terça-feira, 12 de julho de 2011

Líderes da União Europeia têm uma oportunidade única de evitar um desastre monumental

A União Europeia parece ter adotado uma nova regra: se um plano não funciona, continue com ele. Apesar dos milhares protestando em Atenas, e do agito nos mercados, os líderes da Europa têm um curto cronograma para resolver os problemas da zona do euro. Até o fim de junho, a Grécia deverá adotar novas medidas de austeridade, e então receberá os € 12 bilhões de seu primeiro resgate econômico, de €110 bilhões. Isso manterá o país até 2013, quando um fundo de resgate permanente da zona do euro, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) entrará em vigor. O euro será salvo e o mundo aplaudirá.. Esse é o objetivo dos líderes da União Europeia, reunidos em Bruxelas. Mas sua estratégia de negação – se recusando a aceitar o fato de que a Grécia não tem como pagar suas dívidas – se tornou insustentável por três razões.

Em primeiro lugar, as políticas impedindo uma resolução da crise do euro estão se tornando cada vez mais tóxicas, e a Grécia não vê alívio algum ao fim de toda a sua agonia. As pessoas protestam diariamente na Praça Syntagma contra a austeridade. O governo sobreviveu milagrosamente a uma avaliação de confiança nessa semana; o principal partido de oposição se comprometeu a votar contra o plano de austeridade da semana que vem, e alguns membros do Partido Socialista também estão duvidosos quanto a ele. Enquanto isso, eleitores alemães estão apavorados com a possibilidade de um segundo resgate econômico, que eles acreditam que irá simplesmente despejar mais dinheiro em um país incapaz de pagar suas dívidas ou de se reformar. Com o clima se tornando cada vez mais venenoso à medida em que eleições na França, na Alemanha e na própria Grécia se aproximam, o risco de um acidente desastroso – que vão desde uma moratória grega ao colapso da moeda – aumenta.

Em segundo lugar, os mercados estão convencidos de que as medida não funcionarão. Mercadores sabem que a Grécia, cuja dívida está próxima dos 160% do PIB não pagará o que deve. Investidores privados estão evitando um local no qual moratória e desvalorização parecem iminentes, dando a economia grega poucas chances de crescer. Quanto mais longo for o processo de reestruturação, maior será a dívida dos gregos com seus credores oficiais, sejam eles vizinhos da UE ou o FMI – e maior será o peso sobre os contribuintes.

O terceiro ponto da negação é o de que os medos de contágio estão crescendo ao invés de retroceder. Esperanças de que a Grécia fosse o único país a precisar de um resgate econômico foram rapidamente deixadas de lado quando a Irlanda e Portugal também precisaram de ajuda. A zona do euro tentou limitar o problema a essas três pequenas economias, mas as turbulências da última semana colocaram a Espanha e mesmo a Itália novamente no radar dos mercados. A crença de que grandes países da zona do euro poderiam ser protegidos do ataque foi derrubada. Na verdade, longe do simples pânico de contágio, os grandes rumores comparam uma possível moratória grega à Lehman Brothers: assim como a falência do banco de investimentos, em 2008, a moratória grega pode inesperadamente derrubar outros, e devastar a economia mundial.

Enquanto líderes da UE tentam negar a necessidade da moratória, um grupo cada vez maior começa a migrar para o lado oposto, o dos que acreditam que a Grécia deve abraçar a moratória, se afastar de suas dívidas, abandonar o euro e ressuscitar a dracma (semelhantemente ao que o Reino Unido fez, quando abandonou o padrão do ouro em 1931, ou a Argentina, que se livrou de sua moeda em 2001).

Essa opção seria catastrófica, tanto para a Grécia, quanto para a UE. Mesmo com controles de capital, alguns bancos gregos quebrariam. A nova dracma afundaria, tornando o fardo da dívida grega ainda maior. A inflação dispararia como a alta dos preços de importação e a Grécia teria que imprimir mais dinheiro para financiar seu déficit. Os benefícios de uma moeda mais fraca seria minúsculos: as exportações gregas são responsáveis por uma pequena fatia do PIB nacional. O país ainda precisaria de financiamento externo, mas quem emprestaria dinheiro aos gregos? E risco de contágio seria maior com a reestruturação: se a Grécia puder abandonar o barco, por que não Portugal, ou mesmo Espanha e Itália? Se a zona d euro rachasse, a pressão no mercado único seria gigantesca.

A Terceira Opção

Há uma outra alternativa: uma reestruturação ordenada das dívidas gregas, diminuindo seu valor pela metade, para cerca de 80% do PIB. Não seria um choque para os mercados, que há muito tempo esperam uma moratória (uma grande diferença na comparação coma Lehman). Os bancos que ainda mantém um grande volume de títulos estão em melhores condições de absorver perdas hoje do que no ano passado. Mesmo se as dívidas gregas fossem reduzidas pela metade, a perda ainda representaria uma proporção absorvível do capital da maioria dos bancos europeus.

Essa reestruturação seria arriscada. Fazê-la agora cristalizaria perdas par os bancos e contribuintes por toda a Europa, e não iria, sozinha, resolver os problemas da Grécia. A economia do país atravessa uma profunda recessão e lida com um déficit orçamentário primário. Ainda que a Grécia reestruture sua dívida e abrace as reformas exigidas pela UE e o FMI, ainda precisará de apoio externo por alguns anos. Isso deve gerar mais políticas de controle fiscal de Bruxelas, fazendo da zona do euro um grupo mais politicamente integrado. Ainda que isso não signifique um superestado com seu próprio ministério financeiro, os líderes da UE ainda não começaram a explicar as possíveis ramificações dessa integração a seus eleitores. Mas pelo menos, a Grécia e os mercados teriam um plano com chances de funcionar.

Não importa qual ladainha eles propaguem nesta semana, os líderes da UE mais cedo ou mais tarde terão que fazer uma escolha entre três opções: transferências gigantescas para a Grécia que irão enfurecer outros europeus; uma moratória desordenada que irá desestabilizar os mercados e pôr em risco o projeto europeu, e um debate sobre as instituições das quais a Europa precisará. Mas essa é a melhor saída para a Grécia e o euro, e essa opção não estará disponível por muito tempo. Os líderes europeus devem agarrá-la enquanto podem.

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