental): um Estado endividado, uma economia em pedaços, uma elite desacreditada. E, como aquela, exige como solução "uma fonte [de dinheiro] sem fundo". "A história está se repetindo", escreveu.
O Políticobarômetro divulgado na sexta-feira pelo canal ZDF aponta que, embora 86% dos alemães estejam preocupados com a estabilidade do euro, 58% são contrários a que a Alemanha dê mais ajuda à Grécia.
É algo que Merkel não tem condições de enfrentar. Sua coalizão, feita por cristãos democratas e liberais, somaria hoje 35% em votos, 12 pontos a menos que verdes e sociais-democratas somados, segundo o instituto Forsa.
PERDAS E GANHOS
O fato é que a Alemanha se beneficiou da crise do euro: com o câmbio baixo, alavancou exportações e competitividade. Como maior credora na Europa, financiou o endividamento dos vizinhos.
Estima-se que os bancos alemães tenham € 10 bilhões em títulos da dívida grega. Metade está nas mãos do Deutsche Bank e do Commerzbank, que se "voluntariaram" a contribuir com € 3,2 bilhões no novo resgate.
Sua insistência para que credores privados arquem "voluntariamente" com cerca de € 30 bilhões de estimados € 115 bilhões de resgate da Grécia (um pré-requisito do Parlamento alemão para avalizar qualquer ajuda) criou um impasse para o avanço do programa grego.
As autoridades europeias e do FMI (Fundo Monetário Internacional) alertam que essa incerteza pode acabar contagiando a zona do euro.
"A Europa tem um encontro marcado com o destino. A salvação não vem das finanças, mas da política. E a política não pode mais cometer erros. Como aconteceu no Titanic, nem os passageiros da primeira classe serão salvos", afirmou na semana passada o ministro das Finanças da Itália, Giulio Tremonti.
Merkel diz que a Alemanha quer um acordo rápido, mas com uma solução "sensata". Ela afirma que recebe "feedbacks" contraditórios de banqueiros e economistas a respeito da real situação grega. "Como política, não posso fazer experimentos", disse, segundo a revista "Economist".
Enquanto claramente não quer que o bloco enfrente um colapso do sistema bancário, a chanceler é movida também pelo desejo de evitar que o seu país seja o líder de uma "união de transferência" sem fim ""uma espécie de "ajuda automática" das economias mais fortes para as economias mais fracas do bloco.
A Alemanha argumenta que já pagou a conta pela integração do Leste e que é hora de os demais países fazerem o seu dever de casa. Nesse ponto, Merkel tem amplo respaldo interno.
A revista semanal alemã "Stern" escreveu em sua última edição que a Grécia é uma "nova RDA" (a antiga Alemanha Oriental): um Estado endividado, uma economia em pedaços, uma elite desacreditada. E, como aquela, exige como solução "uma fonte [de dinheiro] sem fundo". "A história está se repetindo", escreveu.
O Políticobarômetro divulgado na sexta-feira pelo canal ZDF aponta que, embora 86% dos alemães estejam preocupados com a estabilidade do euro, 58% são contrários a que a Alemanha dê mais ajuda à Grécia.
É algo que Merkel não tem condições de enfrentar. Sua coalizão, feita por cristãos democratas e liberais, somaria hoje 35% em votos, 12 pontos a menos que verdes e sociais-democratas somados, segundo o instituto Forsa.
PERDAS E GANHOS
O fato é que a Alemanha se beneficiou da crise do euro: com o câmbio baixo, alavancou exportações e competitividade. Como maior credora na Europa, financiou o endividamento dos vizinhos.
Estima-se que os bancos alemães tenham € 10 bilhões em títulos da dívida grega. Metade está nas mãos do Deutsche Bank e do Commerzbank, que se "voluntariaram" a contribuir com € 3,2 bilhões no novo resgate.
sábado, 16 de julho de 2011
Guerra cambial não acabou, diz Mantega ao 'Financial Times'
O ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, afirmou em uma entrevista publicada nesta quarta-feira pelo diário britânico Financial Times que a chamada guerra cambial “absolutamente não terminou” e que o Brasil prepara novas medidas para controlar a valorização do real.
Mantega, que esteve em Londres para encontros com autoridades locais e com investidores, afirmou que o G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) ainda não conseguiu estabelecer novas regras para controlar as moedas e que ainda há “disputas entre países”, como os Estados Unidos e a China.
Notícias relacionadasDomésticas são reserva subutilizada de trabalho, diz MantegaFim de expansão monetária americana terá impacto limitado no Brasil, diz economistaMantega prevê U$ 65 bi de investimentos estrangeiros em 2011
Tópicos relacionadosEconomia, BrasilPara Mantega, o crescimento lento e as baixas taxas de juros nos países desenvolvidos continuam a estimular o fluxo de capitais para os países emergentes, como o Brasil, e pressionar pela valorização do real, forçando as autoridades a adotar medidas para controlar o problema.
“Sempre temos novas medidas para tomar”, afirmou Mantega ao jornal, acrescentando que elas não serão pré-anunciadas, mas incluiriam a intervenção nos mercados.
Nesta semana, o real chegou próximo ao seu nível mais alto em 12 anos, com uma cotação de R$ 1,55 por dólar, numa indicação de que as medidas tomadas nos últimos meses pelo governo para tentar conter a valorização da moeda não vêm dando os resultados esperados.
Para o jornal, “as ações do Brasil para limitar a apreciação da moeda realçam o dilema enfrentado por muitas das economias em crescimento rápido – incluindo Turquia, Chile, Colômbia e Rússia –, já que permitir a apreciação da moeda limita o superaquecimento, mas também prejudica a competitividade da indústria doméstica”.
Críticas
Mantega foi a primeira figura de peso internacional a usar a expressão "guerra cambial" para se referir às disputas sobre as moedas, no final de setembro do ano passado.
Os principais alvos de Mantega eram os Estados Unidos, que haviam recém-adotado um plano de estímulo econômico com a injeção de US$ 600 bilhões na economia.
Para Mantega, esse dinheiro acabava sendo direcionado para investimentos não produtivos nos países emergentes, em busca dos retornos oferecidos pelas altas taxas de juros, pressionando assim pela valorização das moedas locais.
Uma moeda valorizada reduz a competitividade da indústria do país, ao tornar seus produtos de exportação mais caros.
Outro alvo frequente de críticas na guerra cambial é a China, país que mantém um regime de câmbio controlado, o que deixa sua moeda artificialmente desvalorizada.
Mantega, que esteve em Londres para encontros com autoridades locais e com investidores, afirmou que o G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) ainda não conseguiu estabelecer novas regras para controlar as moedas e que ainda há “disputas entre países”, como os Estados Unidos e a China.
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“Sempre temos novas medidas para tomar”, afirmou Mantega ao jornal, acrescentando que elas não serão pré-anunciadas, mas incluiriam a intervenção nos mercados.
Nesta semana, o real chegou próximo ao seu nível mais alto em 12 anos, com uma cotação de R$ 1,55 por dólar, numa indicação de que as medidas tomadas nos últimos meses pelo governo para tentar conter a valorização da moeda não vêm dando os resultados esperados.
Para o jornal, “as ações do Brasil para limitar a apreciação da moeda realçam o dilema enfrentado por muitas das economias em crescimento rápido – incluindo Turquia, Chile, Colômbia e Rússia –, já que permitir a apreciação da moeda limita o superaquecimento, mas também prejudica a competitividade da indústria doméstica”.
Críticas
Mantega foi a primeira figura de peso internacional a usar a expressão "guerra cambial" para se referir às disputas sobre as moedas, no final de setembro do ano passado.
Os principais alvos de Mantega eram os Estados Unidos, que haviam recém-adotado um plano de estímulo econômico com a injeção de US$ 600 bilhões na economia.
Para Mantega, esse dinheiro acabava sendo direcionado para investimentos não produtivos nos países emergentes, em busca dos retornos oferecidos pelas altas taxas de juros, pressionando assim pela valorização das moedas locais.
Uma moeda valorizada reduz a competitividade da indústria do país, ao tornar seus produtos de exportação mais caros.
Outro alvo frequente de críticas na guerra cambial é a China, país que mantém um regime de câmbio controlado, o que deixa sua moeda artificialmente desvalorizada.
Mantega diz que 'perde mais sono' com real valorizado do que com inflação
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nessa quinta-feira em Paris que está "está perdendo mais o sono" por causa da valorização do real do que por causa das taxas de inflação, que "estão sob controle".
Mantega participou na capital francesa do seminário Second Brazil Business Summit, organizado pela revista britânica The Economist, que discutiuos desafios da economia brasileira.
Política econômicaGuerra cambial não acabou, diz Mantega ao 'Financial Times'Domésticas são reserva subutilizada de trabalho, diz MantegaTópicos relacionadosEconomia, BrasilO ministro declarou que as taxas de inflação vêm caindo e que as metas deverão ser cumpridas neste ano e nos próximos anos.
Já a valorização do real tem sido um fator maior de preocupação para o governo atualmente, afirmou Mantega.
"O cenário atual é muito desfavorável por causa das políticas monetárias expansionistas dos países avançados", afirmou.
"Os países desenvolvidos precisam parar com a política de expansão monetária. Talvez isso possa ocorrer com a reforma das regras do sistema monetário internacional para evitar a manipulação do câmbio", disse o ministro, que critica regularmente a política monetária americana.
Ao ser questionado sobre o fato de não fazer críticas em relação ao papel da China na questão do câmbio, o ministro afirmou que "critica todas as manipulações feitas com o câmbio, não apenas os Estados Unidos".
"Não sei se os EUA manipulam. O problema é a política expansionista, que leva à subvalorização do dólar. Mas, claro, a China manipula seu câmbio, que deveria ser flutuante", disse.
Mantega declarou ainda “que o Brasil não vai deixar de subir os juros por causa do câmbio”.
Medidas cambiais
O ministro voltou a declarar que o governo estuda medidas para conter a alta do real “porque a valorização tende a continuar”, mas não quis comentar quais iniciativas poderiam ser adotadas.
Para ele, a "guerra cambial continua" e poderá ficar mais intensa em razão da crise econômica nos países ricos.
Segundo Mantega, a economia brasileira "não está superaquecida" e "não há bolha de crédito no Brasil". "São as economias avançadas que estão subaquecidas", analisou.
"Os órgãos internacionais deveriam agradecer aos emergentes por terem mantido um nível de crescimento da economia mundial."
Mantega participou na capital francesa do seminário Second Brazil Business Summit, organizado pela revista britânica The Economist, que discutiuos desafios da economia brasileira.
Política econômicaGuerra cambial não acabou, diz Mantega ao 'Financial Times'Domésticas são reserva subutilizada de trabalho, diz MantegaTópicos relacionadosEconomia, BrasilO ministro declarou que as taxas de inflação vêm caindo e que as metas deverão ser cumpridas neste ano e nos próximos anos.
Já a valorização do real tem sido um fator maior de preocupação para o governo atualmente, afirmou Mantega.
"O cenário atual é muito desfavorável por causa das políticas monetárias expansionistas dos países avançados", afirmou.
"Os países desenvolvidos precisam parar com a política de expansão monetária. Talvez isso possa ocorrer com a reforma das regras do sistema monetário internacional para evitar a manipulação do câmbio", disse o ministro, que critica regularmente a política monetária americana.
Ao ser questionado sobre o fato de não fazer críticas em relação ao papel da China na questão do câmbio, o ministro afirmou que "critica todas as manipulações feitas com o câmbio, não apenas os Estados Unidos".
"Não sei se os EUA manipulam. O problema é a política expansionista, que leva à subvalorização do dólar. Mas, claro, a China manipula seu câmbio, que deveria ser flutuante", disse.
Mantega declarou ainda “que o Brasil não vai deixar de subir os juros por causa do câmbio”.
Medidas cambiais
O ministro voltou a declarar que o governo estuda medidas para conter a alta do real “porque a valorização tende a continuar”, mas não quis comentar quais iniciativas poderiam ser adotadas.
Para ele, a "guerra cambial continua" e poderá ficar mais intensa em razão da crise econômica nos países ricos.
Segundo Mantega, a economia brasileira "não está superaquecida" e "não há bolha de crédito no Brasil". "São as economias avançadas que estão subaquecidas", analisou.
"Os órgãos internacionais deveriam agradecer aos emergentes por terem mantido um nível de crescimento da economia mundial."
Modelo lulista de crescimento pode estar chegando ao limite, diz 'FT'
O modelo de crescimento econômico brasileiro estabelecido no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) pode estar chegando ao seu limite, segundo adverte reportagem publicada nesta quarta-feira pelo diário econômico britânico Financial Times.
"Mesmo com o Lulismo sendo enaltecido pela América Latina como uma possível solução para os problemas centenários de desigualdade e crescimento atrofiado no continente, há temores de que ele está chegando ao seu limite no Brasil", afirma o jornal.
Notícias relacionadasSão Paulo e Rio sobem na lista das cidades mais caras para estrangeirosAlta da inadimplência do consumidor é a maior em 9 anos, diz estudoEconomia brasileira é 'bicicleta difícil de pedalar,' diz 'Financial Times'
Tópicos relacionadosEconomia, BrasilO 'lulismo' é definido pela reportagem como o modelo que combinou a concessão de benefícios sociais, aumentos salariais generosos, fácil acesso ao crédito e a manutenção de uma economia estável. "É um modelo ao qual se atribui a retirada de 33 milhões da pobreza durante seus oito anos de governo", diz a reportagem.
O jornal observa que, assim como a China e a Índia, o Brasil cresceu na última década para se tornar uma importante força global, mas assim como os dois países asiáticos, "também mostra sinais de superaquecimento".
A reportagem lista sinais de alerta levantados por analistas, como o risco de uma bolha de crédito, a baixa taxa de investimentos, o fortalecimento do real ou a forte dependência da exportação de commodities a cotações elevadas, mas comenta que há também "vozes mais otimistas que rejeitam tais previsões".
Sucesso inquestionável
Para o jornal, "ninguém questiona o sucesso de Lula", que também contou com a sorte durante seu governo para entregar o país crescendo a 7,5% à sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff.
A reportagem comenta, porém, que "Lula também entregou a Dilma uma economia fragilizada por desequilíbrios", como o crescimento acelerado das importações, financiadas pelo fluxo de divisas gerado pela venda de commodities ao exterior a preços inflados.
Outro problema apontado é o risco de inflação, controlado por meio do aumento das taxas de juros, que por sua vez ajudam a pressionar pela valorização da moeda brasileira, reduzindo a competitividade da indústria nacional.
O jornal observa que "parte da inflação vem do crescimento rápido do crédito, particularmente empréstimos ao consumidor" e comenta que há análises divergentes sobre o risco do estouro de uma bolha de crédito no Brasil.
Segundo a reportagem, economistas sugerem que para compensar a perda de ímpeto do crescimento do crédito ao consumidor, o Brasil "deve aumentar os investimentos em infraestrutura e em educação para aliviar os gargalos em logística e aumentar a produtividade".
Apesar da previsão de investimentos da ordem de bilhões de dólares em infraestrutura por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o jornal diz que "os progressos até agora têm sido lentos".
A reportagem comenta ainda que a melhor maneira de financiar os investimentos é aumentando a eficiência do setor público, que se expandiu durante os dois governos Lula para chegar a um tamanho equivalente ao verificado nas economias avançadas, mas sem o mesmo nível de produtividade.
A necessidade de reformas no sistema de previdência e nas leis trabalhistas, porém, parecem pouco prováveis, segundo o jornal, por causa das dificuldades políticas em controlar uma coalizão governista com dez partidos.
'Milagre intacto'
Apesar de todos os sinais de alerta, o jornal observa que "o milagre econômico brasileiro parece intacto por ora".
"Espera-se um crescimento a respeitáveis 4% neste ano, igualando a média durante os governos de Lula", comenta o jornal.
Para a reportagem, com a perspectiva de receber a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil "raramente teve uma chance melhor de se livrar do clichê de ser 'o país do futuro que será sempre o país do futuro'".
"Mas o governo de Dilma terá antes que mostrar como planeja aumentar o investimento e ao mesmo tempo reduzir a dependência da economia dos preços voláteis das commodities e de consumidores sobrecarregados", diz.
"Mesmo com o Lulismo sendo enaltecido pela América Latina como uma possível solução para os problemas centenários de desigualdade e crescimento atrofiado no continente, há temores de que ele está chegando ao seu limite no Brasil", afirma o jornal.
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O jornal observa que, assim como a China e a Índia, o Brasil cresceu na última década para se tornar uma importante força global, mas assim como os dois países asiáticos, "também mostra sinais de superaquecimento".
A reportagem lista sinais de alerta levantados por analistas, como o risco de uma bolha de crédito, a baixa taxa de investimentos, o fortalecimento do real ou a forte dependência da exportação de commodities a cotações elevadas, mas comenta que há também "vozes mais otimistas que rejeitam tais previsões".
Sucesso inquestionável
Para o jornal, "ninguém questiona o sucesso de Lula", que também contou com a sorte durante seu governo para entregar o país crescendo a 7,5% à sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff.
A reportagem comenta, porém, que "Lula também entregou a Dilma uma economia fragilizada por desequilíbrios", como o crescimento acelerado das importações, financiadas pelo fluxo de divisas gerado pela venda de commodities ao exterior a preços inflados.
Outro problema apontado é o risco de inflação, controlado por meio do aumento das taxas de juros, que por sua vez ajudam a pressionar pela valorização da moeda brasileira, reduzindo a competitividade da indústria nacional.
O jornal observa que "parte da inflação vem do crescimento rápido do crédito, particularmente empréstimos ao consumidor" e comenta que há análises divergentes sobre o risco do estouro de uma bolha de crédito no Brasil.
Segundo a reportagem, economistas sugerem que para compensar a perda de ímpeto do crescimento do crédito ao consumidor, o Brasil "deve aumentar os investimentos em infraestrutura e em educação para aliviar os gargalos em logística e aumentar a produtividade".
Apesar da previsão de investimentos da ordem de bilhões de dólares em infraestrutura por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o jornal diz que "os progressos até agora têm sido lentos".
A reportagem comenta ainda que a melhor maneira de financiar os investimentos é aumentando a eficiência do setor público, que se expandiu durante os dois governos Lula para chegar a um tamanho equivalente ao verificado nas economias avançadas, mas sem o mesmo nível de produtividade.
A necessidade de reformas no sistema de previdência e nas leis trabalhistas, porém, parecem pouco prováveis, segundo o jornal, por causa das dificuldades políticas em controlar uma coalizão governista com dez partidos.
'Milagre intacto'
Apesar de todos os sinais de alerta, o jornal observa que "o milagre econômico brasileiro parece intacto por ora".
"Espera-se um crescimento a respeitáveis 4% neste ano, igualando a média durante os governos de Lula", comenta o jornal.
Para a reportagem, com a perspectiva de receber a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil "raramente teve uma chance melhor de se livrar do clichê de ser 'o país do futuro que será sempre o país do futuro'".
"Mas o governo de Dilma terá antes que mostrar como planeja aumentar o investimento e ao mesmo tempo reduzir a dependência da economia dos preços voláteis das commodities e de consumidores sobrecarregados", diz.
Israelenses e palestinos se unem em manifestação por independência palestina
Milhares de manifestantes israelenses e palestinos fizeram uma manifestação nesta sexta-feira em Jerusalém pela independência palestina, em um ato coordenado pelo grupo Solidariedade Sheikh Jerrach e comissões populares de palestinos de Jerusalém Oriental.
A manifestação reuniu cerca de 4 mil pessoas, começou no portão de Jaffa na Cidade de Velha e seguiu a linha divisória que separava Jerusalém ocidental da parte oriental da cidade antes da guerra de 1967.
Notícias relacionadasDezenas de milhares de israelenses marcham em Jerusalém OrientalIsrael aprova plebiscito para retirada de Jerusalém Oriental e de GolãPrefeitura de Jerusalém aprova 20 novos apartamentos para colonos
Tópicos relacionadosInternacional, Oriente médio, israelOs manifestantes exigem a criação de um Estado Palestino nas fronteiras pré-1967, com Jerusalém oriental como capital.
Do portão de Jaffa os manifestantes seguiram até o portão de Damasco, ao longo das muralhas da Cidade Velha. De lá, foram para o bairro palestino de Sheikh Jerrach, onde colonos israelenses instalaram um assentamento em casas confiscadas de moradores palestinos.
Os manifestantes levavam bandeiras palestinas e gritavam palavras de ordem, entre elas "judeus e árabes se recusam a ser inimigos".
A manifestação é considerada histórica, tanto pelo número sem precedentes de manifestantes dos dois lados como pela maneira como foi coordenada.
No passado já ocorreram manifestações conjuntas de ativistas israelenses e palestinos, mas o número de participantes não ultrapassou a casa dos centenas e os atos foram coordenados por lideranças pacifistas israelenses e lideranças palestinas.
Na manifestação desta sexta-feira a coordenação foi feita com comissões populares de moradores de Jerusalém Oriental;
Segundo os organizadores, "esta manifestação é um evento histórico na luta não-violenta para acabar com a ocupação".
"A manifestação prova que israelenses e palestinos são capazes de realizar juntos uma ação direta e não-violenta que terá um impacto importante nos eventos que acontecerão em setembro", afirmam porta-vozes dos ativistas, se referindo à reunião da Assembleia Geral da ONU.
Reconhecimento da ONU
O secretário da Liga Árabe, Nabil El Arabi, anunciou na quinta-feira que a organização irá pedir o reconhecimento da ONU ao Estado Palestino nas fronteiras de 1967.
O pedido será encaminhado ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral da ONU que deverá se reunir no próximo mês de setembro.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, declarou que "ainda prefere obter o Estado por intermédio de negociações com Israel".
Segundo Abbas, como as negociações estão congeladas, "não resta aos palestinos outro caminho exceto recorrer à ONU".
Segundo porta-vozes palestinos, 117 países dos 192 membros da ONU já prometeram que irão apoiar o pedido de reconhecimento da Palestina.
Israel e os Estados Unidos já anunciaram que são contra o pedido, o qual qualificam como "unilateral".
Europa e EUA
Nos últimos meses tanto os líderes palestinos como os israelenses vêm tentando convencer os países europeus a apoiar sua posição.
Ainda não se sabe como os principais países da Europa irão votar na Assembleia Geral da ONU.
Os Estados Unidos já prometeram a Israel que irão utilizar seu direito ao veto no Conselho de Segurança, portanto o Estado da Palestina não poderá ser aceito como membro integral da ONU.
O ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, que está visitando Israel, disse nesta sexta-feira que o reconhecimento da Assembleia Geral da ONU ao Estado Palestino "significa praticamente nada".
De acordo com a avaliação de Bolton, a Assembleia Geral certamente reconhecerá o Estado Palestino mas o veto americano impedirá que esse reconhecimento tenha um resultado prático.
Bolton afirmou ainda que Israel e os Estados Unidos "não deveriam levar isso (o reconhecimento da Assembleia Geral) tão a sério".
No entanto, apesar do veto americano, o presidente Abbas afirmou que irá prosseguir com seus esforços para obter o reconhecimento da Assembleia Geral, pois, segundo ele, uma votação da maioria dos países em favor da independência palestina "conferirá aos palestinos uma posição diplomática mais forte para negociar com Israel".
A manifestação reuniu cerca de 4 mil pessoas, começou no portão de Jaffa na Cidade de Velha e seguiu a linha divisória que separava Jerusalém ocidental da parte oriental da cidade antes da guerra de 1967.
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Do portão de Jaffa os manifestantes seguiram até o portão de Damasco, ao longo das muralhas da Cidade Velha. De lá, foram para o bairro palestino de Sheikh Jerrach, onde colonos israelenses instalaram um assentamento em casas confiscadas de moradores palestinos.
Os manifestantes levavam bandeiras palestinas e gritavam palavras de ordem, entre elas "judeus e árabes se recusam a ser inimigos".
A manifestação é considerada histórica, tanto pelo número sem precedentes de manifestantes dos dois lados como pela maneira como foi coordenada.
No passado já ocorreram manifestações conjuntas de ativistas israelenses e palestinos, mas o número de participantes não ultrapassou a casa dos centenas e os atos foram coordenados por lideranças pacifistas israelenses e lideranças palestinas.
Na manifestação desta sexta-feira a coordenação foi feita com comissões populares de moradores de Jerusalém Oriental;
Segundo os organizadores, "esta manifestação é um evento histórico na luta não-violenta para acabar com a ocupação".
"A manifestação prova que israelenses e palestinos são capazes de realizar juntos uma ação direta e não-violenta que terá um impacto importante nos eventos que acontecerão em setembro", afirmam porta-vozes dos ativistas, se referindo à reunião da Assembleia Geral da ONU.
Reconhecimento da ONU
O secretário da Liga Árabe, Nabil El Arabi, anunciou na quinta-feira que a organização irá pedir o reconhecimento da ONU ao Estado Palestino nas fronteiras de 1967.
O pedido será encaminhado ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral da ONU que deverá se reunir no próximo mês de setembro.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, declarou que "ainda prefere obter o Estado por intermédio de negociações com Israel".
Segundo Abbas, como as negociações estão congeladas, "não resta aos palestinos outro caminho exceto recorrer à ONU".
Segundo porta-vozes palestinos, 117 países dos 192 membros da ONU já prometeram que irão apoiar o pedido de reconhecimento da Palestina.
Israel e os Estados Unidos já anunciaram que são contra o pedido, o qual qualificam como "unilateral".
Europa e EUA
Nos últimos meses tanto os líderes palestinos como os israelenses vêm tentando convencer os países europeus a apoiar sua posição.
Ainda não se sabe como os principais países da Europa irão votar na Assembleia Geral da ONU.
Os Estados Unidos já prometeram a Israel que irão utilizar seu direito ao veto no Conselho de Segurança, portanto o Estado da Palestina não poderá ser aceito como membro integral da ONU.
O ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, que está visitando Israel, disse nesta sexta-feira que o reconhecimento da Assembleia Geral da ONU ao Estado Palestino "significa praticamente nada".
De acordo com a avaliação de Bolton, a Assembleia Geral certamente reconhecerá o Estado Palestino mas o veto americano impedirá que esse reconhecimento tenha um resultado prático.
Bolton afirmou ainda que Israel e os Estados Unidos "não deveriam levar isso (o reconhecimento da Assembleia Geral) tão a sério".
No entanto, apesar do veto americano, o presidente Abbas afirmou que irá prosseguir com seus esforços para obter o reconhecimento da Assembleia Geral, pois, segundo ele, uma votação da maioria dos países em favor da independência palestina "conferirá aos palestinos uma posição diplomática mais forte para negociar com Israel".
Brasil pode ser solução alternativa para crise econômica e política na UE e nos EUA
A ameaça de calote em certos países da União Europeia (UE) e o impasse político sobre a dívida pública dos Estados Unidos levaram alguns comentaristas a estabelecer paralelos entre as duas crises.
Gideon Rachman, editor-chefe do serviço internacional do jornal britânico "Financial Times" expôs os dados do problema. Segundo ele, os EUA e a UE se desenvolveram seguindo padrões históricos distintos.
De um lado, haveria o modelo europeu baseado no intervencionismo governamental e no Estado de bem-estar social (Welfare State), ou seja, nas garantias da saúde e do ensino público e de uma legislação protetora dos assalariados. De outro lado, o modelo americano, fundado na iniciativa privada, na livre empresa e na flexibilidade do mercado de trabalho.
Contudo, defende Rachman, os dois modelos enfrentam atualmente os mesmos entraves : "O problema básico é o mesmo. Os Estados Unidos e a União Europeia têm suas finanças públicas fora de controle e possuem sistemas políticos que não conseguem resolver o problema. A América e a Europa estão afundando no mesmo barco".
Prolongando a discussão, o editorial do jornal parisiense "Le Monde" situou a reflexão numa perspectiva histórica : "Os filósofos terão que estudar um dia esta características das democracias ocidentais deste começo do século 21: elas estão todas gravemente endividadas. Além do mais, essencialmente, este endividamento público precede a crise financeira de 2008-2009".
Um dos colunistas da revista "Economist" (que assina sempre com suas iniciais, M.S.), retomou o assunto no contexto global. Frente à crise econômica das democracias ocidentais, observa M.S., o crescimento da China enfraquece o argumento de que a democracia é uma condição necessária para o progresso econômico.
No final das contas, os desdobramentos da crise econômica e governamental na UE e nos EUA trazem de novo à ordem do dia as interrogações sobre a eficácia dos regimes políticos ocidentais e sobre os valores intrínsecos da democracia.
Para além do caso da China, tais dúvidas dão de novo destaque às vias políticas e econômicas seguidas pelos diferentes países emergentes. Neste contexto, a consolidação do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), segundo a formulação elaborada pela economista Jim O’Neill, (o qual desconsidera a inclusão da Africa do Sul no grupo, visto que o país possui apenas 50 milhões de habitantes), oferece à democracia brasileira todo a sua singularidade.
De fato, o Brasil é o único país dos Brics que se apresenta como uma plena democracia (ao contrário da Rússia e da China) e que não tem graves clivagens étnicas ou ameaça de conflito atômico com seus vizinhos (caso da Índia).
Luiz Felipe de Alencastro
Colunista do UOL Notícias
Gideon Rachman, editor-chefe do serviço internacional do jornal britânico "Financial Times" expôs os dados do problema. Segundo ele, os EUA e a UE se desenvolveram seguindo padrões históricos distintos.
De um lado, haveria o modelo europeu baseado no intervencionismo governamental e no Estado de bem-estar social (Welfare State), ou seja, nas garantias da saúde e do ensino público e de uma legislação protetora dos assalariados. De outro lado, o modelo americano, fundado na iniciativa privada, na livre empresa e na flexibilidade do mercado de trabalho.
Contudo, defende Rachman, os dois modelos enfrentam atualmente os mesmos entraves : "O problema básico é o mesmo. Os Estados Unidos e a União Europeia têm suas finanças públicas fora de controle e possuem sistemas políticos que não conseguem resolver o problema. A América e a Europa estão afundando no mesmo barco".
Prolongando a discussão, o editorial do jornal parisiense "Le Monde" situou a reflexão numa perspectiva histórica : "Os filósofos terão que estudar um dia esta características das democracias ocidentais deste começo do século 21: elas estão todas gravemente endividadas. Além do mais, essencialmente, este endividamento público precede a crise financeira de 2008-2009".
Um dos colunistas da revista "Economist" (que assina sempre com suas iniciais, M.S.), retomou o assunto no contexto global. Frente à crise econômica das democracias ocidentais, observa M.S., o crescimento da China enfraquece o argumento de que a democracia é uma condição necessária para o progresso econômico.
No final das contas, os desdobramentos da crise econômica e governamental na UE e nos EUA trazem de novo à ordem do dia as interrogações sobre a eficácia dos regimes políticos ocidentais e sobre os valores intrínsecos da democracia.
Para além do caso da China, tais dúvidas dão de novo destaque às vias políticas e econômicas seguidas pelos diferentes países emergentes. Neste contexto, a consolidação do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), segundo a formulação elaborada pela economista Jim O’Neill, (o qual desconsidera a inclusão da Africa do Sul no grupo, visto que o país possui apenas 50 milhões de habitantes), oferece à democracia brasileira todo a sua singularidade.
De fato, o Brasil é o único país dos Brics que se apresenta como uma plena democracia (ao contrário da Rússia e da China) e que não tem graves clivagens étnicas ou ameaça de conflito atômico com seus vizinhos (caso da Índia).
Luiz Felipe de Alencastro
Colunista do UOL Notícias
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Brasil vai crescer menos do que vizinhos em 2011, diz Cepal
A economia do Brasil deve crescer menos do que as de seus vizinhos em 2011, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Mesmo assim, segundo um economista da Comissão, o crescimento do Brasil deve ocorrer com menor volatilidade nos próximos anos.
Economia brasileiraCrescimento econômico estimula doméstica a mudar de empregoModelo lulista de crescimento pode estar chegando ao limite, diz 'FT'Economia brasileira é 'bicicleta difícil de pedalar,' diz 'Financial Times'Tópicos relacionadosEconomia, América Latina, Internacional, BrasilDe acordo com o Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2010-2011, o Brasil será, junto com a Guiana, o país que registrará o menor crescimento da América do Sul em 2011, com expansão de 4%.
Já o Panamá deverá registrar o maior crescimento na América Latina, com 8,5%, seguido da Argentina, com 8,3%. Para 2012, estima-se que o Brasil repetirá o crescimento de 4%.
O estudo da Cepal avalia que, na América do Sul, particularmente, o crescimento da economia é "favorecido pela melhora dos preços obtidos nas exportações de produtos básicos", como commodities agrícolas e minerais exportadas principalmente para a China.
A Cepal destaca ainda a expansão econômica do Haiti, que deve crescer 8% neste ano e no próximo, embalado pela reconstrução após o terremoto de 2010.
A economia do Peru, que vem registrando um dos maiores índices de crescimento do continente, deverá se expandir em 7,1%. A previsão para o Uruguai é de 6,8% - o Chile deve crescer 6,3%, o Paraguai, 5,7%, e a Venezuela, 4,5%.
Emprego
Para o economista da Cepal Carlos Mussi, a expansão menor do Brasil indica que o país está preocupado em manter uma trajetória de crescimento "sem maior volatilidade" e "com geração de empregos e aumento da renda".
Mussi recorda que o Brasil cresceu 7,5% no ano passado e afirma que a redução no crescimento foi resultado do "aumento nas taxas de juros e do corte dos gastos" que seguraram o ritmo da inflação.
Segundo o economista, o Brasil respondeu "rapidamente" à crise internacional, a partir de 2009. O "crescimento acelerado" acabou provocando "pressão sobre os preços", mas sem afetar "a geração de empregos e o aumento da renda", avalia Mussi.
De acordo com a Cepal, o crescimento vai se refletir no mercado de trabalho da região, com uma queda no desemprego de 7,3% em 2010 para um percentual entre 6,7% e 7% em 2011.
O crescimento resultará também em "um aumento de 3,6% do PIB per capita", segundo o relatório. O estudo da Cepal prevê que, em seu conjunto, os países da América Latina e do Caribe vão crescer 4,7% em 2011.
Segundo o documento, espera-se uma expansão de 4,1% em 2012 devido a "um contexto internacional menos favorável".
Demanda interna
Segundo a Cepal, a região deve manter em 2011 a recuperação iniciada na segunda metade de 2009, "graças ao impulso da demanda interna" e com uma "melhora dos indicadores do trabalho e aumento do crédito".
A secretária-executiva da instituição, Alicia Bárcena, faz ressalvas, no entanto, sobre a capacidade dos países da região de administrar o crescimento econômico.
No comunicado, o organismo ressalva que as autoridades "devem implementar medidas para conter a apreciação cambial, combinando intervenções nos mercados de câmbio, controle na entrada de capitais e regulamentações financeiras".
A Cepal diz ainda que a região terá maior potencial de crescimento nos próximos anos se tiver uma "política fiscal orientada para o aumento da poupança do setor público".
Mesmo assim, segundo um economista da Comissão, o crescimento do Brasil deve ocorrer com menor volatilidade nos próximos anos.
Economia brasileiraCrescimento econômico estimula doméstica a mudar de empregoModelo lulista de crescimento pode estar chegando ao limite, diz 'FT'Economia brasileira é 'bicicleta difícil de pedalar,' diz 'Financial Times'Tópicos relacionadosEconomia, América Latina, Internacional, BrasilDe acordo com o Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2010-2011, o Brasil será, junto com a Guiana, o país que registrará o menor crescimento da América do Sul em 2011, com expansão de 4%.
Já o Panamá deverá registrar o maior crescimento na América Latina, com 8,5%, seguido da Argentina, com 8,3%. Para 2012, estima-se que o Brasil repetirá o crescimento de 4%.
O estudo da Cepal avalia que, na América do Sul, particularmente, o crescimento da economia é "favorecido pela melhora dos preços obtidos nas exportações de produtos básicos", como commodities agrícolas e minerais exportadas principalmente para a China.
A Cepal destaca ainda a expansão econômica do Haiti, que deve crescer 8% neste ano e no próximo, embalado pela reconstrução após o terremoto de 2010.
A economia do Peru, que vem registrando um dos maiores índices de crescimento do continente, deverá se expandir em 7,1%. A previsão para o Uruguai é de 6,8% - o Chile deve crescer 6,3%, o Paraguai, 5,7%, e a Venezuela, 4,5%.
Emprego
Para o economista da Cepal Carlos Mussi, a expansão menor do Brasil indica que o país está preocupado em manter uma trajetória de crescimento "sem maior volatilidade" e "com geração de empregos e aumento da renda".
Mussi recorda que o Brasil cresceu 7,5% no ano passado e afirma que a redução no crescimento foi resultado do "aumento nas taxas de juros e do corte dos gastos" que seguraram o ritmo da inflação.
Segundo o economista, o Brasil respondeu "rapidamente" à crise internacional, a partir de 2009. O "crescimento acelerado" acabou provocando "pressão sobre os preços", mas sem afetar "a geração de empregos e o aumento da renda", avalia Mussi.
De acordo com a Cepal, o crescimento vai se refletir no mercado de trabalho da região, com uma queda no desemprego de 7,3% em 2010 para um percentual entre 6,7% e 7% em 2011.
O crescimento resultará também em "um aumento de 3,6% do PIB per capita", segundo o relatório. O estudo da Cepal prevê que, em seu conjunto, os países da América Latina e do Caribe vão crescer 4,7% em 2011.
Segundo o documento, espera-se uma expansão de 4,1% em 2012 devido a "um contexto internacional menos favorável".
Demanda interna
Segundo a Cepal, a região deve manter em 2011 a recuperação iniciada na segunda metade de 2009, "graças ao impulso da demanda interna" e com uma "melhora dos indicadores do trabalho e aumento do crédito".
A secretária-executiva da instituição, Alicia Bárcena, faz ressalvas, no entanto, sobre a capacidade dos países da região de administrar o crescimento econômico.
No comunicado, o organismo ressalva que as autoridades "devem implementar medidas para conter a apreciação cambial, combinando intervenções nos mercados de câmbio, controle na entrada de capitais e regulamentações financeiras".
A Cepal diz ainda que a região terá maior potencial de crescimento nos próximos anos se tiver uma "política fiscal orientada para o aumento da poupança do setor público".
Armadilha de ‘chulé’ para combater mosquito da malária
Um jovem pesquisador da Tanzânia desenvolveu uma armadilha de "chulé" artificial, que atrai quatro vezes mais o mosquito causador da malária do que outros meios de combate tradicionais. A pesquisa foi reconhecida e premiada nesta quarta-feira por duas organizações da América do Norte.
O estudo foi liderado por Fredros Okumu, chefe de pesquisa do Instituto de Saúde de Ifakara, na Tanzânia. Sua equipe desenvolveu um odor artificial, que imita o cheiro do chulé presente em meias e que é colocado dentro de uma armadilha.
Notícias relacionadasQuímicos que confundem mosquito são aposta para nova geração de repelentesEUA conduzem primeiro teste em humanos de vacina contra maláriaCientistas criam mosquito imune à malária
Tópicos relacionadosCiência, áfrica, Direitos Humanos, InternacionalO odor pode atrair mosquitos em um raio de 110 m de distância. Por conter substâncias venenosas em sua composição, o cheiro acaba matando os insetos.
Nesta quarta-feira, a Fundação Bill e Melinda Gates, dos Estados Unidos, e a Grand Challenge Canada concederam um prêmio de US$ 775 mil (cerca de R$ 1,2 milhão) à equipe de Okumu, para que dê continuidade aos estudos.
Possível erradicação
O experimento de Okumu foi baseado nos resultados da pesquisa do holandês Bart Knols, que há mais de uma década concluiu que o odor dos pés é um atrativo para as moscas.
A inovação promovida na Tanzânia, no entanto, é o cheiro artificial, mais eficiente, e o uso da armadilha com o inseticida.
"Nós sabiamos que, se você estiver vestindo uma meia, atrai o mosquito para o seu pé. Não por causa do material da meia, mas por causa do odor do pé, que adere ao tecido", disse.
A pesquisa de Okumu, que durou dois anos, pretende amenizar um problema crônico na África e em outras regiões tropicais do mundo: o alto índice de mortes por malária.
A cada ano, 220 milhões de pessoas contraem a doença, transmitida por mosquitos, e cerca de 800 mil pessoas morrem, segundo a ONU. A grande maioria das vítimas são pobres e crianças.
Okumu faz um apelo para que os investimentos no combate à malária não sejam interrompidos.
Segundo ele, se o financiamento continuar no atual patamar pelos próximos dez anos, é possível que o mundo fique mais próximo da erradicação da malária.
O estudo foi liderado por Fredros Okumu, chefe de pesquisa do Instituto de Saúde de Ifakara, na Tanzânia. Sua equipe desenvolveu um odor artificial, que imita o cheiro do chulé presente em meias e que é colocado dentro de uma armadilha.
Notícias relacionadasQuímicos que confundem mosquito são aposta para nova geração de repelentesEUA conduzem primeiro teste em humanos de vacina contra maláriaCientistas criam mosquito imune à malária
Tópicos relacionadosCiência, áfrica, Direitos Humanos, InternacionalO odor pode atrair mosquitos em um raio de 110 m de distância. Por conter substâncias venenosas em sua composição, o cheiro acaba matando os insetos.
Nesta quarta-feira, a Fundação Bill e Melinda Gates, dos Estados Unidos, e a Grand Challenge Canada concederam um prêmio de US$ 775 mil (cerca de R$ 1,2 milhão) à equipe de Okumu, para que dê continuidade aos estudos.
Possível erradicação
O experimento de Okumu foi baseado nos resultados da pesquisa do holandês Bart Knols, que há mais de uma década concluiu que o odor dos pés é um atrativo para as moscas.
A inovação promovida na Tanzânia, no entanto, é o cheiro artificial, mais eficiente, e o uso da armadilha com o inseticida.
"Nós sabiamos que, se você estiver vestindo uma meia, atrai o mosquito para o seu pé. Não por causa do material da meia, mas por causa do odor do pé, que adere ao tecido", disse.
A pesquisa de Okumu, que durou dois anos, pretende amenizar um problema crônico na África e em outras regiões tropicais do mundo: o alto índice de mortes por malária.
A cada ano, 220 milhões de pessoas contraem a doença, transmitida por mosquitos, e cerca de 800 mil pessoas morrem, segundo a ONU. A grande maioria das vítimas são pobres e crianças.
Okumu faz um apelo para que os investimentos no combate à malária não sejam interrompidos.
Segundo ele, se o financiamento continuar no atual patamar pelos próximos dez anos, é possível que o mundo fique mais próximo da erradicação da malária.
Entenda a crise na Grécia e suas implicações
Em meio a protestos populares em Atenas, o Parlamento grego aprovou um pacote de medidas de austeridade exigidas pelo FMI e a União Europeia (UE), para que a Grécia, que está em uma grave crise fiscal, receba a última parcela de um resgate financeiro.
Um segundo empréstimo já está sendo formulado, para evitar que a Grécia declare a moratória de sua dívida, o que poderia levar a uma série de calotes de outros países europeus igualmente em crise e à contaminação do sistema financeiro mundial.
Crise gregaSarkozy pede união para salvar euro e ajudar GréciaTópicos relacionadosEconomia, Europa, União EuropeiaEntenda melhor a crise da dívida da Grécia:
Por que a Grécia já precisa de um segundo pacote de resgate?
O pacote original foi aprovado há pouco mais de um ano, em maio de 2010.
A razão para o resgate é que o país estava tendo dificuldades em obter dinheiro emprestado no mercado para quitar suas dívidas. Por isso recorreu à União Europeia e ao FMI.
A ideia era dar à Grécia tempo para sanear sua economia, o que reduziria os custos para que o país obtivesse dinheiro no mercado.
Mas isso não ocorreu até agora. Pelo contrário: a agência de classificação de risco S&P recentemente deu à Grécia a pior nota de risco do mundo (dentre os países monitorados pela agência).
Assim, o país continua tendo diversas dívidas a serem quitadas, mas não é capaz de obter dinheiro comercialmente para refinanciá-las.
Por que a Grécia está nessa situação?
A Grécia gastou bem mais do que podia na última década, pedindo empréstimos pesados e deixando sua economia refém da crescente dívida.
Nesse período, os gastos públicos foram às alturas, e os salários do funcionalismo praticamente dobraram.
Enquanto os cofres públicos eram esvaziados pelos gastos, a receita era afetada pela evasão de impostos – deixando o país totalmente vulnerável quando o mundo foi afetado pela crise de crédito de 2008.
O montante da dívida deixou investidores relutantes em emprestar mais dinheiro ao país. Hoje, eles exigem juros bem mais altos para novos empréstimos que refinanciem sua dívida.
O que a Grécia está fazendo para reverter a crise?
A Grécia apresentou planos para cortar seu deficit de maneira escalonada.
Para isso, o Parlamento grego aprovou, em 29 de junho, um pacote de medidas de austeridade apresentado pelo governo.
O plano prevê aumentos de impostos, cortes orçamentários, redução de benefícios previdenciários e privatizações, durante um período de cinco anos.
Para o setor público, o pacote do governo estabelece redução de ganhos de servidores e tetos salariais.
O plano prevê ainda o aumento da idade para a aposentadoria, em uma tentativa de economizar dinheiro no sistema de pensões, já sobrecarregado.
A população reagiu com protestos, alguns deles violentos.
Muitos servidores públicos acreditam que a crise foi criada por forças externas, como especuladores internacionais e banqueiros da Europa central.
Os dois maiores sindicatos do país classificaram as medidas de austeridade como “antipopulares” e “bárbaras”.
Por que a Grécia não declara moratória de suas dívidas?
Se o país não fosse membro da zona do euro, talvez fosse tentador declarar a moratória, o que significaria deixar de pagar os juros das dívidas ou pressionar os credores a aceitar pagamentos menores e perdoar parte da dívida.
No caso da Grécia, isso traria enormes dificuldades. As taxas de juros pagas pelos governos da zona do euro têm sido mantidas baixas ante a presunção de que a UE e o Banco Central Europeu proveriam assistência a países da região, justamente para evitar calotes.
Uma moratória grega, além de estimular países como Irlanda e Portugal a fazerem o mesmo, significaria um aumento de custos para empréstimos tomados pelos países menores da UE, sendo que alguns deles já sofrem para manter seus pagamentos em dia.
Se Irlanda e Portugal seguissem o caminho do calote, os bancos que lhes emprestaram dinheiro seriam afetados, o que elevaria a demanda por fundos do Banco Central Europeu.
Por isso, enquanto a Europa conseguir bancar a ajuda aos países com problemas e evitar seu calote, é provável que continue fazendo isso.
Então por que os países europeus não concordam logo com um novo pacote de resgate?
Alguns governos, como o da Alemanha, já defenderam que os bancos privados europeus também entrem na ajuda à Grécia. No entanto, existem temores de que o envolvimento destas instituições traga graves riscos ao mercado financeiro.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, já chegou a um acordo para que os bancos franceses ajudem a Grécia, dando ao país mais tempo para pagar dívidas que estão prestes a vencer.
Os demais bancos da zona do euro estão sendo pressionados pelos governos para também ajudar o governo grego. As instituições alemãs já estariam interessadas no modelo francês.
No entanto, as agências de classificação de crédito, que estimam se a compra de bônus das dívidas dos países vale ou não a pena, já afirmaram que qualquer rolagem da dívida grega será considerada um "calote técnico", que pode levar à insolvência.
A agência de classificação de risco Moody’s já declarou que pode rebaixar a nota dos três maiores bancos da França por causa de sua vulnerabilidade à dívida grega.
A crise na Grécia pode se espalhar?
Se a Grécia promover um calote, os problemas podem se espalhar para a Irlanda e Portugal.
Mesmo sem uma moratória, ainda pode haver dificuldades, já que os pacotes de resgate oferecidos a esses dois países foram estruturados para ajudar Lisboa e Dublin até que seus governos fossem novamente capazes de obter dinheiro no mercado – como no caso de Atenas.
Um calote grego pode fazer com que investidores questionem se a Irlanda e Portugal não seguirão o mesmo caminho.
O problema real diz respeito ao que acontecerá com a Espanha, que só tem conseguido obter dinheiro no mercado a custos crescentes.
A economia espanhola equivale à soma das economias grega, irlandesa e portuguesa. Seria muito mais difícil para a UE estruturar, caso seja necessário, um pacote de resgate para um país dessa dimensão.
Um segundo empréstimo já está sendo formulado, para evitar que a Grécia declare a moratória de sua dívida, o que poderia levar a uma série de calotes de outros países europeus igualmente em crise e à contaminação do sistema financeiro mundial.
Crise gregaSarkozy pede união para salvar euro e ajudar GréciaTópicos relacionadosEconomia, Europa, União EuropeiaEntenda melhor a crise da dívida da Grécia:
Por que a Grécia já precisa de um segundo pacote de resgate?
O pacote original foi aprovado há pouco mais de um ano, em maio de 2010.
A razão para o resgate é que o país estava tendo dificuldades em obter dinheiro emprestado no mercado para quitar suas dívidas. Por isso recorreu à União Europeia e ao FMI.
A ideia era dar à Grécia tempo para sanear sua economia, o que reduziria os custos para que o país obtivesse dinheiro no mercado.
Mas isso não ocorreu até agora. Pelo contrário: a agência de classificação de risco S&P recentemente deu à Grécia a pior nota de risco do mundo (dentre os países monitorados pela agência).
Assim, o país continua tendo diversas dívidas a serem quitadas, mas não é capaz de obter dinheiro comercialmente para refinanciá-las.
Por que a Grécia está nessa situação?
A Grécia gastou bem mais do que podia na última década, pedindo empréstimos pesados e deixando sua economia refém da crescente dívida.
Nesse período, os gastos públicos foram às alturas, e os salários do funcionalismo praticamente dobraram.
Enquanto os cofres públicos eram esvaziados pelos gastos, a receita era afetada pela evasão de impostos – deixando o país totalmente vulnerável quando o mundo foi afetado pela crise de crédito de 2008.
O montante da dívida deixou investidores relutantes em emprestar mais dinheiro ao país. Hoje, eles exigem juros bem mais altos para novos empréstimos que refinanciem sua dívida.
O que a Grécia está fazendo para reverter a crise?
A Grécia apresentou planos para cortar seu deficit de maneira escalonada.
Para isso, o Parlamento grego aprovou, em 29 de junho, um pacote de medidas de austeridade apresentado pelo governo.
O plano prevê aumentos de impostos, cortes orçamentários, redução de benefícios previdenciários e privatizações, durante um período de cinco anos.
Para o setor público, o pacote do governo estabelece redução de ganhos de servidores e tetos salariais.
O plano prevê ainda o aumento da idade para a aposentadoria, em uma tentativa de economizar dinheiro no sistema de pensões, já sobrecarregado.
A população reagiu com protestos, alguns deles violentos.
Muitos servidores públicos acreditam que a crise foi criada por forças externas, como especuladores internacionais e banqueiros da Europa central.
Os dois maiores sindicatos do país classificaram as medidas de austeridade como “antipopulares” e “bárbaras”.
Por que a Grécia não declara moratória de suas dívidas?
Se o país não fosse membro da zona do euro, talvez fosse tentador declarar a moratória, o que significaria deixar de pagar os juros das dívidas ou pressionar os credores a aceitar pagamentos menores e perdoar parte da dívida.
No caso da Grécia, isso traria enormes dificuldades. As taxas de juros pagas pelos governos da zona do euro têm sido mantidas baixas ante a presunção de que a UE e o Banco Central Europeu proveriam assistência a países da região, justamente para evitar calotes.
Uma moratória grega, além de estimular países como Irlanda e Portugal a fazerem o mesmo, significaria um aumento de custos para empréstimos tomados pelos países menores da UE, sendo que alguns deles já sofrem para manter seus pagamentos em dia.
Se Irlanda e Portugal seguissem o caminho do calote, os bancos que lhes emprestaram dinheiro seriam afetados, o que elevaria a demanda por fundos do Banco Central Europeu.
Por isso, enquanto a Europa conseguir bancar a ajuda aos países com problemas e evitar seu calote, é provável que continue fazendo isso.
Então por que os países europeus não concordam logo com um novo pacote de resgate?
Alguns governos, como o da Alemanha, já defenderam que os bancos privados europeus também entrem na ajuda à Grécia. No entanto, existem temores de que o envolvimento destas instituições traga graves riscos ao mercado financeiro.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, já chegou a um acordo para que os bancos franceses ajudem a Grécia, dando ao país mais tempo para pagar dívidas que estão prestes a vencer.
Os demais bancos da zona do euro estão sendo pressionados pelos governos para também ajudar o governo grego. As instituições alemãs já estariam interessadas no modelo francês.
No entanto, as agências de classificação de crédito, que estimam se a compra de bônus das dívidas dos países vale ou não a pena, já afirmaram que qualquer rolagem da dívida grega será considerada um "calote técnico", que pode levar à insolvência.
A agência de classificação de risco Moody’s já declarou que pode rebaixar a nota dos três maiores bancos da França por causa de sua vulnerabilidade à dívida grega.
A crise na Grécia pode se espalhar?
Se a Grécia promover um calote, os problemas podem se espalhar para a Irlanda e Portugal.
Mesmo sem uma moratória, ainda pode haver dificuldades, já que os pacotes de resgate oferecidos a esses dois países foram estruturados para ajudar Lisboa e Dublin até que seus governos fossem novamente capazes de obter dinheiro no mercado – como no caso de Atenas.
Um calote grego pode fazer com que investidores questionem se a Irlanda e Portugal não seguirão o mesmo caminho.
O problema real diz respeito ao que acontecerá com a Espanha, que só tem conseguido obter dinheiro no mercado a custos crescentes.
A economia espanhola equivale à soma das economias grega, irlandesa e portuguesa. Seria muito mais difícil para a UE estruturar, caso seja necessário, um pacote de resgate para um país dessa dimensão.
Itália vota pacote de cortes de gastos para tentar acalmar mercados
Após a queda dos títulos no começo da semana e dos temores que o país fosse atingido por uma crise como a da Grécia, o Parlamento da Itália vota a partir desta quinta-feira uma série de medidas para tentar reduzir o déficit publico e dar um sinal forte ao mercado internacional.
O plano econômico prevê sobretudo uma redução de gastos públicos, ajustes e cortes no setor previdenciário, redução dos subsídios do governo para administrações regionais, liberalização do mercado, taxação de ganhos em operações financeiras e proibição de que funcionários acumulem cargos públicos.
Crises europeiasEntenda a crise na Grécia e suas implicaçõesSaiba mais sobre o pacote de austeridade da GréciaPesquisa indica aumento em índice de suicídios na Europa durante criseTópicos relacionadosEconomia, União EuropeiaO corte previsto no orçamento é de 79 bilhões de euros (cerca de R$ 180 bilhões), de forma progressiva num prazo de quatro anos, com o objetivo de reduzir o déficit italiano para 3% em 2012 e para zero até 2014, em comparação com os 3,9% em relação ao PIB registrados neste ano.
Sindicatos e oposição criticam as medidas alegando que elas vão atingir a faixa mais pobre da população com cortes sobretudo em aposentadorias e serviços médicos públicos.
Plano insuficiente
Na avaliação do presidente do Banco Central italiano, Mario Draghi, no entanto, a contenção de gastos traçada pelo plano econômico do governo não é suficiente.
Draghi, que a partir de novembro será o novo presidente do Banco Central Europeu, sugere cortes em outros setores, caso contrário será preciso aumentar os impostos, medida impopular que não é bem vista pelo governo do premiê Silvio Berlusconi.
“É preciso definir rapidamente o conteúdo das próximas medidas que visam obter o equilíbrio de orçamento em 2014. É para isso que a atenção dos mercados está voltada hoje. Há o risco de essas medidas deturparem o sistema de correções baseado sobretudo em cortes de gastos”, afirmou. Analistas também criticaram o pacote pela ausência de medidas para incentivar o crescimento econômico.
Os partidos de oposição, ao mesmo tempo em que apresentaram poucas emendas e prometeram não atrasar a votação do pacote, se opõem às medidas de austeridade e pedem a demissão do gabinete de Berlusconi logo após ao Parlamento aprovar o plano.
Baixo crescimento
Quarta maior economia da União Europeia e terceira maior da zona do euro, a Itália registra um dos menores crescimentos no continente.
Em 2010 o PIB italiano cresceu 1,2% e perdeu o posto de sétima maior economia do mundo para o Brasil.
A enorme dívida pública italiana, de 120% do PIB, foi uma das principais causas do temor que afetou os mercados financeiros na última segunda-feira. Entre os países da zona do euro, esse percentual só é menor que o da Grécia, cujo endividamento atinge 150% da riqueza nacional.
Apesar disso, a Itália tem um dos menores déficits públicos da zona do euro, de 3,9% do PIB, menos que a metade de países mais afetados pela crise como Grécia, Espanha e Irlanda, reduzindo a necessidade de captação de recursos para o pagamento de suas dívidas.
'Sinal forte aos mercados'
Apesar de impopular, o pacote deve ser aprovado pelo Parlamento italiano
A aprovação final das medidas econômicas está prevista para esta sexta-feira, com a aprovação do texto pela Câmara dos Deputados.
“A aprovação (do pacote econômico) em uma semana é algo inédito e é um sinal forte que o governo dá aos mercados”, afirmou o ministro da economia Giulio Tremonti.
O ministro garantiu que vai permanecer no cargo, desmentindo rumores de demissão.
Recentemente o premiê Silvio Berlusconi e outros expoentes do executivo haviam criticado publicamente a excessiva austeridade do plano econômico de Tremonti, temendo perda de consenso do eleitorado.
Na opinião do diretor do jornal Corriere della Sera, Ferruccio De Bortoli, as divisões internas do governo Berlusconi foram uma das causas dos temores que levaram à queda dos títulos italianos.
“A crise dos mercados expôs toda a perda de imagem de um executivo dividido e enfraquecido pelas investigações judiciárias”, comentou.
Para acelerar a votação do decreto de estabilização financeira, os partidos de oposição apresentaram poucas emendas, mas garantem que votarão contra. Eles pedem que após a votação no Parlamento o executivo se demita para dar lugar a um governo de “responsabilidade nacional”
O plano do governo deve ser aprovado sem dificuldades, mesmo com o voto contrário da oposição. Alguns parlamentares governistas também ameaçaram não votar o plano por serem contrários a algumas das medidas previstas.
O plano econômico prevê sobretudo uma redução de gastos públicos, ajustes e cortes no setor previdenciário, redução dos subsídios do governo para administrações regionais, liberalização do mercado, taxação de ganhos em operações financeiras e proibição de que funcionários acumulem cargos públicos.
Crises europeiasEntenda a crise na Grécia e suas implicaçõesSaiba mais sobre o pacote de austeridade da GréciaPesquisa indica aumento em índice de suicídios na Europa durante criseTópicos relacionadosEconomia, União EuropeiaO corte previsto no orçamento é de 79 bilhões de euros (cerca de R$ 180 bilhões), de forma progressiva num prazo de quatro anos, com o objetivo de reduzir o déficit italiano para 3% em 2012 e para zero até 2014, em comparação com os 3,9% em relação ao PIB registrados neste ano.
Sindicatos e oposição criticam as medidas alegando que elas vão atingir a faixa mais pobre da população com cortes sobretudo em aposentadorias e serviços médicos públicos.
Plano insuficiente
Na avaliação do presidente do Banco Central italiano, Mario Draghi, no entanto, a contenção de gastos traçada pelo plano econômico do governo não é suficiente.
Draghi, que a partir de novembro será o novo presidente do Banco Central Europeu, sugere cortes em outros setores, caso contrário será preciso aumentar os impostos, medida impopular que não é bem vista pelo governo do premiê Silvio Berlusconi.
“É preciso definir rapidamente o conteúdo das próximas medidas que visam obter o equilíbrio de orçamento em 2014. É para isso que a atenção dos mercados está voltada hoje. Há o risco de essas medidas deturparem o sistema de correções baseado sobretudo em cortes de gastos”, afirmou. Analistas também criticaram o pacote pela ausência de medidas para incentivar o crescimento econômico.
Os partidos de oposição, ao mesmo tempo em que apresentaram poucas emendas e prometeram não atrasar a votação do pacote, se opõem às medidas de austeridade e pedem a demissão do gabinete de Berlusconi logo após ao Parlamento aprovar o plano.
Baixo crescimento
Quarta maior economia da União Europeia e terceira maior da zona do euro, a Itália registra um dos menores crescimentos no continente.
Em 2010 o PIB italiano cresceu 1,2% e perdeu o posto de sétima maior economia do mundo para o Brasil.
A enorme dívida pública italiana, de 120% do PIB, foi uma das principais causas do temor que afetou os mercados financeiros na última segunda-feira. Entre os países da zona do euro, esse percentual só é menor que o da Grécia, cujo endividamento atinge 150% da riqueza nacional.
Apesar disso, a Itália tem um dos menores déficits públicos da zona do euro, de 3,9% do PIB, menos que a metade de países mais afetados pela crise como Grécia, Espanha e Irlanda, reduzindo a necessidade de captação de recursos para o pagamento de suas dívidas.
'Sinal forte aos mercados'
Apesar de impopular, o pacote deve ser aprovado pelo Parlamento italiano
A aprovação final das medidas econômicas está prevista para esta sexta-feira, com a aprovação do texto pela Câmara dos Deputados.
“A aprovação (do pacote econômico) em uma semana é algo inédito e é um sinal forte que o governo dá aos mercados”, afirmou o ministro da economia Giulio Tremonti.
O ministro garantiu que vai permanecer no cargo, desmentindo rumores de demissão.
Recentemente o premiê Silvio Berlusconi e outros expoentes do executivo haviam criticado publicamente a excessiva austeridade do plano econômico de Tremonti, temendo perda de consenso do eleitorado.
Na opinião do diretor do jornal Corriere della Sera, Ferruccio De Bortoli, as divisões internas do governo Berlusconi foram uma das causas dos temores que levaram à queda dos títulos italianos.
“A crise dos mercados expôs toda a perda de imagem de um executivo dividido e enfraquecido pelas investigações judiciárias”, comentou.
Para acelerar a votação do decreto de estabilização financeira, os partidos de oposição apresentaram poucas emendas, mas garantem que votarão contra. Eles pedem que após a votação no Parlamento o executivo se demita para dar lugar a um governo de “responsabilidade nacional”
O plano do governo deve ser aprovado sem dificuldades, mesmo com o voto contrário da oposição. Alguns parlamentares governistas também ameaçaram não votar o plano por serem contrários a algumas das medidas previstas.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Itália, bola da vez, derruba Bolsas e o euro
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
DE SÃO PAULO
O risco de a Itália -terceira maior economia da zona do euro- ser arrastada para a crise da dívida na Europa derrubou Bolsas de Valores pelo mundo e a cotação do euro ontem.
O temor de contágio para economias maiores -além da italiana, a espanhola- cresceu nos últimos dias. Até agora, a crise está concentrada em Grécia, Portugal e Irlanda, economias periféricas.
A especulação de que a Itália e seus bancos podem sofrer contágio fez a cotação do euro cair 1,7% ante o dólar. As Bolsas europeias também tiveram perdas. A de Milão fechou em queda de quase 4%, e a Bolsa de Frankfurt caiu 2,33%. Na Espanha, a de Madri teve queda de 2,69%.
Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 1,2%
A Bovespa desvalorizou-se em 2,1%, o pior "tombo" num só dia desde fevereiro. "A Itália seria um desafio que faria a Grécia parecer uma miniatura", disse Karl Schamotta, estrategista sênior da Western Union Business Solutions à Reuters.
"Nós temos um problema de contágio de largas proporções, ou pelo menos a percepção de contágio, que deixa as pessoas nervosas." A Itália tem grande dívida pública, equivalente a 120% de seu PIB, o que leva a temores de que não consiga honrar suas obrigações. Soma-se a isso a instabilidade política no país, com um governo impopular e sem condições de fazer reformas fiscais.
Diante da reação dos mercados, a chancelerda Alemanha, Angela Merkel, afirmou que o governo italiano precisa mostrar que irá executar as reformas necessárias para recuperar a confiança na zona do euro.
Merkel disse que pediu ao premiê italiano, Silvio Berlusconi, que implemente rapidamente um pacote de austeridade. Ele teria respondido que fará o que for necessário para assegurar a estabilidade da moeda.
GRÉCIA
Nesse cenário, ministros da zona do euro se reuniram ontem para discutir a situação da Grécia. Mais uma vez, não se chegou a consenso.
Ontem, o jornal "Financial Times" afirmou que os credores europeus estariam preparados para aceitar calote de parte da dívida grega. Segundo fontes ligadas às discussões, o plano francês, que envolve rolagem de títulos pelos bancos privados, voltou a prevalecer.
DE SÃO PAULO
O risco de a Itália -terceira maior economia da zona do euro- ser arrastada para a crise da dívida na Europa derrubou Bolsas de Valores pelo mundo e a cotação do euro ontem.
O temor de contágio para economias maiores -além da italiana, a espanhola- cresceu nos últimos dias. Até agora, a crise está concentrada em Grécia, Portugal e Irlanda, economias periféricas.
A especulação de que a Itália e seus bancos podem sofrer contágio fez a cotação do euro cair 1,7% ante o dólar. As Bolsas europeias também tiveram perdas. A de Milão fechou em queda de quase 4%, e a Bolsa de Frankfurt caiu 2,33%. Na Espanha, a de Madri teve queda de 2,69%.
Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 1,2%
A Bovespa desvalorizou-se em 2,1%, o pior "tombo" num só dia desde fevereiro. "A Itália seria um desafio que faria a Grécia parecer uma miniatura", disse Karl Schamotta, estrategista sênior da Western Union Business Solutions à Reuters.
"Nós temos um problema de contágio de largas proporções, ou pelo menos a percepção de contágio, que deixa as pessoas nervosas." A Itália tem grande dívida pública, equivalente a 120% de seu PIB, o que leva a temores de que não consiga honrar suas obrigações. Soma-se a isso a instabilidade política no país, com um governo impopular e sem condições de fazer reformas fiscais.
Diante da reação dos mercados, a chancelerda Alemanha, Angela Merkel, afirmou que o governo italiano precisa mostrar que irá executar as reformas necessárias para recuperar a confiança na zona do euro.
Merkel disse que pediu ao premiê italiano, Silvio Berlusconi, que implemente rapidamente um pacote de austeridade. Ele teria respondido que fará o que for necessário para assegurar a estabilidade da moeda.
GRÉCIA
Nesse cenário, ministros da zona do euro se reuniram ontem para discutir a situação da Grécia. Mais uma vez, não se chegou a consenso.
Ontem, o jornal "Financial Times" afirmou que os credores europeus estariam preparados para aceitar calote de parte da dívida grega. Segundo fontes ligadas às discussões, o plano francês, que envolve rolagem de títulos pelos bancos privados, voltou a prevalecer.
Líderes da União Europeia têm uma oportunidade única de evitar um desastre monumental
A União Europeia parece ter adotado uma nova regra: se um plano não funciona, continue com ele. Apesar dos milhares protestando em Atenas, e do agito nos mercados, os líderes da Europa têm um curto cronograma para resolver os problemas da zona do euro. Até o fim de junho, a Grécia deverá adotar novas medidas de austeridade, e então receberá os € 12 bilhões de seu primeiro resgate econômico, de €110 bilhões. Isso manterá o país até 2013, quando um fundo de resgate permanente da zona do euro, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) entrará em vigor. O euro será salvo e o mundo aplaudirá.. Esse é o objetivo dos líderes da União Europeia, reunidos em Bruxelas. Mas sua estratégia de negação – se recusando a aceitar o fato de que a Grécia não tem como pagar suas dívidas – se tornou insustentável por três razões.
Em primeiro lugar, as políticas impedindo uma resolução da crise do euro estão se tornando cada vez mais tóxicas, e a Grécia não vê alívio algum ao fim de toda a sua agonia. As pessoas protestam diariamente na Praça Syntagma contra a austeridade. O governo sobreviveu milagrosamente a uma avaliação de confiança nessa semana; o principal partido de oposição se comprometeu a votar contra o plano de austeridade da semana que vem, e alguns membros do Partido Socialista também estão duvidosos quanto a ele. Enquanto isso, eleitores alemães estão apavorados com a possibilidade de um segundo resgate econômico, que eles acreditam que irá simplesmente despejar mais dinheiro em um país incapaz de pagar suas dívidas ou de se reformar. Com o clima se tornando cada vez mais venenoso à medida em que eleições na França, na Alemanha e na própria Grécia se aproximam, o risco de um acidente desastroso – que vão desde uma moratória grega ao colapso da moeda – aumenta.
Em segundo lugar, os mercados estão convencidos de que as medida não funcionarão. Mercadores sabem que a Grécia, cuja dívida está próxima dos 160% do PIB não pagará o que deve. Investidores privados estão evitando um local no qual moratória e desvalorização parecem iminentes, dando a economia grega poucas chances de crescer. Quanto mais longo for o processo de reestruturação, maior será a dívida dos gregos com seus credores oficiais, sejam eles vizinhos da UE ou o FMI – e maior será o peso sobre os contribuintes.
O terceiro ponto da negação é o de que os medos de contágio estão crescendo ao invés de retroceder. Esperanças de que a Grécia fosse o único país a precisar de um resgate econômico foram rapidamente deixadas de lado quando a Irlanda e Portugal também precisaram de ajuda. A zona do euro tentou limitar o problema a essas três pequenas economias, mas as turbulências da última semana colocaram a Espanha e mesmo a Itália novamente no radar dos mercados. A crença de que grandes países da zona do euro poderiam ser protegidos do ataque foi derrubada. Na verdade, longe do simples pânico de contágio, os grandes rumores comparam uma possível moratória grega à Lehman Brothers: assim como a falência do banco de investimentos, em 2008, a moratória grega pode inesperadamente derrubar outros, e devastar a economia mundial.
Enquanto líderes da UE tentam negar a necessidade da moratória, um grupo cada vez maior começa a migrar para o lado oposto, o dos que acreditam que a Grécia deve abraçar a moratória, se afastar de suas dívidas, abandonar o euro e ressuscitar a dracma (semelhantemente ao que o Reino Unido fez, quando abandonou o padrão do ouro em 1931, ou a Argentina, que se livrou de sua moeda em 2001).
Essa opção seria catastrófica, tanto para a Grécia, quanto para a UE. Mesmo com controles de capital, alguns bancos gregos quebrariam. A nova dracma afundaria, tornando o fardo da dívida grega ainda maior. A inflação dispararia como a alta dos preços de importação e a Grécia teria que imprimir mais dinheiro para financiar seu déficit. Os benefícios de uma moeda mais fraca seria minúsculos: as exportações gregas são responsáveis por uma pequena fatia do PIB nacional. O país ainda precisaria de financiamento externo, mas quem emprestaria dinheiro aos gregos? E risco de contágio seria maior com a reestruturação: se a Grécia puder abandonar o barco, por que não Portugal, ou mesmo Espanha e Itália? Se a zona d euro rachasse, a pressão no mercado único seria gigantesca.
A Terceira Opção
Há uma outra alternativa: uma reestruturação ordenada das dívidas gregas, diminuindo seu valor pela metade, para cerca de 80% do PIB. Não seria um choque para os mercados, que há muito tempo esperam uma moratória (uma grande diferença na comparação coma Lehman). Os bancos que ainda mantém um grande volume de títulos estão em melhores condições de absorver perdas hoje do que no ano passado. Mesmo se as dívidas gregas fossem reduzidas pela metade, a perda ainda representaria uma proporção absorvível do capital da maioria dos bancos europeus.
Essa reestruturação seria arriscada. Fazê-la agora cristalizaria perdas par os bancos e contribuintes por toda a Europa, e não iria, sozinha, resolver os problemas da Grécia. A economia do país atravessa uma profunda recessão e lida com um déficit orçamentário primário. Ainda que a Grécia reestruture sua dívida e abrace as reformas exigidas pela UE e o FMI, ainda precisará de apoio externo por alguns anos. Isso deve gerar mais políticas de controle fiscal de Bruxelas, fazendo da zona do euro um grupo mais politicamente integrado. Ainda que isso não signifique um superestado com seu próprio ministério financeiro, os líderes da UE ainda não começaram a explicar as possíveis ramificações dessa integração a seus eleitores. Mas pelo menos, a Grécia e os mercados teriam um plano com chances de funcionar.
Não importa qual ladainha eles propaguem nesta semana, os líderes da UE mais cedo ou mais tarde terão que fazer uma escolha entre três opções: transferências gigantescas para a Grécia que irão enfurecer outros europeus; uma moratória desordenada que irá desestabilizar os mercados e pôr em risco o projeto europeu, e um debate sobre as instituições das quais a Europa precisará. Mas essa é a melhor saída para a Grécia e o euro, e essa opção não estará disponível por muito tempo. Os líderes europeus devem agarrá-la enquanto podem.
Em primeiro lugar, as políticas impedindo uma resolução da crise do euro estão se tornando cada vez mais tóxicas, e a Grécia não vê alívio algum ao fim de toda a sua agonia. As pessoas protestam diariamente na Praça Syntagma contra a austeridade. O governo sobreviveu milagrosamente a uma avaliação de confiança nessa semana; o principal partido de oposição se comprometeu a votar contra o plano de austeridade da semana que vem, e alguns membros do Partido Socialista também estão duvidosos quanto a ele. Enquanto isso, eleitores alemães estão apavorados com a possibilidade de um segundo resgate econômico, que eles acreditam que irá simplesmente despejar mais dinheiro em um país incapaz de pagar suas dívidas ou de se reformar. Com o clima se tornando cada vez mais venenoso à medida em que eleições na França, na Alemanha e na própria Grécia se aproximam, o risco de um acidente desastroso – que vão desde uma moratória grega ao colapso da moeda – aumenta.
Em segundo lugar, os mercados estão convencidos de que as medida não funcionarão. Mercadores sabem que a Grécia, cuja dívida está próxima dos 160% do PIB não pagará o que deve. Investidores privados estão evitando um local no qual moratória e desvalorização parecem iminentes, dando a economia grega poucas chances de crescer. Quanto mais longo for o processo de reestruturação, maior será a dívida dos gregos com seus credores oficiais, sejam eles vizinhos da UE ou o FMI – e maior será o peso sobre os contribuintes.
O terceiro ponto da negação é o de que os medos de contágio estão crescendo ao invés de retroceder. Esperanças de que a Grécia fosse o único país a precisar de um resgate econômico foram rapidamente deixadas de lado quando a Irlanda e Portugal também precisaram de ajuda. A zona do euro tentou limitar o problema a essas três pequenas economias, mas as turbulências da última semana colocaram a Espanha e mesmo a Itália novamente no radar dos mercados. A crença de que grandes países da zona do euro poderiam ser protegidos do ataque foi derrubada. Na verdade, longe do simples pânico de contágio, os grandes rumores comparam uma possível moratória grega à Lehman Brothers: assim como a falência do banco de investimentos, em 2008, a moratória grega pode inesperadamente derrubar outros, e devastar a economia mundial.
Enquanto líderes da UE tentam negar a necessidade da moratória, um grupo cada vez maior começa a migrar para o lado oposto, o dos que acreditam que a Grécia deve abraçar a moratória, se afastar de suas dívidas, abandonar o euro e ressuscitar a dracma (semelhantemente ao que o Reino Unido fez, quando abandonou o padrão do ouro em 1931, ou a Argentina, que se livrou de sua moeda em 2001).
Essa opção seria catastrófica, tanto para a Grécia, quanto para a UE. Mesmo com controles de capital, alguns bancos gregos quebrariam. A nova dracma afundaria, tornando o fardo da dívida grega ainda maior. A inflação dispararia como a alta dos preços de importação e a Grécia teria que imprimir mais dinheiro para financiar seu déficit. Os benefícios de uma moeda mais fraca seria minúsculos: as exportações gregas são responsáveis por uma pequena fatia do PIB nacional. O país ainda precisaria de financiamento externo, mas quem emprestaria dinheiro aos gregos? E risco de contágio seria maior com a reestruturação: se a Grécia puder abandonar o barco, por que não Portugal, ou mesmo Espanha e Itália? Se a zona d euro rachasse, a pressão no mercado único seria gigantesca.
A Terceira Opção
Há uma outra alternativa: uma reestruturação ordenada das dívidas gregas, diminuindo seu valor pela metade, para cerca de 80% do PIB. Não seria um choque para os mercados, que há muito tempo esperam uma moratória (uma grande diferença na comparação coma Lehman). Os bancos que ainda mantém um grande volume de títulos estão em melhores condições de absorver perdas hoje do que no ano passado. Mesmo se as dívidas gregas fossem reduzidas pela metade, a perda ainda representaria uma proporção absorvível do capital da maioria dos bancos europeus.
Essa reestruturação seria arriscada. Fazê-la agora cristalizaria perdas par os bancos e contribuintes por toda a Europa, e não iria, sozinha, resolver os problemas da Grécia. A economia do país atravessa uma profunda recessão e lida com um déficit orçamentário primário. Ainda que a Grécia reestruture sua dívida e abrace as reformas exigidas pela UE e o FMI, ainda precisará de apoio externo por alguns anos. Isso deve gerar mais políticas de controle fiscal de Bruxelas, fazendo da zona do euro um grupo mais politicamente integrado. Ainda que isso não signifique um superestado com seu próprio ministério financeiro, os líderes da UE ainda não começaram a explicar as possíveis ramificações dessa integração a seus eleitores. Mas pelo menos, a Grécia e os mercados teriam um plano com chances de funcionar.
Não importa qual ladainha eles propaguem nesta semana, os líderes da UE mais cedo ou mais tarde terão que fazer uma escolha entre três opções: transferências gigantescas para a Grécia que irão enfurecer outros europeus; uma moratória desordenada que irá desestabilizar os mercados e pôr em risco o projeto europeu, e um debate sobre as instituições das quais a Europa precisará. Mas essa é a melhor saída para a Grécia e o euro, e essa opção não estará disponível por muito tempo. Os líderes europeus devem agarrá-la enquanto podem.
sábado, 9 de julho de 2011
Mais Protecionismo e Subsidios contra o Brasil
Obama,que tem o dom da palavra que deixou claro durante as eleiçoes,voltou a usá-lo para motivar os americanos.No seu tradicional discurso anual sobre o Estado da União,obama foi direto e conclamou seus conterrâneos a lutarem por mais espaço econômico no bolo da riqueza planetária.Falou da necessidade de vencer a competiçao com os emergentes.Defendeu mais investimentos na área de inovaçao e elegeu como alvo número 1 a energia limpa.E nesse campo o adversário direto é o proprio Brasil com a sua tecnologia avançada do etanol.A queda de braço já está armada e os brasileiros devem se preparar para mais protecionismo e mais subsídios a produtores locais naquele país.
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