sábado, 18 de setembro de 2010

Governo americano volta a fazer pressão sobre o iuane

WASHINGTON - Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, reivindicou ontem uma apreciação significativa e sustentada da moeda chinesa durante um comparecimento no Congresso, onde os legisladores acusaram o governo de não atuar firmemente com relação a Pequim.

"A China necessita de uma apreciação significativa e sustentada para corrigir a desvalorização [de sua moeda] e permitir que a taxa cambial reflita plenamente as forças do mercado", disse Geithner em uma audiência do comitê de bancos do Senado.

Usando o tom mais severo até agora para falar sobre o ponto de embate entre Estados Unidos e China, Geithner disse que o iuane está se fortalecendo muito lentamente e que o governo Obama está buscando maneiras de apressar as autoridades chinesas.

Os parlamentares, que avaliam uma nova lei para punir a China por práticas cambiais que manteriam o iuane artificialmente desvalorizado, interrogaram Geithner sobre o motivo de não ter rotulado formalmente a China de manipuladora cambial, e pediram medidas concretas do governo norte-americano.

Se a acusação formal for feita, os Estados Unidos serão obrigados a estabelecer conversas bilaterais com o país ou transferir o assunto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Porém, apesar de ter sido veemente, Geithner procurou ganhar tempo para os esforços diplomáticos dos Estados Unidos com a China, dizendo que seu país usará a cúpula do Grupo dos 20 (G-20, que reúne os países emergentes e os ricos) em Seul na tentativa de mobilizar apoio para a reforma cambial chinesa.

"Nós compartilhamos a frustração dos senhores", disse Geithner em Washington, embora tenha ponderado sua declaração ao dizer que a política cambial da China não oferece risco sistêmico. Ele não falou sobre as medidas que estão consideradas.

Pequim anunciou no último dia 19 de junho que permitiria uma flutuação mais livre de sua divisa, apesar de o iuane de não ter registrado mudanças nos mercados desde então. O governo de Wen Jiabao limitou a valorização do iuane a menos de 1% face ao dólar desde então. Um sinal de que o executivo chinês não afrouxou o controlo sobre o valor do iuane, mantendo-o artificialmente baixo e conferindo maior competitividade às exportações.

Ontem, o governo chinês advertiu que as pressões externas sobre Pequim para uma valorização do iuane não resolvem o problema, poucas horas antes do secretário do Tesouro dos Estados Unidos falar em Washington sobre o nível da moeda chinesa.

"Exercer pressões não pode resolver os problemas. Isto provoca o contrário", declarou à imprensa a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Jiang Yu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário