Em agosto, vários bancos atuando na Europa perceberam um aumento nas perdas de crédito. Entre eles estavam UniCredit, Erste Group e OTP. Havia esperança de que as perdas de crédito diminuíssem, mas ao invés disso, elas dispararam. Na Letônia, um quinto da dívida que se destaca é improdutivo. No Cazaquistão, o índice ultrapassa um terço da dívida. Mesmo com boa parte do sistema bancário europeu se reerguendo após a crise, os números do leste mostram que o trabalho de recuperação ainda está longe de terminar.
Na Hungria e na Polônia, a dívida improdutiva está abaixo dos 8%, mas vem crescendo, e, como suas economias são maiores, o estrago também ser mais devastador. Na Ucrânia, o índice também está abaixo dos 10%, mas os bancos serão punidos por fazer empréstimos, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que o índice verdadeiro beire os 30%. O grande motivo para o aumento das dívidas improdutivas é o fato de muitos bancos terem se acostumado a pedir dinheiro emprestado em moedas estrangeiras, como o franco suíço, que oferecia juros menores que as moedas locais. Com a valorização da moeda suíça, cresceram também os juros e as dívidas dos países do leste.
O grande perigo é que os credores vejam que seu capital passou a ser prejudicado com a série de maus empréstimos. Isso poderia levar a uma paralisação do sistema bancário europeu. “Há o risco de um congelamento semelhante ao que aconteceu no Japão. A preocupação não é com uma crise bancária, mas com um a interrupção na recuperação”, diz Piroska Nagy, do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento. Os governos não querem forçar uma conversão das dívidas em moeda estrangeira para moedas locais, pois isso cristalizaria as dívidas, que teria então que ser apoiadas pelos bancos. A Hungria baniu as hipotecas em moeda estrangeira e a Polônia adotou medidas mais rígidas para controlar o crescimento das dívidas. A curto prazo, essas decisões podem acabar tendo o efeito reverso do esperado, e atrapalhando o fornecimento de crédito a economias que precisam desesperadamente dele.
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