terça-feira, 26 de julho de 2011

Crescimento da dívida pode congelar recuperação econômica europeia

Em agosto, vários bancos atuando na Europa perceberam um aumento nas perdas de crédito. Entre eles estavam UniCredit, Erste Group e OTP. Havia esperança de que as perdas de crédito diminuíssem, mas ao invés disso, elas dispararam. Na Letônia, um quinto da dívida que se destaca é improdutivo. No Cazaquistão, o índice ultrapassa um terço da dívida. Mesmo com boa parte do sistema bancário europeu se reerguendo após a crise, os números do leste mostram que o trabalho de recuperação ainda está longe de terminar.

Na Hungria e na Polônia, a dívida improdutiva está abaixo dos 8%, mas vem crescendo, e, como suas economias são maiores, o estrago também ser mais devastador. Na Ucrânia, o índice também está abaixo dos 10%, mas os bancos serão punidos por fazer empréstimos, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que o índice verdadeiro beire os 30%. O grande motivo para o aumento das dívidas improdutivas é o fato de muitos bancos terem se acostumado a pedir dinheiro emprestado em moedas estrangeiras, como o franco suíço, que oferecia juros menores que as moedas locais. Com a valorização da moeda suíça, cresceram também os juros e as dívidas dos países do leste.
O grande perigo é que os credores vejam que seu capital passou a ser prejudicado com a série de maus empréstimos. Isso poderia levar a uma paralisação do sistema bancário europeu. “Há o risco de um congelamento semelhante ao que aconteceu no Japão. A preocupação não é com uma crise bancária, mas com um a interrupção na recuperação”, diz Piroska Nagy, do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento. Os governos não querem forçar uma conversão das dívidas em moeda estrangeira para moedas locais, pois isso cristalizaria as dívidas, que teria então que ser apoiadas pelos bancos. A Hungria baniu as hipotecas em moeda estrangeira e a Polônia adotou medidas mais rígidas para controlar o crescimento das dívidas. A curto prazo, essas decisões podem acabar tendo o efeito reverso do esperado, e atrapalhando o fornecimento de crédito a economias que precisam desesperadamente dele.

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